Friday, December 07, 2007

Quando chega a escuridão - parte final

Raven suspirou ao perceber que, apesar da poção que forçara a outra a engolir, ainda não seria com aquilo que Mina iria acordar. Teria que fazer mais forte... A questão é que o organismo da outra menina poderia não agüentar uma dose mais forte daquele antídoto.

Ela se largou no chão, do lado do sofá em que as meninas tinham colocado a domadora. No final das contas, quando Sam chegara, viera não apenas com Raven, mas também Lorelai e Herman nos calcanhares. Herman saíra à pouco, com o intuito de procurar os outros e Raven começara então a tentar descobrir o que Mina tinha ingerido.

- É uma poção do sono. - ela tinha chegado afinal ao veredicto - Mas excepcionalmente forte. Quem quer que a tenha feito, queria deixar a Mina vários dias fora do ar.

- E há alguma coisa que possamos fazer para acordá-la aqui mesmo? - Meri perguntou - Seria melhor manter isso fora do domínio da direção, ainda não temos como provar nada e explicar como a Mina tomou uma poção para dormir excepcionalmente forte acabaria gerando problemas. Especialmente para ela.

- Eu vou tentar, Meri, mas não posso garantir nada, porque não sei exatamente o que usaram nesses bombons. - Raven respondeu, o semblante preocupado.

Enquanto isso, Lorelai terminava de fazer um pequeno curativo no corte da testa. Mina suava frio e de vez em quando fazia caretas em seu sono, como se sentisse dor.

- Quem pode ter trazido isso aqui pra dentro? - Sam perguntou, desviando por alguns momentos a atenção dos cuidados com a amiga.

- Nós vamos tratar de descobrir isso assim que Mina acordar. Seja lá quem tenha sido, é alguém que conhece o fraco da Mina por chocolates e que sabe sobre o QG e sobre como ter acesso a ele. O que nos deixa uma opção não muito alentadora. - Meri respondeu, sombria - Quem fez isso é alguém de dentro das nossas relações. Alguém próximo o suficiente para já ter vindo aqui e para conhecer a rotina e os hábitos da gente.

- Você quer dizer... um traidor? - Lore entrou na conversa.

Meri não respondeu. Enquanto isso, Raven aproximava-se mais uma vez com outra taça de poção.

- Eu não posso ir além disso, ou vou estar colocando-a em risco. Se ela não acordar, teremos de levá-la para a enfermaria.

A ruiva assentiu e, ao mesmo tempo em que a sonserina ajoelhava-se ao lado do sofá, Lore erguia ligeira a cabeça de Mina. O líquido escuro escorreu um pouco pelo canto dos lábios da moça, antes que ela fosse forçada a tomar um grande gole. Foi quando ela começou a tossir, como se tivesse engasgado, abrindo os olhos ambarinos de supetão, o rosto ficando vermelho com a falta de ar.

Sam ergueu os braços de Mina, enquanto Lore batia nas costas da domadora, tentando ajudá-la a se desengasgar. Finalmente, a tosse pareceu ceder e Mina soltou-se das amigas, ainda muito vermelha e zonza.

- O quê... - ela tentou recuperar o fôlego antes de continuar - O que está acontecendo?

- Aparentemente, nossos camaradas do Olho da Serpente decidiram mandar uma lembrancinha para que não nos esqueçamos deles. - Sam respondeu, cruzando os braços - Você está bem?

- Tonta e com um pouco de ânsia... - Mina retrucou, observando os olhares preocupados das amigas - Como vocês...

- Temos uma especialista em poções do nosso lado. - Meri respondeu, dando um ligeiro sorriso para Raven.

- Se querem agradecer a alguém, agradeçam ao Senhor do Meu Coração, porque foi graças a ele que aprendi o que usei hoje... - a sonserina observou, também sorrindo.

Foi nesse momento que a passagem escolheu para abrir-se. Pouco depois, Herman e Isaac passaram por ela, ambos extremamente sérios. O corvinal seguiu diretamente para Mina, que ainda estava sentada no sofá, respirando com certa dificuldade.

- Nunca te ensinaram a não receber nada de estranhos? - ele perguntou.

Mina estreitou os olhos.

- A caixa era igual a que você me mandou na páscoa. Como é que eu ia desconfiar que não tinha sido você?

O rapaz revirou os olhos, voltando-se para Herman, que colocara as mãos nos bolsos, e encarava a namorada com um olhar pensativo. O grifinório fez um ligeiro aceno com a cabeça ao perceber que estava sendo observado pelo outro rapaz.

- Lore, vem cá. - ele pediu - Tem uma coisa que eu quero que você escute.

A moça estranhou o pedido, mas obedeceu. Herman voltou a abrir a passagem, deixando que Lore passasse na frente. Eles não puderam ouvir exatamente o que o casal falou, mas a voz de sir Úrico veio retumbante.

- Claro que sei quem veio com a caixa. Ela chegou ontem de noite, perto da hora do jantar. A pequena dos texugos, que sempre está com a irmã do distinto rapaz. - houve uma ligeira pausa, antes que ele continuasse - Creio que o nome dela seja... Felicity.

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