Wednesday, November 19, 2008

Antes de lerem, peço desculpas, pois acabei me confundindo um pouco. Era para o post a seguir ter entrato na segunda e o da despedida dos pombos hoje. Mesmo assim, creio que não vai atrapalhar a compreensão geral dos fatos.
Desculpem novamente.
Beijos mil,
Meri


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Lucien terminou de datilografar a última linha do extenso relatório da missão da noite anterior. August Chenoweth designara o rapaz para algumas missões de campo nos últimos tempos, acompanhando outros membros da resistência. Nenhum confronto direto com os comensais, era verdade, contudo, negociar com comerciantes do mercado negro mágico ou falsários trouxas para obterem material tanto para os confrontos quanto para as crescentes extradições de "nascidos-trouxas", não era um trabalho que poderia ser qualificado como seguro.

O moreno colocou a folha final dentro da pasta, seguindo em direção à biblioteca da casa. Considerando a hora da noite, Chenoweth deveria estar às voltas com o cálice de xerez e o exemplar do Profeta Diário que uma das gêmeas conseguia enviar para o avô antes mesmo de ser posto a venda nas bancas.

- Senhor. - Lucien chamou, de forma respeitosa, fazendo com que August levantasse os olhos do jornal para encarar o rapaz. - Trouxe o relatório.

- Ótimo. Aliás, boa noite para você também, meu rapaz. Aceita uma taça? – ele perguntou com um meio sorriso, estendendo seu copo na direção de Lucien.

O austríaco meneou a cabeça em negativa, desejava conversar com seu superior e preferia fazê-lo sem beber. A ocasião pedia uma formalidade que até mesmo uma taça de licor de cereja seria o suficiente para quebrar.

- Não, muito obrigado. - ele agradeceu a oferta.

August assentiu, dobrando o jornal e estendendo a mão para receber o relatório do rapaz. Por alguns instantes, ele ficou imerso no que estava escrito, de quando em quando fazendo um assentimento silencioso para as palavras à sua frente.

- O que você achou de trabalhar com os Mercury, Lucien?

- Com toda sinceridade, senhor, eu gostei de ajudar os dois. Aprendi uma ou outra coisa, confesso. Jack Mercury pode ter um jeito aparentemente inconseqüente, contudo, ele está levando bastante à sério o trabalho de nos auxiliar no transporte dos refugiados. O que me surpreendeu mesmo foi a desenvoltura com que ele lidou com os falsários que estão nos fornecendo os "passaportes" trouxas.

O velho jornalista sorriu.

- Sempre nos surpreendemos com aquilo que somos capazes de fazer quando estamos em necessidade. – ele observou, pensativo – O tipo de gente com quem Jack tem lidado precisa sentir um pulso firme da nossa parte. Eles são mercenários, ao final das contas... Estão com quem lhes pagar mais. A guerra faz a riqueza de muitas pessoas. Escute, você sabe alguma coisa sobre Isaac Cyan?

- Ele está aqui na Inglaterra? - Lucien perguntou, sem refrear uma pontada de curiosidade.

August assentiu, sorrindo discretamente com a perspicácia do rapaz.

- E nos contatou. - o senhor admitiu.

O moreno anuiu, pensativo, ponderando o que exatamente poderia responder a Chenoweth que efetivamente sanasse as verdadeiras dúvidas implícitas naquela pergunta aparentemente tão simples.

- Cyan é discreto, inteligente e sabe perceber e avaliar uma situação. Creio que o senhor está ciente do ocorrido em Hogwarts no ano anterior, sobre os Jovens Comensais e o Olho do Grifo. A minha participação não foi tão efetiva, contudo, posso afirmar que Cyan, assim como Herman, estavam entre os cabeças das investigações, junto com Mina, Samantha Blair e Lorelai. Muito do que descobrimos se deve a eles. Inclusive, Cyan foi peça fundamental ao se aproximar do irmão de um dos comensais que atacaram as Hébridas no verão passado.

- Hum... Acha então que colocar Herman e Isaac para trabalharem juntos é uma boa idéia? Eles já se conhecem, confiam um no outro, têm um bom background...

- Eu acho uma excelente idéia, senhor, sem falar que, pelo menos na minha opinião, ter alguém familiar facilita as coisas. Traz certa segurança em uma situação tão complexa como é o trabalho na resistência.

August sorriu novamente, balançando a cabeça.

- Você acha que poderia formar um time com eles também, Lucien?

- Seria ótimo, senhor, contudo... - o rapaz começou, tentando passar firmeza, aproveitando que o próprio Chenoweth lhe dera a deixa para tratar de um assunto que há alguns dias não lhe saia da cabeça - Sei que em tese, eu não precisaria ir para Hogwarts, uma vez que sou maior de idade e posso usar magia sem atrair feitiços rastreadores. Entretanto, eu gostaria de voltar para a escola.

- Eu compreendo, Lucien. Mas você sabe exatamente o que o espera de volta lá? Severus Snape virou diretor, e, pelas informações que recebi, os Carrow foram designados professores. Não será uma trilha fácil a que você está escolhendo, mas se esse é seu desejo, eu o respeito.

- Exatamente por isso tudo que o senhor acaba de dizer, eu preciso ir. - o rapaz falou, com veemência - Meu lugar, no momento, é ao lado de Meri. Eu não posso deixá-la ir sozinha para Hogwarts. Se eu não for capaz de proteger a pessoa que mais me importa na vida, como serei capaz de proteger todos os demais? É algo temporário, até ela efetivamente se tornar maior de idade e conseguirmos uma brecha para voltarmos juntos para resistência.

O homem se levantou, balançando a cabeça em afirmativa, absolutamente sério.

- Eu estarei esperando por você, Lucien Von Weizzelberg. Da mesma forma que você me deu sua lealdade, eu lhe dou a minha. – uma pontada de humor introduziu-se nos olhos claros dele – Se eu tivesse uma espada, o faria cavaleiro agora. Mas creio que não seja o momento. Há um último pedido que eu gostaria de lhe fazer, contudo.

Lucien sorriu, aliviado com a receptividade de August a seus argumentos.

- O que meu suserano pedir, estarei ao seu dispor - ele respondeu, no mesmo tom que o velho jornalista acabara de empregar.

August voltou-se para a mesa, mexendo em alguns documentos, antes de entregar uma pasta fechada para ele.

- Há uma pessoa que eu quero que você conheça e traga para mim antes de ir embora.

O austríaco abriu a pasta, lendo com atenção o conteúdo, deixando um sorriso divertido diante do modo peculiar como Chenoweth se utilizava para colocar a situação.

-Será um prazer "conhecer" essa pessoa - foi o que Lucien respondeu, sem desgrudar os olhos dos arquivos.


Nota: Blog novo de fic na área! Para quem gosta de fics inspiradas nos eventos ocorridos durante a Primeira Grande Guerra Bruxa, vale a pena uma conferida no "Behind the mask": assueroracsama.blogspot.com

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