Tuesday, October 07, 2008

Noivado - Parte 2


- Mãe? Tá muito ocupada? – Lorelai adentrou a ampla e simpática cozinha de sua casa, seguida pelo namorado.

- Não muito, vou começar o almoço daqui a pouco... Olá Herman! – Liz cumprimentou esforçando-se para sorrir. Não por causa da presença do rapaz em sua casa, mas desde que descobrira que sua enteada, a qual amava como sua própria filha, lhes havia traído, era-lhe difícil sorrir amplamente como gostaria.

-Bom dia, Sra. McGuire - o rapaz cumprimentou, tentando sorrir de volta, embora sentisse uma certa ansiedade se formando na boca do estômago.

Os dois jovens se postaram nas cadeiras em frente à mãe de Lorelai. Haviam recolhido a aliança dourada na caixa para comunicar o noivado à Liz sem assustá-la. Um frio repentino percorreu a espinha da menina.

Ela era menor de idade e sua mãe podia muito bem vetar facilmente o projeto de casamento. De qualquer forma, precisava não só da benção dos pais como da permissão deles para se casar legalmente, então não havia outro jeito de fazer as coisas.

- Mãe... Nós precisamos conversar com a senhora...

Notando o ar sério do casalzinho, Mary Elizabeth cruzou os braços, apoiando-os sobre a mesa, enquanto os observava entre a curiosidade e a apreensão.

- Certo, e então? O que houve? – ela tentou começar o diálogo ao perceber que nenhum dos dois que solicitaram a conversa começava de fato a falar.

Herman entrelaçou suas mãos nas de Lorelai, respirou fundo antes de começar a falar. Apesar de gostar muito da sogra, reconhecia que ela não era uma pessoa fácil, entretanto, ele queria fazer as coisas conforme mandava o figurino.

-Eu não preciso dizer para a senhora que a situação piorou depois da morte do Primeiro Ministro, nem que a tendência é piorar, especialmente para os bruxos de origem trouxa como eu. E vou compreender perfeitamente se a senhora não concordar. Mas, eu amo Lorelai, sra. MGuire. Sei que não tenho muito a oferecer, mas as minhas intenções são as mais sérias possíveis. Assim, se a senhora permitir, gostaria de me casar com sua filha. - ele disse em um único fôlego, usando um tom extremamente sóbrio.

Lore encarou a mãe, esperando ansiosamente pelo que ela tinha a dizer. Liz, por sua vez, estreitou os olhos, mirando de um jovem para o outro, antes de soltar um suspiro e prosseguir com a conversa.

- Vocês não estão agindo precipitadamente? Pensaram direitinho no que estão me falando? Entendo que vocês estejam preocupados com o futuro incerto de vocês, mas faz tão pouco tempo que vocês estão juntos...

-Eu não tenho dúvidas sobre o que eu sinto pela Lore, Sra. McGuire. - Herman continuou, tão sério quanto no início da conversa. O nervosismo inicial aos poucos foi sendo substituído por uma segurança que o rapaz não sabia que poderia sentir - Talvez tenha pouco tempo que estamos juntos, talvez sejamos muito jovens e, se a situação fosse outra, tomaríamos essa decisão em um momento mais estável de nossas vidas. Mas acredite em mim quando eu digo que meu pedido não é um rompante momentâneo, fruto de um medo infundado. Desde muito tempo eu soube que queria passar o resto das minha vida com a sua filha. Entretanto, não acho correto fazer isso sem a sua benção ou a do Sr. McGuire.

Liz sorriu para o rapaz diante de si. Era verdade que ela também havia se casado muito jovem, era pouco mais velha do que a filha, na época. E também era verdade que ela se arrependera um bocado da atitude – e tinha plena convicção de que não agira precipitadamente.

As circunstâncias se modificaram de modo drástico em tão pouco tempo que ela nem tivera tempo de assimilar. No entanto, dentro de si, sabia desde o primeiro instante que Herman era a pessoa “destinada” à Lorelai e que aquela situação que vivenciavam ali seria uma questão de tempo. Não só simpatizava com o moço, como gostava dele tanto quanto de seus filhos.

Ainda assim, preocupava-se com a vida que eles levariam num momento como aquele.

