Sunday, August 02, 2009

Twisted - Parte 1

O sol começava a despontar, mostrando que um novo dia se iniciava. O som de passos indicava que alguém já tinha acordado. O passo era leve, para não acordar os outros moradores da casa. Não querendo arriscar quem seria a pessoa, Samantha nem pensou em levantar também. Poderia ser justamente quem ela não queria e não iria encontrar.

Deitada na cama Sam olhava o teto do quarto, pensativa. Foram poucos os momentos em que conseguira fechar os olhos e os sonhos eram os mesmo, sempre com ele... Isso só fez a morena ter certeza que o que iria fazer era o mais correto. Era algo que não tinha outra opção.

Ela teria que mudar de célula.

O que não parava de vir a sua mente era se queria realmente sair da mesma casa da pessoa mais próxima de família que também estava lá. Achava os outros garotos legais, mas Herman era seu cunhado. Mesmo não contando todos os segredos do seu coração, saber que há alguém mais próximo no meio daquela guerra ajudava.

Sam se levantou sem saber ainda o que fazer. Achou que um banho poderia ajudá-la a limpar a mente, ver se era realmente aquilo que sentia e o quanto isso iria atrapalhar sua vida.

Deixou a água quente do chuveiro cair em sua nuca, massageando-a. Em sentido contrário, seu estômago gelou ao pensar em encontrar Lusmore naquela manhã. Sam passou a mão na barriga tentando se acalmar.

Não sabia como ia agir, o que ia falar se o visse. Era ainda uma jovem de 16 anos e não poderia dizer que tinha boas experiências de vida para se basear. A última marca em seu coração fora profunda e não queria mexer nisso novamente.

A morena se arrumou normalmente, não tinha porque ficar presa no quarto. Conhecia o instinto protetor dos outros garotos e eles provavelmente iriam perguntar se estava tudo bem com ela.

Esperou ouvir mais vozes até decidir que também iria para cozinha. Para a felicidade de Sam, lá estavam três rapazes conversando animadamente enquanto arrumavam a mesa.

Os pães frescos já tinham sido comprados e o suco estava sendo preparado por Michael enquanto Herman estava colocando ovos nos pratos deles. O cheirinho de café fresco era algo marcante quando Troy o fazia.

- Bom dia Sam! - Michael falou sorrindo. - Veio dar o toque feminino a nossa arrumação?

Ao contrário do loiro, Mercury percebeu que os olhos da amiga ainda estavam fechados. Ele foi até ela e a abraçou, trazendo-a para a mesa do café.

- Vocês realmente me mimam muito. - Sam falou, sorrindo.

- Nossa única princesa da casa, o que esperava? - Herman falou dando um beijo na cabeça da amiga. - Dormiu mal também?

A morena sorriu ao sentir o cheiro do café na sua frente. Sentiu-se aliviada ao pensar que os outros achavam que ela não dormira por causa da missão que fizeram dois dias antes.

Com os olhos semi-serrados, como uma criança, Sam deixou sua cabeça deitar no ombro de Herman, que sorriu ao ver aquilo.

Ele também estava com sono e volta e meia piscava mais lentamente do que o normal. O mensageiro até sorriu ao ver que conseguira fazer ovos sem queimar nada. Se quando não está com sono já é um desastre, achou que naquela manhã seria pior.

- Para não dizer que só eles estão de dando carinho e amor. - Michael falou colocando um prato com torradas e ovos estrelados para Sam. - Sempre aceitarei massagem nos pés como recompensa.

Como ela poderia deixar eles, Sam se perguntava. Parecia que aquilo tinha sido armado de manhã para que ela ficasse na dúvida e desistir de sair daquela casa.

Os quatro conversaram animadamente durante um tempo. Ninguém tinha pressa, naquela manhã não havia missões ou reuniões.

- Isso que vou contar deve ser mantido em segredo, mas ao mesmo tempo tem que ser contado. E lembrem-se que sou nascido trouxa... Cá estava eu no shopping comprando algumas roupas. - Para animar os amigos, Troy falava gesticulando mais ainda. - Terminei tudo e andei feliz e contente até o estacionamento. Andei, andei procurando meu carro e nada. Olhei em volta novamente e nada. Já comecei a ficar nervoso e liguei do meu celular para o meu pai. “Pai, roubaram o meu carro! Já andei uns 15 minutos nesse estacionamento e não acho o bendito!”. Para a minha surpresa meu pai falou calmamente do outro lado. “Mas meu filho, você foi de ônibus para o shopping”.

A risada deles foi abafada pela outra que vinha da porta. Lusmore já tinha acordado, mas preferiu não entrar enquanto ouvia o causo. Troy era famoso pelas boas piadas.

- Bom dia a todos. - O bardo abriu seu belo sorriso “animem seus dias, estou aqui”. - Cara, você é único! Espero que em campo não seja tão esquecido... - Ele falou dando uns tapas nas costas de Troy.

Ao ver Lusmore, Sam apertou a base da cadeira, se segurando. Por alguns minutos tinha esquecido essa sensação, mas agora ela voltara com força. A morena nunca reparara que de manhã cedo ele normalmente estava com o cabelo molhado, meio desarrumado e caindo no rosto e que isso fazia uma reação no seu coração que ela não sabia explicar de onde vinha.

Tentando disfarçar, ela desviou o olhar para a pessoa a sua frente. Para sua surpresa, Michael a olhava, examinando alguma coisa que ela não sabia dizer o que era. Sem saber o que fazer, ela desviou o olhar para o prato. Tentou não mostrar o que pensava pegando sua xícara de café e se concentrando no líquido quente.

Sam se sentiu uma criança escondendo algo errado que fizera. Ao olhar para a cadeira vazia ao seu lado ela gelou. Conhecendo bem Lusmore, seria ali que ele iria sentar.

“Podendo ficar ao lado de uma garota linda, por que eu ficaria ao lado de um marmanjo?”, ela já imaginava a fala.

- Sam? - A voz de Michael despertou a morena. - Posso falar com você na sala?

O loiro já estava se levantando ao terminar de falar, não dando chance da outra escolher. Não que quisesse ter a opção, aquilo era a desculpa que precisava para sair dali. Sem falar nada ela pegou sua xícara e foi para a sala atrás de Byrne, que estava parado ao lado da porta para rua, com dois casacos na mão.

- Vamos dar uma volta. É melhor conversarmos a sós... - Ele falou.

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