Thursday, November 16, 2006

Mina observou o primo jogar atrás do biombo a mochila de viagem, antes de voltar-se para ela, cruzando os braços.

- Aconteceu alguma coisa enquanto eu estava fora?

Por alguns instantes, Mina pensou na reunião que acontecera alguns dias antes, naquele mesmo lugar... Naquilo que Lorelai tinha dito, sobre o que acontecera durante as férias. Talvez fosse melhor manter aquilo em silêncio por algum tempo. Ela meneou a cabeça.

- O que você queria que tivesse acontecido? - ela revirou aos olhos, respondendo com a voz cansada - Aliás, você está cada vez mais educado. Um bilhete gentil e delicado: "venha me buscar", ponto.

Lusmore observou a prima por alguns instantes, como se a considerar se devia alguma resposta àquilo. Como a prima fizera pouco antes, ele meneou a cabeça e decidiu despejar de uma vez o que tinha para dizer.

- Eu não tenho boas notícias.

A moça sentiu o corpo tensionar ao ouvir aquilo. Ela sentou-se sobre o pufe laranja - o primeiro móvel que fora colocado no QG, presente da mamma Raven meses atrás, observando o rapaz com atenção. Lusmore por sua vez, passou a mão pelos cabelos negros, retirando a franja que insistia em cair sobre seus olhos.

- Eu deveria ter deixado tia Holly cortar isso quando tive chance.

- Reclame disso depois e solte a bomba de uma vez. - ela resmungou de volta - Eu saí do meio da aula de História da Magia para atender você. Tenho que voltar e aproveitar o intervalo para procurar a Sam e avisar que nosso convidado voltou.

Ele a observou em silêncio por alguns instantes, antes de também tomar assento.

- Você se lembra que eu tinha colocado alguns amigos meus para vigiarem a casa dos Fenwick em Berlim?

- Você só mostrou as fotos. - ela respondeu - Não disse que estavam vigiando a casa. Eu pensei que ela estava vazia.

- Nós também pensávamos. - o druida assentiu - Mas estávamos errados. Viram duas pessoas saindo da casa, Mina.

A menina arregalou os olhos.

- Quem...

- Essa é a parte mais preocupante. - ele a interrompeu - Não sabemos quem era. E eles conseguiram despistar meus amigos.

Mina mordeu os lábios.

- Então voltamos à estaca zero.

- Não, Mina. - Lusmore meneou a cabeça - Você conhece o treinamento de um domador. Conhece a capacidade deles de seguir rastros. Sabe que os druidas também têm esse treinamento. Van não tinha como perder a pista deles, Mina. Para ele ter sido despistado, primeiro que não pode ter sido coincidência. E, segundo que, seja quem forem esses dois que estavam na casa, são bons. Muito bons.

- E eles agora têm certeza que estamos na cola deles. - Mina completou - Os atentados... - ela se calou por alguns instantes, mordendo os lábios - Se eles já não estavam felizes conosco antes... Como tem ido com Meri? Eu nem me lembrei de perguntar sobre isso nas férias.

- Não podemos avançar muito aqui. - Lusmore respondeu - Mas ela realmente tem o talento para a Antiga Magia. Tenho certeza que tia Holly a aceitaria como aprendiz, ela tem potencial.

Mina assentiu, pensativa.

- Outra coisa... Suzannah não veio conosco no trem e eu já mandei duas cartas para ela e não tive resposta. Acha que algum dos seus contatos pode dar uma olhada nela pra mim? Saber se ela está bem?

- Seria mais lógico pedir isso ao Godfrey, não?

Ela meneou a cabeça.

- Não quero preocupá-lo à toa. E é mais um pressentimento... Não posso ir atrás do tio baseada num pressentimento.

Ele a encarou com os olhos nublados.

- Você também tem potencial para a Antiga Magia, Mina. Sabe o que pressentimentos significam para nós, não?

Mina não respondeu. Em vez disso, levantou-se, dando as costas para o primo, caminhando de volta para a passagem.

- Vou avisar aos outros que você está de volta.

- E eu vou ver o que eu posso fazer sobre a Suzannah. - ele respondeu.

- Obrigada. - foi a última coisa que ela disse antes de deixar o QG.


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Mina terminou de recolher seus livros, pensativa, enquanto observava do outro lado da sala Sam se levantar e, com um tchauzinho, deixar a turma. Provavelmente a lufana iria passar agora pela cozinha para providenciar o jantar do primo. Lorelai, por sua vez, saíra mais cedo da aula. Ela continuava quieta e distante e a domadora não podia exatamente culpá-la por aquele estado. Não depois do que acontecera.

Ela esperou até que a maior parte dos alunos deixasse a sala, antes de aproximar-se da mesa da professora McGonagall, tirando de dentro do bolso da capa um papel dobrado.

- Hum... Com licença, professora... - ela chamou baixinho.

McGonagall observou a aluna por cima dos óculos.

- Pois não, senhorita MacFusty?

- Eu queria pegar esse livro na biblioteca para poder aprofundar seu conteúdo da semana passada... Mas ele está na seção reservada. - ela estendeu o papel - A senhora poderia me dar uma permissão escrita para mim?

A professora lançou um olhar mais arguto dessa vez sobre a grifinória, antes de desviar a atenção para o papel que ela lhe apresentava. Em seguida, tirando um cartão de cima da mesa, assinou a autorização.

- Eu estou bastante satisfeita com seus resultados no último simulado, senhorita MacFusty. - a diretora da Grifinória permitiu-se um breve sorriso - Boa sorte com seus estudos.

Mina assentiu com a cabeça, sorrindo também, antes de sair. Tinha dois horários vagos agora antes de jantar. Podia dar uma passada na biblioteca e já providenciar o volume de transfiguração avançada. Aproveitaria também para renovar os livros que já tinha no cartão de empréstimo.

