Sunday, October 26, 2008

Um Novo Ninho - Parte 6


Kyle afastou -se da música e da festa, caminhando para um recanto mais remoto do ambiente alegre. Ele encostou-se em uma árvore, observando o movimento das pessoas ao longe, festejando.

Não que ele estivesse insatisfeito por estar ali. Gostava de Herman. Desde que fora apresentando a ele, os dois acabaram se tornando relativamente próximos, e, Mercury chegou até mesmo, nos intervalos do trabalho que fazia com o tio, a levar o primo caçula da melhor amiga para conhecer alguns fliperamas e lan houses de Londres.

Estava contente por estar no casamento do novo amigo, mas, a presença da mãe ali o estava afetando mais do que supunha. Não era como se ele sentisse raiva dela, não mais. Contudo, havia um emaranhado de sentimentos estranhos dentro dele que ainda o impediam de se aproximar abertamente de Cassandra, ou melhor dizendo, de Lucy.

Ele ficou um bom tempo naquele lugar, ensimesmado, remoendo coisas que não conseguia evitar, mesmo em um dia de comemoração como aquele. Tão alheio Kyle estava em seus pensamentos, que só percebeu a aproximação do homem moreno e de olhos acinzentados, que trazia um copo de bebida em uma das mãos, quando este lhe dirigiu a palavra.

- Se importa em ter uma companhia? Tem gente querendo me arrastar para o palco para cantar. E, é melhor que isso não aconteça. Não posso deixar que a minha voz de taquara rachada assuste os convidados e estrague a festa dos pombinhos.

- E seria realmente uma vergonha estragar a felicidade deles. – Kyle respondeu, antes de se voltar para o homem, curioso – Você sabe dizer por que eles são os pombos? Eu não me lembro de alguém ter explicado isso...

- Você já viu um casal de pombos na época do acasalamento, ficando sempre grudados um no outro, arrulhando sem parar e coisas do tipo?

O garoto assentiu.

- Herman e Lorelai são piores. O apelido não faz jus ao grude deles dois. - Jack respondeu, rindo ao terminar a frase.

Kyle sorriu, meneando a cabeça de leve. Jack, por sua vez, aproveitou a deixa para sentar-se ao lado do garoto, erguendo os olhos para o céu escuro sobre eles. Por alguns minutos, os dois ficaram num silêncio companheiro, até que o garoto se voltasse subitamente para ele.

- Como ela está indo?

Jack voltou seus olhos para mesa onde estava sua família, concentrando carinhosamente sua atenção na morena que conversava, naquele instante, com Meridiana Johnson. Ele não precisava ser nenhum gênio para saber que o rapazinho estava se referindo à mãe.

- Ela está se esforçando. - o homem respondeu, voltando a fitar o garoto - Lucy tenta se ocupar nos ajudando na loja ou mesmo nos afazeres domésticos, naquilo que é possível para distrair a mente dela. Ela sente a sua falta, mas está tentando dar a você o espaço e o tempo que precisa.

O garoto assentiu, voltando a abaixar a cabeça.

- Eu sinto muito por não poder... ainda. – ele balbuciou, apoiando as mãos sobre os joelhos, levantando-se – Cuide bem dela por mim.

Jack aproveitou o movimento do rapaz, levantando-se também. Ele estendeu a mão para Kyle, que o observou sem compreender o gesto. O homem percebeu a hesitação do garoto, explicando-se.

-Aqui na Inglaterra, é costume selarmos um acordo de cavalheiros com um aperto de mãos.

Kyle deu um sorriso tímido, que por um segundo, lembrou Lucy à Jack. O rapazinho estendeu a mão, retribuindo o gesto.
-Então temos um acordo, Sr. Mercury.

-Jack. Para mim, Sr. Mercury sempre vai ser o meu pai. - o homem replicou, sorrindo, e, depois, denotando uma expressão mais séria, completou - Eu te dou minha palavra de honra, Kyle O'Neil, que darei o melhor de mim para cuidar de sua mãe.

-Obrigado - o garoto respondeu, sentido-se reconfortado com a promessa de Jack. Ele não compreendia as razões, mas, em seu íntimo sabia que podia confiar no tio de Herman e que a mãe estaria bem, até que um dia ele pudesse voltar para ela.

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