Armada - Parte Final
- Mas, como assim? - exclamou Ginny, desconfiada - Desde quando sonserinos se voltam contra eles mesmos? Isso é muito estranho!
- Tudo é possível para quem acredita na verdadeira magia - respondeu Satanio, brincalhão, com seu melhor sorriso - Mas, falando sério, não é porque algumas serpentes estão rastejando para o buraco que nós rastejaremos atrás, não é, Raven?
- É lógico - anuiu a moça – Nós não somos um rebanho, temos idéias próprias.
- Eu me lembro de você, Sinclair - comentou Longbottom, com um sorriso - De uma detenção com o Snape há uns dois anos atrás. Ele me deu uma montanha de caldeirões cascorentos para ariar, e você me ensinou um feitiço para limpá-los mais rápido. Sem a sua ajuda, eu teria ficado o final de semana inteiro naquela função.
- Também me lembro disso - comentou Luke, que até então se mantivera calado - Peguei essa detenção com vocês. Aquele seboso me deu um saco gigantesco de sementes para separar, e Raven ficou eviscerando lagartas. Excelente forma de se passar um sábado...
Um murmúrio ergueu-se entre todos os alunos. Uma parte dos integrantes da formação original da Armada juntou-se num canto, onde conversavam apressadamente, falando quase todos ao mesmo tempo, gesticulando e, de vez em quando, olhando na direção dos dois sonserinos. Satanio observava a movimentação de cabeça erguida, olhos brilhantes; Raven, por sua vez, levantara-se da poltrona e andava de um lado para o outro, cerrando e descerrando os punhos, a despeito dos pedidos de calma de Luke e de Lorelai.
- Eu disse que isso não ia dar certo - Raven rosnou, entredentes - Esse pessoal odeia sonserinos, aqui não há lugar nem para mim nem para o Sat.
A Fada chegou a articular uma frase, mas foi interrompida por Neville, que, batendo palmas, pedia silêncio:
- Gente, por favor, vamos conversar todos juntos, essa confusão não leva a lugar nenhum. O que vocês tanto cochicham aí nesse canto? Seamus, Lavender, Ernest?
Finnigan deu um passo à frente e disse, apontando os sonserinos:
- Nunca ninguém viu um sonserino a favor de Dumbledore ou de Harry Potter nessa escola. Também nunca se viu nenhum deles se juntar a nós para nada!
- E como nos juntaríamos, se nunca fomos convidados? - perguntou Satanio, erguendo os ombros - Não é educado ser penetra nas festas alheias.
- E quem garante - prosseguiu Seamus, exaltado - que esses dois não colaram aquele cartaz para chamar atenção dos Carrow para as nossas atividades? Para alertar o inimigo?
- O quê? - exclamou Raven, perplexa - Só pode ser brincadeira! Como você pode pensar uma asneira dessas?
- Asneira nada, o Seamus disse uma coisa muito séria! - gritou Lavender Brown, virando-se para Neville - Isso é uma estratégia para nos entregar! Esses dois são espiões dos Carrow! Temos que fazer alguma coisa!
- Calma, gente, calma! - pediu Luna, erguendo-se da poltrona de onde até então observara tudo, e postando-se entre Raven, que ofegava de raiva, e Lavender, que repetia serem os sonserinos espiões dissimulados - Vamos parar com isso! Não podemos nos dividir, precisamos esfriar a cabeça e pensar com clareza. Concordo com o Goddriac, os sonserinos nunca estiveram conosco porque nunca foram convidados; também é erro nosso achar que não há boas pessoas na Sonserina.
Ergueu-se um murmúrio de descontentamento, contido por um gesto de Neville.
- Sim, acredito que haja boas pessoas na Sonserina, como também pode haver mal intencionados nas demais Casas - prosseguiu Luna, indiferente aos murmúrios, sorrindo para Satanio e Raven - Temos que dar chance às pessoas de se revelarem. Não é a primeira vez que vejo estes sonserinos interagindo com alunos de outras casas; foram trazidos aqui pela Mercury, que é uma grifinória, e aqui estão com lufanos, corvinais e outros grifinórios. Não acho justo que sejam tidos como espiões apenas por Goddriac ter orgulho de ser sonserino e por Sinclair nutrir um respeito especial por Severus Snape.
Todos os olhares se fixaram em Raven, que, involuntariamente, se fez carmim.
