Tuesday, August 12, 2008

Revelações - Parte 5


O choque foi palpável na expressão da jovem enquanto as palavras de Kamus continuavam a se repetir em sua mente. Ludovic... Um filho...

Ela levou ambas as mãos ao rosto, escondendo-o parcialmente, deixando apenas os olhos, naquele momento arregalados, a mostra. Dentre tudo o que poderia ser... Dentre todas as possibilidades... Ela nunca...

Nunca havia sequer ousado imaginar que poderia ser aquilo. Em parte porque nunca havia pensado em Ludovic Black-Thorne como um ser que fosse humano o suficiente para... Ter um filho.

- Nunca soube que ele havia sido casado... – ela balbuciou, a voz saindo ainda mais abafada de encontro às mãos, mas ainda assim audível o suficiente para o Auror.

- Porque Ludovic de fato nunca se casou, apesar de parecer ter se convencido em sua insanidade que contraiu matrimônio com a pobre mãe do garoto. – Kamus esclareceu.

Adhara o encarou com uma interrogação clara em seus olhos e o homem notou que poderia proceder com a explicação.

- Dezesseis anos atrás, havia uma garota chamada Lucy Reinfield. Ela não era tão mais velha do que você, havia acabado de se formar em Hogwarts, e, graças ao fato de conhecer as pessoas certas, ela entrou para trabalhar no ministério como uma secretária no quartel-general dos Aurores. Ela era uma boa garota, a Lucy, sempre educada, sempre prestativa e eficiente, e bastante tímida. – ele bebeu mais um gole de seu chá antes de prosseguir – Mas por causa de sua posição privilegiada, Lucy foi visada pelos Comensais da Morte... E um dia ela foi colocada sob o domínio da maldição Império, por ninguém menos que Ludovic Black-Thorne. E por dois anos ela foi mantida nesta situação, espionando para ele, ajudando-o a atrair Aldebaran para a armadilha que o matou, servindo como isca para a captura de Elizabeth... E, como agora nós sabemos, sendo forçada a manter relações com ele.

A jovem levou uma mão até os lábios ao ouvir aquilo, não conseguindo conter o espasmo de asco que percorreu todo o seu corpo, ao mesmo tempo em que sentia o estômago embrulhar-se e uma sensação incômoda de ânsia lhe subir pela garganta.

Os sinais exteriores do desconforto da garota não passaram despercebidos para Kamus, mas ele ponderou que se já haviam atingido aquele ponto e o pior do relato havia passado, o melhor seria continuar.

- Depois que Ludovic foi preso e Lucy foi encontrada por agentes do ministério, ela nos revelou tudo o que sabia e foi colocada em nosso programa de proteção a testemunhas. O ministério lhe deu uma nova identidade e Lucy partiu para a Grécia com o nome de Cassandra O'Neil, e lá... Ela deu à luz a esse garoto que você acabou de conhecer. Se ela sabia ou não que estava grávida de Ludovic quando foi embora do país é um fato que ainda ignoramos. – ele concluiu.

Silêncio recaiu sobre eles e Adhara tentou recompor-se ainda que a história a fizesse se sentir mais enojada do que já estivera em toda a sua vida. Mas tentou não focar-se no horror que deveria ter sido a vida de Lucy Reinfield à mercê do monstro que era Ludovic, e sim utilizar de uma abordagem mais prática àquela situação.

- Kyle sabe de tudo isso? – ela questionou, forçando a voz a não sair tremida, mas ainda inepta a encarar qualquer coisa que não fosse o tampo da mesa.

- Ele sabe que é filho de Ludovic, mas não sei até que ponto da história Frida já revelou a ele. – respondeu o Auror.

A garota anuiu.

- E a mãe dele...

- Ela está bem, está na Grécia. – Kamus apressou-se a tranqüilizá-la, notando que a história trágica de Lucy parecia ter sido o que mais chocara sua filha em meio aquilo tudo.

Adhara voltou a assentir e então uma constatação se fez presente dentro dela, como se fosse, afinal, a explicação mais óbvia para a presença de Kyle ali, entre eles.

Ela levantou vagarosamente seus olhos para o semblante tranqüilo do Auror, encarando-o incisivamente.

- Pai... Você planeja usar Kyle como uma isca, para atrair Ludovic? – a garota perguntou, em um tom baixo... Quase como se estivesse pedindo a Kamus que negasse aquilo, embora já soubesse de antemão que aquilo seria impossível.

Ivory encarou a filha longamente. Seria possível que Adhara já estivesse se identificando com aquele garoto, em tão poucos minutos que o conhecia?

E o modo como ela reagira à história de Lucy...

Bem, era inegável que Adhara parecia infinitamente mais... Sensível do que antes. O Auror apenas não sabia se aquilo era algo a ser comemorado ou lastimado.

Talvez fosse algo bom para Adhara, mas igualmente ruim dadas as circunstâncias em que se encontravam. Ela não poderia ser assim tão sensível em meio a uma guerra.

- Quem sabe... – ele replicou da forma mais sincera que poderia fazer no momento. E a verdade é que realmente ainda não sabia como iria usar aquele garoto – Mas já é o suficiente de Kyle e Ludovic por enquanto, há outros assuntos sobre os quais desejo lhe falar.

Adhara remexeu-se na cadeira e cruzou seus braços, esperando.

- O primeiro é Meridiana. – ele notou os olhos da filha ganharem um novo interesse ao ouvir o nome da ruivinha – Ela conseguiu escapar e foi encontrada em uma cidadezinha trouxa, Wallsburg, próxima à Muralha de Adriano. Ludovic vinha mantendo-a prisioneira no antigo palacete dos Thorne, na fronteira. Ela está acordada, está lúcida, e se lembra de tudo o que aconteceu, apenas está um pouco machucada. A trouxemos de volta para Londres e no momento ela está em observação no St. Mungus, em companhia dos von Weizzelberg. Você poderá ir vê-la dentro de algumas horas. – ele encerrou, resumindo os acontecimentos de forma satisfatória para aquietar qualquer ansiedade que Adhara pudesse nutrir.

A sonserina assentiu, sentindo-se satisfeita por saber que ao menos a prima estava bem e na companhia de pessoas que trariam alento e segurança à grifinória.

- E qual é o segundo assunto? – ela questionou, já intuindo que pela forma concisa com que Kamus abordou o resgate de Meridiana aquele não poderia ser o principal tópico que teriam a discutir.

Kamus esboçou um sorriso, apreciando o fato da perspicácia de Adhara ainda se fazer presente nela. E assim, confiando no talento dela para deduções rápidas e apuradas, ele respondeu com apenas uma palavra:

- Frida.


continua...

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