Friday, March 20, 2009

Rendez-vous - Parte 1


A noite estava quente, suficientemente agradável para que eles pudessem ter dispensado o uso de casacos, coisa que, nos últimos tempos em Londres era bastante raro.

A pé, o grupo caminhava tranqüilo pelas ruas do centro, observando o movimento e as luzes que praticamente afastavam a idéia de que o período noturno era de descanso. Lusmore ia mais a frente, comentando tudo como se fosse um guia turístico, o braço de Sam bem seguro no seu, Herman logo em seguida, de cabeça baixa, com Euterpe ao seu lado, cantarolando e, por último, Isaac e Clio.

Os outros dois rapazes tinham relutado um pouco em aceitar a idéia de sair para um pequeno “rendez-vous”, como dissera o bardo, mas tinham acabado por ser voto vencido. Tinham passado o dia treinando feitiços e duelos nos porões do casarão que agora chamavam de casa e certamente teriam preferido ficar dormindo.

- Você sabe, Lusmore... Seu conhecimento da vida noturna de Londres é ligeiramente assustador, considerando que você passou tantos anos na França no meio do mato. – Euterpe observou, cruzando os braços às costas, espreguiçando-os.

O rapaz deu um meio sorriso, voltando a cabeça para a prima.

- Você já deveria ter aprendido a essas alturas com seu avô que conhecimento é poder. Eu sempre fui um estudioso acerca das culturas que me rodeiam.

- E certamente estudou apenas buscando o conhecimento, não é? – Clio comentou mais atrás – Você nunca pensou que poderia colocar esses importantes dados em uso, certo?

Sam observou a cena onde três 'casais' saiam para passear. Ela se deixara levar pelo convite de Lusmore para dar uma volta. Estava bem cansada do treinamento do dia, mas queria que sua mente tivesse direito a um descanso também e ouvir as histórias do bardo era algo cômico e, não poderia negar, agradável.

O único e maior contragosto para sair foi ver que as gêmeas Chenoweth iriam também. Ver Clio tão próxima de Isaac não a agradava, e menos ainda ver Euterpe tão perto, e risonha, do marido de sua irmã.

Não querendo criar um clima ruim entre todos ali, ela aceitou que somente ficaria de olho nas loiras e não falaria nada, se elas não a provocassem, claro.

- Vamos onde, ó senhor conhecedor da vida boêmia londrina? - Sam perguntou ao seu 'par'.

- Por hora, estamos apenas observando. – ele respondeu – Dizem que há alguns excelentes pubs por aqui. Bebida, comida e música. É uma boa combinação, não é? – o rapaz sorriu – E o melhor de tudo é que fica tudo por minha conta hoje.

- Onde você arranjou o dinheiro para isso, Mahala? – Isaac perguntou, o cenho franzido, pela primeira vez participando da conversa – Você não acha que...

- Eu não sei se você sabe, Cyan, mas ser um domador de dragões é uma profissão muito bem remunerada. – ele respondeu, sem se alterar – O que eu tenho não é nada comparado com a renda que os MacFusty retêm... Mas eu poderia nadar em rios de ouro se eu quisesse. Não se preocupe, não estou desviando verbas da Resistência para levar vocês para comer.

Clio observou curiosa o semblante do rapaz fechar-se ainda mais, ainda que ele acabasse por se decidir a não responder. Ela deu um meio sorriso, pensando no quão fofo ele ficava com aquela cara de emburrado.

Ela alcançou a mão dele, enlaçando-a, piscando um olho marotamente quando ele se virou para ela.

- Relaxa, Cyan. Ninguém vai morder você. A não ser que você queira, obviamente. – ela acrescentou, divertida.

Isaac arqueou uma sobrancelha, soltando-se dela devagar, tentando não ser rude.

- Eu creio que estou bem assim, obrigado. – ele respondeu.

- Ei, aquele lugar parece promissor. – Euterpe levantou o braço, apontando para um pub mais adiante, onde uma fila de jovens esperava para entrar, a música escapando, abafada, toda vez que os leões de chácara abriam a porta para deixar alguém passar.

- Nunca vamos conseguir entrar. – Herman observou, colocando as mãos nos bolsos – Primeiro que vamos ter de entrar na fila, e até que chegue a nossa vez...

- Você nunca ouviu falar em convidado vip, Herman? – Euterpe respondeu, maliciosa.

A cena das loiras cantando os dois rapazes do grupo não passou despercebida por Sam que olhou atravessado para elas. Estava começando a concordar com Herman em não ir naquele lugar, mas a música que volta e meia saía da sala fazia com que automaticamente alguma parte do seu corpo se movimentasse.

- Eu tenho certeza que entraremos, quem topa? - Clio falou sorridente.

- A maioria quer. As três garotas e eu, logo Mercury e Cyan não farão essa desfeita a todas e certamente irão também. - Lusmore falou já decidido. - Antes que fale alguma coisa, sei que você vai fazer esse sacrifício, de se divertir, por mim. - O bardo completou segurando uma das mãos de Sam entre as suas.

- Como negar um doce a uma criança? - A morena falou com um meio sorriso.

Herman olhou para os amigos pensando no que fazer. Não estava com nenhuma vontade de entrar em um lugar daquele, ainda mais sem sua fadinha. Quando aceitou sair com o grupo pensava que no máximo iria dar uma caminhada para espairecer, não cair na gandaia dançando. Viu pelo rosto de Isaac que o loiro tinha o mesmo pensamento.

- Então? - Euterpe olhou para os dois rapazes.

- Se não quiserem podemos ir comer algo e voltar para casa. - Sam falou ao ver os outros dois com os rostos indecisos.

- Ah, não podemos não, eu vou te levar para dançar, beber, conversar e relaxar. - Lusmore pegou a mão de Sam e a puxou para perto dele. - Se vocês dois marmanjos quiserem ir, venham agora e entrem conosco. Senão terão que pegar toda a fila.

A troca de olhares dos dois foi o suficiente, não teriam opção novamente. Herman podia ver o olhar de felicidade no rosto de Sam. Depois dos acontecimentos recentes, e todo o esforço que vinham fazendo no treinamento, ela merecia se divertir um pouco como uma adolescente comum. Foi a alegria de antecipação da cunhada que fez com que ele anuísse ao pedido silencioso dela.

Euterpe foi na frente e eles não chegaram a ouvir o que ela disse para os seguranças, mas, no segundo seguinte, eles se viram dentro do pub.


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