A Cabeça da Serpente - Parte I
Lado a lado, Meridiana e Lucien caminhavam na direção da antiga fonte de pedra que enfeitava um dos jardins do castelo. A ruiva dissera a Raven que precisava falar-lhe com urgência e em sigilo, e a sonserina sugeriu que conversassem ao pé daquela fonte, que, além de emprestar descontração ao encontro, também era local bem significativo: fora ali que as jovens se conheceram e iniciaram a amizade que hoje, seis anos depois, as tornara quase irmãs.
Meri trazia consigo, ao colo, uma ronronante Lady Bast; a companhia da amasso, juntamente com a de Lucien, lhe trazia a serenidade necessária para a conversa que teria com ambos. Além disso, Raven era doida por gatos, e tinha um carinho especial pela felina de pêlo prateado.
A ruiva sorriu ao divisar a amiga. Sentada na grama, recostada na fonte, Raven roia uma generosa barra de chocolate enquanto lia um livro excepcionalmente grosso e velho. A seu lado, enroscado como uma goles gorda, seu gato Jack dormia a sono solto.
Como que pressentindo a chegada de Meri e de Lucien, Raven ergueu os olhos do livro, fechou-o e acenou para eles, convidando-os a se aproximarem e sentarem-se na grama macia. Ao chegar, Meri sorriu para a sonserina, colocou Bast no chão, ao lado de Jack, e sentou-se na beirada da fonte; Lucien cumprimentou Raven com um aceno de cabeça e sentou-se também na grama, à frente das jovens.
Meridiana passou a mão no cabelo, colocando uma mecha teimosa atrás da orelha. Precisava contar a Raven o que Adhara descobrira sobre Jarno e o Olho da Serpente, mas temia a reação da amiga. O italiano nunca fora assunto fácil para elas desde a festa dos Star, Raven ficara muito abalada com o assédio de Jarno tanto a ela mesma, quanto à Meri; e, motivo a mais de preocupação para Meridiana, era notório para ela que Raven ainda não se recuperara totalmente da apresentação da monografia de DCAT: a sonserina andava muito calada, e assim permanecia ali no jardim.
Meridiana lançou um olhar para Lucien, que balançou a cabeça afirmativamente, num sinal para que a ruiva se manifestasse.
- Raven... – ela começou, então, e a amiga ergueu a cabeça, olhando-a atentamente – Eu preciso te contar uma coisa.
A sonserina sorriu, deslizando os dedos compridos no pêlo macio de Bast, que se recostara na barrigona de Jack.
- Eu sei, Meri... Faz dias que você quer me dizer uma coisa, tem me rodeado... É algo espinhoso? Pode contar, vou sobreviver...
A ruiva deu um sorriso rápido ao perceber que tivera excesso de cuidado com a amiga; Raven é mais forte do que aparenta. Porém, logo substituiu o sorriso por uma expressão séria, tão séria quanto o assunto que trouxera a ela e ao namorado ali.
- Rav... Nós temos novas informações sobre o Olho da Serpente. Existe um dos nossos infiltrado entre os Jovens Comensais e... descobrimos algo realmente grande.
- Sim, os Jovens Comensais... – disse Raven, balançando a cabeça – E pensar que há alguns anos atrás isso parecia apenas paranóia de uma adolescente maluca... Lembra-se, Meri, daquela nossa conversa na biblioteca?
Meridiana assentiu.
- Lembro perfeitamente, assim como lembro que refutei a idéia, na época. Infelizmente, estava enganada.
- Bem, Meri, como é que você poderia ter certeza? – disse Raven, encarando a amiga – Eu também estava agindo por suposições, observando o comportamento estranho de alguns colegas meus... O problema é que, para o resto da escola, sonserinos são sempre suspeitos – ela emendou, com um sorriso enviesado.
- E o que foi que esse um dos nossos – “que até já desconfio quem seja”, pensou Raven, com uma pontinha de inveja – descobriu, Meri? Existe algum outro plano do inimigo envolvendo a escola além do Olho?
A ruiva suspirou, e disse:
- Veja bem, Rav, não é que você seja menos capaz... Mas, você sabe que ela era ideal para esse trabalho. Apesar dos laços de família que eu e ela possuímos, é muito mais fácil associarem você a mim; afinal, é praticamente minha irmã. E acho que sou um tanto quanto óbvia como anti-comensal... E você também, especialmente agora, depois da apresentação da monografia.
- Eu sei, Merizinha, eu sei – disse Raven, pousando a mão no ombro da amiga – E sei também que sua preocupação quase maternal para comigo a deixaria písica se eu me metesse com Comensais, sejam eles jovens ou não... Não é verdade?
Meridiana assentiu, e voltou a olhar para o namorado.
-Bem, ela descobriu coisa grande. Descobriu o nome de quem está por trás do Olho da Serpente. Ainda não contei para ninguém, pois, considerando que nós três já lidamos com essa pessoa em questão, queria saber a opinião de vocês dois primeiro.
Lucien estreitou os olhos. Meridiana ainda não havia lhe contado nada, ele apenas confiava no julgamento da namorada; mas, pelo pouco que ela falou, o austríaco conseguiu deduzir quem seria o autor do jornal comensal.
- Você tem certeza que é ele? – Lucien perguntou, com voz séria e incisiva. Uma pontada de raiva podia ser notada na entonação do rapaz
Raven olhou ora para Meri, ora para Lucien.
- Você diz ele, Lucien? Engraçado, cheguei a pensar que fosse ela, mas, por outro lado, esse não é exatamente o tipo de atividade a que Maddie Sinn se entregaria... Ficar nos bastidores nunca foi algo que lhe agradasse...
continua...
por Raven e Meri
*Maddie Sinn - ex-aluna da Sonserina, modelo internacional, maliciosa e insinuante, noiva do conde italiano Jarno de Camposanto. Para maiores detalhes recomendamos a leitura do resumo de "A Ordem da Fênix" e/ou a leitura da fic "A Festa dos Star".
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