Como sempre, pequenas confusões de amigo oculto acabaram acontecendo. Gente descobrindo antes da hora, problemas no primeiro sorteio, gente que se confundiu e escreveu post para o amigo oculto que tirou no sorteio cancelado, enfim... confusão geral.
Mas, no fim das contas, o saldo foi positivos, ganhamos todos presentes lindos – pelo menos eu adorei todos e espero que gostem também!
A Lulu (Mina) tirou a Dhara e empolgou-se mais do que devia, escrevendo um post enorme e cheio de spoilers importantes, portanto, de comum acordo, a fic vai se transformar em um futuro arco de histórias do Expresso.
A Mina foi a primeira a entregar... a bola da vez foi a Dhara, que tirou os Pombos...
CHRISTMAS IS ALL AROUND
Herman suspirou e desviou os olhos da tela do computador por um segundo para coçar seus olhos cansados. Até o segundo anterior ele estivera absolutamente concentrado nas palavras que se formavam diante de seus olhos na tela do monitor, seus dedos debatendo-se furiosamente pelo teclado. O prazo do rapaz já estava para lá de esgotado, e Herman não era o tipo de escritor que perdia seus prazos. Pelo contrário, se tinha algo de que se orgulhava, desde seus tempos como O Mensageiro, era a quase absoluta dedicação e prioridade que dava ao seu trabalho no Olho do Grifo.
Mas não importa o quão grande fosse sua dedicação ao jornal, antes de um escritor, ele ainda era um marido. E aquele era o Natal... Seu segundo Natal desde que se casara com Lorelai, mas o primeiro que realmente passariam como um casal. No ano anterior eles estiveram separados pela guerra. Ela em Hogwarts, ele na Resistência... Foram dias solitários e sombrios dos quais ele não gostava de lembrar mais do que o estritamente necessário.
Sua vida não era o passado, mas sim o aqui e o agora, junto de sua fadinha. E aquela preparação para o “aqui e agora” havia requerido dias comprando enfeites, preparando a decoração da casa, fazendo compras para a ceia, compras de presente para os familiares, para os amigos, para a festa de Natal que teriam na editora – tudo encabeçado pelas três Mafiosas, é claro –, o que, irremediavelmente, o havia feito perder seu prazo.
I feel it in my toes,
Christmas is all around me,
and so the feeling grows
Entretanto, aquela havia sido uma maneira muito digna, por assim dizer, de perder o seu prazo. Lore estava realmente satisfeita por ter um grande Natal em família, como costumavam ser todos os Natais dos Ferris e McGuire antes da guerra, e, agora que a família havia crescido para agregar também os Smith e os Mercury, a sua fadinha estava nas nuvens.
Herman sabia que a sensação de estar novamente rodeada por uma família grande e unida era justamente o que Lore precisava para superar as decepções que havia tido no passado, primeiro com o tio, Norwood Dawson, e depois com a meia-irmã, Melinda. Lore estava buscando restaurar o pouquinho que havia sido quebrado da fé dela quando experimentou do amargo fel da traição.
E o rapaz havia prometido a si mesmo que a ajudaria naquilo, criando tantas oportunidades de felicidade quanto lhe fosse possível. E que melhor época de semear felicidade do que no Natal?
It's everywhere I go,
So if you really love Christmas,
C'mon and let it snow
Herman piscou os olhos meio irritados, decidido a deixar de lado as conjecturas e voltar ao trabalho. Faltava pouco agora, apenas amarrar a conclusão e poderia enviar o texto para o e-mail de Meri, a sua revisora designada. A ruiva tinha conexão com a internet na casa, poderia facilmente revisar o texto diretamente no computador antes de enviar para a gráfica.
O Mensageiro deu um meio sorriso ao pensar em como a tecnologia trouxa facilitava o trabalho deles. Não à toa a Marca Rubra, apesar de uma novata no ramo, já estava encontrando seu lugar de destaque. Isso e o fato de contarem com um time de escritores extremamente promissor. Quem sabe daqui a uns dois ou três anos eles pudessem levar a cabo a idéia daquela prima japonesa de Mina e expandir os negócios até o oriente...
Mas justamente quando estava da metade em diante do que deveria ser o seu último parágrafo, algo interrompeu Herman. Dessa vez, os culpados não eram os olhos do rapaz – e ele estava terrivelmente desconfiado de que a rotina em frente à tela do computador em breve lhe renderia óculos –, mas sim o seu nariz. Ou melhor, o aroma que o nariz dele captava.
Cookies. Cookies de chocolate... Lore deveria estar cozinhando para a ceia.
I always will
My mind's made up
The way that I feel
There's no beginning
There'll be no end
Cuz on Christmas,
You can depend
Herman fitou a tela do computador mais uma vez, pesando suas opções. Terminar seu trabalho ou ir ver o que sua fadinha estava aprontando e, se ela deixar, roubar alguns cookies? Ele sorriu de lado, a competição ali não era nada justa. A vantagem que Lore tinha sobre qualquer outro aspecto da vida do rapaz tornava impossível a tarefa de ignorá-la a favor de qualquer outra coisa e pessoa.
Lorelai era, e sempre seria, a primeira em tudo para Herman.
And I gave mine to you
I need Santa beside me
In everything I do
Ele girou na cadeira e levantou, deixando o computador e sua reportagem não-finalizada para trás sem um pingo de dor na consciência. Ele compensaria depois pelo tempo perdido. Depois do Natal... Afinal duvidava que pudesse dar uma finalização decente para o texto com metade da cabeça no trabalho e outra metade nos cookies de Lorelai. E Herman prezava demais seu trabalho para dar menos do que o seu melhor quando o estava fazendo.