- Ei, é isso mesmo! - exclamou Zacariah Smith, apontando a sonserina - Essa doida é a queridinha daquele assassino do Snape! Foi ele quem a mandou aqui para nos espionar e depois correr para contar tudo para ele!
- Como você ousa... - começou Raven, lívida, dando um passo na direção do lufano; foi detida por Satanio, que a segurou com firmeza.
- Acalme-se, Rav. Sente-se aqui com o Luke, vamos; deixe que eu cuido disso. Confie em mim - ele falou, olhando a amiga direto nos olhos. Depois, virando-se para os demais, disse:
- Com exceção de nossos amigos, algum de vocês realmente sabe alguma coisa sobre mim e Raven para nos acusar desse modo? – o tom dele era sério e bem diferente do sarcasmo usual.
Ninguém se pronunciou; um silêncio quase sepulcral se instaurou entre o grupo.
- Tudo o que vocês vêem são as nossas vestes, o prata, o verde e um amontoado de estereótipos de que somos sempre potenciais bruxos das trevas. Já cansei de escutar que a maioria dos bruxos ruins saiu da Casa da Serpente e que o próprio Você-sabe-quem era um dos nossos. – o loiro continuou – Isso é a mesma coisa de afirmar que corvinais são robôs racionais e sem sentimentos, que os grifinórios são arrogantes e metidos a sabe-tudo e que os lufanos são paspalhos e bobalhões.
- Ei! Também não é assim! – Smith gritou, enquanto os outros alunos murmuravam entre si pequenos protestos e autodefesas.
- Não? – Satanio retrucou, elevando um pouco mais a voz. – Querendo ou não, todas as nossas qualidades que o Chapéu Seletor enumera acabam virando defeitos na boca de detratores. Além disso, não sei se vocês repararam, mas o Chapéu nos seleciona para determinada Casa pelas qualidades que se destacam em nós, mas isso não exclui as outras. Eu sou corajoso como um grifinório, inteligente como um corvinal, leal como um lufano, mas são minha astúcia e minha ambição que me fazem um sonserino. Eu quero ser sempre o melhor no que faço, isso é tão errado assim? O problema é que confundem ambição com mesquinharia.
- Vocês não são mesquinhos, nem você nem Raven – Satanio escutou a voz firme de Lucien Von Weizzelberg se pronunciar ao fundo, o que fez o loiro dar um ligeiro sorriso antes de prosseguir em sua fala.
- Meu melhor amigo, Herman Mercury, nasceu de uma família quase completamente trouxa. Hoje ele está foragido, e não tenho nem certeza se ele ainda está vivo. Só tenho esperanças. A minha namorada, Yvaine Lancaster, também veio de uma família trouxa, e precisei mandá-la para o outro lado do oceano para que ela e os pais pudessem sobreviver. Raven pode até ter simpatia pelo Snape, mas a mãe dela era trouxa. Vocês acham que ela gosta de escutar falarem que a mãe dela vale menos que um verme? Os pais dela foram vitimados por Comensais com uma maldição que os fez morrer lentamente no decorrer dos anos, e ela viu tudo isso acontecer. Então, não nos digam que não temos motivos para estarmos aqui só porque somos sonserinos!
Sentada ao lado de Luke, Raven meneou a cabeça, em assentimento ao notável discurso do amigo. Sat fora certeiro em sua argumentação, e conseguira expor em palavras claras e francas tudo o que a sonserina trazia em seu peito. Assim, permaneceu calada, na esperança de que seu silêncio valorizasse a fala de Satanio.
-Acho que Goddriac já demonstrou que tem mais que motivos suficientes para estar aqui – Neville tomou a palavra, quebrando o silêncio pesado que caíra na Sala Precisa.
Ninguém aparentemente se prontificara a discordar de Longbottom.
Todavia, Raven não era suficientemente ingênua para acreditar que o loiro conseguiria demover os demais da idéia de que toda maldade provém da Sonserina. Ela tinha plena consciência de que, apesar da tolerância e da simpatia que poderiam vir de Neville e de Luna, eles nunca seriam realmente aceitos na Armada de Dumbledore.
Um sorriso triste perpassou seus lábios ao tentar imaginar o que o próprio Albus pensaria disso.
Com este post, encerramos o mês de setembro nas aventuras do Expresso Hogwarts, semana que vem vai ser a SEMANA ESPECIAL DE ANIVERSÀRIO. Com fics especiais e outras surpresas!
Depois voltaremos com o mês de outubro e muitas, muitas reviravoltas!
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