- Ei, sua chata, volte aqui!
Mina pulou no chão, tentando segurar sua gata, Freyr. Mas não teve sorte
pois Freyr rapidamente encolheu-se numa pequena passagem na parede. Estatelada
no chão, a grifinória suspirou.
- Por que por todos os deuses esse tipo de coisa só acontece comigo?
O barulho de passos veio de algum ponto atrás dela e Mina rapidamente
levantou-se esperando ver quem apareceria por ali. E logo duas lufa-lufas
entraram em seu campo de visão, uma das quais conhecida por Mina.
- Cecille Cyan. - a grifinória cumprimentou com a cabeça.
Cecille abriu um meio sorriso.
- Mina? O que está fazendo aqui? Peraí, não me diga, vai se encontrar
com algum garoto?
Mina franziu o cenho. Se acreditasse em vidas passadas, provavelmente
diria que mandara a mãe à forca nela. Só isso para justificar o que estava
pagando agora.
- Eu tenho mais o que fazer que perder meu tempo com garotos. Na
verdade, estou aqui por causa de Freyr.
Cecille, que a esta altura já dispensara a colega, olhava curiosa para
Mina.
- E quem seria Freyr?
- Minha gata maluca. Ela passou a semana se escondendo de mim... Bem, ao
fim das contas, pode ser que a maluca aqui seja eu...
Cecille sentiu uma leve simpatia pela colega e sorriu.
- Onde sua gata se escondeu?
Mina apontou para a fresta na parede por onde vira Freyr sumir. Cecille
abriu ainda mais o sorriso.
- Não se preocupe, ela deve ter entrado na minha sala comunal. Espere
aqui que eu já volto.
Mina assentiu e escorou-se na parede, observando a outra garota
desaparecer. Fechando os olhos, a grifinória repassou mentalmente suas próximas
tarefas. Tinha que fazer o trabalho de Astronomia e a redação de Poções. Fez
uma careta ao se lembrar da última parte.
- Será que é só eu chegar perto para fechar a cara? - perguntou uma vez
masculina perto dela.
Mina imediatamente abriu os olhos, dando de cara com Isaac a poucos
passos dela.
- O que está fazendo aqui? - ela perguntou meio ríspida.
- Vim procurar minha irmã. Mas acho melhor voltar em outra hora antes
que você decida se é melhor me cozinhar com batatas ou cenouras... - ele
respondeu, dando as costas para ela.
Um sorriso escapou dos lábios da garota.
- Não gosto muito de cenouras... - ela respondeu, desencostando-se da
parede - Desculpe pela grosseria.
Isaac voltou-se para ela, erguendo a sobrancelha.
- Você está me pedindo desculpas?
Mina coçou a cabeça.
- Talvez eu tenha sido um pouco violenta com você. E o tenha julgado com
certa precipitação. Que tal um armistício?
Ela estendeu a mão, que Isaac apertou após alguns segundos de indecisão.
Foi nessa posição que Cecille os encontrou.
- MacFusty? - ela chamou já sem a amistosidade de antes.
Mina virou-se para ela, sorrindo ao perceber que a lufa-lufa trazia
Freyr nos braços.
- Obrigada, Cyan. - Mina murmurou, trazendo a gata para seu colo – A
propósito, seu irmão estava te procurando.
Freyr arrepiou-se nos braços da dona e Mina olhou inquisidoramente para
a gata, uma idéia passando por sua cabeça.
- Eu preciso ir visitar Hagrid. Boa tarde para vocês dois.
Os dois assentiram e logo Mina desapareceu no corredor.
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Mina parou diante da porta de Rúbeo Hagrid, respirando fundo para
recuperar o fôlego depois de ter corrido até ali. Freyr estava bem segura em
seus braços, ronronando manhosamente. Quando finalmente sua respiração voltou
ao normal, ela deu três toques na porta e esperou. Logo Hagrid apareceu e
sorriu ao ver a aluna.
- Mina? O que está fazendo aqui?
- Eu estou com um probleminha, Hagrid... A Freyr, ela...
A grifinória estendeu os braços, passando a gata para ele. Hagrid alisou
de leve a cabeça de Freyr e empurrou a porta com o pé para dar passagem à Mina.
- Canino não está? - ela perguntou, olhando para os cantos da cabana.
- Ele foi fazer um passeio.
- E como estão os machucados? - ela perguntou, observando as manchas
roxas no rosto do amigo.
Hagrid sorriu.
- Não se preocupe, Mina, tenho certeza de que já viu machucados piores
do que esse nas criações de sua família. Eu vou sobreviver.
Mina assentiu e observou em silêncio o homem começar um minucioso exame
da gatinha negra. Tinha feito amizade com Hagrid no segundo ano, quando ele
passara a ser professor de Trato das Criaturas Mágicas, graças ao estranho
fascínio que dragões exerciam nele.
Finalmente ele aprumou-se, alisando Freyr, que permanecia deitada na
mesa.
- E então? - ela perguntou, interessada.
- Você nem desconfia? - ele perguntou com um meio sorriso.
Ela virou-se para a gata, coçando a cabeça.
- Freyr está... grávida? - Mina perguntou meio em choque.
Hagrid assentiu.
- Em breve você terá uma bela ninhada. Sabe quem é o namorado da sua
bichana?
Ainda meio chocada, ela meneou a cabeça.
- Não faço a menor idéia.
- Não se preocupe, você vai acabar descobrindo. A Freyr vai ficar um
pouco mais manhosa do que é, e um tanto violenta também. Mas fora isso, nada
demais.
Ela assentiu e estendeu o braço, deixando Freyr enrodilhar-se em seu
colo.
- Obrigada, Hagrid. - Mina caminhou até a porta, que o meio gigante
imediatamente abriu - E cuide-se.
- Não se preocupe, Mina. - ele sorriu, passando a mão sobre a cabeça
dela - E boa sorte com Freyr.
Mina deixou a cabana e enquanto caminhava de volta para o castelo,
resmungava consigo mesma.
- Eu mereço... Nunca pensei em ter filhos e cá estou eu agora às voltas
com uma ninhada de gatinhos... Freyr, você é uma danada!
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