Revelações - Parte 2
- Não vai conseguir de primeira, Meri. - Lusmore sorriu de leve - Você está acostumada demais com a varinha. Embora seja uma magia fácil de fazer mesmo sem condutores, você ainda não tem prática.
Ao mesmo tempo em que dizia isso, ele brincava com a bolinha brilhante que conjurara do nada, fazendo-a perder-se entre seus dedos.
A ruiva suspirou, fechando os olhos, enquanto tentava se concentrar. Quando Lusmore se prontificou a ensinar um pouco de Antiga Magia para ela, Meridiana imaginou que as coisas seriam um pouco difíceis, mas não tanto quando estavam sendo. O bardo dizia que ela realmente tinha aptidão para ser uma elemental, entretanto, havia momentos, como agora, em que Meri sentia que talvez aquilo não fosse para ela.
Meridiana sabia qual era o problema. Não era o costume com a varinha, não era a falta de condutores mais específicos que o colar de sua mãe que ela usava de improviso, tampouco era a falta de prática. Era a tendência da moça de se ater tanto ao lado racional das coisas. Raven até costumava brincar que elas eram as irmãs Dashwood, escritas no séc. passado por Jane Austen. Obviamente, Meri era a Razão, enquanto Raven era a Sensibilidade.
Mas, se ela queria alcançar algum progresso no que se propusera, era hora de Meridiana escutar mais suas intuições, afinal, Antiga Magia era a magia dos sentimentos, das sensações.
Lusmore decidira a começar ensinando o básico para a ruiva. Como entrar em contato e manipular os elementos. Hoje estavam trabalhando com o ar... Era exatamente isso que ele estava fazendo no momento, manipulando o ar para fazer a bolinha. Nas palavras do rapaz, tudo o que ela precisava fazer era a mente aberta para aquele elemento "fluir" através dela e assim tomar as formas que ela desejasse. Era simplesmente um estado de espírito.
Meridiana relaxou o corpo, tentando esvaziar a mente de qualquer dúvida, qualquer tentativa de trabalhar logicamente com aquilo...Aos poucos, ela começou a se sentir mais leve... Uma lufada de vento, vinda não se sabe de onde, parecia começar a rodea-la, fazendo com que os cachos carmesim ondulassem suavemente.
Foi pouco depois disso que a passagem se abriu, deixando passar por ela Isaac Cyan. Meri surpreendeu-se ligeiramente ao reconhecer o corvinal - ele nunca aparecia no QG desde a chegada de Lusmore, a não ser que houvesse alguma coisa importante acontecendo. Mas não fora exatamente isso que chamara sua atenção e sim o fato de que o canto da boca do rapaz estava sangrando.
Lusmore também pareceu surpreso e levantou-se para receber o recém-chegado.
- O que diabos aconteceu com você? - o bardo perguntou, curioso.
- Mina apareceu por aqui? - foi a resposta do rapaz.
- Por favor, não me diga que foi ela quem fez isso... - Meri pediu, levantando-se também.
Isaac fixou o olhar na ruiva, meneando a cabeça.
- Não. Eu encontrei David Fenwick agora há pouco e, por assim dizer, ele não teve um bom dia.
- Mina contou para ele sobre o irmão. - Lusmore compreendeu.
- Na verdade, pelo que o David balbuciou, e metade foi incompreensível, ela disse tudo. Até que tinha se aproximado dele a princípio para investigá-lo. - ele revirou os olhos - Uma maneira interessante de conservar uma amizade, sem dúvida alguma. Não é à toa que ele estava tão irritado.
Isaac limpou de novo o canto da boca, sentindo o gosto de sangue nos lábios. Entretanto, não estava preocupado com aquilo. Se a reação de David ao vê-lo fora tão violenta, considerando a natureza pacífica do outro, preocupava-o mais saber que a primeira pessoa com quem Fenwick explodira fora justamente Mina. Pelo que entendera, David achava que aquilo era alguma espécie de brincadeira de mal gosto - ele não acreditara em nenhuma palavra do que ouvira.
- Ela esteve aqui mais cedo para pegar a penseira. Não sei como, enfiou aquele negócio na mochila e saiu resmungando. - Lusmore respondeu finalmente.
- Ela pode estar em qualquer lugar do castelo. - Meri observou - Talvez devéssemos chamar os outros para procurar.
- Não vai ser necessário. - Lusmore respondeu, fechando os olhos - Ela está nas masmorras. Ou, ao menos, eu acredito que sejam as masmorras.
Meri e Isaac o encararam, surpresos.
- Como você pode saber disso?
Lusmore suspirou, reabrindo os olhos.
- O anel. Não foi apenas uma brincadeira de mau gosto, como alguns possam pensar. - ele respondeu - Há um feitiço de ligação nele. Enquanto Mina usá-lo, eu posso ter uma idéia de onde ela se mete. Mas eu não estou com a capa do Satanio aqui.
- Eu... - Meri começou.
- Eu vou. - Isaac cortou-a rapidamente - Desculpe, Meri, mas nessa questão do David, eu estive mais próximo. Será mais fácil se ela quiser conversar.
E, sem esperar resposta, ele voltou a deixar o QG.
por todos acima
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