Tudo tinha acontecido muito rápido. Mais rápido do que ela poderia imaginar ou planejar. Se antes Samantha conversava com seu avô sobre a possibilidade de não voltar para Hogwarts e agir na resistência, naquele momento não havia mais a escolha.
Não fazia nem dois dias desde que a casa de seu avô fora invadida por dois “homens do governo” que utilizaram Sam como moeda de troca sob tortura para os serviços de Peter Blair. Ela e o avô escaparam, mas agora estavam oficialmente na clandestinidade.
Sam olhava o teto do quarto onde estavam. Blair os levou até seu antigo colega, August Chenoweth, o que a fez perceber que seu avô já sabia para onde ir e a quem recorrer. E que, ao menos para ele, algumas coisas já estavam organizadas.
Ela viu a surpresa no rosto do senhor que os recebeu ao vê-la. Estava claro que ele aguardava somente uma pessoa e não tão cedo. Sam na verdade não tinha a mínima idéia onde estava. Há dois dias ela não via nem a rua nem o céu, não podia pensar em sair ate definirem o que seria dela. No único momento em que estivera com seu avô deixou bem claro que não iria para a Franca, não depois de tudo o que passara.
A morena virou na cama e abraçou o travesseiro, apoiando o queixo em uma das mãos. Por mais que pensasse que queria ajudar na guerra e não retornar a Hogwarts, ela não queria que tivesse sido tão abruptamente. Sem poder ao menos se despedir dos amigos ou dos pais.
- Se eu ficar muito tempo aqui vou acabar... – Sam falou
- Enlouquecendo, eu imagino. – Peter completara a frase da neta ao entrar no quarto.
O sorriso que Sam dirigiu ao avô quando ele chegou fez o coração do senhor se aquecer. As marcas do que acontecera alguns dias antes ficara mais na pele do que no interior de sua neta, como ele temera. A vermelhidão do forte tapa que recebera estava ainda visível.
- O senhor me deixou sozinha aqui... – Sam sentou e deu espaço para seu avô sentar também.
- Estava resolvendo nosso futuro, vendo o que é melhor...
- Para nós? Ficar, claro. – Sam cortou o avô e falou séria para ele.
Peter suspirou e viu que não tinha opção. Desde o início sabia que sua neta queria fazer algo de útil na guerra que já acontecia na Inglaterra, mas estar vivendo a situação de colocá-la realmente em alguma célula de resistência onde possa não só ajudar, mas também estar em perigo, não o agradava. Seu sentimento de proteção brigava com sua consciência.
- Eu sei Sam. – Ele falou calmamente. – Mas você tem que aprender antes de pensar em fazer alguma coisa. Nossos rostos estão marcados e nossos nomes também, não é tão simples.
- Eu sei vô. Queria ao menos tentar avisar Lore, mas sei que se fizer isto será pior para ela. – Sam ponderou. – Com a mamãe e o papai você já falou?
O senhor assentiu. Não iria falar os detalhes da conversa, só o final onde ficou acertado que a vontade de Sam seria a decisão final. Ele passara as ultimas 24 horas reorganizando sua vida e de sua neta. Criando novas identidades, apagando antigos laços e antigas lembranças. Também viu como estava a estrutura das células da resistência e onde os dois ficariam.
- Conversei com August sobre seu futuro e ele me mostrou um grupo que eu acho que será bom para você. Infelizmente, para mim, ficaremos separados. Eu devo fazer pela resistência o que o ministério queria para eles.
Blair se levantou e abriu a porta do quarto.
- Herman! – Sam se levantou e correu ate o amigo que a recebeu com um abraço.
- Achei que seria melhor se você tivesse um rosto familiar por perto. – Peter falou. – E eu me sentirei mais seguro sabendo que tem alguém em quem confiar tomando conta do meu tesouro.
- Não se preocupe Sr. Blair, como falei, ficarei de olho em Sam. – O rapaz falou.
Sam parou no meio dos dois e olhou de um para o outro, sentindo que faltava algo na historia que não sabia ainda. Delicadamente ela levantou o dedo chamando a atenção dos dois.
- Podem começar do começo? Quando vocês se encontraram? Para onde eu vou? Como assim ele ira tomar conta de mim, ate parece que tenho 10 anos... – Ela terminou com seu beiço aumentando.
- Temos algumas coisas a conversar antes que vocês saiam daqui para sua nova vida e sua nova casa. – Peter parou e após um leve suspiro continuou. – E também quero aproveitar esses minutos antes que eu me despeça de você.
A jovem olhou o avô e entendeu o que estava acontecendo. Herman já estava na resistência e estava ali para levá-la para o mesmo local. E pelo o que o Peter falara antes, ele teria outro papel internamente e não seria junto dela.
Entrelaçando sua mão na de seu avô, Sam sentou ao lado dele e falou serenamente.
-O que preciso saber?
Passaram-se quase duas horas até que Sam soubesse o suficiente para se mudar para uma célula. August deixara a cargo de Peter decidir se ela estava pronta ou não para ir. Por mais que o coração de avô falasse que não, ele mesmo a estava treinando desde que chegara a Londres. Ela estava pronta e ele não poderia impedi-la de ir.
Com sua mochila nos ombros Sam abraçou fortemente seu avô antes de sair com Herman.
- Irei visitá-la sempre que puder. - Peter falou baixinho. - Tome muito cuidado.
- Você também. – Ela falou e deu um leve beijo no rosto do avô.
Herman esperava ao lado da porta para saírem e irem para a casa onde ficava sua célula. Ele observou Sam virar e andar em direção a saída. O morder de lábios mostrava que ela estava se segurando e uma lágrima que escapava pela lateral do rosto mostrava que estava falhando.
O rapaz pegou a mochila de Sam e jogou nos seus ombros. Ele esperou ela colocar seus óculos escuros, seus olhos cinzas chamavam atenção e eles precisavam parecer um casal andando na rua, sem chamar atenção. Herman estava com roupas casuais, como Sam, e um boné cobrindo o rosto. Sua amiga fizera um coque prendendo o comprido cabelo.
Sam parou na calçada, sem saber aonde ir. Ela sentiu a mão de seu amigo segurar a sua e recebeu um sorriso de Herman. Ela segurou a mão dele firmemente, precisava estar pronta para o que der e vier
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