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Tuesday, December 30, 2008

 

Winter Wonderland


de Sat para Mina


sleighbells ring, are you list'nin?
in the lane snow is glist'nin
a beautiful sight
we're happy tonight
walkin' in a winter wonderland!



O ano passara muito rápido e já era natal. Essa era a visão de quase todos que arrumavam as Hébridas para as festividades, mas para as crianças que aguardavam aquilo o ano todo, o tempo passou muito, muito devagar.

Kieran fazia parte do grupo que olhava o calendário todos os dias, esperando ansiosamente o grande dia, afinal natal era igual a muitos presentes.

Naquele final de dia Mina arrumou seu irmão para andarem pela vila.

- Kieran, não esquece de levar o seu cachecol. O sol já esta se pondo e vai ficar mais frio. – Ela falou parada na porta esperando o irmão.

- Vou pegar...

O som de um sino familiar fez com que o menino de quatro aninhos sorrisse para a irmã e corresse para fora da casa.

- Trenóóóó!!!! – Ele gritou ao passar pela porta


gone away is the bluebird
here to stay is the new bird
he sings a love song
as we go along
walkin' in a winter wonderland!



Mina virou os olhos e ao mesmo tempo abriu um sorriso bobo e orgulhoso. A cada dia ele estava mais esperto e sapeca. Ela pegou o cachecol de Kieran e saiu de casa rapidamente, antes que ele decidisse andar sozinho pela cidade.

Ela acomodou o menino no trenó que chamara especialmente para aquele dia e sentou ao lado dele, estavam prontos.

- Espere um pouco. – Ela falou para o condutor.

A domadora pegou uma folha azul e escreveu rapidamente nela. Com a habilidade de quem já fizera aquilo algumas vezes, ela dobrou o papel rapidamente e, para a felicidade de Kieran, surgiu um pequeno pássaro de papel azul.

Com um leve sopro dela, o pássaro saiu da sua palma da mão fazendo seu caminho pelo céu, sendo aplaudido com força por Kieran.


in the meadow we can build a snowman
then pretend that he is parson brown
he'll say, "are you married?"
we'll say, "no, man!
but you can do the job when you're in town!"



Por meia hora os irmãos passearam juntos, Kieran observando tudo e todos e Mina observando seu irmão caçula. Ela não tinha como negar, ficava sempre com aquele olhar encantado quando o via.

- Vamos parar por aqui e fazer um boneco de neve? – Ela sugeriu para o garoto que já se levantava pedindo para pararem.

Os dois se divertiram montando o grande boneco de neve que, na opinião da domadora, iria cair a qualquer momento em cima de Kieran. Ela não sabia dizer como conseguiram montar um boneco maior do que o menino, quase do tamanho dela.

Um senhor que passava olhou a cena e sorriu, o sentimento de natal estava no ar. Brincando ele falou com os dois.

- Parabéns pelo boneco, ficou muito bonito. Vocês formal um belo casal. – Ele falou rindo.

Kieran andou até o senhor e falou seriamente, como o homem da família deve fazer.

- Não sou casado com a Mina, ela pertence ao Isaac. – Ele falou com o tom de voz forte. - Ela é minha irmã mais velha. – Ao terminar de falar o sorriso do menino estava de volta à face.


later on we'll conspire
as we dream by the fire
to face unafraid
the plans that we made
walkin' in a winter wonderland!



Kieran se despediu do senhor e voltou para sua irmã. Olhou orgulhoso para o grande boneco que fizeram, capricharam. Ele virou para Mina, mas antes que pudesse falar algo sentiu uma pancada gelada em seu ombro. Pelas risadas que vinham o menino soube imediatamente o que acontecia e rapidamente se jogou atrás de uma arvore, tinha que visualizar seus inimigos.

Bolas de neve voaram cruzando o boneco de neve que assistia a tudo esperando o momento em que seria acertado também e cairia. Para a sorte do boneco, as crianças tinham boa mira e se esforçaram para não derrubá-lo.

Mina esperou pacientemente todos se cansarem e acendeu uma fogueira, esperando que todos se sentassem com ela. O primeiro a se jogar ao seu lado foi seu irmão que encostou sua cabeça no ombro dela. Todas as crianças, e para a surpresa dela eram muitas, sentaram. A domadora olhou novamente para o boneco de neve e ficou espantada por ele ter escapado intacto.


in the meadow we can build a snowman
and pretend that he's a circus clown
we'll have lots of fun with mr. snowman
until the other kiddies knock him down!



Após um final de dia cansativo, Mina deitou Kieran no seu colo para voltarem ao solar. Não ficaram tanto tempo fora, no máximo, duas horas, mas fora o suficiente para o menino dormir profundamente nos vinte minutos de volta para casa.

- Ele nem desconfiou que minha principal missão fosse mantê-lo longe e casa... – Ela sorriu enquanto brincava com os cabelos dele, fazendo um cafuné. – Acho que exagerei e ele não vai conseguir acordar quando chegarmos...

A domadora ficou na duvida no que fazia, não esperava que fossem ter tantas aventuras no pouco tempo que saíram.

- Bom, não há o que fazer. Se não tem remédio, remediado está. Amanhã ele verá o presente...

O trenó parou na porta do solar e Kieran abriu os olhos levemente para se levantar e ir para sua casa, principalmente seu quarto. O sono era tanto que Mina achou que seus olhos nem iriam abrir para ver o que estava a sua frente.

Dando um grande susto em Mina, Kieran saltou do trenó gritando.

- AAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!

Na frente de sua casa estava um grande boneco de neve.

Mina pedira ajuda aos seus amigos para fazer uma surpresa para seu irmão. Sabia que o seu pedido iria requerer muitas mãos e algumas varinhas.

A montagem toda tinha quase o tamanho da casa. O grande dragão estava parado na frente da casa e estava sendo domado pela pessoa mais importante naquela época: Papai Noel!

Kieran voltou correndo e puxou Mina para correr com ele. Os olhos do menino brilhavam excitados enquanto observava cada detalhe dos grandes bonecos de neve.

O sorriso largo e aberto no rosto de seu irmão fez Mina olhar feliz agradecendo a todos que estavam ali sentados, todos os seus amigos que ajudaram a dar aquele presente único e especial para o seu pequeno rapaz único e especial.


when it snows, ain't it thrillin'
though your nose gets a chillin'?
we'll frolic and play
the eskimo way
walkin' in a winter wonderland!
walkin' in a winter wonderland!


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Sunday, December 28, 2008

 

Another White Christmas


de Raven para Meri


Nota Explicativa: Como eu mencionei na abertura das fics de amigo oculto, tivemos um pequeno problema e fizemos dois sorteios, e, acabou que a Rav, que havia tirado me tirado no primeiro e tirado o Sat no segundo, só recebeu o primeiro sorteio e, no fim das contas, ganhei dois presentes.

Eis meu segundo Natal Branco...


Meridiana colocou de volta sobre a toalha de mesa festiva o belo Arcanjo que a enfeitava, e novamente não pôde deixar de sorrir ao vê-lo: em vez da tradicional espada, o anjo portava um sabre de luz em miniatura. Arrumação de seu pai, Nicholas Johnson.

Também fora arrumação dele, ainda que indiretamente, servir a ceia antes da meia-noite. Apesar de a sugestão ter sido de Meridiana, a verdadeira motivação foi o repetido beliscar travesso de Nicholas às travessas, e a ruiva não se incomodou em quebrar a tradição em favor da fome do pai. Combinaram apenas de manter a abertura dos presentes para o dia seguinte, mesmo porque vê-los embrulhados ao pé da árvore aguçava deliciosamente a curiosidade.

Meridiana fitou carinhosamente o pai. Ele a ajudara com a louça do jantar, e depois foi sentar-se no beiral da janela, observando a noite. A jovem sabia o quanto Nicholas ficava feliz por tê-la em casa no Natal, mas também sabia o quanto ele sentia falta de Elizabeth Johnson, principalmente nessas datas. Provavelmente era na mãe de Meri que ele pensava naquele momento.

Uma canção encheu o ar, vinda de alguma casa da vizinhança. Meridiana sorriu de leve ao ver o pai fechar os olhos e cantá-la num tom levemente desafinado:

I'm dreaming of a white Christmas
Just like the ones I used to know
Where the tree tops glisten
And children listen
To hear sleigh bells in the snow


I'm dreaming of a white Christmas
With every Christmas card I write
May your days be merry and bright
And may all
Your Christmases be white


Meri caminhou até a janela e sentou-se do outro lado do peitoril; Nicholas abriu os olhos e sorriu ao vê-la. Continuaram, juntos, a canção:

I'm dreaming of a white Christmas
Just like the ones I used to know
Where the tree tops glisten
And children listen
To hear sleigh bells in the snow


I'm dreaming of a white Christmas
With every Christmas card I write
May your days be merry and bright
And may all your Christmases
May all your Christmases
May all your Christmases
May all your Christmases be white


I'm dreaming of a white
Christmas with you
Jingle Bells
All the way, all the way


- Obrigado, Pimentinha, por me ajudar com a música – disse Nicholas, com um brilho divertido no olhar – Afinação nunca foi o meu forte... Aliás, sua mãe costumava dizer que se eu escrevesse como eu canto, estaria perdido.

- Que exagero, pai - comentou Meridiana, rindo.

- Sabe, Meri, sua mãe adorava canções de Natal trouxas. Sabia todas, algumas até que nem eu conhecia. Essa que cantamos era a sua predileta; era ao som dela que Elizabeth gostava de pendurar os enfeites e as luzes na árvore – lembrou Nicholas.

- Como vocês comemoravam o Natal, pai? – perguntou Meridiana, aproveitando as memórias de Nicholas.

- Geralmente aqui no mundo trouxa, mesmo, já que um Natal em família com os Black-Thorne estava definitivamente fora de cogitação... Porém, Elizabeth quebrava um pouco as regras e me levava para ver a decoração de Natal das lojas do Beco Diagonal. A propósito, até hoje não sou capaz de compreender como vocês conseguem se orientar naquele espaço tão pequeno e tão lotado!

- Com o tempo a gente acostuma e passa a achar muito divertido – comentou Meri.

- Imagino... Mas, como eu dizia, eu e Elizabeth geralmente passávamos o Natal em casa, como passamos hoje. Não era preciso muita coisa para que nos sentíssemos felizes.

Ele olhou para a noite estrelada e ainda iluminada por alguns fogos de artifício, e um sorriso deslizou por seus lábios.

- Houve uma vez em que fizemos algo diferente – ele retomou, sem deixar de sorrir – Sabe aquele pequeno parque que tem aqui pertinho, que você chama de Jardim Secreto? Lá tem um pequeno lago que sempre fica congelado nessa época do ano.

Meridiana anuiu.

- Pois houve uma noite de Natal em que Elizabeth cismou que a ocasião merecia uma forma diferente de celebração: precisávamos ir até lá e patinar.

- Patinar? Na noite de Natal? - duvidou Meri, divertida.

- Sim, Pimentinha, pois a noite estava linda, sem neve, exatamente como hoje... E, por acaso, os patins ainda estão guardados dentro da parte de cima do meu armário – emendou Nicholas, com um brilho irresistível no olhar que dirigiu à Meridiana.

- Hm, pai, tem certeza disso? Patinação não é bem o meu forte... – começou Meri.

- Jovem Padawan, o que isso é? De si não duvide, tenha na Força fé e tudo o que desejar você de fazer será capaz – Nicholas pronunciou, com ar solene, fazendo Meridiana rir – Além do mais, jovem Princesa, que risco você correrá sob a proteção de seu Cavaleiro Particular?

A ruiva cruzou os braços, deitou a cabeça um pouco de lado e fitou o pai com uma sobrancelha erguida.

- Me dê só um minuto – pediu Nicholas, saltando do parapeito e sumindo corredor adentro. Poucos minutos depois retornou com os dois pares de patins pendurados no ombro e com casacos, gorros e luvas para si e para sua filha.

- E então? Vamos? – chamou, sorridente, estendendo as roupas para Meri e pegando a chave do carro.

Meridiana anuiu, e em pouco tempo chegaram ao lago congelado. Estava tudo muito calmo e silencioso, como se fosse um cenário de sonho que se desenhara apenas para eles. Pai e filha calçaram os patins e Nicholas, segurando firme as mãos de Meri, deslizou com ela pela superfície gelada.

- Vamos lá, Pimentinha! Afinal de contas, por que só Papai Noel tem o direito de deslizar por aí na noite de Natal? – brincou, divertido. E, em pouco tempo, pai e filha patinavam à vontade, equilibrando e desequilibrando-se numa coreografia estranha, posto divertida.

De repente, a neve começou a cair suavemente, em macios flocos algodoados.

- Hm, neve não estava prevista no roteiro – comentou Nicholas, entendendo a mão enluvada para capturar alguns flocos.

- Bem, pai, talvez desta vez haja neve por ser a nossa versão da história – comentou Meri, em meio a um sorriso.

- Sim, Pimentinha, você tem razão... E nessa nova história há espaço no roteiro para incríveis batalhas de bolas de neve? – perguntou Nicholas, simulando um ar sério e profissional.

Meridiana virou os olhos. Nicholas riu.

- Como quiser, pai – ela respondeu, sorridente. Porém, eu faço questão de manter a trilha sonora.

- Perfeitamente, senhorita. Podemos ensaiá-la, enquanto a batalha não começa?

Meridiana anuiu e, deslizando juntos pelo gelo, de mãos dadas, pai e filha retomaram a canção de Natal preferida de Elizabeth Johnson – e, por que não, deles também:

I'm dreaming of a white Christmas
Just like the ones I used to know
Where the tree tops glisten
And children listen
To hear sleigh bells in the snow

I'm dreaming of a white Christmas
With every Christmas card I write
May your days be merry and bright
And may all
Your Christmases be white

I'm dreaming of a white Christmas
With every Christmas card I write
May your days be merry and bright
And may all your Christmases
May all your Christmases
May all your Christmases
May all your Christmases be white

I'm dreaming of a white
Christmas with you
Jingle Bells
All the way, all the way


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Friday, December 26, 2008

 

Let it snow


de Darien para Raven

Sem planejar, deixaremos acontecer.

Apesar do vento gelado, era um clima agradável. Por mais que as pessoas parecessem frias externamente, em seus interiores o sorriso e a alegria de estarem juntas as uniam num círculo incandescente.

Alguns casais caminhavam a esmo, como se não tivessem um lugar para onde ir; mesmo assim não se importavam com o clima, com a nevasca. As mãos deles se cruzaram, se tocaram, se sorriram. Era visível a olhos nus, de qualquer espécie de ser, a felicidade da Sonseria e do Lufano. Mesmo alguns anos após a adolescência escolar, o rapaz ainda se sentia como um, e era correspondido por Raven com a mesma intensidade.

Ao chegarem a casa, colocaram as compras para o Natal na cozinha. Enquanto Raven preparava coisas, e Luke limpava a entrada da sala que se sujara com a neve e acendia a lareira, a sonserina pegou-se a uma lembrança do passado. Mais precisamente, no primeiro ano deles fora de Hogwarts, quando as coisas do mundo bruxo iam a perfeito estado.

Nevava naquela mesma época, e ainda era final de Outubro. Raven estava radiante com o novo lar que ela mesma havia conseguido comprar, resolveu convidar os amigos mais íntimos para uma festa, e isso incluía Luke, quem não via desde a época a escola.

Na sexta daquela mesma semana, todos se encontraram e Raven pôde ver novamente o amigo cigano. Estava nevando, nevando forte. Apesar de tudo, Raven sentiu-se feliz em ver o amigo, achou-se estranho por repará-lo de uma forma.... um tanto quanto diferente, fora do campo amigável, mas ainda com um sentido bom no olhar. Ele estava mudado, pensou a menina, mas o que seria? Os cabelos? Estaria Luke se exercitando? Não! Era ela quem havia mudado, deixou de lado os preconceitos e apelidos que ganhara em Hogwarts, e passou a notar mais no amigo tão presente.

