Tuesday, December 18, 2007

A Cabeça da Serpente - Parte Final


Meri virou o rosto, encarando a amiga.

- Não é a Madeleine Sinn, Raven, mas você chegou bem perto. É o noivo dela, o Conde Jarno Massimo de Camposanto, o mesmo Jarno que nos assediou na festa dos Star...

- O mesmo Jarno que abordou Selune nas nossas férias de verão – completou Lucien.

Uma sombra de irritação perpassou as feições de Raven.

- Faz sentido! – disse ela, arrancando seguidamente várias folhas de grama – Agora que relembro os textos do Olho da Serpente e cruzo com a fala macia e melodiosa daquele pendejo, quase dá para sentir o encantamento que sai daquelas linhas! Sim, de fato, e eu fui muito burra em não perceber isso antes!... E, claro, ele deve ter contado não só com as informações que Maddie certamente lhe passou sobre o dia a dia dos alunos, como também com suas próprias observações pessoais. Afinal, vocês devem se lembrar de que ele esteve na brilhante festinha de Natal do Titio Slurgh. E o próprio Lesmão deve ter aberto aquela enorme boca e contado ao Conde tudo o que ele desejou ou não saber! – emendou Raven, ainda mais irritada por evocar a lembrança daquele que considerava usurpador das glórias do Senhor de Seu Coração.

Na mesma vibração da sonserina, Lucien cerrou os punhos, sentindo o sangue fervilhar como poucas vezes. Ele realmente não gostava de Camposanto, não apenas por ele ser um Comensal, mas pelo modo como se insinuou para a sua "irmã", Selune, e especialmente para Meridiana. Se ele não tivesse encontrado Jarno e a ruivinha na festa dos Star, não conseguia imaginar o que o italiano poderia ter feito.

- Jarno é o pior tipo de todos – o austríaco disse, sem esconder a raiva – Escondendo-se por trás de palavras suaves e sedutoras, posando de superior e nobre. Sempre jogando com todos ao redor. São os mais complicados de se enfrentar.

Meridiana apenas olhou em silêncio para o namorado, os olhos ligeiramente arregalados. Poucas foram as vezes em que ela viu Lucien demonstrar tão abertamente rancor contra alguém.

- Jarno Massimo de Camposanto... O mero som deste nome me evoca a receita de uma meia dúzia de porcarias letais, cada uma melhor do que a outra, para preparar e derramar sem querer, obviamente, na bebida dele... – murmurou Raven, olhos brilhantes, acariciando levemente o livro que estivera lendo com tanta atenção e que agora jazia ao seu lado, fechado.

Meridiana suspirou.

- Acho então que concordamos que a situação é pior do que pensávamos, não? Um fanático é fácil de prever os passos, mas pessoas como Jarno, e mesmo meu tio, jogadoras por natureza, são imprevisíveis...

- E o que você sugere que possamos fazer para neutralizá-lo, Meri? Contar para o Professor Dumbledore? Tentar contactar alguém fora da escola? Tio Angus, ou talvez seu pai, Lucien, que é auror?

Lucien cruzou os braços, encarando as duas moças que olhavam para ele apreensivamente.

- Bem, nós não temos nenhuma prova efetiva contra o Conde. Nada que o ligue diretamente ao jornal comensal, mas a idéia de Raven é boa... Sir McAllister e meu pai poderiam ser de ajuda, assim como a tia de Meridiana. Pelo menos eles três, por enquanto. A questão é passar-lhes as informações sem revelar nossas investigações.

- Eu concordo – Meridiana respondeu, séria – Se alguém souber o que fazemos aqui pode trazer sérios problemas para todos, especialmente para as mafiosas, que são bem mais novas. Não acho que suas famílias ficariam felizes em saber que as filhas estão metidas até o pescoço em investigações sobre Jovens Comensais em Hogwarts.

Raven assentiu, coçando a orelha de Jack; porém, nada disse. Lucien também guardou silêncio. Ambos sabiam que Meridiana estava certa, e a questão parecia cada vez mais difícil de se resolver. Mas, precisava haver um meio; os Comensais não podiam continuar influenciando os jovens daquela maneira, ainda mais por meio de quem!

Com um suspiro, Meridiana ergueu-se da fonte.

- Por ora, o que nos resta é contar para os demais tudo o que descobrimos. Acredito que, quando todos souberem, soluções aparecerão.

- Eu concordo com você, Meri – anuiu Lucien, erguendo-se também e passando o braço pela cintura da namorada – Permanecendo juntos, teremos mais chances de resistir e, se Merlin permitir, desmanchar essa rede de más influências.

Raven sorriu em concordância, mas permaneceu ao pé da fonte.

- Não nos acompanha ao salão, Rav? Daqui a pouco soará o toque de recolher – perguntou Meridiana, estendendo a mão para a amiga.

- Obrigada, Meri, mas fico mais um pouquinho por aqui, até que a múmia do Filch venha me expulsar. Pretendo ler mais um bocado desta belezura aqui – respondeu Raven, acariciando a capa do livro – Mas, eu posso ficar com Bast? Prometo que devolvo!

- Sem problema, Rav – concordou Meri, olhando de esguelha para o esgarçado volume.

- Ah, só mais uma coisinha antes de vocês irem – tornou Raven, corando – É que eu não tive coragem de procurar nossa nota da Monografia no quadro de avisos...

- Nossa nota foi 9,8, Raven, pode ficar sossegada...

- Pelo Eterno! Grande Mãe! Então eu não estraguei tudo? – exclamou Raven, aliviada.

- Claro que não, Rav!

- Ah, que alívio, fiquei tão preocupada! Agora posso sossegar, Meri, porque uma nota como essa mantém seu nível de média para a Academia de Aurores! – exclamou Raven, sorridente, fazendo Meri sorrir também – E tomara que a listagem ainda esteja pregada lá no quadro; quando eu for jantar, vou pegá-la para guardar de lembrança. Não é todo dia que se acha assim tão fácil um pedacinho do Senhor de Meu Coração!...

Meridiana revirou os olhos. Definitivamente, a amiga não tinha salvação.


por Raven e Meri

Nota: O blog de Fics, Protego acabou de inaugurar e está em busca de novos integrantes! Mais detalhes no seguinte endereço:http://www.magicprotego.blogspot.com/

Aviso: Excepcionalmente, ao invés de qua-sex-sab, as próximas atualizações do Expresso serão na quinta e na sexta.

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