Adhara caminhou pelo gramado até encontrar quem queria. Sentada sob um
velho carvalho, Mina não notou a aproximação da sonserina.
Adhara sentou-se diante dela e a grifinória levantou a cabeça dos livros
que consultava, dando um meio sorriso antes de empurrar alguns pergaminhos na
direção da garota.
- Aí está. O fim de Relicário.
A sonserina assentiu.
- Obrigada, Mina.
As duas ficaram em silêncio por alguns instantes. Mina voltou aos seus
livros e Adhara observou, distraída, o campo de quadribol, onde o time das
serpentes treinava. Automaticamente ela fez uma careta ao ver Crabbe e Goyle
girando os bastões de batedores como se fossem dois trasgos retardados.
- Que ridículo... – ela disse baixinho para si mesma, atraindo assim a
atenção de Mina.
- Algum problema? – perguntou a grifinória.
- Vários. – Adhara voltou-se para a garota – Eu não posso entender como
o professor Snape permite que aquilo – disse apontando para Crabbe e Goyle –
façam parte do time de quadribol.
Mina olhou de esguelha para o campo, não entendia muito de quadribol,
mas sabia o suficiente para perceber que os batedores da Sonserina pareciam
completamente perdidos no meio do jogo. Então voltou a olhar para Adhara.
- Você gosta de quadribol?– ela perguntou.
- Gosto, mas o professor Snape criou uma regra boba sobre meninas e
quadribol. Não posso participar do time por causa dele.
Mina franziu o cenho.
- Eu não vejo graça em quadribol.
Adhara deu de ombros.
- Isso varia de pessoa para pessoa. O MacGraw, por exemplo, sempre diz
que quadribol é “um monte de bruxos voando desgovernados”.
- MacGraw?– Mina perguntou, confusa.
- Hector MacGraw, quinto ano da Lufa-Lufa. É um conhecido meu. –
respondeu simplesmente.
Mina meneou a cabeça.
- Bem, eu concordo com esse MacGraw. Mas, seja como for, o professor
Snape não tinha o direito de proibir você ou qualquer outra garota de
participar do time. Tenho certeza que qualquer uma seria melhor do que aqueles
gorilas.
Com isso, a grifinória voltou a abaixar a cabeça para seus livros.
Adhara continuou olhando meio desalentada para o campo até perceber um vulto
que caminhava na direção delas.
A sonserina virou-se para observar o corvinal que estava parado ao seu
lado. Isaac sorriu para a amiga.
- Bom dia meninas. - ele cumprimentou-as, sentando-se ao lado da
sonserina.
Mina ergueu a cabeça do livro e girou os olhos.
- Bom dia. - ela respondeu simplesmente, voltando a atenção para outro
livro da pilha que levara para o jardim.
Adhara murmurou um bom dia meio rouco, olhando com desalento para o
campo. Isaac franziu o cenho.
- Dhara? O que aconteceu? - perguntou Isaac, segurando o queixo da
garota e virando o rosto dela para si.
Mina fechou o livro com força, chamando a atenção dos dois.
- Você deveria saber, afinal, a culpa é sua também. - meneando a cabeça,
a grifinória se levantou - Os homens são um amontoado de machistas tolos que
acham que podem tudo, até mesmo nos proibir de fazer aquilo que gostamos.
Patético! - ela ergueu os livros e virou-se para o castelo - Quando terminar,
Adhara, me mande uma coruja. Espero que goste do final.
Adhara observou a grifinória afastar-se deles e então voltou-se para
Isaac, que parecia estar tentando entender o motivo da súbita explosão da
garota.
- O que aconteceu com ela?
- Não sei. - a sonserina franziu a testa - Acho que deve ser alguma
coisa relacionada ao quadribol.
- E o que EU tenho a ver com tudo isso?
Adhara sorriu, achando graça da expressão confusa do amigo.
- Você também é um homem, oras.
Isaac cruzou os braços.
- Ótimo, agora diga-me algo que eu não saiba Ivory. - ele falou com
sarcasmo.
- Deixe de ser bobo. - Adhara censurou o amigo, levantando-se.
- Mas é sério! O que ela tem contra mim? Eu a defendi do Malfoy. Por que
a culpa é minha? - o corvinal perguntou, andando rápido para acompanhá-la.
- Acho que é justamente esse o problema. - ela suspirou - Não conheço
bem a Mina, mas ela me parece ser bastante independente e deve estar com o
orgulho ferido porque você a ajudou.
- Então é isso? - Isaac riu, finalmente entendo o que se passava na
cabeça da grifinória. - Como essa menina é complicada.
Adhara concordou silenciosamente com o amigo e enlaçou um dos braços do
corvinal, então voltaram juntos para dentro do castelo.
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