O Surto da Milady - Parte I
Mina entrou no dormitório como um verdadeiro furacão, tropeçando em tudo e agarrando-se às colunas das camas para não ir ao chão. Lore, que estava sentada junto ao resposteiro de sua cama levantou os olhos, arregalando-os ao perceber a face consternada da domadora.
- Mina, o quê...
Nesse momento, a jovem se enfiou dentro do banheiro, lutando agora contra os sapatos antes de enfiar-se debaixo do chuveiro de roupa e tudo. Lore chegou à porta no instante em que ela abria o registro da água fria.
- ...houve? - ela terminou a sentença, perguntando-se se afinal a domadora enlouquecera de vez.
Enquanto se deixava encharcar, Mina fechava os olhos com força, os dentes batendo de frio. Por alguns instantes, ela apoiou as mãos e a testa contra a parede. Até que, para muito espanto de Lore, começou a enfiar a cabeça nos azulejos.
Aí já foi um pouco demais para Lorelai suportar olhar sem nada fazer. Dando um passo para dentro do banheiro, ela desligou o chuveiro, agarrando Mina pelos ombros e jogando a toalha na cabeça da amiga.
- O que você acha que está fazendo? - ela perguntou em um tom irritadiço, enquanto puxava Mina para fora do box.
- Estou tentando me tornar parte da parede. - a outra respondeu, entre dentes - Paredes não pensam. Paredes não têm problemas com que se preocupar. Paredes não são... ARGHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!
A fada prensada quase deu um pulo para trás com o grito que Mina deu. Ao mesmo tempo, a jovem MacFusty deixou-se cair sentada no chão, apertando a toalha contra o próprio corpo, tentando desesperadamente não procurar respostas para o que quer que tivesse sido aquilo que tinha acontecido com Isaac poucos instantes atrás.
- Mina? - Lore chamou pela terceira vez, cutucando a bochecha da domadora com o dedo, se segurando para não gritar com a amiga. Desde a Páscoa, o humor de Lore estava por um fio.
A garota piscou os olhos, ligeiramente confusa, antes de perceber que estava no banheiro do seu dormitório, junto de Lorelai.
- Hum... Eu vou... Vou dormir. - Mina levantou-se de chofre, com uma careta decidida.
Foi a vez de Lore piscar, confusa.
- Mas não são nem sete horas ainda! E o jantar?
- Tô sem fome. - Mina retrucou, já marchando para fora do banheiro.
- Como assim sem fome?
Ela não teve resposta. A essa altura, Mina subiu na própria cama, fechou a cortina e, pouco antes de Lore se decidir a abrir o dossel e arrastar a amiga para ter uma conversa séria e descobrir o que patavinas tinha acontecido, um brilho azulado refletiu-se no teto, significando que, de certa maneira, Mina "trancara-se" na própria cama.
- Certo. - Lore bufou - Muito bem. Você pode ter vencido essa batalha, agente Ovomaltine, mas não venceu a guerra! Eu vou descobrir o que aconteceu!
E com isso, se encaminhou para a porta, pisando duro. Era hora de procurar sua outra companheira mafiosa para que pudessem começar a investigar o que houvera para deixar a generalissíma tão descontrolada...
Sam passou pela saída da casa da Lufa-lufa andando mais rápido que o normal. O recado de Lore dizendo que estava do lado de fora a esperando tinha deixado a lufana preocupada, coisa boa não estava por vir. Normalmente marcavam em algum lugar e até adiantavam o que iam conversar, mas algo tão simples e seco era diferente.
- Tá tudo bem com você? - as palavras saíam entrecortadas da boca da lufana.
- Calma Sam, por que você veio correndo? - Lore estava encostada na parede esperando a outra recuperar o ar.
- Como assim por quê? Você me manda um pergaminho dizendo que está plantada aqui, vim como uma desesperada. Me chamou por saudades ou tem algo mais?
- Sinto dizer que algo mais. Vamos para alguma sala aqui para eu te contar. - Lore pegou a mão da amiga a puxando para algum lugar para conversarem, já que não podiam mais usar o QG para assuntos confidenciais.
Em poucos minutos Lore descreveu toda a cena que tinha acontecido a pouco no quarto dela na Torre da Grifinória. Deu ênfase ao fato de Mina ter entrado no chuveiro de roupa e logo depois ter se trancado, parecendo uma louca.
- E ela não quis me contar nada e você tinha que ver o rosto dela, parecia que tinha surtado. Mais que o normal, quero dizer. E sendo a Mina como é, ela não vai nos contar nada. Vai querer resolver sozinha... E se eu ficasse mais um segundo com ela no quarto, era capaz de estrangula-la e não descobrir o que aconteceu.
- Para ela não falar nada, nem uma palavrinha, não aconteceu nada sobre o Olho. - Sam se levantou para pensar melhor.
- Nem sobre o Fenwick. Isso tudo ela falaria sem problemas, mesmo que fosse alguma notícia triste. - Lore tamborilou os dedos na mesa, pensativa, e com um humor melhor do que aquele com que deixara a torre dos leões.
Em poucos segundos as duas amigas pararam e trocaram olhares. Com meio sorriso nos rostos, souberam qual tinha sido parte do motivo.
- Garotos... - Sam falou.
- Com certeza algo relacionado a isso. Para ela não querer contar nada, foi algo grande. Pensando melhor, se eu lembrar o que ela falou e seu rosto... Tenho 100% de certeza que foi algo grande para fazer algo assim com nossa feminista-mor. - Lore tentava procurar nas palavras de Mina quem tinha feito algo.
- Para atingir ela tão forte assim só pode ter sido o Cão ou o Lusmore. Então vamos seguir um plano genial, vamos nos dividir e investigar.
- E fazer o quê, Scooby? Dar veritaserum e fazê-los falar?
- Eu pensei em ir na cara de pau mesmo e perguntar. Eu falo com o Lusmore e você com o Cão. - Sam já andava para a porta.
- Certo então, mas... Sam, por que você fala com Lusmore e eu com o Cão? – o olhar da grifinória era matreiro
- Porque se o Lusmore começar a sorrir e fazer charme, você vai acabar entregando a Mina.
- Até parece, cara pálida. Mahala pode ser bonito, mas o próprio nome dele já tem embutido o que ele é MAhaLA. E definitvamente, malas não fazem o meu tipo, só os pombos. De qualquer forma, ok, eu vou falar com o Cão.
Lore tinha que admitir que Sam não estava completamente errada. Lusmore tinha o dom de tirar as garotas do sério, seja pelo jeito charmoso ou simplesmente deixando elas tão irritadas a ponto de querer matar o bardo. E a Fada Prensada se qualificava na segunda categoria. Era bem capaz de ela querer arrancar o couro do primo de Mina na metade da conversa, dependendo do que ele dissesse. Estranhamente Sam parecia ser imune ao poder de Mahala. Tanto ao fator "charme", quanto ao fator "irritação".
As duas combinaram de se encontrar no salão do jantar em uma hora e contar o que descobriram e como acalmar sua amiga que naquela hora ainda devia estar trancada na sua cama
pela Máfia
No comments:
Post a Comment