Tuesday, May 06, 2008

Ele estivera esperando desde antes do dia amanhecer, a mochila nas costas, uma maçã como café-da-manhã. O relógio de pulso marcava pouco mais de oito horas agora, o que significava que a pessoa que ele queria ver já deveria estar acordada.

Ou, se não estava, já era hora de acordar.

Assim, o garoto finalmente atravessou a rua, a calma que aparentava completamente em contradição com a forma como seu coração batia, fortemente, contra suas costelas. Ele respirou fundo antes de apertar o número do apartamento que desejava no sistema de interfones.

Poucos minutos depois, o rapaz escutou uma voz feminina, que mesmo através do aparelho eletrônico soava suave e aveludada.

- Pois não? - ela perguntou, parecendo completamente desperta.

- Meu nome é Kyle O'Neil. - ele respondeu sem hesitar - Eu gostaria de ver Frida Black-Thorne.

Alguns minutos de silêncio antecederam a resposta da mulher, o que deixou o garoto levemente ansioso.

- Entendo. - a voz de Frida soou, pouco antes de Kyle escutar um clic abrindo o portão de acesso ao prédio - Pode subir.

Antes mesmo que Kyle batesse na porta do apartamento, ele viu a porta se abrindo, e a figura de uma mulher loira, esguia e elegante se revelar.

- Meu nome é Kyle O'Neil... - ele repetiu - E eu sou...

Frida meneou a cabeça, interrompendo a fala do rapaz. Ele era exatamente como se lembrava de ter visto nas fotos que estavam na sala de visitas de Lucy Renfield quando foi pedir ajuda à mulher na Grécia.

- Eu sei quem você é. É filho de Cassandra O'Neil.

- Lucy. - ele disse enfático, corrigindo Frida e indicando o que já sabia. - Dela e de Ludovic Black-Thorne.

A polonesa anuiu. O garoto sabia a verdade, afinal. E, pelo estado dele, amarrotado e cansado, era possível que já estivesse na Inglaterra no mínimo desde o dia anterior.

- É melhor entrar para conversarmos com tranqüilidade.

Ele inclinou um pouco a cabeça em agradecimento, antes de penetrar na sala da casa de Frida, esperando que ela fechasse a porta e o convidasse a sentar. Só então Kyle decidiu falar.

- Eu sinto muito por ter aparecido dessa maneira. – ele observou – Mas desde sua visita à minha casa... Eu ouvi a conversa de vocês do corredor, foi assim que descobri a verdade.

A polonesa sentou-se no sofá defronte do garoto, observando as reações dele e pegando o papel que ele lhe estendia. Imediatamente Frida reconheceu a letra de Kamus no papel quadricular. O mesmo que ela deixou com Lucy, caso a mulher mudasse de idéia.


Aquilo explicava como Kyle encontrou o apartamento dela, afinal, ela e Kamus providenciaram que o lugar ficasse sob o feitiço Fidelius, e o auror se tornou o fiel do segredo. Até mesmo transfiguraram dois cartões com a letra de Kamus em fotos de Frida com os pais, ainda menina, para que ela pudesse levar a localização e mostrar a quem necessitasse, sem correr o risco de chamar a atenção para o verdadeiro conteúdo do papel.

Uma das "fotos" estava na bolsa dela, a outra, era a que o garoto acabara de lhe entregar e ela deixara em cima da mesa da casa de Renfield.

Frida balançou o papel de leve, e, novamente, ele se transmutou na insuspeita foto de família. Ela levantou o rosto, observando o rapazinho. Apesar da postura séria, os olhos dele denotavam curiosidade e ansiedade.

- O que exatamente você sabe, Kyle? - ela perguntou de um modo que demandava tanto autoridade quanto suavidade.

continua...

Nota: Repetindo aqui o que eu já tinha respondido para a Pups no Fanfiction.net. No "Sétimo Selo", apesar de ser um Universo ALternativo, eu já tinha deixado várias pistas sobre quem exatamente seria o Kyle.

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