Thursday, October 04, 2007

Quando chega a escuridão - parte 1

- Eu estou um pouco preocupada com o trabalho, Meri. - Mina continuou, enquanto caminhavam pelo corredor - Mas não tenho coragem de chegar na Lore agora para cobrar nada. Não depois do que soubemos que aconteceu na páscoa...

A ruiva deu um sorriso triste para a mais nova.

- E por causa disso, você decidiu terminar tudo sozinha sem avisar a ela?

Mina assentiu.

- Por isso andei pulando as refeições esses dias... Queria fechar de vez as pesquisas na biblioteca. Mas não precisa mais se preocupar comigo, eu estou me alimentando direito. De um jeito ou de outro, mesmo que eu me esqueça do horário, Isaac sempre acaba me carregando para a cozinha quando eu exagero. - ela fez uma ligeira careta - Ele parece que fica me vigiando para saber se eu tô fazendo as coisas direito ou não...

Dessa vez, um sorriso um pouco mais cálido surgiu nos lábios da outra.

- Você acha?

A jovem MacFusty deu de ombros, parando na frente do quadro de Sir Úrico, que, no momento, ostentava um intrigante manto com padrões de penas de pavão, em conjunto com um chapéu de gosto, no mínimo, excêntrico.

- Boa tarde, Sir Úrico. - Mina sorriu, fazendo uma ligeira mesura com a cabeça - Nós somos comida.

- Eu estou forrando meu estômago muito bem hoje. Há pouco a jovem lady dos texugos apareceu com uma cesta muito cheirosa. - ele sorriu, abrindo a passagem - Sejam bem-vindas, senhoras.

Sam acabara de se levantar para ver quem chegava quando as duas entraram na sala do QG. A lufana sorriu ao reconhecê-las, fazendo um aceno com a cabeça.

- Boa tarde Mina, Meri.

- Boa tarde. - as duas responderam em uníssono.

- Lusmore não está aqui? - Mina perguntou, passando os olhos pelo aposento, sem encontrar a figura do primo.

- Ele saiu com o consigliori. - Sam respondeu - Foram ver alguma coisa na orla da floresta ou coisa do tipo.

- Eu desconfio do tipo de coisa que esses dois estejam querendo ver... - Meri observou, sentando-se num dos pufes.

As duas mafiosas sorriram, até que Sam lembrou-se do que vira logo que chegara ali.

- Ah, Mina, parece que tem uma encomenda pra você. Lusmore disse que está aqui desde ontem, ele não viu quando entregaram...

- Pra mim? - a domadora estreitou os olhos.

Sam assentiu com a cabeça.

- Tá em cima da mesa, tem um cartão com seu nome.

Mina caminhou até a mesa, encontrando uma caixa cuidadosamente embrulhada com fita dourada. Com um meio sorriso, ela adiantou-se para começar a desembrulhá-la. Já sabia o que era e também tinha certeza de quem fora o remetente. Afinal, tinha ganho uma caixa pouco maior que aquela na páscoa. Isaac provavelmente não esperara para encontrá-la na biblioteca, ou então achara que era justo que ela dividisse os chocolates com os amigos e por isso deixara ali.

Tal como supusera, a caixa estava cheia de chocolates delicados e coloridos. Com os olhos brilhando, ela escolheu um dos bombons de aparência mais apetitosa, tendo sobre seu topo uma bela e suculenta cereja.

- Hum... Alguém quer chocolate? - ela perguntou, já voltando-se, a caixa numa mão e o bombom na outra.

- Eu vim da cozinha há pouco, mas aceito mais tarde, se sobrar algum. - Sam respondeu, piscando o olho.

- E eu pego daqui a pouco, Mina. - Meri também respondeu, enquanto mexia na mochila agora em seu colo.

Mina deu de ombros. Se elas não queriam, tanto melhor para ela. Afinal, como o ditado dizia, "quanto menos somos, melhor passamos". Sobrariam mais chocolates para sua fome incansável para doces. Assim, ela deu uma mordida no bombom, sentindo a calda cremosa do interior derramar-se em sua boca. Para sua surpresa, o recheio não era de cereja, como imaginara a princípio. Não sabia exatamente que sabor era aquele, mas era leve e deliciosamente acentuado.

- Isso está muito bom... - ela murmurou - Têm certeza que não querem? - perguntou, já preparando-se para o segundo doce.

Ela não chegou a ouvir a resposta. Nesse momento, tudo saiu de foco, enquanto sua cabeça rodava. Sentiu o corpo inteiro relaxar, enquanto o mundo escurecia ao seu redor. E, no instante seguinte, caiu inconsciente para trás.

- Mina!

Meri pulou do pufe, deixando a mochila e os pergaminhos caírem com estrépito no chão, enquanto Sam já corria, atravessando a sala e ajoelhando-se ao lado da amiga. A domadora caíra no vão entre as cadeiras e a mesa, raspando a testa contra a madeira. Os óculos tinham escorregado para o lado e estavam sujos com o sangue que brotava do pequeno corte.

- O que houve? - Sam perguntou nervosa para Meri, quando a ruiva também ajoelhou-se ao lado dela, depois de arrastar as cadeiras.

- Ela parece que desmaiou. - Meri segurou o pulso de Mina, tentando sentir alguma coisa - Ela não anda comendo muito esses dias, eu inclusive a tinha procurado hoje para dar um puxão de orelhas, mas... Ela não pode ter desmaiado de fome ou coisa do tipo... O pulso dela está fraco.

Sam arregalou os olhos.

- Os chocolates. Ela comeu o bombom e caiu dura, você não acha...

Meri também arregalou os olhos em compreensão e, virando a cabeça, pegou a caixa que ficara caída no chão. Os bombons tinham rolado para todos os cantos e ela destampou o fundo com as forminhas. Havia um pergaminho ali.

