Bridge - Final
Quando chegaram à sala de jantar, Adhara, Meri e Kyle já estavam sentados à mesa, conversando qualquer coisa interessante para a idade deles.
Sentada ao lado de Kamus, Frida observava discretamente a interação dos presentes. Aquela era, possivelmente, a primeira vez que faziam uma refeição todos juntos. Embora ela e o Auror permanecessem em silêncio, especialmente o russo, os mais jovens não se sentiam inibidos e continuavam a conversar.
Tempos atrás, se fossem todos reunidos em um mesmo lugar, ela acreditava que as coisas seriam um pouco diferentes. Cada um deles passou por provações – e possivelmente passariam por outras até que a guerra findasse – contudo, aquilo os levou a transformações que pareciam tê-los tornado pessoas mais maduras. Mesmo ela, mesmo Kamus.
Era surpreendente a forma como Meridiana e Adhara se entendiam, embora Frida já houvesse notado um prenúncio daquela harmonia entre as duas quando a morena se hospedou na casa dos Johnson. Contudo, era mais surpreendente ainda a forma como elas acolheram Kyle, especialmente a sobrinha, considerando que o garoto era filho da pessoa que mais trouxera sofrimento à menina.
À medida que o tempo passava e a comida desaparecia das tigelas e dos pratos, a polonesa percebia que aquela era a ocasião mais propícia para anunciar uma decisão conjunta dela e de Kamus.
- Eu já contei aos garotos sobre o nosso casamento. – ela falou, virando-se para o noivo, após sorver um gole de água de uma taça – Mas não cheguei a fazer o convite que havíamos combinado.
Kamus assentiu brevemente, não parecendo incomodado em tocar no assunto na frente dos três adolescentes.
- Pensamos em vocês duas, – disse o russo, olhando para Adhara e Meri, que estavam sentadas logo à sua frente, do outro lado da mesa – serem as madrinhas do casamento.
Adhara piscou e virou o rosto para olhar para a prima, percebendo que Meridiana tivera exatamente a mesma reação e lhe encarava com surpresa estampada nos olhos esmeraldinos. Mas aquela sensação durou só por um instante, pois logo a ruivinha lhe olhava com serenidade, com uma alegria contida... E aquilo não deixou dúvidas a Adhara de que Meri queria aceitar o convite.
Ela quebrou o olhar com a prima, voltando-se para o pai.
- Por mim tudo bem. – respondeu a sonserina.
- Seria uma honra. – a outra moça disse, virando-se para o casal.
Kyle observou a cena, com um misto de satisfação e melancolia, era óbvio, para ele, que, todos eles, a seu modo, se importavam uns com os outros. Eles eram, definitivamente, uma família. Aquilo fez com que ele pensasse em sua própria mãe, e sentisse saudades da época em que estavam juntos, antes de ele descobrir a verdade. Talvez ele devesse reconsiderar sua decisão em se afastar de Lucy, talvez ele devesse deixar o receio de lado e procurá-la. Ele faria isso... Mas não amanhã ou depois... Não ainda. Precisava de um pouco mais de tempo para se sentir pronto.
Frida observou o rapazinho, interpretando o silêncio dele como uma possível sensação de deslocamento. Ela o chamou com delicadeza, fazendo com que os olhos verdes de Kyle, muito parecidos com os de sua prima, se voltassem para ela.
- Você já está devidamente convidado para a cerimônia, Kyle. – ela disse, não por compaixão, mas por sentir que ele também estava se tornando, de certa forma, parte daquela família.
- Obrigado, senhora Black-Thorne. – ele respondeu com um discreto sorriso.
Kamus encarou de forma incógnita cada um dos presentes àquela mesa. Todos ali estavam conectados, de uma forma ou outra, por sangue e sobrenome. E por uma tragédia em comum. Manterem-se unidos contra o inimigo que compartilhavam, contra o homem que lhes roubou tanto, seria apenas a coisa mais lógica a se fazer. Ludovic Black-Thorne era a praga que fez com que seus mundos colidissem, porém, a partir daquele encontro, cada um deles havia mudado, havia crescido, em virtude dos laços que estabeleceram entre si... E eles continuariam mudando, tanto quanto fosse necessário para se adaptarem e sobreviverem à guerra que fechava o cerco ao redor de todos.
Sim, todos eles iriam sobreviver àquilo, Kamus estava certo disso – ou, ao menos, ele precisava acreditar nisso –, porque agora seu objetivo em comum não era apenas destruírem seu inimigo, mas também protegerem uns aos outros. Como uma família deveria ser.
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