Sugestão - Final
Meridiana observou a prima e o namorado entrarem praticamente juntos no cantinho particular que eles haviam conseguido para si na escola. Um sorriso extremamente divertido podia ser visto no rosto da moça, o que fez com que tanto Lucien quanto Adhara se entreolhassem intrigados.
-O que foi? – o lufano perguntou, arqueando a sobrancelha.
-Estou achando graça da ironia da situação, por ter sido justamente Theodore Nott a me dar uma idéia que pode ser útil para todos nós.
Adhara trocou um olhar com Lucien e viu refletido no rosto do lufano a mesma desconfiança que estava estampada no dela. Meri parecia estranhamente feliz, o que deveria ser considerado como uma boa coisa, mas o fato de a ruiva ter mencionado que Theodore havia dado uma idéia à ela... Bem, para a jovem Ivory qualquer coisa que tivesse o nome de seu primo sonserino no meio cheirava mal e de longe.
- E que idéia é essa, Meri? - a garota perguntou, em um tom reservado.
-Bem, ele estava observando vocês dois conversarem na última aula de Feitiços e veio me perguntar o que eu achava do fato de vocês dois estarem “namorando” pouco tempo depois de eu e Lucien termos “rompido”.
A morena se contentou em arregalar os olhos em espanto em um primeiro momento, enquanto o lufano encarava a namorada com uma expressão descrente.
-De onde Nott tirou esse absurdo? – ele falou, ligeiramente alterado – Eu nunca iria namorar Adhara. Ela é sua prima. Isso não faz sentido algum!
- É claro que faz sentido, Lucien. - a morena disse, chamando a atenção dele - Na cabeça doentia do Theodore isso faz perfeito sentido. E, para falar a verdade, eu não posso dizer que ele está sendo extremamente absurdo com essa teoria, não porque haja qualquer coisa romântica entre nós dois... - ela se apressou a esclarecer aquilo, gesticulando entre si e o lufano - Mas porque eu tenho que admitir que os dois únicos rapazes que se apromixaram de mim acabaram sendo meus namorados. Eu nunca tive amigos, então é estranho de repente me ver com um. - ela deu de ombros.
-Além disso – Meridiana completou, chamando novamente a atenção dos dois para si – vocês têm que considerar que mesmo fora de Hogwarts vocês dois dividem um círculo social relativamente próximo. Não apenas pelo fato de terem alguma ligação comigo, mas considerem que o Sr Ivory e o Sr Von Weizzelberg são aurores e já trabalharam juntos várias vezes. Um namoro entre vocês dois não pareceria nada absurdo.
Lucien olhou para as duas garotas, finalmente compreendendo que, apesar de amar sua ruivinha do fundo de sua alma, considerando apenas do ponto de vista lógico, não era tão implausível um envolvimento entre ele e a prima de Meri.
-Tudo bem, compreendo como Nott conseguiu chegar às conclusões dele, mas ainda assim, não consegui captar qual a idéia que a conversa dele possa ter te dado, fraulein.
-Bem... – a moça começou, bem devagar, para não assustar muito nem o namorado nem a prima – talvez vocês dois devessem considerar a idéia de fingirem estarem comprometidos como Theodore acredita que estão.
- O que? - Adhara sequer teve tempo de mascarar a sua surpresa antes que aquela pergunta tivesse deixado seus lábios.
Ela não podia acreditar que Meri estivesse sugerindo aquilo. Desejar uma aproximação com Nott e o círculo comensal da escola ela podia compreender, fingir romper o namoro com o Lucien e uma briga com ela também... Mas querer aque agora ela e Lucien fingissem um namoro?
-Eu não estou falando para vocês dois ficarem aos beijos e abraços pelos corredores do castelo – a ruiva respondeu, séria, ao rompante da prima e ao olhar incrédulo do namorado – Até porque – ela abaixou o rosto, sentindo as bochechas esquentarem – mesmo que fosse por fingimento, eu não suportaria a idéia de Lucien com outra garota.
O lufano sentiu-se estranhamente lisonjeado com aquela confissão, assim, apesar de ainda estar um pouco confuso sobre a proposta de Meridiana. Ele aproximou-se dela, pousando a mão no rosto de Meri, puxando-o com delicadeza para que ela o encarasse.
-O que exatamente você está sugerindo então? – ele perguntou, suavemente.
O olhar de Lucien fez com que a moça se sentisse mais confiante em explicitar para os dois a idéia que tivera.
-Apenas acho que poderíamos espalhar para o castelo inteiro a notícia do “namoro” de vocês dois, assim, para todos os demais, o fato de verem vocês dois sempre juntos seria encarado com naturalidade.
Adhara ainda estava tentando processar em sua mente o pedido de Meri. A principal razão pela qual ela agira com tanta cautela e reserva quando começara a conviver com Lucien era justamente porque ele era o namorado de Meridiana e, como ela já confessara para os dois há pouco, ela nunca havia mantido uma relação puramente platônica com um rapaz. Era diferente com Kyle, que era seu primo e com quem a afinidade viera fácil e de uma maneira fraternal... No início, ela não tinha idéia de como agir perto de Lucien, de até que nível uma aproximação seria tolerável. Aos poucos, conforme percebera que Meri confiava plenamente em tê-la perto do lufano e o quão confortável ela se sentia conversando com Lucien, ela fora pegando o jeito de como manter aquela amizade. Para dizer a verdade, causava irritação à sonserina saber que algumas pessoas pensavam que ela e Kyle ou ela e Lucien poderiam ser um casal. Então ter a própria Meri sugerindo que eles fingissem que tudo o que essas pessoas pensavam era verdade... Aquilo a deixava, no mínimo, desconfortável.