- Sam, procure a Raven, agora, urgente. - Meri pediu, urgente - Não podemos levá-la para a ala hospitalar sem chamar atenção e... Olhe, vá só chamar a Raven, certo? Rápido! E peça para ela trazer o kit de poções dela!

Sam assentiu, levantando-se com velocidade e logo saindo pela passagem. Meri, por sua vez, abriu o pergaminho, sentindo o coração acelerado. E lá estava, no canto da página, o símbolo que adivinhara estar esperando por ela - a Marca Negra.


Quando chega a escuridão - parte 2

Raven suspirou ao perceber que, apesar da poção que forçara a outra a engolir, ainda não seria com aquilo que Mina iria acordar. Teria que fazer mais forte... A questão é que o organismo da outra menina poderia não agüentar uma dose mais forte daquele antídoto.

Ela se largou no chão, do lado do sofá em que as meninas tinham colocado a domadora. No final das contas, quando Sam chegara, viera não apenas com Raven, mas também Lorelai e Herman nos calcanhares. Herman saíra à pouco, com o intuito de procurar os outros e Raven começara então a tentar descobrir o que Mina tinha ingerido.

- É uma poção do sono. - ela tinha chegado afinal ao veredicto - Mas excepcionalmente forte. Quem quer que a tenha feito, queria deixar a Mina vários dias fora do ar.

- E há alguma coisa que possamos fazer para acordá-la aqui mesmo? - Meri perguntou - Seria melhor manter isso fora do domínio da direção, ainda não temos como provar nada e explicar como a Mina tomou uma poção para dormir excepcionalmente forte acabaria gerando problemas. Especialmente para ela.

- Eu vou tentar, Meri, mas não posso garantir nada, porque não sei exatamente o que usaram nesses bombons. - Raven respondeu, o semblante preocupado.

Enquanto isso, Lorelai terminava de fazer um pequeno curativo no corte da testa. Mina suava frio e de vez em quando fazia caretas em seu sono, como se sentisse dor.

- Quem pode ter trazido isso aqui pra dentro? - Sam perguntou, desviando por alguns momentos a atenção dos cuidados com a amiga.

- Nós vamos tratar de descobrir isso assim que Mina acordar. Seja lá quem tenha sido, é alguém que conhece o fraco da Mina por chocolates e que sabe sobre o QG e sobre como ter acesso a ele. O que nos deixa uma opção não muito alentadora. - Meri respondeu, sombria - Quem fez isso é alguém de dentro das nossas relações. Alguém próximo o suficiente para já ter vindo aqui e para conhecer a rotina e os hábitos da gente.

- Você quer dizer... um traidor? - Lore entrou na conversa.

Meri não respondeu. Enquanto isso, Raven aproximava-se mais uma vez com outra taça de poção.

- Eu não posso ir além disso, ou vou estar colocando-a em risco. Se ela não acordar, teremos de levá-la para a enfermaria.

A ruiva assentiu e, ao mesmo tempo em que a sonserina ajoelhava-se ao lado do sofá, Lore erguia ligeira a cabeça de Mina. O líquido escuro escorreu um pouco pelo canto dos lábios da moça, antes que ela fosse forçada a tomar um grande gole. Foi quando ela começou a tossir, como se tivesse engasgado, abrindo os olhos ambarinos de supetão, o rosto ficando vermelho com a falta de ar.

Sam ergueu os braços de Mina, enquanto Lore batia nas costas da domadora, tentando ajudá-la a se desengasgar. Finalmente, a tosse pareceu ceder e Mina soltou-se das amigas, ainda muito vermelha e zonza.

- O quê... - ela tentou recuperar o fôlego antes de continuar - O que está acontecendo?

- Aparentemente, nossos camaradas do Olho da Serpente decidiram mandar uma lembrancinha para que não nos esqueçamos deles. - Sam respondeu, cruzando os braços - Você está bem?

- Tonta e com um pouco de ânsia... - Mina retrucou, observando os olhares preocupados das amigas - Como vocês...

- Temos uma especialista em poções do nosso lado. - Meri respondeu, dando um ligeiro sorriso para Raven.

- Se querem agradecer a alguém, agradeçam ao Senhor do Meu Coração, porque foi graças a ele que aprendi o que usei hoje... - a sonserina observou, também sorrindo.

Foi nesse momento que a passagem escolheu para abrir-se. Pouco depois, Herman e Isaac passaram por ela, ambos extremamente sérios. O corvinal seguiu diretamente para Mina, que ainda estava sentada no sofá, respirando com certa dificuldade.

- Nunca te ensinaram a não receber nada de estranhos? - ele perguntou.

Mina estreitou os olhos.

- A caixa era igual a que você me mandou na páscoa. Como é que eu ia desconfiar que não tinha sido você?

O rapaz revirou os olhos, voltando-se para Herman, que colocara as mãos nos bolsos, e encarava a namorada com um olhar pensativo. O grifinório fez um ligeiro aceno com a cabeça ao perceber que estava sendo observado pelo outro rapaz.

- Lore, vem cá. - ele pediu - Tem uma coisa que eu quero que você escute.

A moça estranhou o pedido, mas obedeceu. Herman voltou a abrir a passagem, deixando que Lore passasse na frente. Eles não puderam ouvir exatamente o que o casal falou, mas a voz de sir Úrico veio retumbante.

- Claro que sei quem veio com a caixa. Ela chegou ontem de noite, perto da hora do jantar. A pequena dos texugos, que sempre está com a irmã do distinto rapaz. - houve uma ligeira pausa, antes que ele continuasse - Creio que o nome dela seja... Felicity.

por todos acima

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