Tuesday, May 13, 2008

Um fio de esperança- parte 1


Não havia muito o que Meridiana pudesse fazer em seu cárcere enquanto Ludovic estava fora, entretanto, a monotonia do arrastar das horas era preferível aos momentos que compartilhava com o tio.

O pogrebim havia perecido fazia um par de dias e Ludovic não se dera ao trabalho de substituí-lo. A princípio a ruiva sentiu-se aliviada por ver-se finalmente livre do resmungar baixo e irritante do animal, por ele, finalmente, ter-se visto livre daquela situação que se tornara um tormento tanto para ela quanto para ele. Mas, agora, Meri quase sentia falta da companhia do bicho.

Ás vezes, ela lia algum dos livros que Ludovic deixava para ela. Havia coisas horríveis demais para ser ditas em voz alta nas páginas amareladas de algum deles, que, a moça achava quase impossível de serem verdade. Muitas vezes, perturbada com aquele conteúdo, ela fechava os grimoires, como se aquele mero ato pudesse afastar tanto as sombras impressas nas folhas quanto as que envolviam a vida da jovem feiticeira.

Entretanto, a solidão pesava inclemente nos pesos de Meridiana, e, ela acabava recorrendo àquelas leituras amaldiçoadas para ocupar a mente com algo que não fosse sua própria dor.

Contudo, naquele instante, as orbes cor de esmeralda da órfã não estavam fixas nos livros, mas na abertura pequena que existia no teto de sua prisão. Deitada no chão, ela sentia o frio do piso duro de pedra sob suas costas. Aquela sensação poderia ser considerada desconfortável por muitos, mas era bem-vinda à Meri. Era um lembrete de que ainda estava viva, de que ainda era capaz de sentir.

A ruiva observava a abertura, pensativa. Ela não sabia para onde aquele buraco levava, mas era alto o suficiente para que a moça não conseguisse nunca precisar se era noite ou se era dia. Aquele era o único acesso visível que ela tinha para o mundo externo, mas, não havia a mínima possibilidade em converte-lo em uma rota de fuga. As paredes arredondadas do cárcere eram lisas e escorregadias demais. Meri não tinha varinha tampouco uma vassoura.

Não havia como escapar...por mais que ela pensasse....

Ela levantou-se do chão, sentindo a secura no fundo da garganta incomodá-la depois de tantas horas em silêncio. Os pés descalços a levaram até a escrivaninha de estudos, onde o jarro de água estava pousado. Só quando ergueu a garrafa é que ela notou as mãos tremerem, enfraquecidas. Meridiana não se lembrava qual havia sido a última vez em que se alimentara.

A alça de vidro escorregou dos dedos dela, deixando o jarro se estilhaçar em centenas de pedaços no chão. Por alguns segundos, Meridiana olhou pateticamente para os cacos, ponderando se deveria ou não limpar aquilo.

Foi então que ela escutou. O barulho da água escoando, embora ela não soubesse para onde.

A ruiva estreitou os olhos, mas ainda assim não conseguia enxergar o lugar para onde a água estava indo. Ela baixou-se, o rosto bem próximo da poça d'água, finalmente percebendo que o líquido se esvaia por uma pequena fresta que havia sob o guarda-roupa.

continua...

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