Revelações - Parte 1
Ela observou o pergaminho enrolado diante de si. Herman lhe entregara àquela manhã a edição nova do Olho do Grifo e, desde então, passara o dia caminhando para cima e para baixo com ele no bolso. A atitude que precisava tomar lhe era clara, desde que começara a escrever aquele último texto. Mas a coragem para fazê-lo ainda era quase nula.
Mina passou a mão pelos cabelos trançados, fazendo com que alguns fios soltos lhe caíssem sobre o rosto. Não podia mais adiar aquela conversa, por mais dolorosa que ela pudesse ser. Ela ergueu a cabeça ao perceber uma presença conhecida, e sentiu um peso desagradável no estômago ao perceber o sorriso gentil de David, enquanto ele parava diante dela.
- Foi uma surpresa receber sua coruja, Mina. - ele observou - Aconteceu alguma coisa?
- Aconteceu. - ela anuiu, levantando-se - Mas acho que não poderemos ter essa conversa na biblioteca.
Ele estreitou os olhos ligeiramente, mas a seguiu após ela recolher o material e deixar o recinto. Mina o guiou para as masmorras, onde havia mais salas desocupadas e menos pessoas interessadas em ouvir conversas alheias. Não esperava que aquele diálogo que tencionava ter com David terminasse muito bem, e tanto melhor seria então se ele ocorresse longe de olhos e ouvidos inconvenientes.
Finalmente, eles chegaram a uma sala vazia e Mina deixou que o rapaz passasse à frente, antes de passar também e fechar a porta atrás de si.
- Sente-se, David. - ela pediu, enquanto se encostava ao velho birô do professor, tirando o pergaminho do jornal do bolso e entregando a ele - Leia isso aqui.
Ligeiramente intrigado, ele obedeceu. Mina observou-o devorar em silêncio o novo texto da domadora, antes de voltar-se novamente para ela.
- Você está querendo dizer que é a Domadora de Dragões?
Mina assentiu.
- Sim, eu sou. Mas não foi por isso ainda que eu chamei você. - ela fez uma ligeira pausa, encarando com certo nervosismo o bico dos sapatos antes de voltar a atenção para o rapaz - David, seu pai já viajou para ver seu irmão?
- Eu não tenho certeza, mas ele deve estar viajando por esses dias. - David respondeu, cada vez mais confuso - Mas o que isso tem a ver?
- Tem tudo a ver, David. - ela respondeu - Seu pai não vai encontrar Victor em Berlim. E, receio eu, nem sua avó.
- Mina, que... Que espécie de brincadeira é essa? - o corvinal perguntou, levantando-se - Eu não estou entendendo, o que tudo isso tem a ver...
- Seu irmão, Victor Fenwick, era um comensal da morte, David. - Mina interrompeu-o, séria, levantando-se também - E morreu diante dos meus olhos, nas Hébridas, durante as férias de verão.
continua....
por Mina
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