Wednesday, March 18, 2009

O Retorno do Grifo - Final


Lore sentou ao lado de Satanio que estava em pé. Todos os olhos voltaram para ele. Era o esperado afinal era o sonserino quem havia convocado aquela reunião junto da grifinória. Uma pontada de tristeza bateu no coração do loiro ao ver que faltavam amigos ali...

O rosto do rapaz ficou sério, diferenciando do Sat brincalhão que todos estavam acostumados.

- Não deve ser uma grande surpresa esse encontro para vocês, apesar da demora. Eu e Lore preferimos aguardar um pouco para vermos como ficaria a vigilância interna. – Ele olhou para sua afilhada que tinha determinação em seu olhar. – Eu acredito que como esta sala ainda esta inteira e estamos aqui há mais de 15 minutos, ao menos eu estou à meia hora, sem nenhuma interferência de Filch logo nem a Melinda nem a Meridiana entregaram este QG aos comensais. Pode ser coincidência ou não, eu prefiro não arriscar.
Os olhos de quase todos da mesa foram automaticamente para as entradas do local. Provavelmente não tinham lembrado que alguns do outro lado conheciam aquela sala.

- Conversei seriamente com Sir Cardogan e ele acabou cedendo ao meu pedido. A partir de hoje ele terá um novo código para abrir a entrada que falarei no final. Também fechei a entrada do pula-pula, não podemos arriscar acharem o QG na sorte, como as meninas fizeram.

Uma mão se levantou meio tímida chamando a atenção do loiro que falava. Ele olhou para Selune esperando que ela falasse.

- Essas medidas de segurança todas são para que? Continuaremos a vir aqui?

- Na verdade, quem irá entrar nesse assunto será nossa remanescente do Olho do Grifo. Eu falei a Lore que eu seria o Consigliori e que iria criar a base e a proteção que ela necessitasse para suas idéias.

Satanio sentou e simultaneamente Lore se levantou. A grifinória passou os olhos por cada um dos amigos que ali estavam. Passaram por tantas coisas juntos, algumas boas e outras muito ruins. Apoiaram-se mutuamente, e, graças a isso, conseguiram superar todos os infortúnios. Lore sabia que era aquilo que faria eles também sobreviverem àqueles tempos tão terríveis.

Sabia também que cada um ali tinha parentes na linha de ataque contra o regime comensal. Era em nome daqueles que estavam lá fora, como seu amado Herman e sua irmã de coração, Sam, que Lorelai se decidira por trazer a luta para dentro da escola. Não ficaria apenas observando todas as injustiças que estavam ocorrendo. Como a única integrante do Olho do Grifo que restara em Hogwarts, ela tinha não apenas o dever, mas o desejo de continuar o legado que Herman iniciara dois anos atrás.

- Bem... depois do que aconteceu no fim do ano letivo passado, - ela fez uma pequena pausa, pensando tristemente no modo como a irmã mais velha traira a todos - eu fiquei imaginando se aqui ainda seria um lugar seguro, e após conversar com o Sat vimos que nada pareceu indicar que os jovens comensais voltariam aqui. Então, em primeiro lugar, gostaria de pedir a vocês que não falassem sobre esta sala para ninguém sem o prévio consentimento da maioria. Atualmente ninguém é o que parecia ser...

Alguns assentiram com as cabeças e outros concordaram falando que iriam manter o segredo. Era unânime que estavam dispostos a ter um lugar livre da influencia da nova direção de Hogwarts.

- Com todos concordando o enigma atual para entrar nesta sala é “Pergunta: O que vamos cozinha hoje? Resposta: Suflê de Cenoura”. Idéia do Sat e que agradou Sir Cardogan e sua fixação por comida – Lore deu um pequeno sorriso antes de retomar sua expressão séria - O que quer dizer que possamos vir quando quisermos, pois para manter esse lugar em segredo temos que ser discretos e muito cuidadosos.

Satanio virou para Lore quando ela terminou de falar.

– Temos no máximo 30 minutos até o começo do jantar.

A jovem assentiu e continuou a falar com seus amigos.

- Acho que todos aqui concordam que não dá para simplesmente ficar sem fazer nada. Eu quero manter o Olho do Grifo e também pensar em outras possibilidades de fazermos frente à nova diretoria. – A grifinória viu em alguns olhar de desânimo, o mesmo que via em Sam quando ela não participava diretamente do Olho. - Nem todos precisam escrever textos como eu, Herman e Mina fazíamos, toda e qualquer forma de mostrarmos que ainda existem alunos que não vão aceitar quietos nossa escola ser uma escola de comensais é válida.

