Fic Especial: Mad Tea Party – Parte 23
- Quem é você? - ele questionou, sério - Por que está me ajudando?
- Hum... - pense rápido, pense rápido - Eu sou uma das fadas madrinhas da princesa?
Apesar do tom incerto, ele não pareceu duvidar, tomando aquilo como uma explicação mais que suficiente. Só então o olhar dele deixou seu rosto, vagando pelo ambiente em que estavam.
- Eu nunca estive numa cozinha antes. - ele observou - Elas são sempre assim?
Mina também voltou a atenção para o lugar.
- Exceto pelas pessoas ressonando e as teias de aranha, é o que se espera de uma cozinha medieval. - ela fez uma careta - Detesto aranhas. Muitas pernas. Muitos olhos. Pinças e veneno.
Ele deu outro meio sorriso.
- Por onde agora? A senhora conhece o castelo, não é?
- Faz cem anos que eu não venho por aqui, perdoe-me a memória. - Mina respondeu com um sorriso amarelo - Mas eu creio que você só tenha de subir as escadas. Quando não houver mais para onde subir, você terá encontrado sua princesa.
Ele assentiu.
- Sendo assim, vamos em frente.
- Eu preciso ir? - ela perguntou, fazendo uma careta.
Isaac não respondeu. Não muito tempo depois, Mina sentia suas pernas tremerem, o fôlego completamente irregular, a cabeça começando a girar, enquanto se via diante de um novo e infinito lance de escadas.
- Onde... estão... - ela tentou respirar - ...as janelas?
Isaac, a essa altura, estava bem à frente dela, subindo sem sequer prestar atenção a fôlego ou cansaço. Na verdade, ele não parecia ter subido cinco lances de escada de cem degraus cada.
Mina se sentou no degrau em que estava, apoiando o rosto contra as mãos. Estava exausta. Não queria mais ter de subir.
- O que a senhora está fazendo?
A moça virou a cabeça, deparando-se com Isaac já no alto da escadaria.
- Eu não agüento dar mais nenhum passo. - ela respondeu.
- Mas esse é o último lance. - ele tentou argumentar - Não pode ser tão difícil. A princesa está logo aqui adiante.
- Eu não consigo me mover. - Mina retrucou mais uma vez, dando as costas ao rapaz, voltando a apoiar as mãos no rosto. Ou seria o rosto nas mãos?
Se ela esperava que isso o faria desistir, estava muito enganada. Os passos dele ecoaram, rápidos, aproximando-se, mas ela não tinha energia suficiente para perceber isso. Foi só quando Isaac parou diante dela que Mina reagiu.
- O quê? - ela perguntou, cansada.
Ele se virou, agachando-se.
- Suba.
Mina piscou os olhos, confusa.
- Como assim, "suba"?
- Suba nas minhas costas. - ele respondeu simplesmente - Eu carrego você.
- Mas eu não posso... - ela começou, sentindo o rosto esquentando.
- Eu não vou deixar você para trás. - ele a interrompeu - Suba logo ou eu não saio daqui.
A garota o encarou, surpresa. Aquilo era, decididamente, ridículo.
- Eu posso subir sozinha. - ela finalmente respondeu, levantando-se, orgulhosa.
- Não pode. Você mal se equilibra nas suas próprias pernas. Agora suba logo, ou eu terei de tomar outras providências.
Mina cruzou os braços, arqueando uma sobrancelha.
- Pois tome suas providências, porque daqui eu não arredo pé.
A expressão "pagou a língua" é bastante apropriada para o que aconteceu a seguir. Isaac empurrou a jovem para trás, segurando-a antes que ela pudesse cair no chão, ao mesmo tempo em que passava o outro braço por baixo dos joelhos dela.
- O QUE VOCÊ PENSA QUE ESTÁ FAZENDO? - ela perguntou, furiosa.
Ele meramente sorriu.
- Tomando providências.
- E esse por acaso foi o comportamento principesco que te ensinaram?
- Alguma coisa em você faz com que eu tenha de agir de maneira diferente da que aprendi, milady.
A maneira como ele a encarou não foi como um príncipe de conto de fadas, mas como o Isaac que ela conhecera - o olhar sério, ainda que gentil, até mesmo quando usava um tom mais divertido.
Até ele voltar a depositá-la no chão, já no alto da escadaria, Mina permaneceu quieta, incerta de como agir ou do que falar - uma façanha que, até aquele dia, Isaac fora o único a alcançar.
- A princesa deve estar atrás daquela porta. - Isaac observou.
- Ou talvez mais escadas. - Mina observou com uma ligeira pontada de tristeza.
Isaac avançou sem parecer ter ouvido o comentário pessimista da jovem. Mina assistiu, silenciosa, quando ele empurrou a porta, um longo rangido escapando das treliças enferrujadas, entrando afinal no aposento.
Sem alternativa, Mina o seguiu.
Surpreendentemente, o quarto estava limpo e fresco. Nada indicava que estivesse sua ocupante dormindo a longos cem anos. No meio do quarto, havia uma cama enorme, coberta de lençóis em vários tons de azul e, sobre eles, profundamente adormecida...
Estava ela própria.
Na verdade, era ela e não era ela. Afinal, ela estava em pé, vestida de Alice. Então, não podia ser ela adormecida na cama. Mas, ao mesmo tempo, aquela na cama era idêntica a ela.
Mina sentiu a cabeça doer. Aquilo estava ficando confuso demais. Na verdade, parecia confuso até mesmo para Isaac, que a encarava surpreso.
continua
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