- Eu não sei, Meri... - Adhara deixou que a prima percebesse sua hesitação - Você acha que isso seria bom? Você acha que ninguém acreditaria que eu e Lucien somos apenas... - ela lançou um olhar incerto para o lufano - amigos?
-Você acha que acreditariam? – a ruiva devolveu a pergunta para a prima.
-Eu não sei... – a morena respondeu ainda um tanto hesitante – Eu gostaria que acreditassem nisso, mas, realmente, para alguém de fora, uma amizade entre um garoto e uma garota solteiros é algo estranho... Eu mesma, quando comecei a te conhecer, achava que existia alguma coisa entre você e o Herman.
-Eu concordo que seja uma besteira acharem tão difícil uma amizade entre um garoto e uma garota, mas a primeira coisa que passa na cabeça de todos é um relacionamento romântico – a ruiva prosseguiu. Além disso, eu não sei por que, mas, automaticamente, quando pensamos em um casal, a última coisa que imaginamos que eles estariam fazendo seria conspirar contra a atual diretoria. Isso tornaria a proximidade de vocês menos suspeita e facilitaria o trabalho que andam fazendo para o Grifo. Além disso, pode parecer besteira da minha parte, mas me tranqüiliza saber que estão tomando conta um do outro enquanto eu não estiver por perto.
O rapaz fechou o cenho, pensando consigo mesmo que, talvez, Meridiana devesse pensar um pouco mais nela própria que nos outros. Aquela idéia insana era o reflexo do quão desesperada a ruiva estava em poupar aqueles que amava. Embora, ele tivesse que admitir para si mesmo que, de um ponto de vista lógico, a idéia fazia certo sentindo, especialmente para acobertar o trabalho que ele e Adhara estavam fazendo para o Grifo.
-O que eu não quero, fraulein, é que essa idéia, cheia de boas intenções acabe magoando você, de alguma forma.
Meridiana balançou a cabeça, em negativa. Ela sabia que Lucien estava se referindo, ainda que indiretamente, aos problemas que tiveram no começo de sua relação, quando erroneamente a ruiva acreditou que o austríaco estava namorando Selune Priout.
-Você não precisa se preocupar. Se eu não confiasse em vocês, não teria nem mencionado essa idéia. Aliás, se eu não confiasse em você, meine Liebe, nós não estaríamos juntos.
Lucien sorriu, compreendendo exatamente o peso do significado daquelas palavras.
-Tudo bem, podemos espalhar o boato do provável namoro. – ele respondeu – Afinal, os Carrows andam paranóicos suficiente para não gostarem de ver alunos se agrupando pelos corredores. Qualquer conversa para eles é como se estivéssemos planejando um golpe de estado. Eu e Adhara como um possível casal justificaria nossas conversas, e, o mesmo poderia se aplicar a Kyle. Não seria estranho minha “namorada” andar também com meu amigo.
Adhara cruzou os braços quando o olhar de expectativa de Meri pousou sobre si. Pelo visto, Lucien já havia concordado, agora faltava apenas o aval dela.
Não podia negar que enxergava a lógica por trás do plano de Meri, por todos os motivos já exaustivamente elencados naquela conversa, mas não podia dizer que estava ansiosa por colocar aquele plano em prática. Alguma coisa dentro dela a fazia hesitar. De certa forma ela sabia que estava sendo um tanto infantil e irracional, não havia motivos palusíveis para ela relutar tanto... Ela não estava namorando e nem gostando de ninguém no momento, na verdade nem sabia se estava pronta para ter outra pessoa em sua vida depois do que havia feito com Trowa. Mas assistindo à devoção que Meridiana e Lucien, a cumplicidade de seu pai e Frida, o modo como os olhos de Kyle brilhavam toda a vez que ele mencionava a namorada que havia deixado na Grécia... A morena não conseguia evitar de se pegar desejando que aquilo acontecesse a ela também.
Porém, se todo o castelo pensasse que estava namorando com Lucien, bem, aquilo colocaria sua vida amorosa em modo de espera por tempo indeterminado. Mas talvez aquilo fosse uma coisa boa... Talvez ela não devesse sequer estar pensando na possibilidade de um romance enquanto aquela guerra não acabasse. Haviam coisas mais importantes no momento. A sua segurança, a de Lucien e o projeto em que estavam trabalhando era uma delas.
- Tudo bem. - a morena concedeu, com um suspiro - Eu concordo que é uma boa justificativa, vocês podem contar comigo.
Meridiana deu um sorriso de alivio, encarando os dois. Ela realmente se sentia muito mais tranqüila sabendo que Lucien e Dhara poderiam zelar mutuamente pela segurança um do outro, e, por conseguinte, também a de Kyle. Contudo, havia uma coisa naquela história que não mencionara nem à prim, nem ao namorado. A ruiva confessava apenas para si mesma que também seria deliciosamente divertido ver a cara de Theodore quando escutasse de outra pessoa sobre o tal namoro.
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