Saturday, July 20, 2013

Uma Fuga e uma Surpresa

- Ei, sua chata, volte aqui!

Mina pulou no chão, tentando segurar sua gata, Freyr. Mas não teve sorte pois Freyr rapidamente encolheu-se numa pequena passagem na parede. Estatelada no chão, a grifinória suspirou.

- Por que por todos os deuses esse tipo de coisa só acontece comigo?

O barulho de passos veio de algum ponto atrás dela e Mina rapidamente levantou-se esperando ver quem apareceria por ali. E logo duas lufa-lufas entraram em seu campo de visão, uma das quais conhecida por Mina.

- Cecille Cyan. - a grifinória cumprimentou com a cabeça.

Cecille abriu um meio sorriso.

- Mina? O que está fazendo aqui? Peraí, não me diga, vai se encontrar com algum garoto?

Mina franziu o cenho. Se acreditasse em vidas passadas, provavelmente diria que mandara a mãe à forca nela. Só isso para justificar o que estava pagando agora.

- Eu tenho mais o que fazer que perder meu tempo com garotos. Na verdade, estou aqui por causa de Freyr.

Cecille, que a esta altura já dispensara a colega, olhava curiosa para Mina.

- E quem seria Freyr?

- Minha gata maluca. Ela passou a semana se escondendo de mim... Bem, ao fim das contas, pode ser que a maluca aqui seja eu...

Cecille sentiu uma leve simpatia pela colega e sorriu.

- Onde sua gata se escondeu?

Mina apontou para a fresta na parede por onde vira Freyr sumir. Cecille abriu ainda mais o sorriso.

- Não se preocupe, ela deve ter entrado na minha sala comunal. Espere aqui que eu já volto.

Mina assentiu e escorou-se na parede, observando a outra garota desaparecer. Fechando os olhos, a grifinória repassou mentalmente suas próximas tarefas. Tinha que fazer o trabalho de Astronomia e a redação de Poções. Fez uma careta ao se lembrar da última parte.

- Será que é só eu chegar perto para fechar a cara? - perguntou uma vez masculina perto dela.

Mina imediatamente abriu os olhos, dando de cara com Isaac a poucos passos dela.

- O que está fazendo aqui? - ela perguntou meio ríspida.

- Vim procurar minha irmã. Mas acho melhor voltar em outra hora antes que você decida se é melhor me cozinhar com batatas ou cenouras... - ele respondeu, dando as costas para ela.

Um sorriso escapou dos lábios da garota.

- Não gosto muito de cenouras... - ela respondeu, desencostando-se da parede - Desculpe pela grosseria.

Isaac voltou-se para ela, erguendo a sobrancelha.

- Você está me pedindo desculpas?

Mina coçou a cabeça.

- Talvez eu tenha sido um pouco violenta com você. E o tenha julgado com certa precipitação. Que tal um armistício?

Ela estendeu a mão, que Isaac apertou após alguns segundos de indecisão. Foi nessa posição que Cecille os encontrou.

- MacFusty? - ela chamou já sem a amistosidade de antes.

Mina virou-se para ela, sorrindo ao perceber que a lufa-lufa trazia Freyr nos braços.

- Obrigada, Cyan. - Mina murmurou, trazendo a gata para seu colo – A propósito, seu irmão estava te procurando.

Freyr arrepiou-se nos braços da dona e Mina olhou inquisidoramente para a gata, uma idéia passando por sua cabeça.

- Eu preciso ir visitar Hagrid. Boa tarde para vocês dois.

Os dois assentiram e logo Mina desapareceu no corredor.


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Mina parou diante da porta de Rúbeo Hagrid, respirando fundo para recuperar o fôlego depois de ter corrido até ali. Freyr estava bem segura em seus braços, ronronando manhosamente. Quando finalmente sua respiração voltou ao normal, ela deu três toques na porta e esperou. Logo Hagrid apareceu e sorriu ao ver a aluna.

- Mina? O que está fazendo aqui?

- Eu estou com um probleminha, Hagrid... A Freyr, ela...

A grifinória estendeu os braços, passando a gata para ele. Hagrid alisou de leve a cabeça de Freyr e empurrou a porta com o pé para dar passagem à Mina.

- Canino não está? - ela perguntou, olhando para os cantos da cabana.

- Ele foi fazer um passeio.

- E como estão os machucados? - ela perguntou, observando as manchas roxas no rosto do amigo.

Hagrid sorriu.

- Não se preocupe, Mina, tenho certeza de que já viu machucados piores do que esse nas criações de sua família. Eu vou sobreviver.

Mina assentiu e observou em silêncio o homem começar um minucioso exame da gatinha negra. Tinha feito amizade com Hagrid no segundo ano, quando ele passara a ser professor de Trato das Criaturas Mágicas, graças ao estranho fascínio que dragões exerciam nele.

Finalmente ele aprumou-se, alisando Freyr, que permanecia deitada na mesa.

- E então? - ela perguntou, interessada.

- Você nem desconfia? - ele perguntou com um meio sorriso.

Ela virou-se para a gata, coçando a cabeça.

- Freyr está... grávida? - Mina perguntou meio em choque.

Hagrid assentiu.

- Em breve você terá uma bela ninhada. Sabe quem é o namorado da sua bichana?

Ainda meio chocada, ela meneou a cabeça.

- Não faço a menor idéia.

- Não se preocupe, você vai acabar descobrindo. A Freyr vai ficar um pouco mais manhosa do que é, e um tanto violenta também. Mas fora isso, nada demais.

Ela assentiu e estendeu o braço, deixando Freyr enrodilhar-se em seu colo.

- Obrigada, Hagrid. - Mina caminhou até a porta, que o meio gigante imediatamente abriu - E cuide-se.

- Não se preocupe, Mina. - ele sorriu, passando a mão sobre a cabeça dela - E boa sorte com Freyr.

Mina deixou a cabana e enquanto caminhava de volta para o castelo, resmungava consigo mesma.


- Eu mereço... Nunca pensei em ter filhos e cá estou eu agora às voltas com uma ninhada de gatinhos... Freyr, você é uma danada! 

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