Convidaram-se novamente para uma passada pelas ruelas de Glasgow, na Escócia. Nada muito formal, nada muito romântico, nada muito estranho; eram apenas dois amigos conversando, se olhando, se dando as mãos, se reaproximando.

- Luke, parece que vai começar uma tempestade daquelas, não acha melhor corrermos?

A menina previu o que aconteceria, antes que pudessem chegar a qualquer lugar mais seguro contra a neve, estavam os dois cobertos por flocos brancos e estavam longe da estação de trem. Entraram numa galeria repleta de gente com alguns embrulhos em mãos, já se aproximava do Natal. Na galeria, da vitrine das lojas não se via nada além de gente correndo de um lado par ao outro, era uma liquidação, algo que fazia os trouxas agirem mais loucamente do que o comum. No corredor principal, uma música antiga embalava as compras.


“Let it snow, let it snow, let it snow.

It doesn’t show signs of stopping

And I’ve brought some corn for popping

The lights are turned down low

Let it snow, let it snow, let it snow.”



Era mágico o que os dois estavam vivenciando naquele momento, se juntaram à multidão numa dessas cafeterias. Conversaram, deixaram-se levar pela cômica visão que tinham de pacotes das mais variadas cores, comentários em tantos tons de voz. Apenas se entre olharam e deixaram fluir toda aquela vontade presa que seguravam até então. Beijaram-se. Foi o primeiro beijo deles que reacendeu a chama de antes.

- Rave, escute isso!

Era a mesma música, a neve voltava a cair dentro da sala onde Raven e Luke estavam se olhando. Um sorriso infantil apareceu no rosto dos dois.



“When we finally say goodnight

How I’ll hate going out in a storm

But if you’ll hold me tight

All the way home I’ll be warm”



Embora a música estivesse por acabar, eles se admiravam sem dizer uma única palavra, sem mover um músculo, apenas por sorrirem. Não tinham para onde ir, como dizia a música. Apenas deveriam deixar acontecer.



“The fire is slowly dying

And my dear we’re still goodbying

Long as you love me so

Let it snow, let it snow, let it snow.”



Realmente o fogo estava por acabar, e eles nem ainda começaram a se despedir, mas ainda davam tchau um ao outro, como na época em que Luke visitou Raven pela primeira vez. Dali em diante, todos os dias foi assim despreparado, organizadamente desorganizado. Eles apenas deixariam a neve cair e a aproveitariam ao máximo que pudessem.


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Winter


de Selune pra Darien

I should know who I am by now
I walk the record stand somehow
Thinkin' of winter
The name is the splinter inside me
While I wait



Darien caminhava sem pressa para a torre da Corvinal, as mãos enterradas nos bolsos até os pulsos, mergulhado até o pescoço em seus próprios pensamentos. Tão pouco tempo, tanto havia mudado e agora era difícil estabelecer todas as fronteiras que definiam quem era ele. Um rapaz recém chegado de um lugar estranho, outro planeta além das ilhas britânicas, a cor dos cabelos, um marco da mudança, uma referência explícita, um tanto não intencional cheia de intenção, da casa de Rowena Ravenclaw.

Veio do Canadá com o firme propósito de fazer tudo diferente: já que a mudança era inevitável, as coisas tinham de melhorar. A vida de seus pais não podia ficar mais complicada, sua vida não poderia ficar mais complicada e, por Merlin, ele, um garoto de pouco mais de uma década merecia um roteiro de vida com mais romance, um pouco menos de questões existenciais.

And I remember the sound
Of your November downtown
And I remember the truth
A warm December with you


"Mon Dieu" - pensou o corvinal - "commant posso dar uma virada se tudo o que faço é girar 360º graus e acabar, como no começo, olhando para o mesmo lugar, para trás, para... casa?”

Balançou a cabeça para reorganizar sua cabeça: precisava entender que o Canadá não era mais sua casa, sua vida não era mais a mesma e era vital se acostumar e tratar de sobreviver. Em quê isso poderia ser tão difícil?
Olhou por cima dos ombros em direção às mesas onde há apenas alguns minutos pudins, tortas, suspiros, mariolas e outras guloseimas, alguns alunos entoavam uma canção natalina, enquanto outros se empenhavam em não deixar uma migalha sequer como prova do surto de gula, sorrindo, se cumprimentando, as bochechas rosadas por causa do friozinho persistente e dos excessos de cerveja amanteigada.

Eram todos rostos que não conhecia bem, nomes que ainda não sabia dizer de cor, rostos que emolduravam sorrisos que escondiam histórias que poderiam ser um sem número de adjetivos.

Mesmo que se conhecessem há mais tempo, mesmo alguns que fossem amigos desde o primeiro ano na escola, todos eram mundos à parte, cada um senhor de um universo particular escondido sob o véu onde se podia ler apenas a superfície óbvia: nome de casas, pureza de sangue, posses, cargos no time de quadribol, esforço de proximidade com o garoto que sobreviveu, ódio ao garoto que sobreviveu.

E bem lá no fundo, soterrado por camadas e camadas de rótulos, um mistério ainda restaria e isso faria de cada um único num mar de estranhos numa terra estranha, compartilhando parte de suas histórias, tentando aproveitar do melhor jeito esse momento.

But I don't have to make this mistake
And I don't have to stay this way
If only I would wake


Um suspiro escapou do peito enquanto mirava o teto desfazendo-se em neve encantada. Um esboço de sorriso tilintou no canto de seus lábios: a cena não seria presságio de coisas ruins. O céu seria sempre o mesmo, ainda seria o céu natalino, onde quer que ele estivesse. Era isso, então, o que ele tinha de ter diante dos olhos: estava numa das mais antigas escolas de magia e bruxaria do mundo, com toda sua grandeza, sua história – história que, agora, era dele também. Seu lar era onde seu coração fixasse morada e seu coração romântico estava já se afeiçoando às velhas paredes de Hoggy. Um jeito simples de adquirir contentamento, isso é o que era!

Já andava a pequenos trotes quando percebeu que já havia passado pela aldrava de bronze em forma de águia e respondido qualquer coisa sobre os mundos dentro dos mundos.

No aconchego da sala comunal, escorregou para uma poltrona bem próxima às grandes janelas em arco que davam para as montanhas. A neve dançava lá fora, um ballet branco e de compasso suave que projetava pequenas sombras no tecido de seda azul e bronze das paredes, todo o lugar se enchendo de líquida luminosidade.

“Eu devo me misturar bem à composição de cena por aqui...” ele passava a mão pelos cabelos, meditando a respeito da sobreposição de tons de azul combinado às estrelas pintadas no teto. “Isso pode ser útil se um dia precisar me esconder da Murta.” – mentalmente tomou nota deste ponto de relevância para sua vida futura.

- Cara, você definitivamente combina com a decoração, eu devo dizer...

The walk has all been cleared by now
Your voice is all I hear somehow
Calling out winter
Your voice is the splinter inside me

While I wait


Em seu solilóquio ton sur ton não havia percebido que a poucos metros de sua poltrona, junto à janela em arco, havia uma profusão de almofadas aglomeradas num pufe improvisado sobre o tapete azul meia-noite. Afundado em meio a este trono de rei plebeu, observando-o através do reflexo nas vidraças, um jovem de olhos castanhos brilhantes, sorriso fácil e o rosto mais amistoso que vira nestes primeiros meses em Hogwarts.

- Jamal Keene. – o estranho se apresentou, acenando bobamente para o próprio reflexo no vidro.

- Uh... Darien Semog. – ele também respondeu para a janela, se sentindo ligeiramente tolo.

- E então, também esperando que as toneladas de comida sejam processadas até que possa recuperar o uso pleno de suas faculdades mentais?

- Bem, na verdade não. Só... pensando. – como o garoto continuasse a olhar para ele com interesse, continuou – sobre as mudanças, você sabe. E a vida, o universo e tudo o mais.

- Wow, isso tudo hoje, na véspera de Natal... É um pensador? Um racionalista? Um ébrio de suco de abóbora? – o estranho sorriu para o reflexo, ainda demonstrando interesse gentil sobre a vida azul de Darien. No entanto, ao mesmo tempo, seus olhos estavam fixos do lado de fora, como se algo de extrema importância estivesse se desenrolando lá em baixo.

And I remember the sound
Of your November downtown
And I remember the truth
A warm December with you
But I don't have to make this mistake
And I don't have to stay this way
If only I would wake


- Na verdade, só um curioso... um entusiasta da vida. - sem perceber, Darien se levantou e foi se aproximando da janela até estar tão colado ao vidro como o colega de olhos castanhos; ajoelhou-se do lado do rapaz e preparou uma pergunta que não chegou a deixar seus lábios. Ao pé das montanhas, em meio a neve que ainda caía graciosa, centenas de pontos luminosos flutuavam em um compasso ritmado: elipses para cima, para direita, para baixo, para a esquerda, numa nuvem de luminosidade que fazia parecer que todas as montanhas flutuavam.

- É uma suspensão de ignis fugit. Uma espécie de partícula mágica luminosa que se forma da dispersão de pólen de uma flor que só nasce aos pés das montanhas que circundam Hogwarts. No inverno, em geral nos sete dias antes do ano novo, a flor dispersa essa pólen, em seu ciclo normal de vida mágica. Devido às altas concentrações de manipulação mágica feita por anos e anos aqui nos terrenos da escola, a natureza acabou precisando arranjar um modo de escoar os refugos e aí... isso acontece.

Darien estava maravilhado. Nunca vira algo tão interessante. Aliás, como assim ninguém nunca contara isso a ele?

- É claro que sempre existe a possibilidade de serem fadas comemorando o fim de ano... Jamal olhou os olhos azuis do colega azul e sorriu.
I could have lost myself
In rough blue waters in your eyes
And I miss you still


Darien observou o moreno e, em meio a um sorriso, olhou de volta para o ignis fugit e deixou seus olhos vagarem na luminosidade contrastante com a neve que ainda caía calma; por fim sentiu o peso do sono pesarem suas pálpebras e, antes que começasse a per der o equilíbrio, levantou-se rápida mas discretamente. Tão logo alcançou sua poltrona um ramo de visgo aleatório começou a flutuar no exato espaço que esteve entre os dois.

- É...Acho que essa é a nossa deixa o sono está nos vencendo e o castelo já começou a pregar peças para nos fazer ir para cama mais depressa. Dessa forma– disse Jamal, acenando enquanto se arrastava para os dormitórios – boa noite, Azul, foi um prazer conhecê-lo. E... Feliz Natal!

- Feliz Natal, Jamal. E até qualquer dia!

Não fazia dez minutos que se conheciam e a sensação de familiaridade era absolutamente sem sentido; no entanto, mas a ele parecia que Jamal era alguém em quem ele poderia vir a confiar sem reservas, um possível futuro verdadeiro amigo.

And I remember the sound
Of your November downtown
And I remember the truth
A warm December with you
But I don't have to make this mistake
And I don't have to stay this way
If only I would wake


Para quem não sabe, Darien é franco-canadense e se mudou para Hogwarts apenas no terceiro ano, portanto esta fic se passa durante O Prisioneiro de Azkaban

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Wednesday, December 24, 2008

 

Have yourself a merry little Christmas


de Meri para Selune

Selune se lembrasse muito pouco dos seus primeiros anos de vida, antes dos cinco anos de idade, ela sentia ter guardado aquela sensação de plenitude e alegria que as ocasiões de Natal traziam.

Sua lembrança mais marcante era o pai sentado ao lado dela no piano, a mão sobre o ombro da filha, enquanto a loirinha dedilhava os esboços de alguns acordes entusiasmados de quem estava começando a aprender a tocar.

Antes disso, sempre havia a árvore e os presentes sendo desembrulhados aos pés dela, papéis coloridos voando para todos os lados e risos ecoando por toda a casa.

Eram lembranças preciosas que a francesinha tentava manter firmes e coesas nos entremeios de sua cabeça por vezes complicada e enrodilhada de pensamentos diversos e emaranhados.



Depois da morte de Sebastian Priout, um pouco daquela alegria se foi, e, mesmo Selune, Valentine e Victoria se esmerando para recuperar o brilho dos tempos antigos, sempre havia um vazio que não se conseguia ignorar.



Contudo, naquele ano, em que Alexis e Lucien haviam se unidos a eles e se tornando efetivamente família para aquelas três mulheres, a moça percebeu, esperançosa, que as coisas poderiam ser diferentes.



Ela notou tal sensação no dia em que acabara nos jardins da mansão, brincando na neve com seu novo irmão. Era como recuperar uma infância que nunca teve, algo que deveria ter sido, talvez com algum outro irmão que não possuiu, mas estava acontecendo agora.



Não era como se Alexis e Lucien estivessem substituindo Sebastian, era algo ligeiramente diferente, que Selune se sentia incapaz de expressar em palavras, talvez apenas as teclas do piano pudessem traduzir aquele sentimento.



A impressão que a moça tinha era a de estarem todos eles destinados a se encontrarem... a se tornarem uma única e unida família, capaz de se apoiar e proteger.



Ela levantou um pouco a cabeça do divã em que estivera deitada até aquele instante, dirigindo-se para o piano. Passou todos os dedos pelo teclado como se fizesse um suave carinho em um velho amigo... a ponta dos dedos tentando ler o que o instrumento queria lhe falar, qual música ele escolheria para soar através de si naquele dia.



Os acordes de Claire de Lune se misturaram ao som da abertura de Tristão e Isolda de Wagner...que acabaram se tornando o esboço de Cannon em Ré Menor, a música favorita da moça...



Ainda assim, não era aquela melodia que Selune procurava para exprimir o que ela sentia. Até que a canção brotou, tímida e insegura a príncipio, ganhando, literalmente voz no som das teclas e nas estrofes que a moça murmurava com uma voz maviosa e cheia de sentimentos.



Aprendera a canção com Raven e Meri , acabando por incorporá-la ao seu repertório de músicas indispensáveis para o Natal... Ela era perfeita! Perfeita para traduzir todas as emoções que a moça trazia no peito.









Have yourself a merry little Christmas
Let your heart be light
From now on, our troubles will be out of sight

Have yourself a merry little Christmas
Make the Yuletide gay
From now on, our troubles will be miles away

Here we are, as in olden days
Happy golden days of yore
Faithful friends who are dear to us
Gather near to us
Once more

Through the years, we all will be together
If the fates allow
Hang a shining star above the highest bough
And have yourself a merry little Christmas now





Tão entregue estava naquela cantar, que Selune mal se apercebeu que o irmão voltara até que ele estivesse em pé pouco atrás dela.



-Não precisa parar por minha causa – ele falou com uma voz cheia de alegria e satisfação.



Ela observou os traços dele, sorrindo para si mesma ao constatar que as coisas deveriam ter se acertado satisfatoriamente entre Meri e Lucien.



-Pelo visto, agora eu tenho uma cunhada, non? – ela disse, contente.



Lucien assentiu.



-Depois conto a você como realmente as coisas transcorreram.



A loirinha concordou.



-Temos que abrir os nossos presentes.



O moreno franziu a testa, confuso, quando saíra de casa para visitar Meridiana, estavam prestes a abrir os embrulhos sob a ávore, por que agora ela o esava chamando para fazê-lo? Como se estivesse lendo os pensamentos do rapaz, Selune se prontificou a responder.



-Preferimos esperar, sem você não seria a mesma coisa.



