Thursday, June 12, 2008

Fic Especial: Mad Tea Party – Parte 7





- Sério, nós precisamos dar uma revisada nos seus conceitos de passagem de cenas. - ela observou para o nada e, obviamente, não recebendo qualquer resposta - Essa coisa de cair no vazio existencial da sua mente insana, seja quem você for, está ficando batida. Você precisa manter sua mente aberta para novas possibilidades.

Com isso, Mina se contorceu até conseguir alcançar uma posição horizontal, começando então a balançar os braços como se estivesse nadando. O vestido atrapalhava um pouco daquele jeito - de outra forma, ela talvez pudesse usá-lo como uma pára-quedas mas, como não sabia quem poderia estar lá embaixo quando chegasse a... algum lugar, preferia não se arriscar a ficar com as anáguas de fora.

Aos poucos, a escuridão foi dando lugar a um céu azul e sem nuvens e a uma grande cobertura verde no chão. A gravidade, que até então parecera se esquecer de Mina (ou, eventualmente, ela se esquecera da gravidade...), subitamente, decidiu que não estava gostando muito daquele peixe fora d'água tentando fazê-la funcionar contra sua natureza.

Mina desabou entre as árvores, sentindo os galhos cortarem seus braços e o rosto.

*Ugh*

Um tronco de pinheiro.

*Argh*

Um galho estrategicamente colocado na trajetória de suas costelas.

*Afff*

Algumas folhas engolidas. E ela nem gostava de verduras...

*Thud*

O chão enfim. Ela se sentou sobre a grama, sentindo a cabeça rodar. Pela maneira como ela caíra, deveria, no mínimo, ter quebrado o pescoço. Engraçado é que, apesar dos arranhões serem visíveis e ela ter tido a sensação de dor... Os machucados não pareciam muito reais.

Não tinha sido à toa que a domadora ganhara certa fama de Sherlock Holmes no ano anterior, quando das investigações dos comensais mirins. As engrenagens e roldanas do cérebro dela começaram a funcionar, juntando os fatos que tinham ocorrido até então.

- Eu estou sonhando.

Essa frase não foi dita em tom de quem pede "por favor, me dê um beliscão" ou de quem percebe que "isso é impossível, irreal, só pode ser coisa da minha cabeça, eu tenho de ser internada o mais rápido possível antes que eu comece a representar um perigo para a espécie humana".

Na verdade, ela significava exatamente aquilo que significava. Mina agora se lembrava de ter se deitado "uns minutinhos" para "tirar um pequeno cochilo" no colchonete em que Kieran costumava tirar sua soneca. Estava com um livro de contos de fadas, às voltas com suas pesquisas para o que escrever a seguir.

Em resumo: a mente doentia que insistia em fazê-la cair no vazio era a sua própria. E ela precisava urgentemente de um analista.

Mas o que vira depois de Sam-sereia e Selune-rapunzel não pareciam fazer muito sentido para sua teoria. Aqueles não eram seus sonhos. Eram os sonhos das duas meninas. O que significava, por fim, que, de alguma maneira, ela estava visitando os amigos em sonho.

- Eu já disse que preciso de um analista? - ela perguntou em voz alta, enquanto tentava se levantar apoiada a uma das árvores do bosque.

Pela estrada à fora, eu vou bem sozinha...

Ela estreitou os olhos. Aquela voz lhe era conhecida...

Levar esses doces para a vovozinha...

Aparentemente, ela estava agora num terreno mais seguro... E mais conhecido também. Na verdade, pelo cheio de bolo e chocolate que chegava aos seus sentidos, ela tinha absoluta certeza de que, finalmente, alguma coisa boa aconteceria.

E se tiver sorte, o lobo bonzinho...

Sim, a Chapeuzinho Vermelho tinha o lobo, mas havia também o lenhador, então não havia por que... Hum... Ela ouvira a expressão "lobo bonzinho"?

Virá para o chá para comer docinhos...

- Ok. - Mina respirou fundo - Isso é coisa da minha cabeça. Eu não ouvi ela dizer que vai tomar chá com o lobo.

Nesse instante, cruzando uma curva no caminho ladeado de hortências e margaridas, vinha Raven, segurando uma cesta e usando uma graciosa capinha vermelha. Os cruzamentos necessários foram feitos na mente da domadora.

- Ah, claro. - ela suspirou - Snape. Mas não seria mais adequado então se em vez de lobo fosse um morcego? O problema é que Batman não é um conto de fadas, ou então...

- Ei, você! - Raven-chapeuzinho vermelho a chamou - O que está fazendo parada no meio da estrada? Você é uma estranha e eu não devo falar com você, mas se importa de sair da frente para que eu possa continuar?


continua

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