Meridiana deu um leve bocejo enquanto adentrava no Salão Principal. A ruiva carregava pesados livros debaixo do braço, e tinha um semblante cansado. Também, a moça estava desde o fim de semana debruçada nos estudos sobre "extração de memórias". Convencer o professor Flitwick do interesse meramente acadêmico dela na questão, e, assim, conseguir acesso aos livros da seção restrita foi a parte mais fácil do trabalho. O mais complicado foi entender todos os detalhes do processo e passar da teoria para a prática.
Meri aproximou-se da mesa da Grifinória, encontrando rapidamente quem procurava. Mina estava sentada ao lado de Lorelai, Herman e Samantha, que decidira almoçar junto com os amigos da casa dos leões. A garota de óculos era a razão da ruiva se dedicar com tanto afinco à tarefa de aprender como usar uma penseira. Já tinham o objeto graças a Satanio, agora bastava que obtivessem as memórias de Mina sobre o que realmente aconteceu durante o ataque comensal nas Hébridas no último verão.
- Oi, gente - Meridiana cumprimentou a todos, e depois, voltando-se para a domadora, completou - Consegui descobrir o que precisávamos, como fazer a extração...
Os olhos da jovem brilharam por trás das lentes e ela praticamente pulou em pé.
- Ótimo. É muito demorado?
A moça mais velha meneou a cabeça em negativa.
- Pelo que eu entendi, não. Assim que eu tirar a lembrança, já dá para ver na penseira.
- Melhor ainda! Vamos indo para o QG. Pessoal, anunciem para o resto da turma reunião de emergência logo após o almoço. - ela já ia saindo e empurrando a ruiva com as mãos quando lembrou-se de algo e, rapidamente, encheu de novo o prato em que estivera comendo e voltou a empurrar a amiga, agora equilibrando o prato consigo - Vamos indo, Meri, você vai almoçando no caminho!
Meridiana se viu completamente arrastada pelo Salão Principal afora, com um prato precariamente equilibrado em uma das mãos. Enquanto entregava os livros para a caçula e colocava uma garfada na boca, perguntando-se não acabaria tendo uma indigestão por comer praticamente correndo, ela concordava que, apesar do rompante da domadora, quanto mais rápido resolvessem aquele problema, melhor para todos.
Assim, chegaram afinal ao QG. Lusmore também estava almoçando, sentado e pensativo em um dos pufes, mas imediatamente levantou-se ao vê-las.
- O que vocês estão fazendo aqui? - ele perguntou, enquanto Meri tentava não engasgar com seu prato e Mina enfiava-se por trás do biombo que ocultava a cama do druida.
- Depois, Lusmore, agora estamos com pressa. - Mina resmungou, jogando os travesseiros para o lado e sentando-se na cama - Meri, eu tenho que deitar, ficar em pé, alguma coisa do tipo?
- Na verdade... - a ruiva começou, logo após engolir um bocado do rosbife - Você só tem que estar relaxada. Geralmente são os próprios donos das memórias que as retiram da mente, porque assim eles têm certeza do que estão retirando... Mas, nas condições atuais, o que você tem que fazer é tentar relaxar o máximo possível, ao mesmo tempo em que se lembra com o máximo de detalhes que conseguir a cena que queremos extrair.
- Relaxar enquanto penso em... - Mina suspirou, deitando-se finalmente e fechando os olhos - Você podia ter pedido uma coisa mais fácil, Meri...
Meridiana colocou o prato na mesa do QG, e pegou a penseira de Satanio que já estava ali. Trocou um olhar significativo com Lusmore, que o bardo compreendeu perfeitamente ser um pedido silencioso para que ela ficasse sozinha com Mina atrás do biombo, que a presença dele poderia mais atrapalhar que ajudar.
A moça de cabelos rubros sentou-se na cama, colocando a penseira ao lado da caçula, e repousando a cabeça de Mina em seu colo. Meridiana podia sentir o quanto a outra menina estava tensa.
- Talvez eu possa fazer alguma coisa para te deixar mais calma... - ela sussurrou, postando a varinha no meio da testa de Mina - Morpheus Serenati.
Imediatamente a quintanista sentiu o corpo relaxar quase por completo e a turbulência de seus pensamentos se converter em um fluir harmonioso. Meri fechou os olhos, mantendo a varinha postada na fronte de Mina. Aquilo que estava prestes a fazer não era necessariamente legimancia, mas o fato de Mina abrir sua mente à Meridiana facilitava as coisas.
A ruiva treinara consigo mesma antes de se arriscar a adentrar a mente da caçula, mas acreditava que o processo não deveria ser muito diferente. Aos poucos Meridiana começou a vislumbrar uma malha luminosa frente aos seus olhos embora eles estivessem fechados. Eram fios prateados entrelaçados como uma intricada e bela tapeçaria. Era o modo das lembranças de Mina se configurarem simultaneamente.
Um dos fios brilhava, como se feito de pura luz. Meridiana viu uma versão fantasmagórica da própria mão se aproximar do fio... Delicadamente ela desenrolou o fio de prata, que parecia mais grosso e espesso que os demais...como se houvesse sido duplicado. Removeu o fio, vendo que outro permanecera em seu lugar... E, trazendo o fiapo de luz consigo, abriu os olhos, vendo um fio viscoso de luz na ponta da varinha e o depositou na penseira.
- Pronto, Mina - a ruiva balbuciou, reclinando-se no encosto da cama, sentia-se cansada pelo esforço, afinal, aquele tipo de magia demandava mais energia do que Meridiana estava acostumada.