Naquele ponto as conversas foram inevitáveis e um sorriso surgiu no rosto de Sat, eles queriam agir também. Precisavam ainda conhecer um ao outro e confiança não viria da noite para o dia, mas ele estava certo que ali estava um bom grupo para começar algo.

- Eu posso desenhar caricaturas e ilustrar os textos – Lucien falou.

- Eu posso... Não sei o que posso, mas estou à disposição para o que precisarem. – Luke completou ao ver que não tinha idéias.

Alguns riram do jeito do ruivo que levou um leve tapa na cabeça da amiga que estava ao seu lado.

Lore sorriu com orgulho para Sat, estavam conseguindo.

- Ótima idéia Lucien e ótimo sentimento Luke, os lufanos sempre de corações grandes. – Satanio sorriu para os amigos e depois continuou sério. - Devemos voltar agora e cada um deve pensar e ver se surge alguma coisa que possa fazer. Não anotem nada em lugar algum, guardem tudo na mente. O próximo encontro será marcado como esse, em conversar informais entre um e outro. Nunca em grupos. Até por isso o ideal é que saiam do mesmo modo que vieram, aos poucos.

- Na nossa próxima reunião teremos algumas apresentações, mas o principal é que cada um aqui sabe o outro sentado nesta sala está do mesmo lado, mesmo sendo todos de casas diferentes. – Lore falou pensando principalmente em Darien e Kyle, que, de certa forma, eram os novatos naquele tipo de trabalho. – Melhor começarmos a sair.

Adhara, Kyle e Lucien assentiram e se levantaram, apesar de saberem que a sonserina deveria se afastar deles assim que passassem do quadro.

- Selune, pode sair com o Darien? Eu gostaria de falar com o Sat antes de ir... – Lore falou para a francesa.

- Oui, ma cherrie. – Selune respondeu.

Darien sorriu ao ouvir a língua que também amava. Os dois saíram conversando sobre amenidades da língua francesa, sorrindo como se fossem bons e velhos amigos. E logo atrás deles saíram Luke e Raven.

Lore esperou até que todos saíssem para relaxar. Naquele momento ela sabia que precisava manter a força de suas palavras em seu rosto, para que todos tivessem a mesma coragem para lutar contra os Carrows.

O loiro viu um leve tremer em uma das mãos da garota e se lembrou de algo importante, ela ainda era jovem. Era uma senhora casada, mas ainda muito nova para passar por aquilo sozinha. Sat abraçou Lore que apoiou sua cabeça no ombro do amigo.

- Deu tudo certo, vieram todos. Herman ficaria muito orgulho se você. – Ele deu um leve beijo no topo da cabeça dela, como um irmão mais velho faria.

A grifinória sorriu levemente ao ouvir aquilo.

- Tanta coisa e tão rápido, não é? Eu me pergunto se ele está bem, se lá está como aqui...ou pior...

Aquilo era algo que Satanio não poderia responder, também se perguntava isso. Mas sabia que tinha algo que ele sempre poderia fazer, fazer seus amigos sorrirem. Ele se afastou de Lore e colocou a mão dela encaixada no seu braço, para que os dois saíssem da sala.

- Não se preocupe com certeza ele está em algum lugar onde terão várias enfermeiras para cuidar dele... – Ele falou desenhando as curvas de uma mulher com uma das suas mãos.

- Ei!

- E conhecendo o Herman como conheço, ele ficará vermelho como um pimentão...

Ao imaginar a cena descrita pelo amigo, Lore não teve como não rir. Sabia que aquilo era algo impossível, mas que seria a cara de seu marido seria.

-Bem, duvido que ele me apronte uma coisa dessas, afinal, ele sabe que tem um rolo de macarrão esperando por ele lá em casa se fizer alguma gracinha.

Foi então, a vez de Satanio rir.

-Sabe, Herman não poderia ter escolhido esposa melhor – ele piscou – Vamos, agora que a Operação Suflê de Cenoura está oficialmente em prática, a gente pode aproveitar comida de verdade no jantar.

-Não poderia imaginar uma idéia melhor no momento – a moça respondeu, um pouco mais animada.

Enquanto ambos saiam, ainda de braços dados do QG, Lorelai não pode deixar de pensar consigo mesma que, apesar das trevas que os rodeavam, ainda havia uma chama de esperança, e que, assim com ela estava cercada de amigos que poderiam apóia-la, possivelmente Herman teria a mesma sorte onde quer que estivessem

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