Assim ele cerrou a porta do quarto cuidadosamente, para não fazer nenhum ruído, e avançou pé ante pé para a cozinha do apartamento. Lore estava de costas quando ele a encontrou, colocando mais uma fornada de cookies no forno – a outra, recém-assada, estava descansando no balcão e exalando o cheirinho delicioso que o havia atraído até ali.
Herman sorriu e se aproximou discretamente da esposa. Lorelai estava tão absorta em seus afazeres domésticos que sequer havia percebido o rapaz ali, até se virar e dar de cara com um par de olhos azuis-acinzentados que a encaravam com um brilho divertido. E Lore já conhecia o marido o suficiente para saber que aquele brilho nos olhos significava que ele estava planejando alguma coisa...
Mas antes que ela pudesse colocar as mãos na cintura, fazer uma cara de brava muito parecida com a de dona Liz, e cobrar explicações do pombo, ele a venceu. Herman pegou Lorelai pela cintura e ergueu ligeiramente antes de abafar o pequeno grito de surpresa dela com um beijo.
I always will
My mind's made up
The way that I feel
There's no beginning
There'll be no end
Cuz on Christmas,
You can depend
Cuz on Christmas,
You can depend
Lore tinha gosto de chocolate. Ela deveria ter trapaceado e comido alguns pedaços enquanto preparava os biscoitos – o que significava que os cookies com gotas de chocolate na verdade deveriam ter ficado órfãos de chocolate. Herman sorria quando se separaram e Lore, apesar de ter as sobrancelhas franzidas, também ostentava um sorriso.
- Posso saber a que se deve esse rompante, chuchu? – ela perguntou, com um tom de riso traindo sua fala.
Herman deu de ombros, sem soltá-la.
- Nada em especial. É só que a minha esposa fica ainda mais absurdamente linda quando está às voltas com o fogão.
Ela tombou a cabeça um pouco para trás e riu. Para Herman, o som parecia com milhares de sinos de vento. Ainda que já tivesse presenciado aquela cena tantas vezes, ele não conseguia deixar de se sentir deslumbrado a cada vez que sua fadinha ria daquele jeito tão leve, tão contente e despreocupado.
- Pois trate de não se acostumar, chuchu, eu não me casei com você para virar uma Lorella Borralheira. E não espere que a minha boa vontade na cozinha venha de graça, especialmente não no Natal. Eu espero um presente muito caro, bonito e brilhante, entendeu? – ela disse, batendo com o dedo no peito do marido para dar ênfase as suas palavras.
Herman apenas riu e não resistiu ao impulso de provar os lábios dela de novo. É claro que ele daria o mundo inteiro para Lorelai em uma bandeja de prata se ela assim o desejasse. Mas ele sabia que sua fadinha estava apenas brincando, Lore nunca se importou com posses materiais e nem jamais se importaria contanto que estivessem juntos.
It's everywhere I go
So if you really love me
C'mon and let it show
C'mon and let it show
- Apenas o meu amor por você não basta? – Herman perguntou, unindo sua testa à dela depois que se separaram por ar.
Lorelai fechou os olhos, um imenso sorriso nos lábios, e quando abriu novamente as pálpebras suas íris caleidoscópicas estavam inebriadas por uma miríade de emoções. O rapaz sentiu sua respiração falhar quando fitou os olhos da esposa.
- Isso depende. O quanto você me ama, Hermie?
Herman sorriu. Aquela era uma pergunta retórica. O quanto ele amava Lorelai? Será que era sequer possível colocar a vastidão de seus sentimentos em palavras? Quem sabe ele pudesse escrever sobre isso, sempre havia sido mais fácil para ele transmitir seus sentimentos através da pena ou da caneta do que em voz alta. Ele era tímido, isso não havia mudado, e sempre se atrapalhava quando tinha que fazer alguma espécie de discurso. Mas era Natal, e se sua fadinha queria uma declaração, então ela teria uma declaração.
- Eu te amo mais do que qualquer coisa no mundo, Lore. Eu te amo tanto que quando tivemos que nos separar eu senti como se uma parte de mim, a melhor e maior parte de mim, tivesse ido embora também. E essa parte era o meu coração, que você levou junto consigo. Mas eu te amava tanto que não perdi a fé, porque eu sabia que quando eu voltasse para você eu seria completo de novo. Eu te amo tanto, Lorelai Mercury, que se o sol queimasse amanhã eu não me importaria, desde que tivesse a sua mão segurando a minha o tempo todo.
Lorelai mordeu os lábios e os olhos castanhos dela brilharam com outro tipo de emoção. Lágrimas. Herman sentiu seu estômago afundar ao perceber que havia trazido lágrimas aos olhos de sua esposa, e se chutou mentalmente por ter feito ela se lembrar daquele período em que a vida os havia separado. Mas sua aflição se aplacou um pouco quando viu sua fadinha secar os olhos de um modo teimoso e então obliterar a distância entre eles com outro beijo.
Era um tanto estranho de se pensar, mas ele podia dizer como Lore se sentia através de um beijo. E aquele beijo doce, sereno e amoroso demonstrava que ela não estava triste. Mas sim tranqüila, segura... Certa do que tinham, do que partilhavam, e que aquilo não iria mudar, não importava quantos Natais passassem.
C'mon and let it
If you really love me
C'mon and let it
Now if you really love me
C'mon and let it show
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