Um Novo Ninho- Parte 1
Era quase fim de tarde, as luzes crepusculares já pediam acesso ao anil do céu diurno. Herman olhou pela janela do quarto de Satanio, observando os últimos preparativos para o casamento. Ele podia ver as pequenas tendas com os doces e comidas, a maioria providenciada pela própria Mary Elizabeth McGuire, aliás, ele podia ver a sogra correndo entre elas, organizando os últimos detalhes. O rapaz podia ver o pequeno palco improvisado, onde a famosa banda Morganna Bee and The Wild Pumpkins, da qual Mark, tio de Lorelai era baterista, iria tocar para os convidados.
Havia também arranjos de flores, rosas chá e rosas vermelhas por todo o local. Em cima das mesas redondas, próximas às tendas de comida, e, em pequenas colunas espalhadas por toda a extensão dos jardins.
Um pouco mais afastada, estava o pequeno altar onde seria realizada a cerimônia. Não haveria cadeiras, os convidados ficariam ao redor em um círculo, parte do ritual escolhido por Lorelai.
Todos os McGuire estariam lá em peso, com algumas pouquíssimas exceções. Dos familiares de Herman, ao que constava ao rapaz, talvez apenas o padrinho viesse, acompanhado de Lucy Reinfield, que estava hospedada na casa de Jack .
Contudo, se lhe servia de consolo, muitos de seus amigos estariam presentes. Meridiana, Adhara e Kyle, juntamente Frida Black-Thorne. Kamus Ivory estaria viajando a trabalho, algo que estava se tornando bastante freqüente segundo Herman escutara da ruiva. Os von Weizzelberg compareceriam, juntamente com Tristan McCloud, namorado de Selune. Lucas Hunther, vindo direto da Irlanda, era outro dos convidados, assim como Raven, que traria seu tio August Sinclair, com quem estava morando, a tiracolo. Sem falar, é, claro, dos donos da casa, os Goddriac. Pelo menos Satanio e os tios avós do sonserino loiro, uma vez que os pais do rapaz ainda estavam envolvidos em escavações no exterior.
Considerando o quão pouco tempo tiveram para organizar tudo aquilo, Herman estava mais que impressionado. Ele saiu da janela, virando-se para o amigo que lhe fazia companhia no quarto.
-Cara, eu não sei como te agradecer por ter emprestado a casa da sua família para o casamento.
-É o mínimo que o padrinho deve fazer quando o melhor amigo vai se enforcar. - Sat, sentado displicentemente na beirada da cama, respondeu, dando um sorriso matreiro.
Herman apenas deu um sorriso agradecido de volta. Sabia que aquela história de enforcamento era apenas o jeito do sonserino expressar a alegria que todos compartilhavam naquele dia.
-Não sabia que sua família tinha uma casa aqui em Londres - o Mensageiro comentou, casualmente. Estava começando a ficar nervoso, e, quanto mais falasse, menos deixaria que a ansiedade crescesse.
- A casa de Newcastle é de uso comum da família toda, é onde meus tios-avós moram. A casa de Hogsmeade é para quando meus pais vierem para cá me verem durante o meu período de aulas, esta aqui é na época em que eles estão trabalhando nas pesquisas para a Academia de Estudos Alquímicos. - o loiro explicou, embora, ele houvesse percebido que o amigo se perdera há muito nas palavras, provavelmente se refugiando em pensamentos acerca de sua amada fadinha.
Apenas batidas leves na porta é que resgataram Herman de seus devaneios.
-Pode deixar que eu abro - Satanio se prontificou em um salto.
Pela fresta da porta, o loiro viu o rosto doce e afetuoso da mãe de Herman, Carolyn Mercury, sorrindo para ele em cumprimento. O outro rapaz, contudo, não conseguiu ver quem chegara.
-Ele vai gostar de ver a senhora aqui - Satanio falou - Vou deixa-los a sós.
Assim que o sonserino saiu, abrindo toda a porta para dar passagem à mulher, Herman notou quem estava ali a fita-lo.
-Mãe - ele disse, quase em um grito de incontida felicidade.- Você veio!
Carolyn aproximou-se, abraçando o filho, deixando que toda saudade se extravasar naquele ato.
-Como eu não viria ao casamento do meu filho mais velho?
Herman afastou-se um pouco da mãe, e, ainda segurando-a pelos ombros, a fitou, com uma expressão de ternura e gratidão.
-E o pai? - ele não se refreou em perguntar.
Carolyn apenas meneou a cabeça em negativa. David era cabeça-dura demais, nem mesmo Jack ou Ted Mercury conseguiram amolecer a decisão que o marido tomara sobre o filho.
-Mas seus avós estão todos aí. - ela respondeu - Andie e Heather não puderam vir por motivos óbvios.
Herman abaixou o rosto. Era melhor assim, a tia e a irmã longe e protegidas da guerra louca que tragicamente a se definiu para o lado dos comensais.
-Você está brava comigo, mãe? - o rapaz abaixou o rosto.
Apesar da pergunta não muito específica, Carolyn compreendeu exatamente a que o filho se referia.
-Brava não, Herman. Temerosa sim. Assustada também. Nenhuma mãe deseja ter o filho envolvido em batalhas mortais ou dormir todas as noites imaginando se ele está vivo ou morto. Se eu pudesse, colocaria você novamente dentro do meu ventre, para protegê-lo de qualquer perigo.
-Mãe... - o rapaz balbuciou, sentindo-se pela primeira vez realmente culpado por sua decisão. Ele sabia que era algo que precisava fazer, contudo, nunca quisera trazer sofrimento à mãe.
Carolyn fez um sinal com a cabeça, indicando ao filho, que agora lhe encarava com olhos melancólicos, que não havia por que se desculpar.
-Contudo, eu tenho orgulho do homem que se tornou - ela disse, sorrindo - E orgulho do que vai fazer hoje. Se a situação fosse outra, pediria para vocês dois esperarem, mas, acho que, considerando o que está acontecendo, você e Lore estão fazendo a coisa certa.
A expressão ligeiramente carregada do rapaz se desanuviou, e ele voltou a sorrir. Carolyn se aproximou do filho, segurando o colarinho do terno.
-Vem aqui, deixa eu arrumar sua roupa e ajeitar o nó da gravata, afinal, hoje é um grande dia e você deve estar impecável.
Antes que ela começasse a ajeita-lo, Herman se aproximou, depositando um beijo carinhoso na fronte dela.
-Obrigado, mãe. Por tudo.
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