Tuesday, January 01, 2008

A Partida do Bardo


Era cedo demais, o sonserino pensava consigo. Devia ser umas quatro ou cinco da manhã. Provavelmente apenas os elfos deveriam estar acordados preparando o café da manhã dos estudantes.

Satanio bocejou, parando em frente a uma grande tapeçaria, entre a entrada da cozinha e o corredor que levava para as masmorras, na qual se podia ver um grande dragão branco estampado. Olhou de um lado para o outro, para ver se alguém se aproximava. Mesmo sendo tão cedo, era melhor não se arriscar.

Após certificar-se que o corredor estava vazio, ele levantou a tapeçaria, revelando a existência de uma passagem estreita. Entrou por ali. Passando as pontas dos dedos na parece de pedra, ele sentiu o pequeno sulco na parede, quase imperceptível, e que lembrava o brasão da escola. Satanio abaixou a varinha repousando a ponta no meio do emblema.

-Draco Dormiens Nunquam Titillandus - ele sussurrou.

Literalmente como em um passe de mágica, a parede se transformou em uma porta, permitindo a passagem do rapaz, e revelando um amplo salão.

O Covil do Dragão. Era como o loiro costumava chamar aquele lugar. Seu tio-avô Goodfellow lhe contara sobre o esconderijo, e, ao que constava à Satanio, até pouco tempo atrás, apenas ele conhecia o recinto.

Ele costumava levar Yvaine ali quando desejavam namorar com um pouco mais de privacidade. Depois que todos os amigos se envolveram nas investigações sobre jovens comensais na escola, o loiro achou que seria útil todos saberem do lugar.

Lusmore Mahala, inclusive, costumava utilizar o "covil" como meio de acesso à Floresta Proibida. Atrás de pesadas cortinas de veludo havia uma passagem para os terrenos externos do castelo, e, quando o bardo se entediava em ficar encerrado no QG, ele pegava a capa de Satanio e saia por ali para respirar um ar fresco.

O lugar era enorme, e Satanio sempre se perguntou o que exatamente guardavam ali nos velhos tempos. Quando o tio-avô dele era estudante, ele nunca conseguiu descerrar as cortinas de veludo. O que quer que o impedia de passar, agora havia se ido.

Goodfellow Goddriac acreditava piamente que se tratava de um dragão, como o que figurava na tapeçaria da entrada. Satanio compartilhava da mesma opinião.

-Você percebeu que a ponta está começando a desbotar?

O loiro virou para o lado, vendo que Lusmore Mahala começava a se revelar a medida que se desvencilhava da capa da invisibilidade que o cobria.

-Eu comprei de segunda mão quando fui ao Japão - o loiro se justificou - Não são tão fáceis de achar.

-Eu tenho primos no Japão, talvez eles possam arrumar uma nova para você - Lusmore disse, enquanto entregava a capa para o amigo.

-Eu gostaria muito - Satanio respondeu, fazendo uma pausa antes de continuar - Tem certeza que é o melhor que você tem a fazer, Lusmore?

O bardo estreitou os olhos, observando o sonserino com seriedade. Naqueles meses que estivera em Hogwarts, ele podia dizer que encontrara em Goddriac um verdadeiro amigo. Afinidade semelhante ele só tinha com outra pessoa, seu primo, Rylan Rostand, que estava a meio mundo dali.

Satanio era um espírito livre e zombeteiro como o próprio Lusmore, mas isso não significava que eles não agiam com seriedade quando era necessário. E aquela era uma das ocasiões.

-Não tenho outra alternativa. O que você acha que minha prima faria se eu dissesse "Mimuca, as coisas estão saindo do controle e precisamos tomar uma atitude mais séria"? É melhor eu ir assim, sem me despedir de ninguém mais.

O loiro assentiu, silenciosamente, estendendo a mão para o outro rapaz.

-Foi um prazer te conhecer, cara. As coisas vão ficar menos divertidas por aqui sem você por perto.

Lusmore apertou a mão do amigo, dando um meio sorriso.

-Também vou sentir falta. Ah! E antes que eu me esqueça - ele abaixou-se, pegando algo dentro de sua mochila de viagem. - Encontrei isso meio escondido aqui no covil da última vez que passei por aqui.

Satanio pegou o objeto que Lusmore lhe estendia. Era como uma placa não muito fina, nem muito grossa, perolada com um brilho fosco. Parecia...uma escama.

-Como domador de dragões praticamente formado, te garanto, você estava certo, havia um dragão aqui alguns anos atrás.

O sorriso do sonserino ampliou-se, adquirindo o costumeiro ar matreiro.

-Satanio Goddriac nunca se engana, quando será que os pobres mortais vão compreender isso?

Lusmore lançou um sorriso idêntico ao amigo. Pegou sua mochila, e saiu em direção às cortinas que davam acesso à Floresta Proibida.

-Boa viagem, Mahala.

O bardo levantou a mão, balançando-a rapidamente, em despedida, sem olhar para trás. Ele ainda tinha um longo caminho pela frente. Esperava que as coisas não piorassem muito até que ele retornasse.

por Satanio

ARTWORKS ATUALIZADO:Mina das Arábias pela própria e um presente para as Mafiosas, pela Cellie, que na opinião das meninas ficou perfeitoso Se quiserem conferir, basta clicar AQUI.

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