- Hei, Mina.

Ela voltou-se para trás, procurando a pessoa que acabara de chamá-la. Um bolo de alunos, entre sonserinos e corvinais, deixavam a sala de feitiços. Não demorou para que Isaac Cyan e David Fenwick se destacassem dos outros, aproximando-se da grifinória. Ela deu um meio sorriso para os dois rapazes à guisa de cumprimento.

- Eu estou indo para a biblioteca agora.

- Eu vou pra lá mais tarde, vou só passar pela torre para deixar esse material e pegar o que eu preciso. - David observou - Eu posso levar seu material também, Isaac. E você acompanha a Mina?

- Claro. - o outro respondeu, passando a mochila em seus ombros para o rapaz - Até daqui a pouco.

David assentiu com a cabeça, saindo em seguida, enquanto Isaac virava-se para Mina, já tirando os livros que a menina carregava.

- O que está fazendo? - ela perguntou, vendo subitamente seus braços livres do peso.

- Acredito que seja um tanto óbvio. - Isaac respondeu, dando um meio sorriso, começando a caminhar ao lado dela.

- Não podemos apenas dividir o peso? - ela perguntou tentativamente - Você não precisa carregar tudo sozinho.

Isaac não respondeu e Mina apenas suspirou, resignada. De nada ia adiantar teimar com ele. Nesse momento, ela lembrou-se de algo importante.

- Hum... Hei, Isaac... Eu esqueci de dizer... - ela o encarou, pensativa - Lusmore chegou ontem. Achei que você gostaria de saber, já que evita o QG quando ele está lá.

O corvinal arqueou a sobrancelha, lançando um olhar ligeiramente irritado para as mãos dela, cobertas pelas luvinhas negras que ela começara a usar desde o dia infeliz em que ele tivera o imenso desprazer de conhecer Lusmore Mahala. Aparentemente, o anel continuava no mesmo lugar de antes.

- Agradeço pelo aviso, Mina. - ele respondeu.

- Você sabe... - ela começou, cruzando os braços atrás do corpo - Apesar de eu viver reclamando dele, Lusmore não é tão chato quanto eu pinto. Tudo bem, ele realmente sabe ser inconveniente e tudo o mais... Só que...

- Você não está tentando me fazer virar amigo do seu primo, está? - Isaac perguntou, encarando-a.

- Amigo, não. - ela deu de ombros - Só acho que você não precisava deixar de ir ao QG por causa dele. Se vocês conversassem, poderiam encontrar muita coisa em comum. Lusmore também gosta de história, sabia? Ele poderia lhe contar muita coisa interessante sobre os druidas, por exemplo.

- Eu acho que é exatamente pelo que temos em comum que não simpatizamos um com o outro, Mina. - ele retrucou.

Mina suspirou, meneando a cabeça.

- Ok, como você quiser então.

Nesse momento, eles chegaram às portas da biblioteca. À primeira vista, o aposento estava bastante cheio. Eles não tinham sido os únicos a pensar em adiantar alguma coisa dos estudos, especialmente com o fato de que a entrega da monografia de DCAT estava agendada para a semana seguinte e logo começariam as apresentações.

A moça seguiu direto para a mesa da bibliotecária, enquanto sobrava a Isaac procurar uma mesa. Demorou algum tempo até que ele localizasse uma livre, num dos cantos mais próximos da janela e, conseqüentemente, mais frios. Bem, eles não estavam com muitas possibilidades de escolhas no momento. Assim, ele rumou para lá, depositando os livros de Mina, antes de começar a observar os títulos.

Dois volumes fininhos sobre contos de fadas, juntamente com o caderno negro que ela carregava para cima e para baixo desde antes das férias atestavam que ela continuava a escrever histórias para o irmão. Junto havia um volume grosso de Defesa Contras as Artes das Trevas cheio de pedaços de pergaminhos marcando páginas e mais dois de transfiguração.

Se continuasse a carregar aquele pelo todos os dias, Mina terminaria com um problema de coluna. Ela realmente precisava de tudo aquilo para as aulas?

Pouco depois, a jovem aproximou-se com mais um livro velho, empoeirado e tão grosso quanto um Bestiário Medieval, já acompanhada de David. Os dois vinham conversando e, pela maneira com os olhos de Mina tinham escurecido, Isaac não precisava muito para adivinhar sobre o que estavam falando.

- Então seus pais também não têm tido notícias do seu irmão? - ela perguntou, colocando sua mais recente aquisição sobre a mesa, junto com os outros volumes.

- Eu pensei que Victor estava ocupado demais para me escrever... Mas não imaginei que ele estaria também sem mandar nenhuma carta para casa. - David confirmou - Meu pai está pensando em viajar para Berlim e ver se está tudo bem, só precisa agora conseguiu uma autorização especial no Ministério para tirar alguns dias de folga.

Mina levantou os olhos, encarando Isaac por trás dos óculos. Ele também tinha uma ligeira idéia do que ela estaria pensando no momento. Eles sabiam da verdade. Seria aquele o momento de contá-la para David? Eles teriam o direito de fazer isso? Era melhor deixá-lo na incerteza do que revelar quem, realmente, tinha sido Victor Fenwick?

- Mas deve estar tudo bem. - David completou, mais para se convencer do que propriamente para os dois companheiros - Victor pode ser um tanto relapso com outras coisas quando está muito concentrado nas coisas que o interessam. Ele deve estar estudando um bocado... - ele sorriu, passando a mão pelos cabelos castanhos antes de sentar-se - Mas e vocês, como foram as férias de vocês?

por Mina

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