Tuesday, December 11, 2007

Conversa de Cavalheiros - Parte 2



A passagem se abriu e fechou, sem que ninguém, aparentemente, passasse por ela. Deitada no pufe laranja, com as pernas cruzadas para cima, apoiadas no espaldar do sofá, Mina sequer piscou quando, do nada, a figura de Lusmore surgiu, encarando-a com uma sobrancelha arqueada.

- Essa não é a posição de uma dama de sentar. – ele observou, começando a dobrar a capa de invisibilidade de Satanio.

- Eu estou de short por debaixo da saia. – Mina retrucou – E não estou me sentindo muito como uma dama no momento. Na verdade, eu tinha esperanças de virar uma pedra.

O tom dela era ácido. Interessante... Depois do que acontecera dois dias antes, ele achara que a prima ia ficar feito uma taturana assustada, recolhendo-se em torno de si mesma cada vez que alguém tentasse se aproximar. Talvez o fato de Meridiana ter conversado com ela...

Não... Observando agora o olhar da grifinória, ele percebeu que a mente dela não estava, no momento, focada na história com o Cyan. Aquele olhar que era uma mistura de tristeza e determinação queria dizer outra coisa.

- O que aconteceu dessa vez? – ele perguntou, enquanto se dirigia para trás do biombo, largando a capa sobre a cama.

- Eu encontrei David Fenwick agora de manhã. – ela respondeu, seguindo-o – O pai dele veio buscá-lo. Ele foi embora de Hogwarts.

Lusmore voltou-se para ela.

- Ele tratou você mal?

- Ele fingiu que eu não existia. – Mina retrucou, cruzando os braços e apoiando-se ao biombo.

O rapaz suspirou, sentando-se na cama e encarando-a com cuidado.

- Talvez seja melhor assim. Uma hora ele vai perceber que você falou a verdade. De qualquer maneira, você não deveria estar preocupada com outro corvinal?

O rosto de Mina parecia agora estar em brasas.

- Por Merlin, a quem contaram tanto essa história? – ela resmungou, fazendo uma careta.

- Ia acontecer mais cedo ou mais tarde e todo mundo já tinha percebido isso. Exceto, obviamente, por você. – ele completou, com um sorriso sardônico.

- Obrigada pelo consolo. – ela retrucou, sem mudar a expressão.

- É minha prerrogativa. – nesse ponto, o sorriso tornou-se mais gentil – Você sabe, Mina, se você se permitisse, eu tenho certeza que você gostaria do Cyan.

- Pelo menos você tem consciência de que eu não gosto dele agora. – ela observou – E não estou com muita vontade de deixar isso mudar agora. E você não vai dar uma de casamenteiro, não é? Já me basta as meninas. Meri as convenceu a ficarem caladas, mas eu estou quase para sair correndo da Lore e da Sam, com seus olhares de reprimenda.

- Receio que essa também seja uma prerrogativa minha. – ele respondeu, levantando-se, enquanto o som da passagem se abrindo de novo se sobrepunha à voz dele – E, se eu fosse você, ficaria quietinha agora. A não ser que eu esteja muito enganado, ele acabou de chegar.

por Mina

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