We are young, we are alright - Parte 2
Finalmente a verdade caiu como um raio quase fulminante em cima de Raven. Ela arregalou os olhos, deixando que a boca se entreabrisse em espanto, olhando de Kyle para Meridiana e novamente para o rapaz.
Para Raven era praticamente inconcebível que Ludovic pudesse ter tido um filho. Como alguém, em sã consciência, poderia ter se envolvido com o tio psicopata de Meridiana daquele modo? A ponto de gerar uma criança?
Ela olhou mais uma vez para os dois primos, considerando a presença do rapaz ali e a forma carinhosa com que a ruiva o apresentara, outra possibilidade mais sombria para a existência de um filho de alguém tão monstruoso como Ludovic passou pela cabeça da morena. Raven não conseguiu refrear uma expressão de pena e horror ao imaginar o que a mãe daquele rapaz deveria ter passado nas mãos do comensal.
Kyle sentiu um aperto no peito, trincando, inconscientemente os dentes. Considerando toda a história de sua prima envolvendo Ludovic, especialmente a mais recente, ele sabia que as pessoas receberiam a existência dele com espanto e choque. Contudo, a reação passionalmente aversiva que a simples menção do nome de seu pai causava nas pessoas o incomodava mais do que desejava admitir. Ele começava a temer qual seria sua própria reação quando se visse diante dele. O que, considerando tudo o que Meridiana lhe contara, ocorreria algum dia.
-É um prazer finalmente conhece-lo, Kyle - sorrindo para quebrar o desconforto silencioso que se instaurara na mesa, Herman estendeu a mão chamando a atenção do outro jovem. - Já ouvi falar muito de você. Acho que deve saber que a sra. O' Neil está instalada na casa de meu tio.
-A sra. Black-Thorne me contou - Kyle fez uma pausa, respondendo ao outro. Embora ainda se sentisse desconfortável em relação sua situação com a mãe, desejava saber se ela estava bem, pelo menos dentro das possibilidades que ambos possuíam no momento - Como ela está?
-Bem, estamos tentando fazê-la se sentir em casa - Herman respondeu, não se aprofundando no assunto, que imaginava também ser complicado tanto para Kyle - Ela mencionou que você gosta de jogar games. Tio Jack têm um Playstation, talvez possamos combinar uma partida, em algum lugar neutro.
-Acho que eu gostaria sim. Que tipo de jogos prefere? - Kyle perguntou, começando a se sentir um pouco menos deslocado - Eu e meu amigo Òrion costumávamos jogar Soul Edge. De vez em quando fazíamos campeonatos e chamávamos as meninas também. O que nem sempre era uma boa idéia, Leda costumava ser terrivelmente competitiva e não tinha piedade em nos massacrar.
Kyle sorriu ao lembrar-se da "não-namorada" - termo que a loirinha usava para explicar o relacionamento de ambos - desejando, por um momento, que ela pudesse estar ali com ele.
-Soul Edge é legal - Herman concordou - Tem uma história de fundo interessante. Acabei de comprar um jogo muito bom. Resident Evil, aquele dos zumbis, não sei se conhece.
- Blergh, aquele bando de coisas horrorosas babando verde e querendo comer cérebros? - Raven interrompeu, fazendo uma careta - Sem chance. Prefiro vampiros, pelo menos são limpos e inteligentes.
-Tudo bem, Rav. - Herman retrucou, risonho - A gente arruma um Castlevania se você decidir se juntar a nós na maratona.
Depois disso, a conversa se tornou mais amena, e a manhã começou a passar rapidamente. Meridiana observava as pessoas ao redor, contente. Era a primeira vez que reencontrava os amigos fora do hospital. Pena que os demais deles estavam fora de Londres. A ruivinha sentia como se, naquele momento, todo o horror que vivera houvesse ocorrido a outra pessoa e não a ela. Sentia-se quase feliz.
-Achei que a Ivory viria com vocês - Herman mencionou, chamando a atenção da ruiva.
-Ela saiu com tia Frida - Meridiana respondeu, fazendo uma pausa, olhando novamente para Raven, pois sabia que, diante do que revelaria a seguir, a amiga deixaria novamente o queixo cair de surpresa - Elas estão organizando o enxoval do meu novo primo ou prima. Filho da minha tia e do meu padrinho.
Os olhos de Raven realmente se arregalaram, mas, dessa vez, foram acompanhados por um sorriso. Ela gostava de Frida e supunha que um filho deixaria a polonesa feliz.
-Que legal!
-Nós poderíamos aproveitar a tarde para passear. Algo trouxa, talvez - Lucien sugeriu, sabendo que Meri ainda não se sentia completamente disposta a enfrentar o cotidiano mágico, especialmente se considerando o fato de que os comensais haviam tomado o poder. - Quem sabe aquele shopping em Elephant & Castle que você me apresentou nas férias de Natal?
-Nós não podemos - Tristan interrompeu - Prometi à Selune que iríamos praticar música hoje à tarde.
-Oui - a francesinha, que estava com a cabeça encostada no peito do namorado, assentiu - Tristan está me ajudando com algumas partituras que estou tendo dificuldades. E é sempre maravilhoso escutar Tristan tocar violino.
Meridiana trocou um olhar significativo com Lucien, que assentiu discretamente, intuindo os pensamentos da namorada. Era evidente que Selune e Tristan estavam irremediável e profundamente apaixonados. Passavam todo o tempo livre que tinham juntos. Nos olhos da loirinha havia sempre um brilho de alegria, e nos lábios a sombra de um sorriso terno. Nem Meridiana nem Lucien se recordavam de ter visto Selune antes em tal estado de espírito.
-Eu acho shopping uma excelente idéia - a ruiva respondeu por mim, puxando para si a bolsa que colocara em cima da mesa - Vou ligar para o celular de tia Frida e pedir para a Dhara nos encontrar lá.
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