Wednesday, December 19, 2007

Wuthering Heights - Parte I


- Bem, meus jovens, hoje falaremos um pouco de Literatura e música trouxas, e de como elas podem se mesclar e criar belas obras – disse Miss Charity Burbage, a nova professora de Estudo dos Trouxas.

- Isso é legal! – comentou Satanio, animado – Terei mais idéias de serenatas para minha Berinjela.

- Pode contar com minha voz – anuiu Raven, sentada a seu lado.

- E com minha rabeca, também – completou Luke, sentado à mesma mesa, completando o trio.

- Mais do que nós, que já temos a magia ao alcance da mão, os trouxas usam a literatura e também a música como meios para tornar suas vidas mais... mágicas – disse Miss Burbage – E, quando combinam essas artes com o cinema, então, são capazes de criar verdadeiras maravilhas! Acredito que Miss Rennard já tenha falado com vocês a respeito do cinema, não é verdade?

- Sim – respondeu Luke, erguendo a mão – E nos mostrou um filme maneiro, A História Sem Fim...

- E também um outro, chamado O Feitiço de Áquila – completou Satanio.

- Que ótimo, belíssimos filmes! – anuiu a professora, contente – Fico satisfeita com o interesse de vocês, meus jovens. Ao contrário do que muitos dizem, nossa integração com os trouxas traria um intercâmbio cultural extremamente interessante. Não acha, Srta. Sinclair?

- Raven? – cochichou Sat, cutucando a amiga, que parecia distraída. Ele andava preocupado com seu jeito alheado e mais calado desde o episódio da monografia de DCAT.

- Ah, desculpe, Miss Burbage – exclamou Raven, corando – É que o Sat citou O Feitiço de Áquila e eu me distraí... E também é tão difícil alguém me chamar de Srta. Sinclair... É, concordo com a senhora... De verdade!

- Tudo bem, Rav? – perguntou Luke, baixinho, enquanto a professora teorizava sobre literatura e música trouxas.

- Beleza, ruivo; distraí mesmo com a lembrança do filme. Esquenta não.
Luke não pareceu muito convencido, mas não insistiu. Voltou a atenção para a aula, copiando alguns títulos que Miss Burbage lançava magicamente no quadro-negro.

- Putz, agora que me toquei, vim para a aula de mãos abanando! Larguei o material todo em nossa sala comunal, só espero que ninguém me roube nada – resmungou Sat, coçando a cabeça – Rav, venha em socorro de seu pobre e desafortunado amigo, me arrume uma pena pra eu poder copiar a matéria; papel pode ser esse pergaminho aqui mesmo, que está escapando do seu caderno. Hum, ele já está todo escrito de um lado... Ei, mas isso aqui são as notas das Monografias de DCAT!

- Fala baixo, Sat, e me dá isso aqui! – exclamou Raven, num sussurro irritado, tomando o pergaminho da mão do amigo.

- Ih, é mesmo, são as notas de DCAT! – reforçou Luke, pegando-o de Raven, sob os protestos da jovem, que tentava recuperá-lo a todo custo – Olha só, filho da p* daquele Seboso, deu só 5 para mim e para o Harris, e nós tivemos um trabalhão para escrever aquilo tudo! Mas, Rav, pelo amor de Merlin, o que você está fazendo com essas notas?!

- Me dá isso aqui, Luke, não é da sua conta! – exclamou Raven, capturando o precioso pergaminho e plantando as duas mãos sobre ele, na defensiva – Copie sua matéria!

- Raven, querida, já parou para pensar aonde isso vai te levar? – murmurou Sat, pousando a mão no ombro da amiga.

- Não, Sat – respondeu ela, com um suspiro – Não pensei, não quero pensar... Não posso pensar – emendou, deslizando carinhosamente os longos dedos pelo pergaminho preenchido com a caligrafia apertada de Severus Snape.

- Que desperdício – rosnou Luke, entredentes.

Raven lançou um olhar gelado para o ruivo, que arranhou a pena com força em seu pergaminho, chegando a furá-lo. Sat disfarçou um sorriso penalizado.

