Canção de Ninar
Quando o quadro se abriu, o inquilino levantou o rosto para ver quem era. Pelo horário, Lusmore sabia que era uma das garotas trazendo seu café da manhã e mais algumas outras coisas, já que seu pequeno estoque acabara na noite anterior. Apesar de ter se colocado no QG contra a vontade das mafiosas, elas o estavam tratando muito bem, principalmente a lufana que entrava.
O moreno sabia que ela acabara não tendo opção de ser a encarregada em trazer-lhe comida, já que sua casa ficava ao lado da cozinha. O que ele não podia adivinhar era que Mina não dera opção alguma à Sam, pois não queria ficar sempre indo ver o primo indesejado e como Lore também não era muito fã do bardo...
- Bom dia Samantha, que bom ter uma visão tão linda de manhã cedo. - Lusmore sorriu e andou até a lufana.
- Bom dia. Espero que essa quantidade dure um pouco mais do que a última. Os elfos estão me olhando estranho... Acho que se perguntam para onde vai toda a a comida que pego - Sam colocou as cestas na mesa, juntos com as garrafas. - Espero que não se importe que eu pegue um pouco do seu café?
Ela não se fez de rogada e pegou uma caneca de café para si, mesmo sem a resposta do rapaz. Quando se aproximou de Sam, Lusmore pode perceber as olheiras da jovem a sua frente e o rosto cansado.
- Noite agitada? Espero que não tenham dado uma festa e tenham esquecido de mim. Sempre achei que era uma pessoa inesquecível. - ele sorriu fazendo charme.
Sem reparar no sorriso que lhe foi dirigido, Sam sentou em um dos pufes descansando. Gostava de ficar conversando com Lusmore, algo que estava acontecendo cada vez mais. Talvez porque nos horários que ela ia até o QG, ele estava só e ela ficava fazendo companhia a ele.
- Nossas festas acontecem aqui e, como é sua atual casa, acho que será convidado. Somente acho, porque nossos convidados têm que se comportar bem para tal. - deu um meio sorriso antes de beber um gole do café. - Só dormi pouco e mal, nada demais.
Sam afundou mais o corpo no puff e fechou levemente os olhos, piscando mais lentamente. Sorriu levemente ao pensar que era sábado e que ao menos não precisava ficar se preocupando com as aulas. Só precisava pensar em como escapar da aula marcada com as outras mafiosas.
- Eu posso ser bonzinho e deixar você descansar um pouco aqui, se me prometer arranjar shortbreads que nem os que tia Holly faz em casa. Faz tempo que eu estou pedindo... Até te escondo das outras meninas. - Lusmore pegou um dos pães e se jogou no puff ao lado.
- Se você me arranjar a receita, eu vou lembrar de pedir aos elfos para fazerem, pode deixar. É tanta coisa na minha cabeça que estou ficando um pouco esquecida. - a lufana suspirou levemente.
- Que conversar sobre algo?
Lusmore normalmente não perguntaria o que acontecera, mas naquele momento se lembrou que fora ela que o convidara a ficar, mesmo a contragosto, no QG e o ajudava em certo momentos.
Sam colocou sua caneca no chão e virou de lado, olhando para o rapaz a sua frente. Depois que aceitara que Lusmore iria ficar no canto delas em Hogwarts e não ficara mais dando patadas nele, a convivência entre eles se tornou amigável. Sabia porque dormira tão mal Até pensou em falar alguma das coisas que passavam em sua mente, mas não sabia qual seria a reação dele, era tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo que ela estava cansada. O Olho da Serpente, a mudança dos seus pais e o que conversaram na páscoa, o que acontecera com a Lore e depois com Mina....
- Deixa pra lá. Minha mente tá uma bagunça que até para falar algo eu acho que vai sair enrolado. - Sam abriu os olhos rapidamente, lembrou do poder de Lusmore. - Mas não precisa vir ajeitar nada não, deixa minha zona quieta.
- Medo que eu encontre algo que não deva? - ele deu um meio sorriso - Já falei que não precisa se preocupar, não vou entrar na sua mente sem sua permissão.
- Vou aceitar isso como sua palavra de cavalheiro. - Sam fechou delicadamente os olhos. - Não sei se consigo dormir, mas só ficar quietinha aqui está tão bom... Estou quase aceitando sua proposta de me esconder da Mina e da Lore e assim não estudar.
This old house is falling down around my ears
I am drowning in a river of my tears
When all my will is gone you hold me sway
And I need you at the dimming of the day
Lusmore se levantou e sentou no chão ao lado da lufana, começando a cantar baixinho uma das típicas canções de sua terra. Holly gostava daquela música e costumava fazer o contralto enquanto Mina arriscava-se no soprano...
You pull me like the moon pulls on the tide
You know just where I keep my better side
What days have come to keep us far apart
A broken promise or a broken heart
Now all the bonnie birds have wheeled away
And I need you at the dimming of the day
O efeito foi praticamente imediato. Logo Sam ressonava tranqüilamente, a expressão ligeiramente mais relaxada. Sem deixar de cantar, ele levantou-se e, delicadamente, puxou-a do pufe, carregando-a até a cama que tinham arranjado para ele. Após tê-la deitado, ele a observou por alguns instantes, percebendo que ela tinha um pequeno sorriso no rosto.
Agora Sam estava realmente descansando.
Come the night you're only what I want
Come the night you could be my confidant
Algum tempo depois, imerso em sua observação, ele percebeu o que estava fazendo e, meneando a cabeça para si mesmo, deixou o biombo para trás, permitindo que a garota tivesse alguma privacidade para seu descanso.
Então, jogou-se sentado no pufe que ela ocupara antes, puxando para si a xícara de café de que se servira. E, observando o líqüido negro com certo desalento, ele se viu perguntando o que o mundo estava fazendo com aquelas crianças, onde todos tinham que crescer rapidamente e assumir responsabilidades sobre vidas alheias tão cedo...
I see you on the street in company
Why don't you come and ease your mind with me
I am living for the night we steal away
And I need you at the dimming of the day
Yes I need you at the dimming of the day*
por Sam e Mina
------------------------------------
shortbreads - biscoitos amanteigados típicos da Escócia.
*² Dimming of the Day - Richard Thompson
No comments:
Post a Comment