Lucien sorriu de lado, reconhecendo que tinha razão em sua decisão. Não tinha sentido sem todos juntos, ainda mais considerando que era o primeiro Natal deles. Eram uma família, afinal. Ele pensou consigo no presente que escolhera para a irmã. Um dos cadernos de partitura de sua falecida mãe...



-Você está certa, é melhor todos juntos. – Lucien concordou. – Mas antes, será que poderia tocar mais uma vez a música de agora há pouco.



A loirinha assentiu, preparando-se mais uma vez para voltar a tocar e cantar. Lucien sentou-se ao lado dela, pousando a mão com delicadeza sobre o ombro da irmã. A sensação de conforto e proteção era quase a mesma que o pai lhe dava quando menina. Por vezes, ela se perguntava se Alexis e Lucien não haviam sido algum presente abençoado que o pai lhes enviara, de algum modo, no outro mundo.



Com esse pensamento doce em sua mente, ela tomou fôlego e começou novamente a tocar e cantar.


Have yourself a merry little Christmas
Let your heart be light
From now on, our troubles will be out of sight

Have yourself a merry little Christmas
Make the Yuletide gay
From now on, our troubles will be miles away

Here we are, as in olden days
Happy golden days of yore
Faithful friends who are dear to us
Gather near to us
Once more

Through the years, we all will be together
If the fates allow
Hang a shining star above the highest bough
And have yourself a merry little Christmas now

Selune simplesmente sabia que estava feliz


Cartão Musical




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Tuesday, December 23, 2008

 

White Christmas


de Sam para Meri

Naquele final de dia a nevasca dera uma trégua. Há dias aquela pequena criança olhava pela janela de casa esperando a permissão do pai para poder sair e brincar. O natal estava chegando, o que trazia neve e a levava a querer fazer um boneco de neve, como nos seus últimos sete anos de vida.

Daquela vez tinha demorado mais para conseguir realizar sua vontade. Nevara muito e seu pai a proibira de sair de casa até ele falar que estava seguro para ela. Desde então dois olhos verdes e brilhantes ficavam grudados na janela, esperando o tão esperado momento.

Meridiana sentiu a mão de seu pai e virou os olhos, esperançosa. O sorriso que ele a dirigia e o casaco dela que ele segurava era tudo o que precisava para saber, iriam sair para brincar na neve e ver as decorações natalinas.

Nicholas prometera a si que sua filha iria sempre aproveitar o natal, não iria ficar triste naquela data tão feliz e por isso passeava com ela, mostrando os presépios, os corais e sempre contado as lendas e historias natalinas.

I'm dreaming of a white Christmas
Just like the ones I used to know
Where the tree tops glisten
And children listen
To hear sleigh bells in the snow


A ruivinha era somente sorrisos enquanto andava pela calçada. As casas enfeitadas com bonecos de Papai Noel, luzes piscando e grandes presépios.

- Vamos fazer um boneco papai? – Ela falou ao olhar a neve e as árvores que pareciam brilhar com os pequenos flocos nelas.

- Primeiro vamos até a praça, você ficou esperando tanto por esse dia e já esqueceu o que tem hoje? – Ele respondeu.

Meri parou e ficou pensativa. Presépios... Bonecos de neve... Luzes de natal… O que teria esquecido?

O som um pouco distante de um sino fez com que a menina se lembrasse, faltavam as músicas! O coral onde ela aprendeu as canções que cantava todo dia 25 de dezembro com seu pai. O coral que assistia todos os anos.

Ao perceber que esqueceu algo tão importante que, pelo bater dos sinos, já iria começar, Meri puxou a mão do seu pai para andarem mais rápido, estavam atrasados

I'm dreaming of a white Christmas
With every Christmas card I write
May your days be merry and bright
And may all
Your Christmases be white


- Chegamos a tempo!! – Meri falou buscando o ar que perdera na corrida, mas sem perder e empolgação.

Ela largou o pai e, cortando a multidão que começava a se formar, ficou na frente do Coral. A regente olhou para a ruivinha que todo ano os assistia com olhos brilhantes, verdadeiras esmeraldas. Sem que a menina soubesse, eles atrasaram um pouco a apresentação, queriam que sua pequenina fã estivesse lá.

Para a surpresa de Meridiana, e de seu pai que observava um pouco mais ao lado, uma senhora saiu do coral com um envelope na mão e entregou para a menina. O coral fez uma pequena surpresa para a sua fã mais fiel. A menina abriu o envelope e sentiu seus olhos se encherem de lagrimas que tentava em vão segurar. Era um lindo cartão de natal, com um coral desenhado e dentro dele um caderninho com varias músicas natalinas.

I'm dreaming of a white Christmas
Just like the ones I used to know
Where the tree tops glisten
And children listen
To hear sleigh bells in the snow


Com um grande sorriso no rosto, Meridiana lia o caderninho e cantava a primeira música apresentada. Ela não precisava do papel sabia a música toda, White Christmas era a sua preferida, mas queria muito usar o presente que acabara de ganhar.

Ao término da primeira apresentação a ruivinha aplaudiu calorosamente. Seu rosto este vermelho pela felicidade que irradiava. Ela olhou para as pessoas em volta esperando vê-las com o mesmo sentimento que tinha. Um grupo de crianças um pouco ao lado compartilhava alegria da menina, mas um garoto mais afastado da multidão chamou sua atenção. Ele estava abraçado ao pai que tinha a feição tão triste quando o filho.

I'm dreaming of a white Christmas
With every Christmas card I write
May your days be merry and bright
And may all your Christmases
May all your Christmases
May all your Christmases
May all your Christmases be white


A segunda música começou e a ruivinha não abriu a boca, olhava curiosa para o garoto que não cantava também. Parecia que aquilo tudo era muito estranho e novo para ele, ela não entendia como alguém poderia estar triste em uma época tão especial como aquela.

Sem pensar duas vezes Meridiana andou decidida até o menino, era claro que ele não cantava pelo motivo mais óbvio e ela poderia ajudá-lo.

- Oi. Tudo bem? – Ela falou com um pequeno sorriso no rosto para o garoto que a olhava curioso. – Eu ganhei esse caderninho com as músicas que vão cantar hoje. Se quiser, você pode ler e cantamos juntos.

A ruiva entregou o caderno ao garoto e com uma das mãos o puxou mais para perto do coral. Ele precisaria ouvir bem para cantar.

I'm dreaming of a white
Christmas with you
Jingle Bells
All the way, all the way


Se sentido envolvido pela felicidade da garota que apareceu ao seu lado, o garoto olhou para o caderno e para o coral a sua frente, em duvida sobre o que fazer. Olhou para seu pai que somente assentiu com a cabeça, esperançoso que aquela atitude repentina da menina ajudasse seu filho a voltar a sentir o espírito de natal.

O menino sentiu uma mãozinha segurar a sua enquanto balançava o corpo e cantava em plenos pulmões. Ele olhou para a menina e um sorriso apareceu em seu rosto. Olhou para o caderno em sua mão e tentou acompanhar a letra cantada.

Meri viu que o menino tentava cantar e a cada mudança de música ele conseguia acompanhar cada vez melhor. Ao final da apresentação os dois estavam sorrindo e cantando juntos.

- Espero que tenha gostado. – Ela falou quando ele devolveu seu caderninho.

A resposta foi um abraço forte do menino que correu envergonhado para o pai.

A ruivinha voltou para o seu pai com um sorriso enorme, contando sobre o menino de olhos bicolores que não conhecia as músicas de natal e por isso estava triste. Esperava vê-lo novamente no natal seguinte ou, se pudesse, algum outro dia na sua vida.

Para escutar a música, clique AQUI

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Monday, December 22, 2008

 

All I want for Christmas is You


dos Pombos para a Sam

Samantha Blair olhava pela janela do ônibus vermelho de dois andares, observando as ruas apinhadas de gente, fazendo as suas compras de Natal. A cidade estava completamente adornada com enfeites natalinos. Parecia à moça que as estrelas haviam descido do céu e caído sobre Londres.

Sam poderia ter facilmente se aparatado do apartamento que estava usando na sua estadia na cidade direto para o shopping center onde faria suas compras de Natal, mas preferira empregar o típico método trouxa de se viajar.

Apesar do trânsito insano daquela época do ano, ela queria sentir o clima das festividades e queria aproveitar o tempo da viagem para começar a pensar no que comprar para o seu namorado.

Era o primeiro Natal depois do fim a Guerra e da queda de Voldemort, o primeiro que passavam juntos como um casal. O que Samantha mais queria é que fosse um dia inesquecível para os dois.

A começar pelo presente. Mais do que tudo, ela queria O PRESENTE PERFEITO, aquele que demonstrasse para ele o quanto ele era importante para ela e na vida dela.

Ao ver os contornos do shopping se insinuarem na esquina, Samantha se preparou para descer do ônibus, com um sorriso faceiro em seus lábios rosados.

Não deveria ser muito difícil encontrar o que queria, afinal, acreditava já conhecer suficientemente o namorado para saber do que ele realmente gostava.

Ela apertou um pouco mais o capote creme que usava quando sentiu o vento gélido que soprava nas ruas. Havia nevado um pouco na noite anterior e algumas partes do trajeto que a separava do ponto de ônibus até o shopping estava cobertos por camadas alvas de gelo e neve.

Sam apertou um pouco mais os passos em busca do calor aconchegante que o aquecedor do shopping iria lhe proporcionar.

Assim que adentrou o lugar, ela afrouxou o cachecol. A moça se sentiu praticamente em casa naquele lugar. No ano anterior dividira uma casa com alguns amigos ali perto - apesar de ser um modo eufêmico de descrever sua vida na resistência bruxa.

Dessa maneira, sabia exatamente em que lojas começar sua busca. Ela era uma mulher com uma missão e não iria falhar!

Com passos firmes e decididos, ela entrou em uma loja de CDs. Ela sabia o quanto a música significava para seu amor. Era quase como uma segunda língua para ele, um dos modos favoritos dele expressar exatamente o que sentia.

Seguiu diretamente para a seção de música instrumental, pois sabia que eram as favoritas dele, especialmente as clássicas. Contudo, ele também era fã do ABBA - apesar daquilo ter surpreendido muito Sam quando ela soube, pois quem conhecesse seu amor não imaginaria que ele apreciava aquele grupo.

Ela riu horrores da cara dele quando ele lhe contou essa preferência, mas as risadas cessaram no momento em que ele se pôs a dançar com ela ao som de Mamma mia, e, por razões relativamente egoísta - afinal, a visão dele se requebrando era de encher os olhos.

Entretanto, ele também gostava do Frank Sinatra... E tantos outros... Era uma lista enorme de opções.

A moça suspirou, descobrindo-se em meio a um impasse. Não conseguia se decidir por nenhum dos cds selecionados... E, diante daquelas dúvidas, começou a achar também que um CD era um presente simples demais para a ocasião.

Sam decidiu sair da loja, caminhando quase que a esmo, um pouco muito menos firme em suas suposições para um "presente perfeito".

Talvez pudesse dar um perfume, entretanto, o cheiro levemente amadeirado que emanava dele não era comparável a nenhum perfume que conhecia.

Seus olhos acabaram pousando em uma loja de roupas masculinas, e ela encaminhou para lá, sem refletir. Na vitrine havia roupas dos mais diversos gostos, mas prevaleciam ternos e roupas sociais, que, em absoluto combinavam com o jeito livre e despojado do namorado de Sam.

Ela continuou observando a vitrine, os olhos pousando sobre algumas cuecas samba-canção de seda e também algumas boxers. Era uma possibilidade interessante, havia uma boxer preta que parecia especialmente tentadora, contudo, as cuecas seriam muito mais um presente para ela que para ele, afinal, ele não era adepto de roupas de baixo e quando usava era para deixar Sam feliz quando estavam a sós.

A moça revirou os olhos cinzentos, meneando a cabeça. Não, não era aquilo que ela procurava. Ela queria algo que realmente exprimisse os sentimentos dela por ele, e, por mais que adorasse os momentos íntimos dos dois, sabia que a relação deles era muito mais que aquilo.

E também não queria ser tomada por uma tarada compulsiva.

Ela amava o namorado. De corpo e alma.

Exatamente por isso, ela desejava algo especial, algo que correspondesse plenamente àquele amor que não acreditava ser capaz de sentir até encontrá-lo.

I don't want a lot for christmas
There's just one thing i need
I don't care about the presents
Underneath the christmas tree
I just want you for my own
More than you could ever know
Make my wish come true
All i want for christmas is...
You




A moça de olhos cinzentos bufou, reconhecendo para si que aquela busca estava se tornando cada vez mais infrutífera... Depois de algumas horas andando pelo shopping, Samantha decidiu aparatar de voltar para casa.

Sentada no sofá, ela cruzou os braços, olhando para o nada. Pelo relógio da parede, percebeu que havia se demorado mais do que devia no shopping e nem pudera se arrumar para receber a visita do namorado. Mais essa para estragar o dia. Ela falhara em sua missão, miseravelmente.


Mesmo escutando o clique da porta sendo aberta, Sam não levantou o rosto. O rapaz que acabara de entrar no lugar pousou os olhos na namorada e não pode deixar de notar a expressão dela. Ele conhecia muito bem aquele biquinho de contrariação.

-O que aconteceu? – ele perguntou, aproximando-se dela, parando em pé, diante do sofá.


I don't want a lot for christmas
There's just one thing i need
I don't care about the presents
Underneath the christmas tree
I don't need to hang my stocking
There upon the fireplace
Santa claus won't make me happy
With a toy on christmas day
I just want you for my own
More than you could ever know
Make my wish come true
All i want for christmas is you



Samantha levantou o rosto, mantendo o bico nos lábios, mesmo diante dos olhos claros que lhe lançavam um olhar terno e preocupado.

-Eu estraguei tudo! Amanhã é praticamente Natal e não consegui encontrar para você o presente de Natal perfeito.

Oh!
All the lights are shining
So brightly everywhere
And the sound of children's
Laughter fills the air
And everyone is singing
I hear those sleigh bells ringing
Santa won't you bring me the one i really need



O rapaz riu, de um jeito ligeiramente divertido. Eram esses pequenos gestos que fizeram com que ele se apaixonasse por Samantha, pouco a pouco, sem perceber, até que se viu completamente enredado por aquele jeitinho brejeiro dela.

-Por que está rindo? – ela perguntou, começando a ficar irritada.

O namorado meneou a cabeça, ainda divertido e se sentou ao lado dela do sofá. Pousou a mão do rosto da moça fazendo um carinho, puxando delicadamente o rosto dela até que seus lábios se encontrassem em um beijo cálido e intenso que fez toda a frustração da moça desaparecer.

Quando ambos se soltaram em busca de um pouco de ar, ele mais uma vez a encarou com olhos sorridentes.

-Será que você ainda não entendeu, Samantha Blair, que tudo o que eu realmente quero no Natal é você?

Oh i don't want a lot for christmas
This is all i'm asking for
I just want to see my baby
Standing right outside my door
Oh i just want you for my own
More than you could ever know
Make my wish come true
Oh all i want for christmas is...
You

All i want for christmas is you... baby

All i want for christmas is you... you!



Os olhos da moça se arregalaram e ela permitiu-se sorrir de modo luminosos e intenso, refletindo a alegria imensurável que aquelas palavras lhe proporcionaram.

-Isso eu posso providenciar – ela respondeu, jogando-se nos braços dele em um impulso, deixando que seus lábios novamente se tocassem.

Para escutar a música, clique AQUI

Este post se passa depois dos eventos de Deathly Hallows

Sunday, December 21, 2008

 
A idéia do amigo oculto foi da Mina, se querem culpar alguém, culpem a ela. Claro que nós adoramos no mesmo instante e embarcamos na idéia de “trocarmos” de lugar e escrevemos um no lugar dos outros...

