Lorelai Mercury aproveitara o sossego e a privacidade do dormitório para tentar escrever alguma coisa para a nova edição do Olho do Grifo, mas estava difícil desenvolver uma linha de raciocínio. Havia tantas e tantas coisas que queria dizer, reclamar, protestar, tantas injustiças que estavam vivendo dentro dos muros de Hogwarts, e, outras ainda maiores do lado de fora do castelo.
Escrevera algumas frases espaçadas, mas nada que se configurara como um texto realmente nexo, estavam mais para começos de vários futuros artigos.
-Nem só de flores e chocolate é feito o mundo. Mas a gente pode tentar dar um jeito de plantar mais flores e distribuir alguns bombons quando a gente pode. – Lorelai Mercury, disse para si mesma, pousando a pena em cima do pergaminho, tentando dar-se uma dose de ânimo.
Ela estava cansada e com a cabeça quente de tanto pensar, apenas isso. Se ela tomasse um banho e conseguisse uma boa noite de sono, ela poderia pegar pelo menos um daqueles inúmeros tópicos que começara a trabalhar e destrinchar um bom texto.
Ela guardou apressadamente as folhas em uma gaveta próxima, pegando a toalha, escova e sabonete para tomar o banho. Era o melhor que tinha a fazer naquele momento.
Já debaixo do chuveiro, a Fada Prensada deixou seus pensamentos viajarem nas coisas que desejava escrever, nas saudades que sentia de seu Mensageiro, da família e das mafiosas. Era por eles que ela estava lutando, ao seu modo.
Concentrada em espalhar a espuma do xampu em seus cachos, ela começou a murmurar baixinho uma música trouxa que já havia escutado seu tio músico cantar várias vezes:
-We don't need no education …We dont need no thought control…No dark sarcasm in the classroom…Teachers leave them kids alone…Hey! Teachers! Leave them kids alone!...All in all it's just another brick in the wall…All in all you're just another brick in the wall….
Era impossível não associar aquela música aos Carrow e à situação de Hogwarts. Ela acabara por se tornar um hino pessoal de Lorelai diante de toda aquela situação absurda e a ajudava a pensar no que fazer.
O mantra acabara realmente ajudando, pois, ao final do banho, já vestida com seu pijama, cabelos quase secos pela toalha felpuda, Lore já sabia exatamente qual dos tópicos ela começaria a desenvolver no dia seguinte.
O sorriso vitorioso que a grifinória tinha nos lábios morreu no instante seguinte em que viu uma ruiva, sentada na cama ao lado da sua, lendo seria e concentradamente o pergaminho onde até então estivera rascunhando suas idéias. Ela tinha certeza que pertencia a ela, pois, a cor salmão do papel não era algo de uso comum na escola. A própria Lorelai usava aquelas folhas para cartas ou textos pessoais.
Naquele instante, ela percebeu o quão descuidada estava sendo. Ela deveria ter apreendido melhor com os problemas que tiveram no ano anterior.
-Estava no chão ao lado da sua cama. Deve ter caído e você não viu – a ruiva falou, fixando sua atenção em Lore.
A jovem escritora não conseguiu responder de imediato, os olhos caleidoscópicos ainda arregalados de espanto. Contudo, diante da situação, não poderia negar aquela verdade tão óbvia.
-Sim... fui eu – ela murmurou.
A ruiva deu um meio sorriso antes de se dirigir à Lorelai.
-Quem diria que a minha nova companheira de quarto era uma das autoras do Olho do Grifo. Sempre gostei de vocês, sabia? Desde a época da Umbridge – Ginny Weasley falou, simpática – Você é quem?A Domadora de Dragões ou a Fada Prensada?
- A Fada... – Lorelai respondeu, em meio a um suspiro de alívio diante da reação de Ginny. Não que ela tivesse algum motivo para temer a companheira de quarto no que dizia respeito aos Carrow. Grande parte do susto se devia a ter sido pega em flagrante.
-Eu realmente gosto dos seus textos – a ruiva estendeu o papel para Lorelai, que o pegou prontamente – Mas você devia ser mais cuidadosa com eles, sobretudo agora.
-Eu sei, vou tomar mais cuidado, obrigada – Lorelai respondeu, guardando o texto na gaveta da cômoda junto aos demais, selando-a com a varinha que acabara de apanhar na mesma gaveta.
Lorelai sentou-se, então, na própria cama, diante de Ginny, sem saber o que falar para a companheira de quarto. Alguns minutos de silêncio se passaram antes da ruiva tomar a iniciativa novamente.
-Então vocês vão continuar escrevendo... – ela falou.
-Eu vou continuar – Lorelai respondeu em um súbito acesso de sinceridade, não via razões para esconder as coisas de Ginny agora que a moça já sabia do principal segredo . – O Mensageiro e a Domadora não puderam voltar para a escola.
-Mas você tem outras pessoas te ajudando, não? – a ruiva perguntou, exprimindo uma pontada de preocupação.
-Eu não estou sozinha nisso - Lorelai assentiu.
O sorriso amplo e convidativo se formou no rosto de Ginevra, como se uma grande idéia houvesse se formado em sua mente, o que, de fato, acontecera.
-Bem, acho que você se lembra da Armada de Dumbledore – ela começou, duvidando que Lore não soubesse do que Harry, Mione e o irmão haviam criado no ano em que Umbridge se tornara diretora, afinal toda a escola soubera do feito – Neville quer retomá-la, e, bem, eu acho besteira fazermos as coisas separadas se nosso objetivo é o mesmo. O que acha, Lorelai, de você e seus amigos unirem forças a nós?
Foi a vez, então, da moça de olhos caleidoscópicos sorrir.
-Acho que meus amigos vão gostar da idéia.
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