Imensidão Azul- Final
Aquilo que você não faz
Darien estava já há um tempo sem falar muito bem com o amigo, a última discussão dos dois foi boba, porém mexeu com a amizade dos dois. Era chegada, finalmente, a hora de entrar de férias e o garoto já sabia o que iria acontecer, após essa discussão ele iria para Gaspésie, sua terra natal e depois para Lyon, visitar seu pai e sua avó; se Jamal iria para a França depois disso tudo, Darien não se perguntou, para não dar motivos à sentimentos chatos nessa viagem.
Todos na escola desciam, ainda com as expressões de tristeza, junto às suas malas e pertences. Alguns alunos olhavam para o teto tentando achar respostas, soluções para os acontecidos naquele ano. Mas nada, nada os era dito.
Numa mão o menino segurava a alça de sua mala e na outra a gaiola de Serena, as carruagens para o trem eram preenchidas aos poucos por alunos com as mesmas expressões. O caminho até Hogsmeade foi silencioso, frio, insensível, prolongado e desconfortável; todos podiam sentir as pedras que se quebravam aos toques das rodas, todos se balançavam sem procurarem por uma posição menos incômoda.
Já de frente ao trem, Darien percebeu que seus amigos de Corvinal não estavam ali, nenhum deles, nem Jamal. Mais uma vez, em menos de três dias, via-se sozinho, sem ter com quem falar. Empurrou gaiola e malas para dentro numa velocidade única, e pôde sentir um corpo sendo atingido com tal velocidade; Darien pediu desculpas, mas ao perceber a cor do cachecol, verde, imaginou de um sonserino, e falou um “bem feito” bem baixinho, para que ninguém o escutasse.
Perambulando pelos corredores dos vagões, notava que as cabines ou estavam lotadas ou estavam repletas de pessoas em transe ou ainda algumas indesejáveis com vagas em excesso. Notou uma com apenas dois vultos, um ruivo, o outro loiro. Darien puxou a porta para o lado esquerdo e percebeu um rosto familiar, Lucas Hunter. Pensou em sair, mas percebeu que Luke levantou em direção à porta
- Semog!? Resolveu se misturar às pessoas? Entra, tem espaço para mais um dos largados e sem rumo. Este é Satanio Goddriac, Sonserino, mas dos bons, assim como a Raven.
- Entra aí, cara... e fecha a porta para o barulho não atrapalhar a nossa conversa - Respondeu Satanio, de modo simpático, ao corvinal de cabelos azuis.
- Er... oi, Luke... Oi, Satanio... - Disse Darien entrando na cabine, podendo perceber algumas garrafas de cerveja amanteigada numa das poltronas.
Darien ajeitou suas coisas e sentou, Satanio jogou uma das garrafas a ele, que mecanicamente deu um sorriso. Os meninos continuaram a conversar, Darien não entendia bem as palavras. Só mesmo se deu conta de que estavam falando com ele quando Luke estalou os dedos em frente aos olhos.
- Tem gente? - Brincou o lufano, que tempos atrás era inimigo mortal de Semog. - Darien, você está se sentindo bem?
- Estou, Luke... É que, sabem... - Darien via uma necessidade emergencial de desabafar e aquela era a hora. Não importa se tinha um desconhecido ali, ele precisava falar.- Ah não sei. Eu queria muito um vira-tempo, ou alguma coisa que eu pudesse usar para voltar horas atrás. Muita coisa poderia ser evitada, muitas palavras também... coisas estranhas, Luke... Muito estranhas, agora eu imagino como você deveria ter se sentido naquela época... - O corvinal baixou os olhos, não chorou, não tinha necessidade disso, mas sentiu a alma fluir.
- Parece que você veio para a cabine certa. Ao menos para desabafar. - Falou o loiro sonserino. - Embora eu não esteja como você e o amarelado aqui. - Disse Sat rindo.
Pela primeira vez, desde o início do ano letivo, Darien percebeu que realmente existia um reduzido grupo de sonserinos que valessem a pena para serem conhecidos, pelo menos três ele teve a chance de conhecer.
- Pois é, as coisas não saíram como eu planejei. Engraçado que apenas uma decisão idiota é capaz de desestruturar planos de tempos. Ninguém pára para pensar no porquê tomamos as decisões rapidamente, ninguém me perguntou o que eu sinto quando faço as coisas assim do nada... - Darien não parava de falar, os meninos perceberam que era uma crise emocional formada na cabeça azul.
O engraçado é que os três meninos daquela cabine tinham, por horas, momentos parecidos e ao mesmo tempo suas diferenças de vida podiam ser contrastadas, e cada um deles podia incorporar pedaços dessas diferenças e dispô-las entre as suas próprias vivências.
Ao aproximar de Londres, o trem fez alguns ruídos estranhos a Darien, que nunca havia percebido o quão demorada era a viagem. Talvez por estar contando os minutos para sua chegada a Gaspésie, tendo assim o início de suas férias.
- Gente, vamos logo pegar nossas tralhas e juntar tudo... Quero ser o primeiro a sair para Londres, agora que estou fora da escola o mundo me espera, ele e minha bela berinjela.
O loiro sonserino era um bon-vivant de carteira assinada, gostava de aproveitar cada oportunidade que aparecesse em sua vida. Já o lufano preferia uma vida mais tranqüila, com aventuras causadas pelo seu amado quadribol, mas serenas ainda assim. E o Corvinal gostava dos desafios que as suas cobranças acadêmicas o faziam ter por dentro de sua própria cabeça, embora soubesse aprontar como um inocente do primeiro ano em Hogwarts.
Visivelmente, Darien percebera que entre ele e Luke as coisas estavam às maravilhas, que agora possivelmente ganhara até um novo colega, pois Darien sempre tivera um minúsculo ponto de desconfiança com os sonserinos. Era tempo de seguir escadas à cima, sair da plataforma 9¾ e aproveitar o ar de dias sem aulas, dias sem professores, dias sem amigos por perto, - ... dias da falta que você vai me fazer, ele suspirou, pensando alto.
por Darien com pitacos do Sat
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Lembrando que estamos na a última semana do SEXTO ANO, preparem-se para um final de "temporada" repleto de fortes emoções
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