Friday, December 07, 2007

A ruiva olhou para o relógio, eram quase nove horas da noite. O horário que havia combinado de se encontrar com a prima no QG da Máfia e também sede do Olho do Grifo.

O lugar estava completamente deserto. Meridiana sentiu um certo calafrio ao perceber o quão fantasmagórico ficava aquele recinto sem os risos e conversas dos amigos. Tal sensação não foi gerada por medo, mas pela impressão de que um sinistro agouro cada dia se aproximava de todos eles, e que os dias felizes que ali compartilharam estavam por se findar.

A grifinória chegou mais cedo ao QG, precisava fazer com que Lusmore, que atualmente residia ali, saísse do recinto. Não foi fácil convencer o bardo, que olhou um pouco desconfiado quando Meri fez o pedido e insistiu que não poderia dizer as verdadeiras razões para a ausência dele. Assim que Lusmore saiu, usando a capa da invisibilidade de Satanio, Meridiana lançou na passagem um feitiço que só permitira a Adhara entrar no local na próxima hora. A ruiva, entretanto, não possuía garantias de que aquilo iria funcionar. Era um feitiço avançado demais, o que acabou até mesmo exaurindo um pouco as forças da menina... Torcia para que seu esforço tivesse sido o suficiente...

O resto dos amigos seria mais fácil de evitar que aparecessem no local. Mina se encarregara de distraí-los a todos durante o encontro entre Meridiana e Adhara.

Tanta precaução havia razão de ser. A jovem Ivory era o trunfo que elas possuíam nas investigações sobre os jovens comensais que se infiltraram na escola. E Meridiana e Mina decidiram, pelo menos nesse começo, enquanto Adhara estivesse gradativamente ganhando a confiança dos inimigos, que seria melhor não revelar a todos a existência da nova espiã. No momento certo, compartilhariam com os demais, e esperavam que elas as perdoassem por isso.

Meridiana dirigiu seu olhar para a entrada do QG ao notar o som de passos muito leves se aproximando.

Após alguns minutos de caminhada pela passagem através da tapeçaria de Sir. Úrico, Adhara vislumbrou uma fonte de luz alaranjada e bruxuelante. Havia chegado à sala escondida que era o ponto de encontro da chamada “máfia”. O lugar estava vazio, exceto per Meridiana que já a esperava, sentada em silêncio sobre um dos pufes laranja-berrante. A ruiva sorriu quando a viu, mas apesar de tal gesto, ela tinha os ombros ligeiramente caídos, parecia que estava exausta.

Adhara aproximou-se e sentou no pufe que fazia par ao de Meri e, após trocarem os costumeiros cumprimentos, a sonserina decidiu que seria melhor procederem diretamente para o assunto que trouxera ambas até ali, afinal, pelo semblante cansado de Meri, ela bem demonstrava que uma boa noite de sono não lhe faria mal.

- Isto foi o que eu consegui descobrir até agora. – disse a jovem Ivory, estendendo para a prima um rolo de pergaminho lacrado que tirara de um dos bolsos internos de sua capa – Está escrito com a tinta de costume e você vai precisar daquela poção que lhe dei para conseguir ler.

A ruiva assentiu, tirando do bolso da capa um vidrinho muito parecido com a embalagem de um perfume feminino, cor de rosa e em forma de coração Apesar da própria Meri achar aquele tipo de recipiente de extremo mau gosto, era um bom disfarce para a poção que Adhara lhe dera. Passou um pouco do líquido sobre o papel pardo, aos poucos as palavras foram se revelando.

Em silêncio, a grifinória leu o conteúdo do pergaminho. Apesar do semblante sério, um esboço de sorriso se insinuou nos lábios da moça.

- Você conseguiu muita coisa em tão pouco tempo. Estou impressionada.

Os olhos esmeralda de Meridiana percorreram o relatório da prima. Haviam nomes de prováveis jovens comensais e respectivas informações sobre eles ao lado de cada nome. A que casa e ano pertenciam, as impressões da Adhara sobre a personalidade de cada um e a posição que ela supunha que eles ocupavam na hierarquia do grupo, além de uma lista de locais onde a sonserina se encontrou com eles.

- Conseguiu descobrir alguma coisa sobre o Olho da Serpente? - a ruiva levantou os olhos, encarando a prima, perguntando, de maneira direta e prática, sabia que a situação exigia a total ausência de rodeios.

A sonserina meneou a cabeça.

- Nada muito detalhado. Já mencionaram o jornal por umas duas vezes na minha presença, mas não foi nada muito revelador. Creio que esse seja um assunto delicado entre eles... Parece haver um revezamento na distribuição, e como não conheço todos os membros da organização, não posso dizer quem está colocando o “Olho da Serpente” para circular ou quem deixou o exemplar que o seu amigo encontrou. A única coisa que concreta que posso te dizer é que o jornal realmente está vindo de fora da escola, mas, por enquanto, não faço idéia de quem seja o autor. – foi o relato da garota.

- Bem, pelo menos essas informações confirmam nossas suspeitas de que o jornal não é escrito em Hogwarts e que Herman não encontrou aquele exemplar por mero acaso.

Meridiana mordeu os lábios de leve, pensando no que poderia dizer à prima. Uma parte dela ainda se incomodava por ter pedido à Adhara para se infiltrar tão profundamente no ninho das serpentes, entretanto, a ruiva tinha que admitir que eles avançaram bastante desde que a sonserina começou a ajudá-los.

- Obrigada por tudo, Dhara. – foi apenas o que a ruiva conseguiu dizer.

A jovem Ivory apenas assentiu com um meneio de cabeça.

- Eu lhe contato pelos meios que combinamos quando tiver mais informações. – disse ela, dando a conversa por encerrada.

As duas despediram-se ali mesmo. Adhara saiu do QG primeiro, rumando diretamente para as masmorras e Meridiana deixou a sala dez minutos depois da sonserina, pegando as escadarias para chegar à torre da Grifinória.

por Adhara e Meri

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