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O som do quadro abrindo fez Lusmore olhar quem mais entrava e ao as outras duas mafiosas junto de Herman, Isaac, Lucien, Satanio, Luke e Raven, ele teve certeza que era relacionado ao que acontecia atrás do biombo onde Mina e Meridiana se encontravam. Estava para acontecer uma das reuniões que vira na mente de sua prima anteriormente.
- Oi, Lusmore. Elas estão onde? - Sam perguntou ao entrar.
O bardo apontou com o nariz para o biombo que estava quieto.
- Esperamos então. - Raven deu os ombros e andou até a mesa de pães, seguida de Sam que pegou algo para beber.
Todos foram se acomodando e esperando. Ninguém queria falar nada para não atrapalhar Meri.Os minutos começaram a passar mais lentos e a falta de som ou algo que demonstrasse que poderiam se comunicar começou a fazer com que Lusmore quisesse perguntar mais.
- Afinal, o que elas estão fazendo lá e sobre o que é isso aqui? - ele sussurrou para Sat.
- Meri vai extrair as memórias da Mina e colocar na Penseira. Achei que você soubesse...
Os dois rapazes se calaram após dois olhares gelados de Sam e Lore que viram um brilho diferente aparecer onde as grifinórias estavam. Elas sabiam que Meri tinha conseguido.
Poucos minutos depois, Meridiana e Mina saíram de trás do biombo, ambas abatidas, mas a caçula parecia muito mais amuada e retraída. Ninguém ousou dizer palavra alguma até que qualquer delas resolvesse se pronunciar.
A ruiva trazia a bacia prateada pertencente aos pais de Satanio nas mãos e a depositou sobre a mesa redonda onde muitas vezes Herman, Lore, Mina e Sam se reuniam para discutir as pautas do Olho do Grifo.
- Acho que se fizermos um círculo ao redor da mesa, todos nós poderemos ter acesso às lembranças da Mina sobre a noite que os comensais atacaram as Hébridas - Meridiana disse, séria. - A idéia é que talvez algum de nós possa notar algo que tenha passado despercebido no começo e que nos ajude a descobrir sobre o que investigamos.
Mina sentou-se junto de Lusmore, que amparou a prima gentilmente. Nenhum dos dois precisava assistir àquela pequena representação - ele tivera sua dose durante as férias e ela já sonhara com aquilo o suficiente para preferir não ver mais nada.
Todos se debruçaram sobre a penseira, olhando as imagens passarem. Cada um se prendia em uma imagem diferente, procurando algo que pudesse ver, ajudar ou entender.
Sam viu Mina se esgueirando para o barracão com um cobertor grosso, resmungando que o dragão ia morrer de frio e não conseguiu conter um leve sorriso. Sua amiga, mesmo tão inteligente, conseguira ter uma idéia daquelas. Logo depois a cena mudou para os comensais e o dragão imobilizado e Mina subindo silenciosamente, tocando o sino.
Seguiram-se os momentos de terror, quando o chão cedeu e ela caiu exatamente entre Chama de Prata e os Comensais. Quando o dragão se libertou do feitiço... quando o fogo começou a tomar conta de tudo - com as máscaras caídas, os comensais agora gritavam de dor.
Aos poucos, as lembranças foram se tornando difusas - Mina perdera a consciência em algum ponto daquilo. Mas aquilo que tinham visto fora o suficiente para que pelo menos uma pessoa pudesse arrancar uma nova pista.
- Eu acho que tenho uma informação que talvez seja útil - Satanio falou em um tom sério que surpreendeu a todos os presentes - Eu sei quem é o outro comensal. Sempre soube que ele era podre, mas não tão podre assim.
Raven olhou para o colega de casa, cruzando os braços sobre o peito.
- É o Ian McNair, não é? Eu lembro quando ele estudava aqui. Sujeitinho insuportável - ela disse, sem esconder uma careta. - Se bem, que, pensando bem, ele era um típico candidato a servidor de Voldemort.
O loiro assentiu, olhando de soslaio para Lorelai McGuire. Havia outra coisa que Satanio sabia, mas que não iria dizer naquele momento. Ian McNair, até onde constava a Goddriac, era também namorado de Melinda Dashwood, irmã de Lore.
Enquanto não tirasse à prova com a própria Mel o que exatamente ela sabia sobre as atividades ilícitas do namorado, ele não iria revelar nada que pudesse prejudicar à Fada Prensada. Era, mais sensato, guardar suas suspeitas por enquanto. Se a situação não fosse tão séria, Satanio teria rido de sua própria atitude, afinal, ele nunca imaginou a si mesmo como alguém prudente.
- Já que Sat viu algo que podemos usar, acho melhor levar a Mina de volta para o quarto. - Lore falou. - Ela está bem pálida e Meri também não está tão melhor.
Todos concordaram ao ver o cansaço estampado no rosto das duas grifinórias. Satanio e Raven falaram que a tarefa de descobrir mais sobre McNair era deles.
Isaac ajoelhou-se ao lado da grifinória mais nova, trocando um olhar com Lusmore, que acabou assentindo, como se algum comunicação tivesse sido trocada entre os dois. O corvinal ajudou a menina a se levantar, apoiando-a, ao mesmo tempo em que Herman fazia o mesmo com Meri, auxiliado por Lorelai. Como em um cortejo, o grupo deixou o QG para trás, tendo pouco mais do que tinham antes, mas, ainda assim, o suficiente para avançarem um pouco mais em suas investigações.
por todos acima
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