- E o que vocês estão planejando? Como farão? Onde vão ficar? – e sentindo o olhar reprovador de Lorelai, apressou-se em dizer – Não, eu não estou perguntando isso de chata. Eu me preocupo com vocês e quero que sejam felizes, mais do que eu fui. E acreditem em mim, o amor é essencial, mas não é tudo. A vida é difícil, a rotina é complicada e os problemas sempre aparecem. Vocês precisam de um mínimo de perspectiva e planejamento, se pretendem se casar. E é por isso que eu estou perguntando tudo isso, percebe, minha filha?

A garota assentiu com a cabeça, um pouco desanimada. Não haviam planejado muita coisa, pelo menos até onde ela se recordava. Herman concordava com tudo o que Liz dissera até o momento, aliás, se ele tivesse opção, faria as coisas com muito mais calma.

-Eu não vou mentir para a senhora, - ele retomou a palavra - que eu gostaria de ter as coisas muito melhores planejadas, tampouco posso prometer que as coisas vão ser fáceis para mim e para Lore nesse começo, Nem mesmo sei até quando poderei ficar com vocês sem coloca-los em risco, pois parece que o Ministério está começando a se posicionar de modo mais rígido aos nascidos trouxas. O sr. McGuire pode confirmar a gravidade das minhas afirmações.

O rapaz fez uma pequena pausa antes de continuar sem desviar os olhos dos da mãe de Lorelai. Era como se naquele momento Herman estivesse tomando consciência de que se tornara um adulto, e que precisaria agir como tal, por ele e pela pessoa que mais lhe importava na vida.

-O ideal seria eu ter um emprego garantido, um apartamento...Eu sei que não tenho nada disso...Podemos ficar com meu tio por alguns dias, e alguns dos meus amigos têm casas em Londres que não usam no momento e poderiam nos ceder...Se dependesse apenas de mim, eu poderia arrumar um emprego, isso não seria difícil, considerando que tenho contatos no Profeta Diário...Mas não depende apenas de mim, mas principalmente do Ministério. Não sei até que ponto irão as restrições...E também, acredito que Lore precise voltar para Hogwarts...A única coisa que eu posso prometer à senhora é que vou fazer o meu melhor dentro de todas essas limitações que estão além da minha vontade.

Mary Elizabeth ainda se encontrava dividida entre o pesar, a surpresa e a alegria. Ela não sabia de absolutamente nada sobre o que Herman havia acabado de lhe dizer, mas não questionaria o esposo para não comprometer o genro. Por outro lado era triste ver crianças como aquelas crescendo tão rápido por causa de algo que lhe fugia o controle.

- Certo, Herman. Você me convenceu e espero que vocês continuem mantendo essa postura quando vierem as tempestades. Vamos ter uma comemoração de noivado durante o almoço? Aproveitamos e comunicamos ao seu pai, Lorelai.

A garota, com os olhos marejados de lágrimas, levantou-se e contornou a mesa, abraçando carinhosamente a mãe.

- Obrigada, mãezinha! Eu te amo tanto!

- Também te amo, filhotinha querida, espero mesmo que vocês estejam tomando a decisão certa. Mas vamos começar a preparar o almoço? Hoje o Herman não está dispensado, vai ficar para ajudar com as batatas também.

O rapaz sorriu, sentindo-se imensamente mais tranqüilo, intuindo que apesar de todos os pesares, aquela era a decisão mais correta de sua vida.

-Vai ser um prazer ajudar.

Ele se levantou, aproximando-se da sogra, já livre dos braços da filha mais velha. Hesitou por alguns segundos, mas decidiu deixar-se levar pelo impulso que a felicidade que se formava dentro dele pedia. Inclinou-se, também abraçando a mãe de Lore.

-Muito obrigado, sra, McGuire - ele disse . - Obrigado mesmo. Prometo tentar não decepcionar nem a senhora nem Lorelai.

- Vai dar tudo certo, meu filho – ela respondeu, ainda abraçando o genro - Tudo vai acabar bem.

Herman deixou-se quedar por um momento naquele abraço caloroso e reconfortante, tão cálido quanto os abraços que sua própria mãe costumava lhe dar, dos quais ele já sentia muita falta. Ele desejou imensamente que as palavras de Liz McGuire se tornassem verdade.

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