Conversa de Cavalheiros - Parte 1
Ele estava deitado no sofá, usando a capa de Satanio como cobertor, o que tornava a cena, no mínimo, insólita. Do tronco para cima, lá estava ele, os braços cruzados atrás da cabeça. Do tronco para baixo, nada visível. Parecia muito concentrado no que quer que estivesse pensando, pois não percebera a chegada dela. E, por mais silenciosa que a pessoa fosse, Lusmore sempre sabia exatamente quando e quem estava se aproximando.
E ele realmente estava imerso em profunda concentração. Os olhos azuis estavam nublados, como se viajassem a algum ponto muito distante dali; o rosto geralmente sorridente e malicioso apresentava uma expressão séria. A mesma expressão que ela entrevira no dia anterior.
- E então, conseguiram arrancar alguma coisa dela?
Sam quase se assustou com a repentina pergunta, ao mesmo tempo em que o rapaz aprumava-se, sentando-se no sofá, fazendo com que a capa caísse e ele voltasse a ter um corpo afinal.
- Quer me matar do coração? - Sam colocou a cesta de comida, que quase caiu no chão, na mesa.
- Você não veio só para me trazer comida, não foi? - Lusmore perguntou novamente. - O que ela disse?
A lufana se encostou na mesa e suspirou levemente. Tinha ido até lá para ver como Lusmore estava, já que ele acertara o que tinha acontecido e mais cedo ou mais tarde ele saberia que Isaac tinha realmente beijado Mina.
- Ela não disse. A Meri conversou com ela, e pediu que a gente a deixasse em paz. Mas...
- Cyan mesmo confirmou, certo? - ele completou a fala de garota.
- Foi... Eu vim te contar e saber como você está. Afinal, até agora você não falou nenhuma piada e nem sorriu.
O bardo olhou para a garota a sua frente e viu que nos olhos dela não tinham pena, somente um sentimento de preocupação. Não pode deixar de dar um pequeno meio sorriso.
- Não vou me matar, nem me tornar um poeta byroniano. - ele respondeu, num tom mais ameno - Sabe dizer se ao menos ela está comendo?
- Você acha que eu estaria me preocupando em trazer comida para você se não tivesse providenciado o dela primeiro? - ela perguntou, cruzando ligeiramente os braços.
Ele assentiu.
- Não se preocupe. Amanhã ela estará de volta ao normal. Aliás, vai estar mais normal do que nunca. - ele resmungou, um tanto contrariado - Em suma, ela vai fingir que não aconteceu nada e vai fingir com o dobro das forças que está tudo bem com ela. O melhor a fazer, embora seja o mais estranho, seria fingir junto com ela que ninguém viu ou soube de nada. Se vocês a pressionarem, ela vai continuar enfiada na cama.
Sam sabia disso e mesmo tempo achava que não conseguiria ficar sem falar com a Mina sobre o que aconteceu. Não achava nem justo com Isaac ela fazer isso e, como sua amiga, a lufana tinha que sacudir a domadora.
- E você vai continuar aqui? Porque, admito, que vamos torcer que ela finalmente se acerte com o Cyan.
- Isso não muda o fato de que a Mina está metida em problemas até o pescoço. - Lusmore respondeu, apoiando os braços sobre as pernas, ficando ligeiramente encurvado - E eu não vou ficar sentado de braços cruzados só porque ela arranjou um "cavaleiro de armadura brilhante". Não digo que ele é incompetente, mas Cyan ainda não é formado e vocês não são exatamente páreo para algum comensal.
- É verdade...
A lufana ficou na dúvida se continuava no assunto ou não. Apesar de Lusmore saber bastante sobre o que estava acontecendo, seus olhos estava mais focados no Olho e nos comensais e ela, apesar de estar ajudando com no jornal, estava atualmente fazendo uma investigação própria e diferente e ainda não tinha falado com ninguém além das mafiosas.
- O que foi? - O bardo percebeu que Sam não só falara pouco como seus olhos e pensamentos saíram dali.
- Hã? Ah, é outra coisa que me passou na mente. - a garota piscou tentando voltar sua mente para o assunto em questão. - Você não vai fazer nada com o Cyan, vai?
Lusmore sorriu, insinuante.
- Como desafiá-lo para um duelo ou algo do tipo? Não faz meu estilo. - ele respondeu - Mas eu gostaria de conversar com ele sim. Se fosse possível, aliás, gostaria que você o convidasse para um chá comigo, Samantha.
Tentando segurar um sorriso que teimou em aparecer no seu rosto, a lufana não resistiu.
- Tomar um chá com o Cão? Devo deixar luvas de pelica na mesa junto e retirar a varinha de vocês?
- Eu não uso varinha, Sam. - ele lembrou a ela - Está simpatizando comigo e tirando as defesas do "Cão"?
- Claro que não. Sei que você será honrado o suficiente para não usar magia se ele não pode se defender.
Sam sentou na cadeira e cruzou a perna, fazendo uma pose pensativa.
- Agora me diga por que EU devo chamar o Cyan? Até a Meri tem mais intimidade com ele. Acho que eu ficaria com vergonha... - ela estava se divertindo com o pensamento do Lusmore conversando educadamente com Isaac.
- Primeiro, até onde eu sei você não sabe o que é ficar com vergonha. Segundo, porque, na minha atual posição, eu tenho de fazer o papel do Godfrey e descobrir quais são as reais intenções do Cyan com a minha prima. - ele respondeu, tentando soar sério - Se as intenções dele forem honestas, então, eu abençoarei essa união. Isso não significa, obviamente que eu vá ajudá-lo. Só não pretendo ficar no caminho.
- Está quase me convencendo...
- O que você quer afinal? - Lusmore riu ao ver a outra brincando com ele. - Um beijo meu?
- Nada e menos ainda um beijo seu. Eu só queria ouvir seus argumentos. Ia fazer desde o primeiro momento que gostei da sua idéia, só estava me divertindo.
A lufana se levantou e se despediu do bardo, iria fazer o que ele pedira. Antes de sair, ela ouviu Lusmore a agradecer com seu sorriso galanteador aberto. Sam sorriu, ele ao menos estava voltando ao normal.
por Sam e Mina
Nota: O blog de Fics, Hogwarts Past voltou à ativa. Com uma proposta diferenciada, as histórias se passam na década de 1940, época em que a Câmara Secreta foi aberta pela primeira vez. Para conhecerem o trabalho deles, basta clicarem no buttom abaixo:
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