Como sempre, pequenas confusões de amigo oculto acabaram acontecendo. Gente descobrindo antes da hora, problemas no primeiro sorteio, gente que se confundiu e escreveu post para o amigo oculto que tirou no sorteio cancelado, enfim... confusão geral.

Mas, no fim das contas, o saldo foi positivos, ganhamos todos presentes lindos – pelo menos eu adorei todos e espero que gostem também!

A Lulu (Mina) tirou a Dhara e empolgou-se mais do que devia, escrevendo um post enorme e cheio de spoilers importantes, portanto, de comum acordo, a fic vai se transformar em um futuro arco de histórias do Expresso.

A Mina foi a primeira a entregar... a bola da vez foi a Dhara, que tirou os Pombos...


CHRISTMAS IS ALL AROUND



Herman suspirou e desviou os olhos da tela do computador por um segundo para coçar seus olhos cansados. Até o segundo anterior ele estivera absolutamente concentrado nas palavras que se formavam diante de seus olhos na tela do monitor, seus dedos debatendo-se furiosamente pelo teclado. O prazo do rapaz já estava para lá de esgotado, e Herman não era o tipo de escritor que perdia seus prazos. Pelo contrário, se tinha algo de que se orgulhava, desde seus tempos como O Mensageiro, era a quase absoluta dedicação e prioridade que dava ao seu trabalho no Olho do Grifo.

Mas não importa o quão grande fosse sua dedicação ao jornal, antes de um escritor, ele ainda era um marido. E aquele era o Natal... Seu segundo Natal desde que se casara com Lorelai, mas o primeiro que realmente passariam como um casal. No ano anterior eles estiveram separados pela guerra. Ela em Hogwarts, ele na Resistência... Foram dias solitários e sombrios dos quais ele não gostava de lembrar mais do que o estritamente necessário.

Sua vida não era o passado, mas sim o aqui e o agora, junto de sua fadinha. E aquela preparação para o “aqui e agora” havia requerido dias comprando enfeites, preparando a decoração da casa, fazendo compras para a ceia, compras de presente para os familiares, para os amigos, para a festa de Natal que teriam na editora – tudo encabeçado pelas três Mafiosas, é claro –, o que, irremediavelmente, o havia feito perder seu prazo.

I feel it in my fingers,
I feel it in my toes,
Christmas is all around me,
and so the feeling grows



Entretanto, aquela havia sido uma maneira muito digna, por assim dizer, de perder o seu prazo. Lore estava realmente satisfeita por ter um grande Natal em família, como costumavam ser todos os Natais dos Ferris e McGuire antes da guerra, e, agora que a família havia crescido para agregar também os Smith e os Mercury, a sua fadinha estava nas nuvens.

Herman sabia que a sensação de estar novamente rodeada por uma família grande e unida era justamente o que Lore precisava para superar as decepções que havia tido no passado, primeiro com o tio, Norwood Dawson, e depois com a meia-irmã, Melinda. Lore estava buscando restaurar o pouquinho que havia sido quebrado da fé dela quando experimentou do amargo fel da traição.

E o rapaz havia prometido a si mesmo que a ajudaria naquilo, criando tantas oportunidades de felicidade quanto lhe fosse possível. E que melhor época de semear felicidade do que no Natal?

It's written in the wind,
It's everywhere I go,
So if you really love Christmas,
C'mon and let it snow



Herman piscou os olhos meio irritados, decidido a deixar de lado as conjecturas e voltar ao trabalho. Faltava pouco agora, apenas amarrar a conclusão e poderia enviar o texto para o e-mail de Meri, a sua revisora designada. A ruiva tinha conexão com a internet na casa, poderia facilmente revisar o texto diretamente no computador antes de enviar para a gráfica.

O Mensageiro deu um meio sorriso ao pensar em como a tecnologia trouxa facilitava o trabalho deles. Não à toa a Marca Rubra, apesar de uma novata no ramo, já estava encontrando seu lugar de destaque. Isso e o fato de contarem com um time de escritores extremamente promissor. Quem sabe daqui a uns dois ou três anos eles pudessem levar a cabo a idéia daquela prima japonesa de Mina e expandir os negócios até o oriente...

Mas justamente quando estava da metade em diante do que deveria ser o seu último parágrafo, algo interrompeu Herman. Dessa vez, os culpados não eram os olhos do rapaz – e ele estava terrivelmente desconfiado de que a rotina em frente à tela do computador em breve lhe renderia óculos –, mas sim o seu nariz. Ou melhor, o aroma que o nariz dele captava.

Cookies. Cookies de chocolate... Lore deveria estar cozinhando para a ceia.

You know I love Christmas
I always will
My mind's made up
The way that I feel
There's no beginning
There'll be no end
Cuz on Christmas,
You can depend



Herman fitou a tela do computador mais uma vez, pesando suas opções. Terminar seu trabalho ou ir ver o que sua fadinha estava aprontando e, se ela deixar, roubar alguns cookies? Ele sorriu de lado, a competição ali não era nada justa. A vantagem que Lore tinha sobre qualquer outro aspecto da vida do rapaz tornava impossível a tarefa de ignorá-la a favor de qualquer outra coisa e pessoa.

Lorelai era, e sempre seria, a primeira em tudo para Herman.

You gave your presents to me
And I gave mine to you
I need Santa beside me
In everything I do



Ele girou na cadeira e levantou, deixando o computador e sua reportagem não-finalizada para trás sem um pingo de dor na consciência. Ele compensaria depois pelo tempo perdido. Depois do Natal... Afinal duvidava que pudesse dar uma finalização decente para o texto com metade da cabeça no trabalho e outra metade nos cookies de Lorelai. E Herman prezava demais seu trabalho para dar menos do que o seu melhor quando o estava fazendo.

Assim ele cerrou a porta do quarto cuidadosamente, para não fazer nenhum ruído, e avançou pé ante pé para a cozinha do apartamento. Lore estava de costas quando ele a encontrou, colocando mais uma fornada de cookies no forno – a outra, recém-assada, estava descansando no balcão e exalando o cheirinho delicioso que o havia atraído até ali.

Herman sorriu e se aproximou discretamente da esposa. Lorelai estava tão absorta em seus afazeres domésticos que sequer havia percebido o rapaz ali, até se virar e dar de cara com um par de olhos azuis-acinzentados que a encaravam com um brilho divertido. E Lore já conhecia o marido o suficiente para saber que aquele brilho nos olhos significava que ele estava planejando alguma coisa...

Mas antes que ela pudesse colocar as mãos na cintura, fazer uma cara de brava muito parecida com a de dona Liz, e cobrar explicações do pombo, ele a venceu. Herman pegou Lorelai pela cintura e ergueu ligeiramente antes de abafar o pequeno grito de surpresa dela com um beijo.

You know I love Christmas
I always will
My mind's made up
The way that I feel
There's no beginning
There'll be no end
Cuz on Christmas,
You can depend
Cuz on Christmas,
You can depend



Lore tinha gosto de chocolate. Ela deveria ter trapaceado e comido alguns pedaços enquanto preparava os biscoitos – o que significava que os cookies com gotas de chocolate na verdade deveriam ter ficado órfãos de chocolate. Herman sorria quando se separaram e Lore, apesar de ter as sobrancelhas franzidas, também ostentava um sorriso.

- Posso saber a que se deve esse rompante, chuchu? – ela perguntou, com um tom de riso traindo sua fala.

Herman deu de ombros, sem soltá-la.

- Nada em especial. É só que a minha esposa fica ainda mais absurdamente linda quando está às voltas com o fogão.

Ela tombou a cabeça um pouco para trás e riu. Para Herman, o som parecia com milhares de sinos de vento. Ainda que já tivesse presenciado aquela cena tantas vezes, ele não conseguia deixar de se sentir deslumbrado a cada vez que sua fadinha ria daquele jeito tão leve, tão contente e despreocupado.

- Pois trate de não se acostumar, chuchu, eu não me casei com você para virar uma Lorella Borralheira. E não espere que a minha boa vontade na cozinha venha de graça, especialmente não no Natal. Eu espero um presente muito caro, bonito e brilhante, entendeu? – ela disse, batendo com o dedo no peito do marido para dar ênfase as suas palavras.

Herman apenas riu e não resistiu ao impulso de provar os lábios dela de novo. É claro que ele daria o mundo inteiro para Lorelai em uma bandeja de prata se ela assim o desejasse. Mas ele sabia que sua fadinha estava apenas brincando, Lore nunca se importou com posses materiais e nem jamais se importaria contanto que estivessem juntos.

It's written on the wind
It's everywhere I go
So if you really love me
C'mon and let it show
C'mon and let it show



- Apenas o meu amor por você não basta? – Herman perguntou, unindo sua testa à dela depois que se separaram por ar.

Lorelai fechou os olhos, um imenso sorriso nos lábios, e quando abriu novamente as pálpebras suas íris caleidoscópicas estavam inebriadas por uma miríade de emoções. O rapaz sentiu sua respiração falhar quando fitou os olhos da esposa.

- Isso depende. O quanto você me ama, Hermie?

Herman sorriu. Aquela era uma pergunta retórica. O quanto ele amava Lorelai? Será que era sequer possível colocar a vastidão de seus sentimentos em palavras? Quem sabe ele pudesse escrever sobre isso, sempre havia sido mais fácil para ele transmitir seus sentimentos através da pena ou da caneta do que em voz alta. Ele era tímido, isso não havia mudado, e sempre se atrapalhava quando tinha que fazer alguma espécie de discurso. Mas era Natal, e se sua fadinha queria uma declaração, então ela teria uma declaração.

- Eu te amo mais do que qualquer coisa no mundo, Lore. Eu te amo tanto que quando tivemos que nos separar eu senti como se uma parte de mim, a melhor e maior parte de mim, tivesse ido embora também. E essa parte era o meu coração, que você levou junto consigo. Mas eu te amava tanto que não perdi a fé, porque eu sabia que quando eu voltasse para você eu seria completo de novo. Eu te amo tanto, Lorelai Mercury, que se o sol queimasse amanhã eu não me importaria, desde que tivesse a sua mão segurando a minha o tempo todo.

Lorelai mordeu os lábios e os olhos castanhos dela brilharam com outro tipo de emoção. Lágrimas. Herman sentiu seu estômago afundar ao perceber que havia trazido lágrimas aos olhos de sua esposa, e se chutou mentalmente por ter feito ela se lembrar daquele período em que a vida os havia separado. Mas sua aflição se aplacou um pouco quando viu sua fadinha secar os olhos de um modo teimoso e então obliterar a distância entre eles com outro beijo.

Era um tanto estranho de se pensar, mas ele podia dizer como Lore se sentia através de um beijo. E aquele beijo doce, sereno e amoroso demonstrava que ela não estava triste. Mas sim tranqüila, segura... Certa do que tinham, do que partilhavam, e que aquilo não iria mudar, não importava quantos Natais passassem.

So if you really love
C'mon and let it
If you really love me
C'mon and let it
Now if you really love me
C'mon and let it show

Friday, December 19, 2008

 

Quebra Nozes e Rainha das Neves




O balet conta uma história onde a fantasia e magia, típicas de um romantismo, contam as aventuras de um quebra-nozes de aparência humana, vestido como um soldado, mas que tem as pernas e a cabeça de tamanho desmensurado. A heroína, Clara, gostava tanto da sua aparência que o pediu como presente de natal ao seu padrinho. Assim o padrinho Herr Dosslmeyer fabricante de relógios disse "Era precisamente para ti", logo em seguida Clara experimenta-o e vê que ele quebra as nozes sempre sem perder o seu sorriso e também com grande eficácia. Seu irmão Fritz, que tinha visto como o quebra-nozes funcionava, também quis usá-lo, mas escolhe as nozes maiores que havia no cesto. Então o quebra-nozes, sendo usado grosseiramente pelo irmão dela, acaba por se quebrar, com vários dentes perdidos e as mandíbulas desencaixadas. Diante das reclamações da pobre Clara, seu pai o juiz Stahlbaun, entrega à filha o seu quebra-nozes como propriedade exclusiva, tendo Fritz que sair para brincar com os seus brinquedos. Logo em seguida Clara pega no chão os dentes do quebra-nozes e o consola abraçando-o em seus braços até ele dormir e Clara também dormir. Com o adormecimento Clara sonha... Clara volta ao esconderijo onde havia colocado o seu quebra-nozes, mas encontra o salão cheio de ratazanas enormes que o seu padrinho Dosselmeyer criou. A casa desapareceu e no lugar onde ficavam os móveis estavam árvores gigantescas. Não foi só isso que mudou; o Quebra-Nozes de Clara agora é um soldado de carne e osso e que tem às suas ordens um pelotão de soldados como ele. Começa uma batalha entre as ratazanas e o pelotão do Quebra-Nozes. Jogando enormes sapatos até às ratazanas, os soldados vencem a batalha, e com isso o rei das ratazanas e também as suas ratazanas fogem rapidamente. O bosque se transforma numa linda estufa de inverno. E o Quebra-Nozes transforma-se num lindo príncipe que leva Clara até o Reino das Neves, onde apresenta ao rei a rainha a menina e dançam juntos.

No início do 2º ato Clara e o príncipe Quebra-Nozes despedem-se e seguem para o Reino dos Doces pelo Caminho da Limonada, onde pastéis de todos os reinos do mundo dançam com os dois. Depois deste sonho tão mágico e fantástico Clara acorda e percebe que havia sonhado,ficando triste por isso. Deste modo, vai se despedir do padrinho mago, que tinha ido para casa na companhia do sobrinho. Então, para surpresa de Clara, o tal sobrinho é na verdade o príncipe Quebra-Nozes
Da pequena bailarina de papel só restou a minúscula pedra azul da tiara, que antes brilhava em seus longos cabelos negros.


Um malvado e estranho duende enfeitiça um espelho para que a beleza nele refletida se transforme no pior medo da pessoa que olhar. O espelho se quebra e seu estilhaços voam pelo espaço até cair na terra, cada minúsculo grão tem o poder do espelho inteiro. Esses pedaços de espelho entram no olho e no coração do jovem Kay que, imediatamente, se torna amargo e desagradável com a sua melhor amiga Gerda. Kay passa a desprezar tudo o que é produto da imaginação, inclusive as histórias sobre a Rainha da Neve, que controla o inverno.A neve começa a cair onde o menino fica sozinho após uma discussão com sua amiga Gerda. Atordoado Kay encontra-se com a Rainha da Neve. Rapidamente ela o envolve em sua roupa brilhante e os dois desaparecem misteriosamente. Quando Gerda aparece correndo a única coisa que resta de Kay é a rosa que ele há minutos atrás havia pisoteado. Apesar de a Rainha da Neve ter enfeitiçado Kay para evitar que ele sentisse frio, ela sabe que seu corpo agüentará por pouco tempo o ambiente gelado. Enquanto isso Gerda vai em busca de seu amigo através de reinos distantes, jardins onde o inverno nunca chega, florestas infestadas de ladrões até chegar ao gelado Pólo Norte, com a ajuda de uma rena encantada .Agora Kay terá que travar uma batalha com seus medos interiores para conseguir se libertar do feitiço maligno ou será para sempre um marionete dos enigmas da terrível Rainha da Neve.

Presente do Dia


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Wednesday, December 17, 2008

 

O Sapateiro e os Elfos


Esta história é um conto clássico dos irmãos Grimm,e, se eu não me engano ou a Disney ou o estúdio do Walter Lanz (o mesmo do Pica-Pau) fez uma adaptação...

Além de se passar no Natal, tem um pouco a ver com universo potteriano, pois me faz perguntar se a tia Jay não se inspirou um pouco nela em sua criação dos elfos domésticos.

