Thursday, January 10, 2008

E caem-se as máscaras - Parte 3



Mina ainda estava debruçada sobre os papéis que David havia lhe mandado, tentando conectar todas as peças que tinham em mãos. Sabiam agora como funcionava a distribuição do Olho da Serpente, sabiam que o Conde Jarno de Camposanto era o autor dos textos. Entretanto, havia alguma coisa faltando para tornar o quebra-cabeças completo.

Foi Lorelai quem primeiro escutou o piado insistente da coruja no parapeito da janela. Era uma das corujas da escola, portanto, não havia como identificar seu remetente em um primeiro momento.

Mina viu aquilo como um mau sinal. Enquanto a Fada Prensada retirava o pergaminho que estava atado à pata da ave, pressentindo que poderiam estar diante de uma situação grave, a domadora começou a juntar os papéis espalhados na cama.

A primeira coisa que Lorelai notou no papel amarelado foi a imagem da Marca Negra tremulando tal qual fazia nas edições do Serpente. A medida que lia o conteúdo, as cores do rosto da moça sumiram, e, ela sentiu as pernas bambearem momentaneamente.

Mina aproximou-se rapidamente da amiga, fazendo com que Lorelai se sentasse no chão. Conhecia a Fada Prensada o suficiente para saber que somente alguma coisa extremamente grave levaria a amiga a uma reação tão forte quanto aquela.

Lore entregou o papel para Mina, e, foi a vez da domadora sentir o sangue sumir-lhe das faces. Eles estavam com Chispinha e Felicity. Eles sabiam sobre as coisas que ela havia recebido de David!

Mas como?

A resposta atingiu Mina como um raio. Havia apenas uma única explicação para aquilo tudo. Para saberem sobre o que David lhe enviara, para Heather ter recebido aquele livro infantil perigosamente enfeitiçado, para o fato de Felicity ter sido a pessoa que colocou os bombons envenenados no QG, até para saberem a localização do QG.

Era tão óbvio! Por que não pensaram nisso antes? Melinda Dashwood. Ela era um deles!

- Lore...

- O quê?

Mina mordeu os lábios, balançando a cabeça. Não podia dizer aquilo para Lorelai.

- Olhe... - ela passou as mãos pelo cabelo - Só vá atrás do Herman e avise a ele, certo? Nos encontramos nas masmorras em quinze minutos. - ela suspirou, abraçando a amiga - Vai dar tudo certo, Lore. Agora, vai logo. Anda.

Mina não precisou pedir duas vezes para que a outra lhe desses as costas, deixando imediatamente o dormitório. A domadora respirou fundo ao se ver sozinha. Isaac. Ela precisava encontrar Isaac.

Com passos firmes, Mina também saiu, a cabeça rodando. Não haveria tempo de correr até o corujal. Tinha que descobrir onde Isaac estava. Mas o que podia fazer? Será que daria certo se tentasse convocá-lo com um accio?

Ela parou, encostando-se à parede, só então percebendo que já tinha deixado a torre da Grifinória para trás. O corredor estava vazio. Fechou os olhos por breves instantes, tentando se acalmar. Havia uma maneira... Uma única maneira...

"Você também tem potencial para a Antiga Magia, Mina. Sabe o que pressentimentos significam para nós, não?"

Com as palavras que Lusmore lhe dissera no dia em que voltara para Hogwarts, após o natal, ecoando em sua mente, ela tomou uma resolução. Pela primeira vez em anos, estava arrependida por nunca ter procurado se aprofundar mais na Antiga Magia. Mas o encanto que precisava fazer era simples; com os rudimentos que tinha das lições de Holly, ela certamente seria capaz de fazê-lo.

Só precisava para isso ter um pouco de confiança em si mesma.

O primo logo ficou esquecido, tão logo ela penetrou em uma sala de aula vazia. Não que fosse fazer alguma diferença, já que ele deixara a escola dois dias antes sem dizer para onde ia ou se iria voltar. Tirou a varinha do bolso, mas, no segundo seguinte, voltou a guardá-la. Não era daquilo que precisava.

Com um movimento nada gentil, ela puxou a corrente que pendia em seu pescoço, sentindo-a arranhar seu colo antes do pingente escorregar para fora do decote, revelando-se num brilho de prata. O triskel que ganhar de Holly em seu aniversário. Não tinha certeza se daria certo, mas aquilo teria de servir.

Colocando a jóia sobre uma palma, ela a cobriu com a outra mão, começando a murmurar as palavras do encanto, numa língua melódica e estranha. Um pequeno brilho escapou pelas fendas dos dedos e, com cuidado, ela começou a afastar os braços, fazendo com que o triskel flutuasse fragilmente na pequena atmosfera brilhante que o feitiço criara.

Aquela era uma das primeiras magias que um druida aprendia. Todas as pessoas possuíam alguma espécie de aura pela qual podiam ser pressentidas. Por isso, quando crianças, ela e Lusmore nunca tinham brincado de esconde-esconde. Não daria muito certo, já que ele sempre iria saber exatamente onde ela estava e ela sempre tinha uma boa idéia de onde ele tinha se escondido.

Mas não era exatamente pela forma da aura que se podia localizar um indivíduo, e sim pelos sentimentos que ela evocava. Mina não tinha muita certeza de como encontraria Isaac daquela maneira, mas sabia que seria capaz de distingui-lo quando chegasse à presença dele.

Surpresa ao ver que o encanto estava dando certo, ela acabou por deixar que ele se desvanecesse. O triskel caiu, inerte, sobre sua mão. Novamente, ela respirou fundo, exasperada.

- Concentre-se, Mina. - ela falou para si mesma, rilhando os dentes - Concentre-se.

Na segunda tentativa, o fio surgiu mais rapidamente, tomando um brilho perolado. Ela fechou os olhos, a respiração pouco a pouco se acalmando enquanto seus sentidos pareciam se dilatar. Podia distinguir diversas presenças, não muito longe; algumas lhe traziam uma sensação de afinidade, outras lhe inspiravam respeito ou mesmo temor. Mas não era aquilo que estava procurando ainda.

Forçando sua concentração, ela fez o campo da magia se alargar. Podia sentir agora o ar passando através dela, repleto de intenções e, se sua mente não estivesse tão focada em encontrar o jovem Cyan, talvez ela pudesse ter lido nelas o que aconteceria aquela noite.

Então, finalmente, ela o encontrou. Um pequeno choque percorreu seu corpo. Havia qualquer coisa de estranha ali... Algo morno em seu peito, uma ligeira ansiedade, um flash de...

Assustada, ela deixou o encanto findar-se, reabrindo os olhos. Ao usar aquele feitiço, ela acabava por intensificar seus sentimentos; afinal, a Antiga Magia nada mais era que uma magia calcada em sentimentos. E o que ela enxergara em si fora uma surpresa.

Ela estava... Ela... ela gostava...

Seu coração acelerou enquanto a descoberta impregnava pouco a pouco seu cérebro. Meneou a cabeça violentamente. Não era hora de pensar naquilo. Não queria pensar naquilo. Tinha que se preocupar com Heather e Felicity agora.

por todos

* Para quem quiser ler fics das semanas anteriores, basta clicar AQUI

No comments: