Saturday, July 20, 2013

Conversas nos Jardins

Adhara caminhou pelo gramado até encontrar quem queria. Sentada sob um velho carvalho, Mina não notou a aproximação da sonserina.

Adhara sentou-se diante dela e a grifinória levantou a cabeça dos livros que consultava, dando um meio sorriso antes de empurrar alguns pergaminhos na direção da garota.

- Aí está. O fim de Relicário.

A sonserina assentiu.

- Obrigada, Mina.

As duas ficaram em silêncio por alguns instantes. Mina voltou aos seus livros e Adhara observou, distraída, o campo de quadribol, onde o time das serpentes treinava. Automaticamente ela fez uma careta ao ver Crabbe e Goyle girando os bastões de batedores como se fossem dois trasgos retardados.

- Que ridículo... – ela disse baixinho para si mesma, atraindo assim a atenção de Mina.

- Algum problema? – perguntou a grifinória.

- Vários. – Adhara voltou-se para a garota – Eu não posso entender como o professor Snape permite que aquilo – disse apontando para Crabbe e Goyle – façam parte do time de quadribol.

Mina olhou de esguelha para o campo, não entendia muito de quadribol, mas sabia o suficiente para perceber que os batedores da Sonserina pareciam completamente perdidos no meio do jogo. Então voltou a olhar para Adhara.

- Você gosta de quadribol?– ela perguntou.

- Gosto, mas o professor Snape criou uma regra boba sobre meninas e quadribol. Não posso participar do time por causa dele.

Mina franziu o cenho.

- Eu não vejo graça em quadribol.

Adhara deu de ombros.

- Isso varia de pessoa para pessoa. O MacGraw, por exemplo, sempre diz que quadribol é “um monte de bruxos voando desgovernados”.

- MacGraw?– Mina perguntou, confusa.

- Hector MacGraw, quinto ano da Lufa-Lufa. É um conhecido meu. – respondeu simplesmente.

Mina meneou a cabeça.

- Bem, eu concordo com esse MacGraw. Mas, seja como for, o professor Snape não tinha o direito de proibir você ou qualquer outra garota de participar do time. Tenho certeza que qualquer uma seria melhor do que aqueles gorilas.

Com isso, a grifinória voltou a abaixar a cabeça para seus livros. Adhara continuou olhando meio desalentada para o campo até perceber um vulto que caminhava na direção delas.

A sonserina virou-se para observar o corvinal que estava parado ao seu lado. Isaac sorriu para a amiga.

- Bom dia meninas. - ele cumprimentou-as, sentando-se ao lado da sonserina.

Mina ergueu a cabeça do livro e girou os olhos.

- Bom dia. - ela respondeu simplesmente, voltando a atenção para outro livro da pilha que levara para o jardim.

Adhara murmurou um bom dia meio rouco, olhando com desalento para o campo. Isaac franziu o cenho.

- Dhara? O que aconteceu? - perguntou Isaac, segurando o queixo da garota e virando o rosto dela para si.

Mina fechou o livro com força, chamando a atenção dos dois.

- Você deveria saber, afinal, a culpa é sua também. - meneando a cabeça, a grifinória se levantou - Os homens são um amontoado de machistas tolos que acham que podem tudo, até mesmo nos proibir de fazer aquilo que gostamos. Patético! - ela ergueu os livros e virou-se para o castelo - Quando terminar, Adhara, me mande uma coruja. Espero que goste do final.

Adhara observou a grifinória afastar-se deles e então voltou-se para Isaac, que parecia estar tentando entender o motivo da súbita explosão da garota.

- O que aconteceu com ela?

- Não sei. - a sonserina franziu a testa - Acho que deve ser alguma coisa relacionada ao quadribol.

- E o que EU tenho a ver com tudo isso?

Adhara sorriu, achando graça da expressão confusa do amigo.

- Você também é um homem, oras.

Isaac cruzou os braços.

- Ótimo, agora diga-me algo que eu não saiba Ivory. - ele falou com sarcasmo.

- Deixe de ser bobo. - Adhara censurou o amigo, levantando-se.

- Mas é sério! O que ela tem contra mim? Eu a defendi do Malfoy. Por que a culpa é minha? - o corvinal perguntou, andando rápido para acompanhá-la.

- Acho que é justamente esse o problema. - ela suspirou - Não conheço bem a Mina, mas ela me parece ser bastante independente e deve estar com o orgulho ferido porque você a ajudou.

- Então é isso? - Isaac riu, finalmente entendo o que se passava na cabeça da grifinória. - Como essa menina é complicada.


Adhara concordou silenciosamente com o amigo e enlaçou um dos braços do corvinal, então voltaram juntos para dentro do castelo. 

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