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Monday, June 15, 2009

 

Sugestão


Adhara estava tão distraída entre consultar seu caderno e mapas de anotações estelares e cruzar informações com a cartilha em que estava trabalhando para a sua aula de Astronomia daquela noite que só notou que alguém havia parado ao seu lado quando uma bolsa de couro pesada foi posta sobre o tampo da carteira ao mesmo tempo em que uma voz masculina chamava a atenção dela:

- Este lugar está ocupado?

Ela levantou o rosto, reconhecendo de imediato a voz risonha e o encontrando o rosto simpático de Lucien a lhe fitar. A moça sorriu para ele.

- Você sabe que ele nunca está. – ela respondeu com franqueza e um tom amistoso.

- Exceto quando eu decido ocupá-lo. – retrucou o austríaco, puxando a cadeira e sentando-se sem maiores cerimônias ao lado dela.

Eles estavam na sala onde os alunos do 7° ano tinham suas aulas de Feitiços. Faltavam ainda alguns minutos para dar o horário de Flitwick chegar à sala, de modo que havia muito burburinho de conversas pelo local.

- Ela está sentada lá no fundo. McMillan está na mesma direção, duas carteiras à frente, então se você quiser dar uma olhada eu diria que é seguro. – Adhara o informou em um tom calculadamente baixo, de modo que apenas o lufano a ouvisse.

Lucien assentiu e virou o corpo na cadeira, de modo que pudesse enxergar o fundo da sala. Seu olhar vagou pelos alunos até encontrar quem procurava. Não foi difícil, o cabelo ruivo se destacava facilmente. Meri estava sozinha, sentada em uma carteira ao lado da janela, os braços magros cruzados sobre o tampo da carteira e o olhar perdido na paisagem externa do castelo. Ela não virou o rosto e nem demonstrou perceber que Lucien a observava. O austríaco suspirou e acenou em reconhecimento para Ernest Mcmillan e alguns outros colegas lufanos para disfarçar, antes de endireitar o corpo na cadeira.

- Ela parece distraída. – ele comentou, com o cenho franzido.

- Então foi coisa de agora, ela estava olhando para cá antes de você chegar. – a garota o respondeu, sem desviar os olhos de seu dever de Astronomia.

O austríaco sentiu vontade de questioná-la a respeito daquilo, mas reconheceu que Adhara estava ocupada no momento e, ao vê-la trabalhando com tanto afinco naquele mapa estelar, ele próprio se arrependeu de ter deixado seus livros de Runas Antigas no dormitório – havia uma tradução particularmente extensa e complicada que ele teria que terminar para o dia seguinte. Ele provavelmente teria que passar parte da noite em claro na sala comunal para terminá-la a tempo.

Adhara suspirou e largou a pena, flexionando os dedos fatigados por algumas vezes antes de começar a fechar seus livros e juntar anotações. Percebendo o que a morena fazia, Lucien pôs-se a auxiliá-la na tarefa. Eles trabalharam em um sincronismo silencioso, em que ele guardava os materiais de Astronomia dela dentro da bolsa, enquanto a moça tirava os livros de Feitiços.

Nenhum dos dois percebeu o sonserino que passou rente à carteira, observando-os com sincera curiosidade, antes de seguir seu caminho para o fundo da sala.

Theodore Nott meneou a cabeça com um sorriso de escárnio para a interação tão confortável de Adhara com o rapaz Von Weizzelberg. Francamente, ele esperava mais dela. Não fazia nem um mês que Meridiana e Von Weizzelberg haviam terminado o namoro, e agora a sonserina, que era parente de Meri, era vista para cima e para baixo no castelo com o ex da prima. Theodore percebia agora que talvez tivesse dado à Adhara mais valor do que ela merecia durante todos aqueles anos se agora a garota se contentava tão facilmente com os restos de outra.

Nott então procurou Meridiana, a fim de conferir se a ruiva havia notado a mesma cena que ele. Foi com satisfação que ele constatou que sim. A grifinória estava com os olhos pregados no casalzinho, com uma expressão indecifrável nos orbes verdes. Theo notou que, muito providencialmente, a cadeira ao lado da prima estava vaga. Ele não precisou pensar duas vezes antes de seguir para se sentar com ela.

Foi apenas o vulto de Theodore que a fez sair das conjecturas sobre o quanto se sentia confortada em perceber que as pessoas que lhe eram caras, se toravam cada vez mais próximas, sendo capazes de se protegerem mutuamente.

Meri desviou o olhar mais que depressa de Lucien e Dhara quando notou a aproximação do sonserino, mas notou que era tarde demais. Nott já a havia flagrado olhando para o dois. A ruiva se sentiu estúpida por ter baixo a guarda tão facilmente, contudo, tentou não demonstrar apreensão, esperando que o comportamento do primo lhe desse pistas de como agir e minimizar seu deslize.

Theodore colocou seu material sobre a mesa e sentou-se sem sequer pedir licença.

- Inacreditável, não é mesmo? Os dois não estão sequer fazendo questão de serem discretos. – o sonserino indicou Adhara e Lucien com um gesto de cabeça, deixando bem claro a quem estava se referindo.

Meri franziu o cenho, se perguntado do que aquele maluco do Nott estava falando. Ela resolveu dar mais uma olhada na prima e no namorado, já que o sonserino claramente estava lhe dando uma brecha para fazê-lo sem parecer muito suspeita. Em um primeiro momento ela não entendeu o que Theodore estava vendo demais na cena. Dhara e Lucien estavam apenas sentados juntos. Ele a havia ajudado a guardar o material e agora eles estavam conversando. Mas então, em um segundo momento, a observação da ruiva se tornou mais minuciosa e ela começou a enxergar certos detalhes. Os mesmos detalhes que Theodore havia percebido.

O austríaco e a sonserina mantinham o contato visual enquanto falavam. Os dois tinham os braços apoiados sobre o tampo da mesa e estavam tão próximos que seus ombros quase se tocavam. Meri sabia que aquela proximidade toda provavelmente se devia ao fato de que Dhara e Lucien deveriam estar tentando manter a sua conversa particular, mas sabia também que tipo de impressão aquilo poderia causar em pessoas maliciosas como Nott.

-Isso não diz mais respeito a mim – a ruiva respondeu, em um tom baixo.

- É, não diz. - Theodore concedeu, antes de abrir um meio sorriso - Mas ainda assim não explica por que você estava olhando com tanto afinco para os dois.

-Pelos mesmos motivos que te levaram a fazer essas perguntas para mim, priminho – a ruiva virou o rosto, encarando Nott, enquanto apoiava a cabeça levemente inclinada em uma das mãos e brincava, usando o mindinho, com um cacho que se sobressaia , próximo da orelha. –Curiosidade.

Nott apenas arqueou uma das sobrancelhas para a grifinória, mas não a respondeu. Flitwick chegou à sala logo em seguida, cumprimentando a turma e mandando todos pegarem suas varinhas.

Meridiana sorriu para si mesma, satisfeita por ter revertido seu deslize em vantagem. Aparentemente ele não havia duvidado da pequena mentira dela. De fato, a ruiva talvez devesse agradecer a Theodore por ter lhe dado uma idéia que acabaria por corroborar a farsa de que cortara relações com seus antigos amigos, especialmente com Dhara e Lucien. Era apenas uma questão de ter a oportunidade certa, e ela exporia ao namorado e à prima o seu plano.

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