Thursday, September 25, 2008

We are young, we are alright - Parte 3




Adhara era uma figura solitária, parada próxima às portas de vidro do shopping. Frida, cansada após uma manhã inteira circulando pela cidade, decidira voltar para o apartamento, pensando que um ponto trouxa cheio de pessoas era seguro o suficiente para que a futura enteada ficasse sozinha esperando por Meridiana e os amigos desta.

Com os braços cruzados e tentando manter-se fora do caminho dos transeuntes, a morena observava o fluxo de pessoas indo e vindo no local. De certa forma o shopping center lhe lembrava o Beco Diagonal: várias lojas reunidas, tudo o que se podia querer comprar a apenas uma caminhada de distância e muita gente disposta a consumir.

Era engraçada a forma como podia fazer inúmeros paralelos entre o mundo trouxa e o mundo bruxo. O quão surpresa a jovem não ficara quando entrara pela primeira vez em um ônibus e percebera que, exceto pela ausência de camas e a diferença de cor – os ônibus de Londres eram vermelhos – ela estava dentro de um Noitebus Andante? Esse tipo de coisa a fazia perceber que provavelmente bruxos e trouxas eram bem menos diferentes do que uma pessoa como ela, criada a vida inteira entre magia, poderia supor.

Finalmente seus olhos azuis avistaram uma sombra dos cabelos carmesim de Meridiana, sempre reconhecíveis apesar da multidão. Mais alguns segundos e a ruiva se fez mais visível, andando de mãos dadas com Lucien e ladeada por mais três jovens enquanto procurava Adhara com os olhos entre o fluxo de pessoas, exatamente como a sonserina estivera fazendo pouco antes.

Adhara acenou, chamando-os, e foi Lucien quem primeiro lhe notou, trazendo o grupo para a sua direção. Logo estavam reunidos.

- Boa tarde. – disse Adhara, cumprimentando todos eles.

Meridiana aproximou-se de Dhara, dando o abraço com que usualmente cumprimentava a morena.

- Então, conseguiram achar o berço? – a ruiva perguntou, curiosa pelos resultados da manhã de comprar para o enxoval do futuro primo ou prima.

A verdade é que Meri estava feliz por Adhara e Frida estarem se dando tão bem. A sensação de segurança que a família que estava se formando ao redor dela trazia quase amenizava a dor pela perda de sua outra família. Algo que ela evitava em pensar desde que saíra do cativeiro.

Adhara assentiu, confirmando que conseguiram encontrar o berço.

- E um móbile. – e então um sorriso teimou em alojar-se nos lábios rosados da garota – Espere só até você vê-lo, é uma graça.

- Mal posso esperar para ver – um sorriso idêntico ao da morena se formou nos lábios de Meridiana.

Herman e Raven acabaram trocando um olhar discreto, porém significativo, entre si. Era a primeira vez que viam as duas primas interagindo em um ambiente mais cotidiano, e, para a surpresa de ambos, a imagem de Donzela de Gelo que sempre tiveram da sonserina em Hogwarts contrastava com o modo afetuoso com que Adhara se dirigia à Meri.

Aquilo deixou ambos sinceramente felizes, pois, sabiam o quanto significava para a melhor amiga os laços que havia criado com a prima.

Depois de todos se cumprimentarem animadamente, a ruiva virou-se para o mais novo do grupo, fazendo uma última apresentação.

- Kyle, este é um shopping center. Shopping, conheça Kyle O'Neil.

O rapaz cruzou os braços, rindo divertido.

- Tudo bem que eu sou bicho de areia, Meri, e tenha crescido em uma vilazinha do tamanho de um ovo, mas eu já fui a um shopping center antes. Nós costumávamos passear em Athenas de vez em quando.

- Então, o que nós vamos fazer? – Raven perguntou, esfregando as mãos, uma na outra, ansiosa – E antes que perguntem, não estou pensando em comida, já que acabamos de almoçar na casa do Lucien.

- Eu tenho uma ou outra idéia na cachola – Herman respondeu, olhando de lado para Kyle, com um sorriso desafiador.

Meridiana revirou os olhos, divertida, compreendendo as intenções do amigo, especialmente considerando-se a conversa que tiveram pela manhã.

- Temos que escolher uma coisa que dê para nós seis fazermos juntos. Não acho que assistir a você e Kyle disputando no fliperama seja divertido para todo mundo.

Raven estalou os dedos, ao ter uma grande idéia para o dilema que acabara de surgir.

- Bem, se for para assistir a alguma coisa, por que não vamos ao cinema?

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