We are young, we are alright - Parte 4
Adhara franziu o cenho e lançou um olhar de esguelha para Lucien, de imediato o rapaz a correspondeu. Através daquele diálogo silencioso a morena percebeu, com certo alívio, que não era a única do grupo que nunca havia ido a um cinema. Lucien deu de ombros, como a demonstrar que, embora não soubesse exatamente do que se tratava, não se opunha à idéia de Sinclair.
Ele desviou os olhos de Adhara e observou a namorada, sorrindo ligeiramente ao ouvir Meri concordar mais que depressa com a sugestão de Raven. Sua satisfação apenas ampliou-se com o diálogo que começou a se desenrolar entre as duas meninas e Herman, que tentavam puxar pela memória os filmes que estariam estreando naquela semana. Aquela era a primeira vez que via a ruivinha parecendo tão leve e despreocupada desde que escapara de Ludovic. Lucien sentia como se algo pesado tivesse sido retirado de seu peito.
A jovem Ivory também sentia-se internamente satisfeita com o desenrolar das coisas. A prima estava feliz por estar novamente entre amigos, Mercury e Raven estavam sendo gentis e simpáticos consigo, e até Kyle estava se enturmando rapidamente. As peças do quebra-cabeça pareciam se encaixar perfeitamente.
- Nós três chegamos ao consenso de que a melhor opção para todos nós seria "Para Sempre Cinderella" – Herman falou em nome da turma de cinéfilos do grupo. – O que vocês acham?
- Por mim está ótimo! – Lucien respondeu, sabia que aquele era o tipo de filme que agradaria à sua ruivinha. O brilho que via nos olhos dela indicava que a moça ansiava por uma história mais leve, por um conto de fadas.
Os olhares então se convergiram para Kyle e Adhara, esperando pelo veredicto dos dois.
O garoto sorriu, relaxado.
- Parece uma boa.
Adhara cruzou os braços e olhou para os próprios pés, agora só faltava ela. E pelo jeito Lucien não poderia lhe fazer companhia daquela vez – o rapaz parecia saber o que era "Cinderella".
- Não tenho idéia do que estão falando, mas confio no gosto de vocês. – ela respondeu enfim. Tinha que confessar que sentia-se um tanto como um ramora fora d’água no momento.
- Cinderella é uma história trouxa no estilo dos contos de fadas mordentes, Dhara – Meri se pôs a explicar – Acho que tem uma versão bruxa também, mas não me lembro qual o nome dela agora. Mas acho que você vai gostar. Lembra um pouco "A Princesinha", que assistimos juntas.
A morena assentiu, compreendendo parcialmente o tom do filme a que se propunham ver. Ela gostara dos filmes que assistira na casa da prima no ano anterior, e, considerando isso e o entusiasmo que parecia vir dos demais adolescentes, ela respondeu, por fim:
- Acho que vou gostar. Vamos ver "Para Sempre Cinderella", então.
O grupo não perdeu tempo para se encaminhar até as salas de cinema, que ficavam no último andar do shopping, estrategicamente próximas à praça de alimentação. Para a sorte deles, havia uma sessão matinê começando em apenas 10 minutos. Adhara observava a tudo com curiosidade: os pôsteres imóveis de atores trouxas que chegavam a ter o seu tamanho, as bancadas onde eram vendidas os bilhetes, as catracas nas entradas das salas e, pelo jeito, ainda mais comida era vendida ali – pipoca, refrigerante, doces de todos os tipos. A moça começava a concluir que comida deveria ser algo bem importante para os trouxas.
Quando comentou aquilo com Kyle, que estava logo ao seu lado na fila dos ingressos, o garoto riu com gosto e tentou lhe esclarecer sobre a relação da pipoca com o filme. No fim das contas aquilo pareceu à Adhara mais um dos rituais trouxas que ela não entendia muito bem, mas que, no fundo, guardavam certa lógica.
Logo os seis, munidos de uma boa quantidade de comida, estavam entregando suas entradas para o funcionário do cinema e entrando na sala onde passaria o filme.
À Adhara não pareceu nada muito fora do comum: uma sala grande, cheia de cadeiras pregadas ao chão e dispostas em fileiras e uma espécie de pano branco e enorme que ficava presa a uma parede.
Meri, Raven e Herman começaram a explicar o processo de projeção para os amigos bruxos:
- Como vocês sabem, os filmes ficam gravados em rolos de fita, igual nas fitas de videocassete. Há um aparelho que fica lá no fundo e faz a projeção das imagens que estão na fita para aquela tela. – dizia Herman.
- Sim, igual no nosso terceiro ano, quando o Sen-... Hum, o Prof. Snape substituiu o Prof. Lupin nas aulas de DCAT e nos mostrou alguns slides sobre lobisomens. O processo é o mesmo, só que aqui as imagens se movem. – completou Raven.
Já tendo conhecido o aparelho de televisão, os conceitos não pareceram tão difíceis para Adhara e Lucien. Entretanto, nada poderia prepará-los para a expectativa que os assolou quando as luzes se apagaram e a enorme tela se iluminou.
No comments:
Post a Comment