- Bem, meus jovens, passemos à parte prática da aula – disse Miss Burbage, conjurando um gramofone e, em seguida, mostrando à turma um antigo disco de vinil – Alguém sabe dizer o que é isso que eu tenho em minhas mãos?

Luke ergueu a mão imediatamente.

- Isso é um vinil, professora. Era onde os trouxas gravavam as músicas para ouvir depois. Agora já não se usam mais, foram substituídos por discos menores, de outro material, chamados CDs.

- Perfeito, Sr. Hunter! – aplaudiu a professora.

- Aeeee, ruivão sabe-tudo! – exclamou Satanio, risonho, socando o ombro de Luke. Raven sorriu de leve.

- Como bem disse o Sr. Hunter, hoje em dia os trouxas usam os CDs, que têm maior capacidade e melhor qualidade sonora – prosseguiu Miss Burbage – Aproveito para dizer-lhes que essa é a grande magia dos trouxas: a tecnologia. Utilizando os avanços científicos, tentam melhorar sua qualidade de vida e facilitar seu dia a dia; na música, os efeitos sonoros e os instrumentos eletrônicos tornam as canções e melodias mais elaboradas, e os efeitos especiais no cinema os tornam quase tão mágicos quanto nós... Mas, como utilizarei nesta aula uma música da década de 80, preferi utilizar o vinil para compor a ambientação.

- Aposto que você vai saber qual é, Rav – comentou Sat, risonho – Você conhece um bocado de músicas trouxas!

- Pode ser, Sat, mas não sou tão enciclopédica assim. Mina sabe bem mais do que eu!

- A música que vocês vão ouvir é o que se pode chamar de belo casamento entre a literatura e a música trouxas. Talvez a voz da cantora os incomode um pouco no começo, mas ela foi muito famosa em sua época e até hoje tem fãs entre os trouxas e talvez até entre os bruxos, por que não? – comentou a professora, sorrindo. E perguntou, apontando para a turma: - Alguém aqui já leu, ou ouviu falar de O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë?

Raven, que namorava, distraída, o seu pergaminho, ergueu a cabeça imediata e involuntariamente.

- Ah, não... – murmurou Satanio, balançando a cabeça.

- Parece que a Srta. Sinclair conhece o romance! – exclamou, feliz, Miss Burbage – Poderia nos contar, em breves palavras, do que se trata?

- Hm... Trata-se da devastadora história de amor entre uma jovem chamada Catherine e um fascinante e estranho cavalheiro chamado... Heathcliff – respondeu Raven, e sua voz tremeu ao mencionar o protagonista daquele que era um de seus livros prediletos, e que há tempos associava ao Senhor de Seu Coração.

- Isso mesmo, minha querida – anuiu a professora, com um sorriso cúmplice – E a canção que trouxe é totalmente baseada neste belíssimo livro. Ela se chama Wuthering Heights e é interpretada por Kate Bush.

- Mas, professora, tem outras canções! – exclamou Raven, num desespero de quem pressente algo errado; ela simplesmente não queria ouvir aquela música – Hotel Califórnia, do Eagles, parece baseada em algum conto de Ray Bradburry; Stairway to Heaven, do Led Zeppelin, lembra as histórias de Neil Gaiman; tem um CD do Jethro Tull que parece trilha sonora de O Senhor dos Anéis... Ah, tem Moon Over Bourbon Street, do Sting, homenagem a Entrevista com o Vampiro, de Anne Rice, e...

- Sim, Srta. Sinclair, são ótimos exemplos que certamente aproveitarei em nossas próximas aulas, mas hoje ouviremos Wuthering Heights – cortou a professora, com amável surpresa – Tenho certeza de que, se você gosta do livro, há de gostar da canção. Todos prontos? Vamos lá, então.

Raven engoliu em seco ao ouvir os primeiros acordes da música; e logo seu coração disparou ao prestar atenção à letra...

por Raven


Nota: O blog de Fics, CEBES, cujas histórias se passam em uma escola de magia brasileira, está em busca de novos integrantes! Mais detalhes no seguinte endereço:http://www.cebes.blogspot.com/

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