O Surto da Milady - Parte III
Depois de se separarem, de acordo com o plano Scooby, Lorelai passou algum tempo imaginando onde raios poderia encontrar Isaac Cyan. Não estava particularmente animada com a perspectiva de uma caça ao cão de guarda pela escola e sua paciência estava bem próxima de fazê-la voltar para o dormitório e arrancar Mina da cama pelos cabelos, antes de ameaçá-la com a varinha para que a domadora desembuchasse.
Mas era mais que óbvio que Mina não falaria. E embora isso requisitasse, no momento, muito do seu auto-controle, ela tinha que respeitar o desejo da amiga. Embora, definitivamente, Mina MacFusty fosse ouvir poucas e boas quando saísse de sua gaiola de panos.
Bem, a alternativa mais inteligente que tinha era simplesmente mandar uma coruja para o corvinal e mandar que ele fosse se encontrar com ela. Afinal, ela não tinha um pingo de sangue de cão de caça correndo em suas veias. E esse pensamento quase a fez suspirar.
- Por que em vez de um cão de guarda ele não é um cão de caça para ver se alcança aquela tonta? - ela resmungou para si mesma, enquanto fazia seu caminho até o corujal.
Quinze minutos depois, ela estava um pouco mais mal-humorada, um pouco mais úmida por causa da garoa que caía lá fora e um pouco (ou bastante) mais impaciente enquanto esperava perto das escadarias que levavam à torre da Corvinal.
- Lorelai? - a voz do sextanista fê-la girar nos calcanhares, deixando-a cara a cara com Isaac.
Havia qualquer coisa de ansiosa no tom dele e um ligeiro brilho de preocupação nos olhos claros. Ela sentiu uma mínima pontada de remorso por conta do bilhete curto e grosso que mandara, mas aquele não era o momento de ficar pensando nisso.
- Você sabe o que aconteceu com a Mina? - ela demandou, sem preliminares, cruzando os braços enquanto o encarava cuidadosamente.
Isaac levou alguns instantes para reagir àquela questão. Os ombros, que até então tinham estado tensos, relaxaram e a expressão dele tornou-se ligeiramente distante, mas, ainda assim, ele a encarava sem desviar o olhar.
- Sim, eu sei.
Por alguns instantes, houve apenas silêncio. Lorelai esperava que ele despejasse de uma vez tudo o que sabia, mas, aparentemente, ele não se sentia muito tentado a tanto, de modo que ela teve de voltar a perguntar.
- Então... O que foi?
Ele voltou a focalizar nela, soltando um meio suspiro exasperado.
- Eu beijei a Mina.
Ela não podia ter esperado por resposta mais direta. E, nesse momento, a jovem McGuire não tinha muita certeza se sentia-se mais surpresa ou aliviada. Entretanto, não havia muito mais o que dizer, então ela apenas assentiu, e adiantou-se um pouco, dando algumas palmadinhas amistosas no ombro do rapaz.
- Ótimo. - ela observou um tanto forçosamente, antes de repetir, como se a tentar tranqüilizá-lo - Ótimo.
- O que aconteceu, Lorelai? - ele perguntou, novamente o tom de ansiedade se infiltrando em sua voz.
A moça teve vontade de dizer que não acontecera nada, mas que aconteceria muito em breve. Quando chegasse no dormitório, ela iria chacoalhar a cabeça de Mina até que algum bom senso se instalasse por lá.
- Não se preocupe, nós vamos dar um jeito nisso. - ela assegurou, balançando a cabeça, falando mais para si mesmo do que para ele - Eu vou atrás da Sam agora e você... Apenas continue por aí, ok, Isaac? Vamos dar um jeito nisso.
A ruiva entrou no dormitório do quinto ano com o semblante sério e carregado. Tão circunspeto que talvez fosse melhor que a domadora estivesse encerrada por trás do dossel de sua cama, ou, de outro modo, poderia sentir uma pontada de medo.
Meridiana, por um acaso, encontrara com Samantha, que lhe contou o rompante de Mina. Pouco depois, Lorelai se juntou a elas, relatando o que descobrira com Isaac Cyan.
Depois de trocarem opiniões, especialmente irritadiças - diga-se de passagem, com justificativa - da parte de Lore, acabaram concordando que o melhor seria Meridiana tentar descobrir exatamente o que estava se passando na cabeça insana de Mina.
A verdade era que, pelo que as outras mafiosas falaram, a vontade de Meri era dar uns bons tapas na domadora, como Lorelai chegou mesmo a sugerir. Entretanto, Mina não era mais criança, e, exatamente por isso, a ruiva decidiu tratá-la com a idade que a caçula efetivamente tinha.
- Mina? - ela chamou defronte a cama da quintanista, não obtendo resposta alguma.
A ruiva suspirou e revirou os olhos em busca de um pouco de paciência. Não iria passar a mão na cabeça de Mina, mas de nada adiantaria esbravejar. Ela sentou-se na cama de Lorelai, encarando o dossel de modo incisivo, mesmo sabendo que a outra não teria como enxergá-la por detrás do tecido cor-de-sangue.
- Eu estou tentando entender os motivos dessa sua reação, Mina. - Meridiana começou, de modo sério e firme. - Se você não me disser exatamente o que aconteceu, vou concluir que você está sendo idiota, infantil e imatura.
Novamente, não houve resposta por parte da outra moça. Assim, a ruiva continuou.
- Eu já sei que Isaac te beijou. Lusmore chegou a essa conclusão e o próprio Cyan confessou. As meninas também sabem. E, conhecendo o Cyan, duvido que ele tenha te agarrado a força ou algo do tipo que poderia explicar o seu rompante. Então, por quê?
- Meri, por favor, me deixa sozinha. - a voz da quintanista soou do outro lado, ligeiramente roufenha.
- Sabe, um beijo não é o fim do mundo. Não significa que você tem que casar com Isaac ou algo do tipo, sabia? Imagino que deva ter sido seu primeiro beijo. Eu já passei por isso, Mina. E entendo que você possa se sentir perdida e sem saber como agir. Quando eu tinha treze anos, eu era muito parecida com você. Talvez mais séria e contida, mas eu achava que não deveria haver espaço na minha vida para mais nada, a não ser estudar. Foi quando recebi meu primeiro beijo. Liam não foi meu primeiro namorado, as coisas não passaram daquele beijo, mas, me fez perceber que crescer não era assim tão ruim. Se não fosse por isso, talvez eu nunca tivesse me permitido a ser feliz como sou com Lucien. É isso, Mina? Você tem medo de crescer? Porque se for isso, sinto muito, mas você não pode parar o tempo, por mais que queira. Você tem que parar de agir como uma meninha de cinco anos de idade e aceitar que já tem quinze anos. Eu não vou colocar você no meu colo e fazer cafuné, porque você está sendo estúpida agindo assim, e eu não posso ser conivente com isso.
Finalmente, as cortinas do dossel se abriram, revelando a face amarfanhada de Mina. Os olhos da domadora estavam injetados, o nariz vermelho escorria e o rosto manchado de lágrimas estava mais pálido do que de costume.
- Eu sinto muito se você realmente pensa que eu sou tão imatura a ponto de... - um soluço baixo a impediu de continuar e ela abaixou a cabeça, mordendo com força a ponta dos lábios - Não é tão simples...
continua...
por todos acima
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