Photobucket


Era uma vez um sapateiro honesto que era muito pobre. Ele trabalhava tanto quanto podia e ainda assim não conseguia ganhar o suficiente para manter a si e à esposa. Até que chegou um dia em que ele não tinha nada além de um pedaço de couro, grande o suficiente para fazer um par de sapatos. Ele cortou os sapatos, deixando-os pronto para costurar, e os colocou no banco; então, ele disse as suas orações e foi dormir, confiante que ira terminar os sapatos no outro dia e vendê-los.

Cedinho na manhã seguinte, ele se levantou e foi para a banqueta de trabalho. Lá havia um par de sapatos, lindamente feitos, e o couro havia desaparecido! Não havia nenhum sinal de que alguém ali tivesse estado. O sapateiro e sua esposa não sabiam o que pensar disso. Mas o primeiro cliente que veio ficou tão encantado como os belos sapatos que imediatamento os comprou e pagou tanto dinheiro que deu para o sapateiro comprar couro suficiente para dois pares.

Alegremente, ele os cortou e, como já era tarde, deixou os pedaços na banqueta, prontos para serem costurados na manhã seguinte. Mas quando a manhã veio, dois pares de sapatos lindamente feitos o aguardavam no lugar do couro que ele havia deixado lá e não havia sinal algum de qualquer pessoa que ali tivesse estado. O sapateiro e sua esposa estavam boquiabertos.

Naquele dia, um cliente veio, comprou os dois pares e, como gostou tanto deles, pagou mais do que o sapateiro pediu, dando dinheiro suficiente para quatro pares.

Mais uma vez, ele cortou os sapatos e deixou-os na banqueta. E de manhã, lá estavam mais quatro pares feitos.

Isso continuou até que os sapateiro e sua esposa se tornaram prósperos. Mas eles não estavam satisfeitos por terem tanto feito por eles e não saberem a quem agradecer. Então, uma noite, depois que o sapateiro deixou os pedaços de couro na mesa, como de costume, ele e sua esposa se esconderam atrás da cortina e deixaram uma luz na sala.

Assim que o relógio soou as doze badaladas, a porta se abriu suavemente e dois pequeninos elfos entraram dançando, pularam no banco, subiram na mesa e começaram a costurar os pedaços do couro. Eles estavam nús, mas tinham pequenas tesourinhas e martelos e linha e trabalhavam rapidamente.

Em pouco tempo, todos os sapatos foram costurados e terminados. Então, os pequenos elfos se deram as mãos e dançaram ao redor dos sapatos na mesa. Tão engraçado aquilo foi que o sapateiro e sua esposa tiveram que fazer força para não rir. Mas o relógio soou as duas horas e os pequenos seres sumiram pela janela, deixando a sala como estava.

O sapateiro e a esposa se entreolharam e disseram:

- Como nós podemos agradecer aos pequenos elfos que nos trouxeram tanta alegria e prosperidade?

- Eu gostaria de fazer algumas belas roupinhas para eles, - disse a esposa - eles estão nus!

- E eu vou fazer os sapatinhos se você fizer os casacos. - disse o marido.

Naquele mesmo dia, eles fizeram o que prometeram. A esposa cortou dois pequenos casaquinhos verdes, dois coletes amarelos, dois pares de calças brancas, dois chapeuzinhos vermelhos (pois todos sabem que os elfos adoram cores vivas), e o marido fez dois pares de sapatinhos pontudos. Eles fizeram as roupinhas com tanto capricho quanto puderam, com pequenas costuras e lindos botões, e, pelo Natal, já estava tudo pronto.

Na véspera do Natal, o sapateiro limpou a mesa e, em vez de couro, ele colocou os dois conjuntos de roupinhas e sapatinhos. Então, ele e a esposa se esconderam, como antes, para observar.

Pontualmente à meia-noite, os pequenos elfos nus apareceram. Pularam no banco, subiram na mesa, mas quando viram as roupinhas lá, eles riram e dançaram de alegria. Cada um pegou sua roupinha e começou a vesti-la; calçaram os pequenos sapatos e então se olharam, fazendo todo tipo de estripulias de tão contentes que estavam. Por fim, eles começaram a dançar e quando o relógio bateu as duas, eles desapareceram pela janela.

Eles nunca mais voltaram mas, daquele dia em diante, deram tanta sorte ao sapateiro e à sua esposa que eles nunca mais precisaram de ajuda...

Presente do dia:

Darien

 

Jack & Rudolph



O Estranho Mundo de Jack é uma das minhas animações natalinas favoritas. Ela foi idealizada pelo Tim Burton (que muita gente não sabe, mas começou a carreira como animador da Disney) e dirigida pelo sensacional Henry Selick (que está fazendo a versão animada de Coraline do Neil Gaiman para o cinema).

“Um ser responsável pelo Halloween, Jack, deixa sua cidade, conhecendo o local onde se prepara o Natal todos os anos. É quando ele tem a idéia de sequestrar o Papai Noel, para criar um novo tipo de Natal.” (resumo: Adoro Cinema)

Além do icônico Jack, o rei do Halloween, outra personagem de destaque é Sally, a boneca de pano, que nutre uma paixão platônica pelo “herói”.

Bem, considerando um amor não correspondido por um sujeito alto, de mãos longas e que sempre se veste de preto, ninguém melhor que a Ravenzinha para ser a Sally!

Raven Sally


Outra animação clássica da época natalina é a história de Rudolph, a rena do nariz vermelho!
“Feito em 1964 através de Stop-Motion, o filme conta a história de Rudolph, a rena de nariz vermelho que sentia-se discriminada e excluída. A pequena rena não desistiu, lutou e acabou conseguindo seu lugar de destaque no trenó do Papai Noel” (resumo: News Errado)

O desenho costumava passar na Globo e depois no SBT, mas já faz tempo que não dá as caras por aqui.

Pela inocência e persistência, a Selune foi escolhida para ser a nossa “Rudolpha”

Selune Rudolph


Um gostinho dos filmes para vocês:







E, a título de curiosidade, uma das primeiras animações do Tim Burton, Vincent




Abaixo, os nossos presentinhos do dia


Tuesday, December 16, 2008

 

O Grinch


Continuando nossa série de cartões natalinos. O segundo personagem representado aqui é o Grinch, o herói – ou anti-herói – do livro publicado em 1957, How the Grinch Stole Christmas,escrito pelo renomado Doutor Seuss.

A maioria de vocês conhece o filme estrelado pelo Jim Carrey, que, sinceramente, não é tão bom. Eu recomendo a versão animada (que às vezes passa no Cartoon Network), que é bem mais cativante e mantém melhor o clima do livro. Estou até postando ela aqui pelo You Tube, mas não consegui a versão em português.

Bem, para encarnar o Grinch nada mais apropriado que o Satanio, afinal, ele, como o Grinch, gosta de aprontar, parece ser "mau", mas na verdade tem um coração:














E antes de ir, é claro, o presente do dia:

Satanio

Monday, December 15, 2008

 
Merry Christmas, Merry Christmas, Ring the Hogwart bell
Merry Christmas, Merry Christmas, Cast a Christmas spell
Have a Wondrous wizard Christmas
Have a Merry Christmas Day
All around the sparkling fire
Have a Merry Christmas Day
Find a broomstick in your stocking, see the magic on display
Join the Owls' joyous flocking on this merry Christmas Day
Ding Dong ! Ding Dong !
Ring the Hogwart bell
Ding Dong ! Ding Dong !
Cast a Christmas spell.
Ding Dong ! Ding Dong !
Make the Christmas morning bright
Flying Higher Accross the Sky
Light the Christmas Night
Ding Dong ! Ding Dong !
Merry Christmas, Merry Christmas, Ring the Hogwart bell
Merry Christmas, Merry Christmas, Cast a Christmas spell

Harry Christmas!


Esta semana vamos começar as festividades de Natal do Expresso Hogwarts!!!!
Presentes...Fics...Curiosidades...

Este ano resolvemos fazer uma coisinha diferente entre a gente, algo que acabou se tornando um presente tanto para nós do staff quanto para vocês.

A Mina Maluca sugeriu fazermos um amigo secreto, onde cada um escreve uma fic de presente. Mas não com o seu personagem, mas o personagem da pessoa sorteada. XD

Por exemplo, se eu tiver tirado a Mimuca, vou escrever uma fic natalina estrelada por ela, se ela tiver me tirado, ela escreve uma fic da Merizinha.

Acho que vai ser divertido ver outras pessoas escrevendo os nossos personagens. ^^

O sorteio foi sexta passada e a entrega interna dos presentes vai ser no dia 20, então, semana que vem vocês terão as fics aqui!

Outros presentes são postais de natal estrelados por personagens do Expresso, personificando personagens clássicos - outros nem tanto – de histórias natalinas.

Infelizmente, um dos meus contos favoritos acabou ficando de fora, pois a intenção era colocar cada personagem do Expresso com algum personagem que tenha relação com o personagem natalino.

Como não tinha ninguém que pudesse ser associado ao ranzina Ebeneger Scrooge, de Um Conto de Natal do Dickens, infelizmente, não vamos ter ele aqui. Então, sugiro a vocês visitarem AQUI o Blog do Amer para lerem uma divertida resenha da versão da realizada pela Disney.

Vamos então ao primeiro cartão!



“O personagem Papai Noel foi inspirado em São Nicolau Taumaturgo, arcebispo de Mira, no século IV. Nicolau costumava ajudar, anonimamente, quem estivesse em dificuldades financeiras. Colocava o saco com moedas de ouro a ser ofertado na chaminé das casas. Foi declarado santo depois que muitos milagres lhe foram atribuídos. Sua transformação em símbolo natalino aconteceu na Alemanha e daí correu o mundo inteiro
Uma das pessoas que ajudaram a dar força à lenda do Papai Noel foi Clemente Clark Moore, um professor de literatura grega de Nova Iorque, que lançou o poema Uma visita de São Nicolau, em 1822, escrito para seus seis filhos. Nesse poema, Moore divulgava a versão de que ele viajava num trenó puxado por renas. Ele também ajudou a popularizar outras características do bom velhinho, como o fato dele entrar pela chaminé.
O caso da chaminé, inclusive, é um dos mais curiosos na lenda de Papai Noel. Alguns estudiosos defendem que isso se deve ao fato de que várias pessoas tinham o costume de limpar as chaminés no Ano Novo para permitir que a boa sorte entrasse na casa durante o resto do ano.
No poema, várias tradições foram buscadas de diversas fontes e a verdadeira explicação da chaminé veio da Finlândia. Os antigos lapões viviam em pequenas tendas, semelhantes a iglus, que eram cobertas com pele de rena. A entrada para essa “casa” era um buraco no telhado.
A última e mais importante característica incluída na figura do Pai Natal é sua blusa vermelha e branca. Antigamente, ele usava cores que tendiam mais para o marrom e costumava usar uma coroa de azevinhos na cabeça, mas não havia um padrão.
Seu atual visual foi obra do cartunista Thomas Nast[2], na revista Harper's Weeklys, em 1886, na edição especial de Natal. Em alguns lugares na Europa, contudo, algumas vezes ele também é representado com os paramentos eclesiásticos de bispo, tendo, em vez do gorro vermelho, uma mitra episcopal.” (fonte: Wikipédia)

Acho que nada mais clássico que o Papai Noel, e, de quebra, uma Mamãe Noel a tira-colo. Não sei quando a Mamãe Noel foi incluída na história, mas me lembro, quando pequena de uma animação em stopmotion (vulgo massinha :P apesar de serem bonecos) que se chamava “A Verdadeira História de Papai Noel”, que tinha também a Mamãe Noel. Sempre gostei da idéia de um casal fofinho morando no polo norte fazendo brinquedos para as crianças...

Então, para representar o casal nada mais justo que o casal mais fofo do Expresso: os Pombos!

E olha se não concordam comigo que Herman e Lore com suas famílias gigantescas e festeiras não tem cara daqueles Natais bem tradicionais e divertidos?

Já que é o post de abertura das festividades, outro cartão para aquecer a semana!



Essa aí é a Jingle Bell ou Jingle Bela, a filha do Papai Noel! Não conhecem, pois deveriam conhecer. Criada por Paul Dini e DeStephano. Nesta versão, Noel era um poderoso guerreiro (!?) do Ártico que, com a ajuda de vários animais, ajudou a libertar os duendes (elves) das garras do terrível Bruxo da Nevasca. No fim, ele acaba se casando com a rainha dos duendes, se estabelece como o provedor de brinquedos no Natal e tem uma filha, Jingle. Os anos passam e Jingle se torna uma adolescente, daquelas beeeeem adolescentes mesmo. Sabe, como a Claire, de My Wife and Kids (Sony), se é que vocês me entendem…
Jingle apronta todas, fica horas pendurada no telefone, foge de casa para assistir a shows de rock dos artistas do ártico e, na melhor das boas intenções, constrói armas de brinquedo que funcionam de verdade para serem dadas às crianças no Natal. Por isso tudo foi que, durante os seus 216 anos, ganhou apenas carvão de seu pai no Natal (e meias de sua mãe).
Jingle representa de forma bem-humorada tudo aquilo que se critica no natal (o consumismo, especialmente), enquanto seu pai tenta lhe ensinar as "coisas boas" da data (paz, amor, doação, família, etc). Uma das cenas mais hilariantes da primeira série da personagem é quando ela vai ao shopping substituir seu pai (ele foi parar em uma festa judaica, graças às armações da filha). Ao invés de atender às crianças, ela leva todas para um tour no shopping, enquanto ela tentar comprar milhares de roupas e sapatos para pagar com o salário que Papai Noel não cobra do shopping quando vai até lá.

Mais deltalhes, podem ler AQUI o artigo que eu fiz para o Abacaxi Atomico sobre a Bells.

Para representa-la aqui, nada mais adequado que Samantha Blair, a mais espevitada e provocante Mafiosa de Plantão. ^^

E, para fechar o enorme discurso de abertura de festividades, abaixo seguem os nossos primeiros chaveiros colecionáveis

HermanLoreSamantha

Friday, December 12, 2008

 

Cousins - Parte 3



- Enquanto eu estiver em Hogwarts, eu vou fingir que sou “uma deles” – a ruiva falou de modo direto daquela vez – Talvez ele acredite e poupe vocês.

Adhara olhou de esguelha para Kyle, percebendo que o primo ficara tão surpreso que até perdera as palavras. Ela meneou a cabeça.

- Eu acho que é uma péssima idéia. – disse a morena, com a mesma objetividade de Meri – Como você mesma disse, as coisas em Hogwarts não serão tão leves neste ano. Você não sabe o que eles podem exigir de você, como prova de sua lealdade. Sobretudo porque você é uma mestiça, é filha de uma traidora do sangue, é uma grifinória, ou seja, é tudo aquilo que os comensais desprezam. Além do mais, você fugiu de Ludovic. Vai ser difícil bancar a convertida depois disso. Você está realmente disposta a fazer isso, Meridiana? Todo mundo sabe que esse caminho tem uma passagem só de ida, a volta depende de um milagre. Você quer se arriscar a vender a sua alma desse jeito? Arriscar a se tornar algo que você odeia?

Ela sabia que poderia estar sendo dura em demasia com a prima, mas aquelas eram perguntas que Meri precisava responder. Agora podia dizer que conhecia Meridiana, e sabia a ruiva não costumava agir por impulso e sem pesar as conseqüências de seus atos. Mas Meri estava diferente desde que voltara do cativeiro... Estava ferida. Ela havia perdido demais nas mãos de Ludovic.

