Sunday, July 13, 2008

Fic Especial: Mad Tea Party – Parte 21


Pouco depois eles estavam na estrada, caminhando e, de quando em quando, discutindo amigavelmente sobre algum aspecto do caminho. Estavam perto de uma ponte sobre um pequeno lago de águas escuras quando ouviram o som de uma carruagem.

- Hum... Parece que não teremos mais de caminhar tanto. - Sat de Botas observou.

- Não? - Mina perguntou, curiosa - Por quê?

- Você tem de entrar na água agora. Antes que eles cheguem. - ele respondeu, como se falasse do tempo.

Mina piscou os olhos, cruzando os braços.

- Por que eu deveria entrar no lago? A água deve estar gelada!

Ele a observou por alguns instantes, abrindo outro sorriso maroto em seguida.

- Sendo assim, peço-lhe desculpas antecipadamente, Mina. Mas, lembre-se, isso é necessário.

- Necessário?

A próxima coisa que aconteceu foi ele empurrá-la de costas para o lago. Mina já estava começando a se acostumar com quedas, mas o choque da água gelada em sua pele foi demais para sua cabeça. Ela rapidamente submergiu, engolindo água no processo, sentindo os pulmões arderem, antes de conseguir se debater o suficiente para voltar a superfície.

Na curva da estrada, uma carruagem elegante surgiu.

- Ajuda! - o loiro gritou, enquanto Mina se debatia nas águas geladas do lago - Minha irmã está afogando.

No mesmo instante, a carruagem parou, descendo dela um senhor de longas barbas brancas, e coroa na cabeça, o estereótipo do velho rei dos contos de fada, e, ao lado dele, surgiu uma moça, de vestido amarelo e vermelho, rodado, cujos cabelos eram lilases e revoltosos.

- Meu senhor! - Satanio repetiu - Minha irmã caiu no lago, não posso ajudá-la, pois me feri enfrentando o ogro que mora aqui perto.

Ela sentiu vontade de gritar que era mentira, mas seus dentes pareciam ter ganho vida própria e ela tremia como nunca tremera na vida. Foi quando percebeu que o amigo mancava. Ele estava mancando antes?

- Entendo. - o rei estreitou os olhos, reconhecendo o rubi no pescoço do felídeo rapaz - O que trazes no pescoço é prova suficiente de que falas a verdade! Guardas! - ele gritou para a escolta de soldados que seguia a carruagem - Tirem a donzela da água. Há uma vida a ser salva.

- Tenho uma dívida de eterna gratidão com vossa majestade. - o loiro respondeu, retirando a cartola - Salvaste a vida de minha estimada irmã.

- Não poderia fazer menos pelo herói que salvou meu povo de terrível ameaça, senhor...

- De Carabas. Marquês.

Nesse instante, a moça aproximou-se, dando um sorriso malicioso.

- Creio que é mais astucioso do que aparenta, caro marquês. Para conseguir derrotar o ogro... Talvez mais como uma cobra amarela a se esgueirar sorrateira, preparando o bote, ao invés de um gato malhado.

- Minha cara Princesa Berinjela. - Sat se aproximou, tomando as mãos de Yvaine entre as suas, e depositando um longo beijo nelas - Vindo de você, essas palavras soam como os melhores elogios de todo o mundo.

Finalmente, Mina foi içada para fora do lago, ainda incapaz de falar, os lábios roxos de frio. Alguém jogou um cobertor sobre seus ombros. Ok, ela agora se lembrava da história do Gato de Botas. E, pelo menos, Sat não a fizera tirar as roupas. Seria o cúmulo.

- Vamos levar o Marquês e a irmã para o castelo. Nosso herói e a jovem dama precisam de cuidados - o rei falou com propriedade.

Mina galgou os degraus da carruagem com a ajuda - ainda que desnecessária - de um dos guardas. Ela estava congelando, é verdade, mas isso não significava estivesse incapaz de se mover. Antes de entrar no veículo, ela deu uma última olhada para fora, deixando um sorriso escapar, maroto, em seu lábios, ao captar, pelo canto dos olhos, Satanio de Botas de braços dados com sua Princesa Yvaine Berinjela, surpreendentemente, sem deixar de fingir mancar.

E então, como sempre acontecia no melhor da festa, alguma coisa aconteceu... os cavalos da carruagem enlouqueceram. Para trás, ficaram o rei, a princesa, o marquês e os guardas. Sacolejando na carruagem, Mina tentava desesperadamente se segurar em alguma coisa.

- Eu vou morrer, dessa vez eu vou morrer... - ela murmurava baixinho, sendo jogada de um lado para o outro.

Em um carro, caso houvesse alguém dirigindo, aquilo seria o que costumamos chamar "direção ofensiva".

A carruagem, contudo, não rodou durante muito tempo. Bruscamente, ela parou, atirando Mina para debaixo dos assentos, com as pernas para cima, toda descabelada e dolorida.

- Ai, minha coluna... - ela murmurou, virando-se devagar, engatinhando até a janela do coche, conseguindo se movimentar o suficiente apenas para que seu nariz ficasse acima da portinhola, antes de sentir todo o corpo paralisar.

A paisagem externa cedeu lugar a um corredor longo e escuro, parcialmente iluminado por archotes. As pedras daquelas paredes eram velhas conhecidas de Mina, apesar de ela perceber um clima mais tenso e sombrio onde outrora a domadora sabia ter existido risos e esperanças. Hogwarts. Ela estava em Hogwarts. Em um lugar não muito longe do QG da Máfia.

-Que tal "Faça amor não faça a guerra?" - Satanio murmurou, divertido, enquanto sacudia uma latinha que muito se assemelhava a um spray trouxa.

-Não sei se vai fazer muito sentido para o nosso propósito aqui - um rapaz moreno, pouco mais novo que o loiro respondeu.


Alguém estranhamente familiar à Mina, mas que ela intuitivamente sabia ainda não conhecer.

-Amor sempre faz sentido! - o loiro provocou - Ou vai me dizer que não deixou uma garota para trás quando veio para cá?

O rapazinho deu um sorriso de lado, que denotava nostalgia, malícia e ternura.

-Tecnicamente não somos namorados, mas sim, deixei. E sei que ela vai me matar quando nos reencontrarmos.

-A minha eu precisei mandar para fora do país - Sat se pronunciou, em um tom sóbrio, quase amargurado - E, vendo no que Hogwarts se transformou, no que o país se tornou, estou feliz que ela esteja longe.

O outro rapaz estreitou os olhos, como se compreendesse perfeitamente o que Satanio queria dizer. Ele também se sentia assim por sua própria "namorada" não estar ali, por estar longe e segura daquela loucura que os cercava.

-Bem, vamos ao trabalho - o loiro começou a borrifar a tinta roxo fosforecente contra a superfície de pedra cinzenta. - A arte não se faz sozinha, e, depois do que fizermos aqui, duvido que alguém na escola vá discordar de que somos grandes artistas!


Mina sentiu então, o chão da carruagem desaparecer sob ela, caindo, desta vez com suavidade, em um chão coberto de relva fofa e macia.

continua

Extra



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