Saturday, December 15, 2007

Conversa de Cavalheiros - Parte Final
Milady & Cão de Guarda


Mina levantou os olhos quando ouviu o som da porta se abrindo, deixando passar a pessoa que estivera esperando e que, ao mesmo tempo, era quem menos desejava ver naquele instante.

Enquanto, de costas, Isaac cerrava a porta, a garota respirou fundo, pulando da mesa em que estava sentada para ficar em pé, ao mesmo tempo em que retorcia as mãos nervosamente.

Quando ele finalmente virou-se para encará-la, Mina viu-se incapaz de lhe sustentar o olhar e abaixou a cabeça. Por alguns minutos, ambos apenas permaneceram naquele silêncio desconfortável, Isaac com os olhos fixos sobre ela e ela com os olhos fixos nos bicos dos sapatos.

- E então? - finalmente ele perguntou, quebrando parte da tensão - Por que me chamou aqui?

- Eu... hum... queria me desculpar por ter passado a semana te evitando. - Mina ergueu os olhos timidamente.

- Acho então que eu também lhe devo um pedido de desculpas por ter sido tão impulsivo. - Isaac respondeu, sério.

Mina deu um ligeiro meio sorriso, quase aliviado.

- Bem, então vamos fazer de conta que não aconteceu nada e passar uma borracha na última semana. - ela disse num tom meio descontraído - Foi apenas um deslize, um impulso de momento, nada que possa...

- O fato de eu ter pedido desculpas não significa que eu esteja arrependido, Mina. - Isaac a interrompeu, sem mudar a inflexão da voz - A única coisa pela qual eu sinto muito foi por ter me aproveitado de um momento de vulnerabilidade sua. Mas eu não nego que queria fazer aquilo já há algum tempo e não pretendo fingir que não aconteceu nada.

Os olhos de Mina agora estavam arregalados e as bochechas dela rapidamente estavam tomando uma coloração avermelhada.

- Você está brincando, não é? - ela perguntou quase como se implorasse - Isaac...

Só nesse momento, o rapaz fez menção de se aproximar. Mas tão logo deu um passo à frente, Mina deu um passo para trás, os olhos escuros refletindo um misto de confusão e pavor. Isaac parou a meio caminho de suas intenções, parecendo agora bem menos resoluto do que antes.

- Você... você está com medo de mim? - ele perguntou, incrédulo.

Mina mordeu os lábios, abaixando a cabeça novamente.

- Eu não...

- Por que você tem tanto medo de deixar as pessoas se aproximarem de você? - ele perguntou em voz baixa, cerrando os punhos.

Ela deu mais um passo para trás, esbarrando na mesa. Inconscientemente, ela agarrou-se às bordas do móvel, fechando os dedos sobre elas até que os nós das articulações estivessem completamente brancos.

- Isaac... Eu não... Eu... - ela respirou profundamente, antes de voltar a encará-lo - Você foi a primeira pessoa desde que entrei em Hogwarts que eu chamei de amigo - sentiu as unhas enfiando-se na madeira - Eu não quero que isso mude.

Foi a vez de ele encará-la e Mina sentiu uma terrível vontade de chorar ao perceber todo a decepção e tristeza estampadas no rosto do corvinal.

- Eu gosto de você, Mina. Eu estou tentando dizer isso há eras. - ele deu um suspiro nervoso - Mas você nunca entendeu. Ou não quis entender. Ou fingiu que não entendeu.

- Peraí, eu...

- Sendo assim... - ele não deixou que ela continuasse - É melhor ser direto de uma vez por todas e deixar as coisas claras o suficiente para que você não possa interpretar de nenhuma outra maneira. Eu estou apaixonado por você.

Ela queria tampar os ouvidos e começar a cantarolar para não ter que ouvir aquilo. Ou então, sair correndo como fizera na semana anterior, fugindo para algum lugar onde ele não pudesse alcançá-la.

Entretanto, ela estava completamente paralisada. Seus sapatos pareciam feitos de chumbo, incapazes de se moverem, de levarem-na para longe dali. Para longe dele.

- Não me peça para explicar como isso aconteceu. - ele continuou - Juro a você que, se eu pudesse, nunca teria deixado isso acontecer. Porque, de certa forma, eu já sabia como você ia reagir. Mas nunca pensei que você teria medo de mim. Ou que isso pudesse me ferir tanto.

Uma lágrima escorreu dos olhos dela, indo se alojar na armação dos óculos. A seguinte conseguiu escapar, indo terminar numa trilha salgada junto aos lábios dela.

Isaac a observou em silêncio e estendeu a mão para limpar o rosto dela. Por reflexo, entretanto, ela novamente se retraiu. Assim, ele recolheu a mão, mergulhando-a dentro dos bolsos da capa.

- Eu vou deixar você sozinha agora para gritar, espernear ou o que quiser fazer. - ele observou, já dando as costas a ela, dirigindo-se para a porta - E você pode me pedir qualquer coisa, Mina, menos que eu esqueça aquele beijo. Por hora, eu vou deixar você em paz. Mas tenha certeza que isso não terminou aqui. E você não poderá fugir de mim para sempre.

- Eu não estou fugindo. - ela murmurou em resposta, com a voz rouca.

- Está. - ele respondeu, já com a mão na maçaneta - Mas vai acabar se cansando. E eu vou estar esperando. Só não teste minha paciência por muito tempo, Mina. - ele agora já tinha posto um pé para fora da sala - Ela já está por um fio.

E com isso, ele a deixou novamente sozinha. Aos poucos, Mina voltou a sentir a sensibilidade das pernas e conseguiu ficar em pé sem o auxílio da mesa. Tirando os óculos, ela limpou o rosto.

- Eu só espero que isso não termine em tragédia... - ela murmurou para si mesma - E que eu não o machuque mais do que acabei de fazê-lo...

por Mina

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