Meridiana poderia afirmar que havia tomado aquela decisão para proteger seus amigos e família, mas Adhara não acreditava que aquilo fosse tudo. Como já ressaltado, ela tinha muito em comum com Meridiana, e, se estivesse na situação da prima, se alguém tivesse assassinado Kamus na sua frente e então a mantido prisioneira por meses, roubando sua liberdade e sua sanidade aos poucos... Ela, Adhara, iria querer vingança. Nada menos do que isso seria aceitável.

- Eu estou disposta a sujar as minhas mãos se necessário, Dhara. – a ruiva olhou com firmeza para a prima, como se estivesse adivinhando os pensamentos da morena.

- Eu não duvido disso. – disse Adhara, mantendo seus olhos presos aos de Meri e uma expressão tranqüila no rosto, apesar do teor da discussão – Mas você vai poder viver consigo mesma depois que tiver feito isso?

- A questão é: eu vou conseguir viver comigo mesma se eu não tentar? – ela respondeu, no mesmo tom.

Kyle levantou-se mais uma vez, sentindo um peso de preocupação afundar-lhe os ombros. Havia muito mais na conversa das primas do que ele fora capaz de apreender. Talvez algo que elas duas não queriam deixar totalmente claro para ele, e, que, ele supunha que não era o momento de insistir em saber.

- Eu sei que eu perdi alguma coisa no meio dessa conversa toda – ele falou, chamando a atenção das duas para si – Mas pelo que eu entendi, nada do que dissermos vai fazer você mudar de idéia, vai? – ele perguntou, olhando diretamente para Meridiana.

Ela meneou a cabeça.

- Eu pesei todos os prós e os contras. Eu vou fazer isso, Kyle.

- É a velha teimosia dos Thorne que você me mencionou quando eu disse que não ia fugir de volta para a Grécia. – ele deu um suspiro, quase resignado. – Se é assim, acho que só me resta saber o que eu posso fazer para poder te ajudar.

- Você já está ajudando – Meridiana respondeu, com uma expressão um pouco menos carregada – E, caso eu precise de mais ajuda, eu prometo que vou te falar.

Kyle assentiu. Realmente não estava satisfeito com aquela situação, contudo, parecia estar além do alcance dele fazer mais do que estar ao lado da prima para o que desse e viesse.

Adhara cruzou seus braços e suspirou. O rapaz estava certo, não havia nada que pudessem fazer por Meri além de ajudá-la em tudo o que pudessem – e esperar pelo melhor.

- Faço as palavras do Kyle as minhas. – disse a moça, chamando assim a atenção de Meri – Ainda não concordo com a sua decisão, ainda acho muito perigoso, mas se é isso o que você quer, então eu preciso aceitar. Ainda tenho alguns contatos com uns aprendizes de comensais, por causa das investigações do ano passado... Posso tentar indicar você como uma aliada para eles. Qualquer coisa para fazer com que eles confiem mais facilmente nas suas intenções.

- Eu realmente fico muito grata por isso – a ruiva respondeu, lançando para a prima um sorriso triste.

Um silêncio estranho e mórbido recaiu sobre os três naquele momento, cada qual refletindo sobre aquilo que os esperava em Hogwarts. Foi Kyle quem quebrou o silêncio.

- É nossa última noite de férias. Devíamos fazer alguma coisa para nos despedirmos da “boa vida” – ele falou em um tom ameno, tentando espantar as pesadas névoas que aquela conversa havia trazido.

- Que tal um filme? Assim Kyle pode se despedir da televisão com toda a honra que ela merece – Meridiana respondeu em um tom divertido. – Vocês dois podem terminar de arrumar a mala do Kyle enquanto eu começo a fazer a pipoca.

Adhara deu de ombros.

- Por mim tudo bem. – ela então se levantou e lançou um olhar para o malão aberto do primo, aos pés da cama, a fim de ver o que ainda faltava – Acho que você realmente precisa de ajuda para fazer as malas, Kyle, não estou vendo nenhuma roupa de baixo aí dentro.

O rosto do garoto foi tomado por uma coloração avermelhada e ele disse algo ininteligível enquanto abria a gaveta onde guardava os pijamas e a roupa íntima.

Adhara lançou um meio sorriso para Meri, que tentava esconder a risada com uma das mãos.

A ruiva meneou a cabeça e deixou seus primos se entendendo com as malas enquanto ia para a cozinha. Sabia que a decisão que havia tomado não permitiria que ela mantivesse em Hogwarts o mesmo nível de união e camaradagem que tinha agora com Dhara e Kyle, por isso se empenharia para que aquela última noite em família fosse a mais perfeita possível.

Tuesday, December 09, 2008

 

Cousins - Parte 2


Kyle não havia trazido muita coisa da Grécia, contudo, depois que fora acolhido por Frida, e, especialmente depois que se reconciliara com a mãe, algumas coisas de necessidade básica – e outras nem tanto – foram adquiridas.

A ruiva observava com o canto dos olhos a interação de seus primos, pensando consigo o quão confortável a convivência entre eles se tornara, o quão rápido o laço entre eles fora criado. Era irônico que parte disso se devesse ao monstro de olhos verdes que afetara a vida daqueles três jovens.

Contudo, era aquele mesmo monstro que ameaçava destruir aquela harmonia. Meridiana não poderia permitir tal fato. Percebendo que aquela era a hora mais apropriada para discutir com os primos o que havia decidido, ela se pôs a falar, chamando a atenção dos outros dois.

- Eu preciso conversar uma coisa com vocês. Já falei com Lucien, e também com tia Frida, suponho, portanto, que o senhor Ivory também já saiba.

Adhara parou sua revista às gavetas da cômoda de Kyle quando notou o tom sério que a ruivinha empregava. Kyle, que estava ao lado da morena, lançou-lhe um olhar silencioso. O rapaz podia não ter uma convivência tão longa com Meri, mas julgava já conhecer a prima o suficiente para notar que havia alguma coisa errada com ela. Algum tipo de sombra que se escondia atrás daqueles olhos verdes. E, às vezes, o sorriso de Meri não parecia sincero.

A jovem Ivory assentiu minimamente ao olhar do primo, como se a confirmar para Kyle que estava pensando exatamente o mesmo que ele. Talvez Meridiana fosse finalmente lhes revelar o que tanto a incomodava.

Os dois se voltaram para Meri, que havia se sentado sobre a cama de solteiro, e eles imitaram o gesto da ruiva, cada um se acomodando em um dos lados da moça.

Silêncio preencheu o quarto por alguns instantes, até que Meri suspirou.

- A Hogwarts para qual estamos indo não é a Hogwarts que eu e Dhara conhecemos. É um lugar controlado pelos comensais e eu só posso supor como as coisas serão, e, minhas conclusões não são as melhores.

Meridiana prendeu a respiração momentaneamente, soltando novamente um ruidoso suspiro antes de prosseguir, fazendo com que Kyle e Adhara percebessem o quão difícil aquela conversa estava sendo para a ruiva.

- Além disso, ainda têm Ludovic – a moça completou, sentido o primo remexer, ainda que discretamente, ao seu lado.

A mera menção do nome de seu pai trazia um aperto na garganta do rapaz, e uma golfada de ansiedade parecia querer dominá-lo. Ele ainda não se sentia plenamente consciente do que exatamente sentia por aquele homem que ainda não conhecera. Aquele que tanto mal fez àqueles que lhe eram e se tornaram caros, mas também, aquele que fora responsável pelo seu nascimento.

- Eu fugi dele e não duvido que ele saiba que estou com vocês, pelo menos com Tia Frida. E eu sei que ele fará o possível e o impossível para que eu volte para ele... Ele não vai ter escrúpulos em destruir qualquer um que esteja próximo a mim para alcançar o que deseja ... – Meri fez uma pausa para evitar que o soluço que desejava surgir em sua garganta se manifestasse ao se lembrar de relance do pai – E eu só vejo uma solução para esse problema.

Adhara segurou uma das mãos de Meri e, com sua outra mão livre, apertou levemente o ombro da prima. Ainda não sabia exatamente o que fazer para proporcionar conforto a alguém, mas sabia, por instinto, que o contato físico com alguém familiar trazia tranqüilidade em meio a uma situação difícil.

- Você planeja desaparecer depois que completar dezessete anos? Fugir para algum lugar, para afastar Ludovic de nós? – perguntou a morena.

- Também... – Meridiana assentiu, olhando para a mão de Dhara pousada sobre a dela, sentindo-se não mais tranqüila, mas pelo menos um pouco menos sozinha. – Antes disso, eu preciso fazer outra coisa para protegê-los...

Kyle cerrou os punhos, levantando-se. A imagem da prima nos primeiros dias em que ela chegou à casa de Frida, a figura magra e abatida, o olhar triste que ocasionalmente ainda aparecia no rosto dela.

- Não é justo você querer colocar o mundo nas suas costas, Meri! A gente sabe se proteger tanto quanto você... Pelo menos eu acho. Você não tem que passar por tudo isso sozinha ou por causa da gente. Você tem que pensar em você também.

- Kyle – Adhara chamou o primo, de forma apaziguadora – eu concordo com você, mas agora não é a hora para isso. Por favor, sente-se. – ela então se virou para a ruiva – Meri, continue.

O rapaz fechou o cenho, mas não discutiu com a morena. Ele sentou-se no colchão com mais força do que o necessário, demonstrando que não estava contente com a situação, e fez o estrado da cama estralar.

Meri levou uma mão à têmpora massageando-a levemente. Aquela conversa estava sendo muito mais difícil do que a que tivera com Frida.

Monday, December 08, 2008

 

Cousins - Parte 1


Era 31 de agosto, e em praticamente toda casa bruxa com crianças em idade escolar a rotina era a mesma: materiais sendo embalados, roupas sendo dobradas, pertences sendo separados, malões sendo limpos e esvaziados para serem preenchidos novamente.

Aquela era a sétima vez que Meridiana seguia aquela rotina, e, se nos anos anteriores ela executara aquela tarefa com expectativa e animação para voltar para a escola, naquele ano – seu último em Hogwarts, um ano que deveria ser memorável – a ruiva se sentia preenchida por uma névoa de torpor permeada por obrigação. Pela primeira vez desde criança, não estava feliz em ver a chegada de setembro.

- Aqui, não se esqueça do seu suéter.

Meri piscou e forçou sua mente a retornar para o presente quando ouviu a voz de sua prima. Tentou sorrir – e conseguiu, pelo menos vagamente – quando apanhou a blusa vermelha e dourada que Adhara lhe estendia.

- Obrigada.

A morena lhe respondeu com um sorriso dela própria, e Meri surpreendeu-se ao notar em como agora parecia fácil à Adhara formar um sorriso. O engraçado era pensar que no ano anterior a situação era justamente a inversa – Adhara era a séria e ela, Meridiana, a mais extrovertida. Aqueles últimos meses haviam deixado marcas profundas nelas, fosse para o bem ou para o mal.

- Sabe, isso não é tão complicado quanto eu pensei que seria – disse Adhara, enquanto embolava seus pares de meia-calça. – Fazer as malas sem magia, eu digo.

A grifinória franziu a testa, olhando de esguelha para a outra.

- Você nunca tinha feito isso?

- Não. Os elfos domésticos da minha casa sempre faziam tudo – respondeu a moça, após separar mais uma pilha de roupas para dobrar.

Meri reparou, com uma parcela de culpa, que Dhara já havia terminado de dobrar as roupas dela e agora se ocupava em dobrar as suas – uma tarefa que a ruivinha estava distraída demais para executar com rapidez.

Meridiana aproximou-se de Adhara, tentando juntar-se a tarefa de arrumar a própria mala com um pouco mais de empenho.

- Obrigada pela ajuda – ela murmurou, ao que a prima respondeu com um novo sorriso.

A arrumação continuou em um silêncio produtivo por algum tempo. Fosse o que fosse que estivesse incomodando Meridiana, Adhara sabia que a prima se abriria quando necessário. Algo que reparara há algum tempo é que ela e Meri possuíam muitos pontos em comum. Um deles era o fato de preferirem dividir sua privacidade apenas quando julgavam necessário.

Enquanto se mantinha absorvida por aquela tarefa, a grifinória deixou que seus olhos recaíssem no estojo de madeira que jazia aberto sobre a cama. Uma varinha longa, de madeira clara, com algumas manchas de um vermelho-quase-terra espalhadas em alguns pontos.

A tia lhe presenteara aquele artefato no dia em que Meri lhe contara sobre seus planos acerca de Hogwarts. Pertencera outrora a seu tio Aldebaran, e foi uma das poucas coisas que permaneceram intactas após o ataque dos Inferi.

Como Ludovic quebrara a varinha da sobrinha no dia que a seqüestrara e matara o pai da garota, o presente da tia era mais que providencial e bem-vindo. A verdade é que Meridiana se sentia honrada em envergar a varinha de seu falecido tio Aldo, e, prometera a si mesma que se esforçaria para ser digna de tamanha confiança por parte de Frida.

Leves batidas na porta fizeram com que ambas as moças interrompessem seus afazeres e direcionassem seus olhos para o batente da porta, onde Kyle as encarava com uma expressão encabulada e suplicante.

- Será que vocês poderiam me ajudar com as bagagens? Não tenho a menor idéia do que levar para Hogwarts.

As primas trocaram olhares entre si. Com tudo o que acontecera nas últimas semanas – os preparativos para o casamento de Frida e Kamus que, apesar de pequeno e simples, exigira tempo e empenho, e a cerimônia de casamento em si – haviam relegado os arranjos para a viagem à Hogwarts para o último momento possível. Para elas aquilo não trazia problemas, afinal já estavam mais do que acostumadas com a rotina no castelo para saber o que Hogwarts exigia delas – mas aquela era a primeira vez que Kyle estaria indo para uma escola de bruxaria. O garoto deveria estar se sentindo, no mínimo, perdido.

- Você pegou seus materiais, varinha e uniforme? – perguntou Adhara.

Kyle coçou a cabeça.

- Bem, isso sim. Foram as primeiras coisas que coloquei na mala.

- Então relaxa – disse Meri, voltando à sua dobra de roupas. – O mais importante já foi. Agora é só você colocar algumas roupas suas e ir preenchendo o espaço com o que mais você quiser. Como livros ou o seu vídeo game portátil. Só aviso para você levar um estoque de pilhas, porque nada elétrico funciona em Hogwarts.

- Sem eletricidade? – o garoto balbuciou, surpreso – Não mencionaram isso nos papéis de matrícula. Como é que vocês conseguem sobreviver lá?

A ruivinha deu ombros.

- Com o tempo você até esquece do que é uma televisão.

- Eu não sabia o que era uma televisão até pouco tempo atrás, e sobrevivi – completou Adhara.

- Bem – disse Meridiana, guardando o estojo dentro da mala e cerrando a mesma – se você não se importar de duas garotas bisbilhotando as suas coisas, podemos ir ao seu quarto e ver o que seria interessante levar.

- Eu estou acostumado com garotas bisbilhoteiras desde que eu nasci – ele respondeu, sorrindo amplamente – portanto, ficaria muito grato pela ajuda de vocês.

Desse modo, os três seguiram para o quarto que o rapaz ocupava.


Nota Com a palavra, a Sel: "A Mari falou de casar ser clichê, mas cara: é a guerra! Acho que, no desespero, é bem possível...é bem...plausível o povo querer um 'para sempre' em meio a tanta... falta de certeza e iminência de morte."

Comentário da Meri: A culpa é toda da Meyer, o povo está todo viciado em Eddie e Bella e cenas românticas e, inspirados por um vampiro cuja "única coisa que lhe resta é a virtude" (palavras dele, não minhas) estão querendo tudo "conforme manda o figurino". XD

Friday, December 05, 2008

 

Oxigênio - Final


Selune ficou sem ação efetiva: sua boca se abriu sem emitir um som sequer, seus olhos se enchendo tão subitamente de lágrimas que ela mal conseguia divisar além da luz cintilante das fadas e – diabos, onde estavam suas pernas quando ela precisava sentir algo sob seu corpo?

Então ela sentiu o corpo de Tristan sob o seu, sustentando sua queda, como sempre, cumprindo a promessa de sempre estar por perto, de não a deixar só. E o cheiro dele era tão bom!

- Extremamente pertinente o meu timming romântico, não acha? – ela suspirou alto, ajeitando-se no colo de um Tristan que havia se sentado para aparar a ambos. – Acho que essa vai ser uma boa história para contar para os nossos netos. “A vovó tinha joelhos fracos e estava de salto Luís XV, crianças. Foi por isso que ela caiu sobre o vovô e fez ele se estatelar sentado no assoalho!” – Selune não precisou fazer muito esforço para imitar uma voz frágil de velhinha, muito embora seus motivos fossem outros e ela se sentisse mais nova que nunca – sua vida acabara de recomeçar.

- Netos? Então... – ele começou.

- Sim. Je t’aime, Tristan McCloud. E é claro que eu me caso com você.

Tristan a custo manteve as mãos firmes enquanto colocava o anel no dedo de sua noiva. Noiva... a palavra era doce como os lábios dela que buscavam sua boca com tamanha urgência que, quando se beijaram foi como se nunca o tivessem feito antes. E ele queria se deixar levar, porque ele a ela pertencia, cada movimento, cada toque de seus dedos era um comando irrecusável sobre seu corpo, que reagia em igual intensidade e certeza.

Havia sons de fogos de artifício pipocando do lado de fora do castelo de vidro quando ele finalmente começou a diminuir lentamente o ritmo, acalmando-a, trazendo-a a tona novamente.

- Você não sabe como me faz feliz. Eu te amo mais do que já imaginei ser possível, Selune.

Ela mal esperou que ele concluísse a frase e já o estava beijando novamente. Cada vez que inspirava ela sorvia mais um pouco do perfume cítrico amadeirado exalado por ele, gravando-o nos pulmões, na alma. Ato contínuo, seus dedos se enroscavam nos cabelos do rapaz, enquanto sua outra mão pousava sobre o peito, tateando a correntinha que ela bem conhecia. Ele era seu lugar, sempre fora.

- Meu amor, espera. Não faça isso, não torne tão difícil... Selune...SELUNE! – sua voz saiu trêmula e um pouco acima do normal quando a moça começou a beijar seu pescoço, sua orelha. – Perdão, eu não queria assustá-la. - ele ergueu as mãos em rendição, sorrindo da expressão indignada da moça. Havia uma certa nota de nervosismo em seu tom.

- Você... está me rejeitando minutos depois de me pedir em casamento, Tristan McCloud?

- Se algum dia eu a rejeitar pode me encaminhar sem escalas ou desculpas para o Saint Mungus, que será caso perdido. Por hora, é somente um pedido de pausa, nada mais.

Mas ela continuava mexendo em seu cabelo, a cabeça deitada em seu ombro, a respiração tão próxima que ele sentia cada leve movimento.

- Não me tente Sel, por favor. Só Deus sabe como foi difícil parar agora! Não me olhe assim, como seu eu fosse o cúmulo da crueldade. Você ouviu, nossas famílias estão aparatando lá fora e Albert só está aguardando meu sinal para abrir a porta.

- Aparatando? Mas... não eram fogos de artifício?! – a moça se ergueu de um salto, a surpresa subindo-lhe pela face, ruborizando suas bochechas e acentuando o brilho em seus olhos. – UGH! Pour quoi non me disse que eles viriam ANTES?

- Como!? Você é tão deliciosamente persuasiva! - Tristan já não continha o riso cristalino ante a cena cômica que se instalou, Selune olhando paranoicamente pelo vidro escuro, andando de um lado para o outro do salão.

– Você... Tem certeza que non ecsiste nenhum feitiço que deixe as pessoas verem aqui dentro? Ma Morgàne, você me conhece melhor que eu mesma... Você tinha certeza que eu ia aceitar?

- Nunca foi certeza.... – ante a afirmação, a jovem ficou pálida e demorou alguns segundos para que ele percebesse o engano – Calma! Sim, o vidro não deixa ninguém ver nada. Nem com magia. Certeza absoluta, prometo.

Ela relaxou um pouco, os olhos fixos na direção da parede de vidro onde ela imaginava ser a porta de entrada, a face ainda vermelha pelo ímpeto que a fizera subitamente tão... ousada.

Tristan lhe segurou a mão e olhou ainda sonhador para o anel que cintilava ainda mais em contraste com sua pele de lua. Agora era ele quem sorria encabulado de sua própria parcela de ousadia.

- Eu não tinha certeza de que aceitaria. Mas assumi os riscos e, como eu havia dito, contei com alguns cúmplices. Lucien, Valentine, Alexis, Victoria. – ele respondeu à pergunta que ela havia feito com os olhos. - Devo dizer que muito me alegra que você tenha aceitado. Se meu timming estivesse errado e você saísse daqui com borboletas na cabeça ao invés de no estômago seu irmão ia me encher de socos por ter que lidar com sua versão psicótica sabe-se lá por quanto tempo. Palavras dele.

- Hunf! Seu dia ainda não terminou. – ela a custo reprimia o riso. - Se eu fosse você não abusava da sorte só porque eu o amo, Bert!

Ele segurou sua mão e juntos dirigiram-se à porta para receber suas famílias.

- Eu te amo também, Poppins. Para sempre.

*Para ler as fics da semana clique AQUI


New Dawn


Parece que as coisas estão se arranjando de tal forma que o capitulo 04 continua travado e travado e travado. Em meio a vestibulares, eventos de animes, concursos, trabalho, fim de semestre, o tempo sendo roubado um pouco de cada uma de nós...

Enfim, não deu para terminar de novo. ^^”

Para não deixar vocês sem sua dose recomendada de açúcar vampiresco, fizemos um pequeno trailer de algumas cenas já escritas de capítulos futuros de New Dawn.

Para ler, basta clicar no button abaixo:





E vamos fazer o possível e o impossível para colocarmos o capitulo 04 na semana que vem.

Novamente nos desculpem.

Abraços, Meri/Katchiannya

 

Oxigênio - Parte 3


Antes que desse por si, Selune se sentiu sendo tragada por um vazio súbito sob seus pés. Mas, diferentemente de aparatação ou de transporte via chave portal, ela não foi sugada pelo umbigo ou desapareceu em meio a redemoinhos indomáveis. A forma que o vento se deslocava era mais constante, quase mais gentil, por assim dizer. Devia ser coisa mais antiga do que qualquer coisa compreensível às mentes restritas do ministério – coisa de Valentine, possivelmente. Como não sabia o que esperar da aterrissagem, preparou seu espírito para uma eventual queda quando sua viagem chegasse ao fim. Ela estava de saltos, por Merlin!

Com grata surpresa e um sonoro “ops” ela aterrissou exatamente nos braços surpreendentemente fortes de um mordomo calvo que, com muito profissionalismo e polidez a devolveu a seu habitat natural – a terra firme. Antes que ela pudesse formular qualquer pergunta, ele empunhou a varinha e murmurou uma seqüência inaudível de palavras que fizeram seus cabelos serem repuxados de leve, provavelmente colocando ordem no trabalho feito pelo deslocamento “gentil” de ar.

Logo em seguida, ele lhe ofereceu um envelope rubro com uma mão, estendendo a outra na direção da caixinha prata; efetuada a troca fez um outro sinal mudo para que o seguisse em direção à Casa de Cristal: uma construção redonda, com o teto abobadado que muito lembrava o Royal Albert Hall de Londres, só que inteiro feito em vidro brilhante. Ao tentar espiar o que ia lá dentro, uma cortina de névoa se ergueu pelas paredes, mal permitindo que uma luz muitíssimo fraca pontilhasse a superfície polida.

- Feitiço de discrição, hein? É, acho que driblar as regras não é uma opção. Já a carta é free trial...

Minha querida!

Mal consigo expressar o quão feliz estou de você ter aceito seguir as pistas que a trouxeram até mim.

A sensação é como se mil estrelas houvessme se desprendido do céu e estivessem a iluminar minha noite-vida e você, minha lua azul, tão rara, tão única me julgasse digno de sua presença.

Perdoe-me o devaneio piegas – eu havia prometido a Alexis me controlar nas palavras para não assutá-la, mas aparentemente não sou tão hábil quanto ele em controlar o caminho das ridículas frases de amor.

Enfim, já está quase no fim. Agora basta que você siga esse sorridente homem que aparou sua queda – Albert, que sabe que sucumbi miseravelmente a uma meia dúzia de clichês, e a noite mal começou! Ele irá indicar a entrada.

Do seu,

Tristan.


Selune sorriu embevecida. Tristan descrevera as sensações pelas quais ela passava: a febre de clichês, suspiros e colocações piegas – ridículas! E deliciosamente viciantes! Se o bom Albert pudesse ver o desejo louco que passava por seu coração, ele certamente se retiraria discretamente do local sem nem lhe mostrar a entrada. Uma garota pulando no pescoço do jovem McCloud com tamanha ânsia poderia ser perigoso à integridade física de seu patrão.

No entanto, o bom Albert não lia pensamentos; se lia, decidiu que a sorte estava do lado dos amantes sedentos e loucos. Com um sorriso compreensivo nos lábios indicou uma abertura no vidro de 2x2 metros que havia surgido ao seu toque suave.

Dentro da Casa de Cristal, através do teto abobadado a Lua brilhava como pendurada por um fio invisível no céu aveludado; seu séquito de mil estrelas a circundava, como prestando homenagens a rainha da noite. Algumas, envergonhadas, pareciam se desprender do céu, vindo pairar a centímetros do chão, cintilando um caminho que levava até a outra extremidade do grande salão.

Lá estava ele, recostado num piano de cauda negro ao fim do caminho de luzes, impecável em seu terno cinza-chumbo sobre a camisa na cor exata do vestido que ela agora usava. Sem tirar os olhos da moça loira que estava no lado oposto do salão e maneou de leve a cabeça e os primeiros acordes de uma melodia já tão conhecida de Selune começou a preencher cada canto do amplo ambiente, cada canto da sua alma, da dele mesmo. Os olhos do rapaz brilhavam e sorriam hipnóticos ao perceberem nos dela o reconhecimento: o onipresente Albert estava tocando Claire de Lune.

Como num pas-de-deux, sincronicamente eles começaram a caminhar um em direção ao outro a um ritmo compassado que faria com que o encontro fosse no exato ponto onde estava o centro do grande salão de vidro. As estrelas que se desprendiam do céu encantado eram, na verdade, milhares de fadas que agora, ao som da peça de Debussy, começaram a girar por todo o salão, suas luzes cintilantes se refletindo no vidro, multiplicando-se ao infinito.

Um tanto tímido, Tristan tomou a mão da namorada entre as suas e a beijou tão leve que Selune quase que só sentiu sua respiração.

- Você está tremendo! – ela observou espantada. Está tudo bem com você?

- Eu... eu estou bem, sim. Só um pouco nervoso com o rumo que as coisas tomaram e com o que resultou disso, que é a razão pela qual eu a chamei aqui hoje. Há uma coisa que preciso contar a você. Confessar, na verdade. E pedir. – ele expirou forte, claramente sem jeito, algo nada comum em se tratando de Tristan McCloud. - Isso é absolutamente novo pra mim, perdoe-me a falta de jeito...

- Você está me assutando um pouco, Tristan. - Selune estreitou um pouco os olhos numa tentativa vã de ver algum mínimo vestígio do que ia por trás daqueles insondáveis olhos cor de folha-seca. Nada além do doce e enigmático olhar de Tristan. – Bem, disse ela, eu estou ouvindo.

Ele a envolveu num abraço cálido, afundando o rosto em seus cabelos e inspirando profundamente, como se para guardar o perfume dela num frasco dentro de sua memória. Lentamente Tristan começou a se mover ao som da melodia, guiando-a num bailar suave e terno. Ela se deixou levar, a cabeça pousada em seu peito; ficaria ali o tempo que fosse necessário, a vida inteira, até que ele estivesse pronto.

- Você sabe – começou ele – que nossa história foge um pouco do usual, para dizer o mínimo. Tudo se desenrolou como um romance do século XIX, desde a intervenção de nossas famílias – bem, tia Mildred e Tia Géneviève, para ser exato -passando pelas festas do Professor Slughorne e pelo calhorda do Campossanto. Entretanto, para bem ou para mal, aquele estafermo foi responsável pelo nosso primeiro beijo, que você, inclusive, pensou ter sido dado pelo Mercury.

- Own, você vai usar isso contra mim para sempre, não vai? – ela o olhou com ar suplicante. Por dentro, no entanto, ela estava se roendo de vontade de comentar a propensão Jane Austen que a história dos dois tinha de se desenrolar, incluindo este comentário.

- Desculpe-me, não é essa a intenção. Muito embora a expressão em seu rosto me deixe um tanto tentado a dizer isso mais umas duas ou três vezes. Você fica adorável quando sem jeito. E, nesse tempo que estamos juntos, a cada dia você fica mais confiante e, portanto, mais atrevida, logo, menos sem jeito. – ele estava sorrindo. Não havia sequer um traço de repreensão verdadeira em sua voz.

- Ei! Será que podíamos pular para a parte em que você me conta do nosso misterioso primeiro beijo? Prefiro esse trecho à pequena digressão em que agora nos encontramos...

- Ah, sim, o primeiro beijo. Esse é o primeiro ponto de uma relativamente longa lista que tenho para abordar com você hoje. Acho que nunca tive a oportunidade de me desculpar adequadamente por isso.

- Você está se desculpando por ter me beijado? - Ela parou de dançar abruptamente, seus olhos arregalados com a surpresa.

- NÃO! Quer dizer, sim. Quer dizer, não! Quer dizer, não me arrependo do que aconteceu, mas da forma como aconteceu. Por tê-la beijado num impulso, sem ter sua permissão para tal. Não foi muito cavalheiresco de minha parte Você estava semi-consciente e eu devia ter me controlado. Deus, isto está sendo realmente mais difícil do que eu imaginava! – ele segurou a base do nariz entre o polegar e o indicador, um sinal clássico de nervosismo. Num voleio rápido e firme ele conjurou a banqueta do piano que estava tocando sozinho sem que eles pudessem precisar desde quando.

- Entenda. Eu jamais me arrependeria de tê-la beijado, Selune. Aquele beijo foi a prova de tudo o quanto eu não admitia sentir, um interesse que foi esculpido em mim quando Madame Mildred falou sobre você para minha tia Géneviève, e que se confirmou quando eu a vi na reunião do Slug Club. Tão idealista, tão divertida, cheia de boas intenções, perspicaz e talentosa... Você era sim incrivelmente interessante, apaixonante e avoadamente atraente; ali eu soube que não me tinham enganado.

- Você viu isso tudo numa noite apenas?

- Seus olhos dizem tanto sobre você e você sequer percebe... Sim, eu vi. E eu também vi que estava prestes a me tornar irremediavelmente cativo desses olhos. Eu não só fiquei feliz com a idéia como nada fiz para tentar impedir. Nunca em minha vida havia sido uma pessoa crente em histórias de amor. O mundo em que eu vivia girava em torno de outro tipo de laço, a conveniência, o interesse e só. As outras histórias eram somente histórias para encantar as pessoas, nada mais. Mas você, de uma forma completamente irracional, fazia-me pensar que talvez fosse possível, que talvez eu também tivesse direito ao meu quinhão de amor fabuloso no mundo. Por isso eu intentei fazer as coisas do jeito correto, porque era algo que eu queria que desse certo. Porque eu sabia que essa impressão estava gravada em mim... para sempre.

Ele se calou e continuou olhando-a nos olhos; havia tanto ainda por dizer escondido sob a íris marrom-dourada, apenas aguardando o momento de se deixar relvelar.

- É surreal, não é? – disse ela - Eu mesma me espantei em como foi fácil aceitar que era você quem me tinha roubado um beijo aquela noite... - ela balançou a cabeça em negativa, para corrigir o erro que havia cometido - Não! Perdoe, não aceitar... constatar. E roubar também não é o termo certo. Não se rouba algo que já se possui. De algum modo além da razão, aquém da magia, eu sempre fui sua, Tristan McCloud.

- É por isso, Selune Priout, que contrariando toda a razão, a lógica do tempo, as convenções mais modernas, e, talvez agradando nossas tias mais do que elas mereçam, eu quero - preciso te pedir uma coisa. Sei que são tempos de guerra, que você deve voltar a Hogwarts em breve, mas de modo algum quero que se sinta coagida em concordar, caso não se sinta pronta. – segurando as mãos da jovem entre as suas ele se ergueu, fazendo com que ela fizesse o mesmo.

- Você quer que eu faça um voto perpétuo, lhe doe um órgão ou algo do tipo? – ela olhou fingindo desconfiança, um meio sorriso nervoso no canto dos lábios.

- Algo do tipo. – ele suspirou profundo, se colocou de joelhos e retirou do bolso a caixinha prateada que trouxera Selune até ali. Lá dentro havia um anel de diamantes que cintilou ainda mais quando uma dezena de fadas aproximou-se do casal , criando um halo dourado em volta dos dois – Selune Priout, você quer se casar comigo?

Wednesday, December 03, 2008

 

Oxigênio - Parte 2



- Tristan?



Devia ser pouco mais de 21:30. Selune abriu os olhos devagar, consciente de que havia dormido muito menos que o necessário e perfeitamente ciente de que não havia sido a luz insistente da lua cheia escapando por entre as cortinas leves que a tinha despertado. A última coisa que se recordava antes de abrir os olhos era de Tristan olhando para ela com um sorriso doce nos lábios, chamando por ela quase num solfejo. A impressão de sua presença foi tão vívida que havia enchido o ar com um cheiro meio cítrico, meio amadeirado que era a mais antiga lembrança que ela tinha de amá-lo. Um perfume leve, mas persistente, invadindo todo o lugar, tomando-a como uma lufada de calmaria em meio a tantas preocupações.



O silêncio geral que pairava indicava que todo o mundo ainda estava dormindo, a exceção dela mesma e do perfume de Tristan, que criara vida própria e saíra Londres a fora para despertar namoradas incautas no meio da noite. Enquanto ela deslizava pela lateral da cama, colocando-se de pé, seus olhos esquadrinharam o quarto em busca de um vestígio de que não era apenas sua saudade exigindo a presença dele ou sua imaginação a pregar-lhe peças – essas duas andavam de conluio a favor da memória quase balsâmica do moço, como se ter passado o dia anterior com ele não houvesse sido o suficiente.



Olhou para Lucky e Freyr que descansavam enroscados em seu pequeno dossel debaixo da cama e não pôde evitar o sorriso quando passou por sua mente procurar exatamente ali por alguma pista – quem além dela cogitaria tal possibilidade?



- Francamente, Selune! Volte imediatamente a dormir que você... - Sua cabeça tombou para o lado, os olhos apertados tentando confirmar que, de fato, havia um par de olhos âmbar muito brilhantes observando com hipnótica curiosidade no chão, do outro lado da cama.



- Mas o que...



- Prrr-uhuhu!



Selune caiu sentada enquanto uma coruja prateada voava elegantemente até o batente da janela, estendendo a pata direita com uma calma pomposa.



- Séneca! Mon Dieu, que susto! – somente a coruja de Tristan para ser tão cheia de etiqueta, ao menos tanto quanto é possível a um animal treinado a entrar sem bater aonde não foi chamada.



Assim que o papel com o selo dos McCloud foi aberto o a coruja prateada piou e, com um leve aceno de cabeça virou as costas e ganhou o céu.



Minha menina, bom dia!



Hoje é um dia como tantos outros, mas é um dia especial para mim. Por isso, contando com alguns gentis cúmplices, decidi que deveria torná-lo especial para você também. Você encontrará ao longo de suas tarefas rotineiras pequenas instruções que a trarão até mim antes do amanhecer.

Por favor, seja boazinha, siga as instruções e não tente trapacear. Também não atormente o pobre Lucien, ele não sabe de nada além do que você mesma sabe e, honestamente, ele deve estar dormindo a essa hora.

Agora, por favor, vá até seu banheiro e depois ao closet; lá irá encontrar as primeiras instruções. Se assim você desejar, nos veremos em breve.



Atenciosamente,



Tristan McCloud




- Atenciosamente... Aff! Você pode tirar um bruxo de Kensington, mas não pode tirar Kensington de um bruxo – disse ela referindo-se às maneiras nobres do namorado criado em meio a títulos e pompa no famoso “bairro Real” de Londres. Mas ela bem sabia que sua implicância não era nada sério. O jeito cavalheiresco de Tristan seguramente estava na lista das 10 coisas que ela amava fingir odiar.



No banheiro, sobre o lavabo diante do espelho havia uma tiara prateada com uma lua crescente do tamanho de um pomo de ouro incrustada na lateral esquerda, completamente cravejada de cristais furta-cores. Ao lado, havia uma pequena nota escrita em um papelete azul com os dizeres “Use-me”.



Antes de seguir as ordens, Selune lavou o rosto e escovou os dentes. O que quer que ele estivesse preparando não ia pegá-la desprevenida. Aproveitou e deu uma disfarçada na cara de sono com um feitiço Maquilage Vanittitas básico, já que sua varinha estava providencialmente à mão. Tão logo terminou essa etapa, Selune pegou a jóia entre os dedos, um tanto desconfiada; assim que tocou seu cabelo, correntes prateadas foram se desprendendo do arco e se enrodilhando pelos cachos, arrumando-os num coque elegante, mas despojado.



Sabendo que ainda não havia terminado, e conhecendo um pouco do namorado, Selune virou o papalete azul para encontrar, sem surpresa, uma outra mensagem: “Perfeito, amor! Agora vá até o closet”



Com cautelosa pressa ela dirigiu-se ao cômodo de onde, ela agora percebia, emanava uma suave luz dourada. Então ela viu: duas dúzias de fadas cintilantes voavam ao redor de um longo vestido azul celeste que flutuava languidamente bem no meio do ambiente. O tecido era etéreo e as dezenas – não! Centenas – de estrelas bordadas, agrupavam-se mais abundantemente no corpete e, na medida que iam avançando rumo à barra, ficavam mais e mais raras.



Havia ali um bilhete com os dizeres “Vista-me”; ela obedeceu, percebendo que a peça se ajustava perfeitamente em seu corpo.



Do mesmo modo que ocorreu com o outro bilhete, este a enviava de volta a seu quarto; sem surpresa ela percebeu sobre a cama um envelope vermelho colocado ligeiramente à frente de um par de sandálias azuis de cetim com a já esperada nota de “Calce-me”. Estas, por sua vez, estavam à frente de uma caixinha prata com escritos em alto relevo. Resolveu seguir a ordem de disposição e pegou primeiro a carta.



Oi, meu anjo!



Mal posso esperar para vê-la vestida de céu... No entanto, agora preciso que você siga as próximas instruções à risca, por mais tolas que pareçam as especificações.




- Ah, muito fácil para você falar! - ela retorquiu - Não é você que tem uma lendária falta de talento para saltos Luís XV que já serviu de tema para extensas palestras de etiqueta da Tia Mildred...



Eu sei, perdão pelos saltos. Mas a Victoria me garantiu que para esse tipo de ocasião o salto é o mais indicado. E ela também disse que você subestima a graça que há em você; seria meramente uma questão de confiança, calma, tendo sempre mente que se deve “flutuar ao invés de caminhar” – seja isso o que for.



- Pffff! – Selune revirou os olhos, absolutamente descrente.



Vamos! Não seja tão pessimista, sim? Eu sei que você vai se sair bem.



Um outro ponto que precisamos abordar aqui: como pode perceber, a ocasião é um pouco formal. Embora eu mesmo seja avesso a esse tipo de coisa, em estando comigo esses eventos serão uma constante, agora em razão de meus compromissos de trabalho. Se quiser desistir irei entender perfeitamente, sem ressentimentos. Mas caso esteja estranhamente com vontade de seguir com o plano, calce as sandálias e depois, com cuidado leia o que está gravado na tampa. E segure a caixinha. FIRME.



Até... cedo ou tarde.



Tristan.




Enquanto calçava as sandálias Selune pensava se não era suficientemente clara sobre o que sentia pelo namorado. Nunca sentira tamanha felicidade, uma sensação quase palpável de que as coisas estavam em seu lugar - e por lugar dela entenda-se onde quer ele estivesse – mesmo que significasse eventos sociais. Não fosse a guerra e todas as atrocidades acontecendo tão perto de seu nariz, seria possível que tivesse de esvaziar a alma diariamente num grito frenético para não explodir de alegria. E isso era assustador. Reconfortante, mas assustador.



- Ok. Vejamos “Me leve agora/ onde esperam por mim sem demora/ Prometo que não intento ma / Casa de Cristal! Casa de Cristal! Casa de Cristal!”?. Agora por que segurar firme e com cuidaaaaaaa...

Monday, December 01, 2008

 

Oxigênio - Parte 1



Encostada em uma árvore, Selune levantou o rosto sentindo os raios de sol da tarde que escapuliram pelas frestas da folhagem incidirem carinhosamente sobre sua pele. Ela olhou para baixo, Tristan estava de olhos fechados, a cabeça deitada no colo da namorada. Um sorriso de deleite podia ser visto nas feições do rapaz enquanto sentia os dedos delicados da loirinha percorrem com ternura em seus cabelos.

Aquele era o último dia em que estaria juntos, pelo menos apenas os dois, em muitos meses. No dia seguinte, Selune partiria para cursar o sétimo ano em Hogwarts e, uma semana de depois, seria a vez de Tristan iniciar seus estudos em Direito Bruxo na Academia de Estudos Alquímicos.

Com alguma sorte, ele poderia arrumar uma brecha e ver a namorada durante os passeios escolares a Hogsmeade, caso contrário, apenas se veriam nas férias de Natal.

Talvez não fosse tanto tempo assim, contudo, para os apaixonados, qualquer separação tende a parecer uma eternidade.

Foi exatamente pensando nisso que o rapaz planejara aquela tarde. Tristan praticamente "seqüestrara " Selune da mansão dos Priout, trazendo-a para o casarão onde ele residia com os pais.

Havia pedido para providenciarem um piquenique nos amplos jardins da casa, ressaltando que deveriam caprichar no petir gateau, afinal, era a sobremesa favorita de Selune.

Assim que eles chegaram via Flu na casa dos McCloud, ele a conduziu até os terrenos externos, tapando os olhos dela com as mãos. Entre o divertida e o curiosa, Selune se deixou guiar. Quando finalmente sentiu os dedos de Tristan se afastando de seus olhos, ela não conseguiu refrear um grito de alegria ao ver o que o namorado providenciara: a tolha xadrez e a cesta de guloseimas em contraponto com o verde das folhas e o colorido das flores que adornavam os jardins dos McCloud.

Em um impulso, Selune se virou, jogando-se no pescoço de Tristan em um abraço entusiasmado.

-Eu amei! - ela falou.

Desse modo, a tarde transcorrei de forma divertida e agradável, até aquele momento em que se encontravam, em silêncio, apenas apreciando a alegria de estarem um ao lado do outro.

Tristan abriu os olhos, percebendo que Selune estava entretida, olhando para o céu que se escondia por entre a copa da árvore.

-Está feliz, minha cara? - ele perguntou, chamando a atenção da moça para sim.

Contudo, não foi com um sorriso que Selune encarou o rapaz, mas com uma ligeira careta de desgosto.

-Por favor, não me chame de "minha cara", é como tia Mildred me chama quando quer me passar uma descompostura.

-E como devo chama-la? - ele perguntou, divertido.

-Sel para dias ensolarados e felizes como os de hoje, Selune para os momentos em que eu estiver triste e você precise me abraçar para me consolar... - ela respondeu com seriedade, embora um brilho de contentamento pudesse ser percebido no fundo dos orbes anis.

-E quando estivermos os dois felizes além de qualquer explicação? - Tristan perguntou.

Selune abaixou o rosto, selando os lábios do namorado com um rápido beijo, que se escondeu de quaisquer possíveis olhares alheios sob a cortina de fio dourados do cabelo da moça.

Afastando-se um pouco dele, mas com o rosto ainda próximo, ela respondeu, sorrindo.

-Acho que pode me chamar de Srta Poppins, mister Bert, afinal, aquele foi nosso primeiro dueto.

-Hoje, então, será Srta Poppins. Minha sempre doce e supercalifragilisticexpialidocious Mary Poppins.

O sorriso no rosto da francesinha se tornou mais amplo, e ela abaixou mais uma vez o outro, respondendo ao comentário de Tristan com um beijo.

-Eu tenho mais uma coisa para você - ele falou, logo após Selune se afasta.

Sentando-se, então, ao lado da namorada, ele levou a mão até o paletó que deixara próximo da árvore, retirando de lá uma caixinha minúscula e sua varinha.

-Engorgio - ele pronunciou, fazendo com o que o objeto aumentasse de tamanho, entregando o embrulho para Selune.

Sel pegou o presente, abrindo com cuidado o embrulho para não estragar o papel de seda que o envolvia. Os olhos da francesinha mal podiam acreditar no que via. Uma pequena caixa de metal, creme com detalhes dourados na laterais e o delicado desenho de uma lua crescente na tampa. Ao abri-la, um suave melodia começou a tocar. Dentro de uma bola de vidro que flutuava ao ritmo da composição, a imagem de uma moça loira, com roupas do séc. XVIII, ao piano, e, um rapaz de fraque, tocando violino ao lado dela surgiu.

-É a música que nos compomos juntos... - ela murmurou, olhando para Tristan.

-Mandei fazer especialmente para você. Para que a Srta Poppins possa sempre estar ao lado de Mister Bert, pelo menos em coração.

Selune não conseguiu mais segurar as lágrimas que teimavam em escapar-lhes dos olhos desde que escutara a melodia. Durante tanto tempo a felicidade parecia lhe escapar entremeio aos seus devaneios e às brumas daquele passado confuso que outrora lhe assombrava o inconsciente. Contudo, agora, não fosse a situação que circundava o mundo bruxo, a francesinha poderia dizer para si mesma e para todos, que a vida não poderia ser mais perfeita.. Tal sentimento rebentou-lhe no peito com tamanha força que duas teimosas lágrimas escaparam por suas bochechas rosadas.

- Desculpe, non queria chorarr... Parce que je suis si heureux ... Alors heureux ...(1)

Tristan sorriu, esticando a mão delicadamente até o rosto de Selune limpando as lágrimas com as pontas dos polegares.

-Je t'aime, ma fée bleue(2) - ele disse.

- Je vous aime, mon noble Chevalier - a loirinha respondeu, as bochechas levemente rubras.

E, enquanto o vento soprava por entre as folhas das árvores, em um murmúrio que parecia acompanhar a melodia que soava da caixinha de música, Tristan e Selune trocaram mais um beijo, ambos ansiando que o período que passariam separados fosse apenas míseros grãos de areia na ampulheta do Tempo comparado a todos os momentos felizes que teriam no futuro que planejavam construir juntos.



(1) Porque eu estou tão feliz ... Tão feliz
(2) Eu te amo, minha fada azul
(3) Eu te amo, meu nobre cavaleiro.

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